Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava um. ...

Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava um. Quando não encontrava, dava no mesmo, ele abria a janela, olhava o mundo e comunicava que não havia assunto. Fazia isso ...


Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava um. Quando não encontrava, dava no mesmo, ele abria a janela, olhava o mundo e comunicava que não havia assunto. Fazia isso com tanto engenho e arte que também dava no mesmo: a crônica estava feita. Não tenho nem o engenho nem a arte de Rubem, mas tenho a varanda aberta sobre a Lagoa ? posso não ver melhor, mas vejo mais. [...] Nelson Rodrigues não tinha problemas. Quando não havia assunto, ele inventava. Uma tarde, estacionei ilegalmente o Sinca-Chambord na calçada do jornal. Ele estava com o papel na máquina e provisoriamente sem assunto. Inventou que eu descia de um reluzente Rolls Royce com uma loura suspeita, mas equivalente à suntuosidade do carro. Um guarda nos deteve, eu tentei subornar a autoridade com dinheiro, o guarda não aceitou o dinheiro, preferiu a loura. Eu fiquei sem a multa e sem a mulher. Nelson não ficou sem assunto.

CONY, C. H. Folha de S. Paulo. 2 jan. 1998 (adaptado).

O autor lançou mão de recursos linguísticos que o auxiliaram na retomada de informações dadas sem repetir textualmente uma referência. Esses recursos pertencem ao uso da língua e ganham sentido nas práticas de linguagem. É o que acontece com os usos do pronome "ele" destacados no texto. Com essa estratégia, o autor conseguiu

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  • Marcos de Castro
    Marcos de Castro
    31/12/1969 • 21:00
    Gabarito: c) O texto apresenta o uso do pronome 'ele' para retomar os nomes dos cronistas Rubem Braga e Nelson Rodrigues sem repetir seus nomes diretamente, o que é um recurso comum de coesão textual.

    Essa retomada pronominal permite que o texto flua de forma mais natural e evita repetições desnecessárias, mantendo a clareza e a continuidade do discurso.

    A alternativa a) está incorreta porque o texto não confunde o leitor; o uso do pronome é claro e contextualizado para cada cronista.

    A alternativa b) não procede, pois o texto não dá preferência a nenhum dos cronistas, apenas apresenta características de ambos.

    A alternativa d) também não é correta, pois o foco não é sugerir que escrevem sobre assuntos semelhantes, mas sim mostrar como cada um lida com a falta de assunto.

    A alternativa e) está errada porque o texto não é obscuro nem ambíguo; pelo contrário, o uso do pronome 'ele' é um recurso que facilita a compreensão.

    Portanto, a estratégia do autor foi usar o pronome 'ele' para se referir a Rubem Braga e a Nelson Rodrigues, utilizando um recurso de articulação textual que mantém a coesão e a clareza do texto.
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