Ana Maria [entrevistadora]: Vida de empreguete é tão
dura assim como vocês retratam no clipe? Penha [empregada]: Olha, Ana, difícil mesmo é aturar
cara de patroa ignorante que não sabe pedir as coisas
com educação.
Sonia [patroa]: Ana, eu acho que nós estamos vivendo
uma inversão total de valores, entende? Não somos nós
que precisamos das empregadas. Elas é que precisam do
emprego, precisam do dinheiro que nós pagamos. Cida [empregada]: Até parece, dona Sonia, a senhora
precisa de mim até pra pegar água!
Sonia: Eu sou de um tempo em que os serviçais
sabiam o seu lugar!
Cida: Eu esqueci que a senhora pegou a época da
escravidão!
Ana Maria: Gente, eu só quis promover aqui uma
confraternização... Chayenne [patroa]: Ana, pare tudo, porque agora eu
quero falar! Eu sou uma patroa que dou de tudo: eu dou
comida, eu dou quartinho, eu dou sabão de coco pra elas
se lavarem, eu dou papel higiênico, eu dou copo, prato,
talher, tudo separado, sem descontar o salário!
Penha: Agora, pra tirar férias, como manda a lei, é
um sacrifício! E ela viaja e quer que eu fique carregando
a mala dela. Eu não sou carregadora de mala, não!
MACEDO, R. M. Espelho mágico: produção e recepção de imagens de empregadas
domésticas em uma telenovela brasileira. Cadernos Pagu, n. 48, 2016.
O diálogo, extraído de uma telenovela brasileira exibida
em 2012, traduz o pensamento de uma sociedade
caracterizada pela presença de
✂️ a) símbolos da expansão de bens culturais. ✂️ b) avanços do número de contratos formais. ✂️ c) elementos do sistema do cativeiro colonial. ✂️ d) progressos da venda de produtos midiáticos. ✂️ e) signos da modernização de relações laborais.