Chamou-me o bragantino e levou-me pelos
corredores e pátios até ao hospício propriamente.
Aí é que percebi que ficava e onde, na seção, na de
indigentes, aquela em que a imagem do que a Desgraça
pode sobre a vida dos homens é mais formidável.
O mobiliário, o vestuário das camas, as camas, tudo é de
uma pobreza sem par. Sem fazer monopólio, os loucos
são da proveniência mais diversa, originando-se em geral
das camadas mais pobres da nossa gente pobre. São de
imigrantes italianos, portugueses e outros mais exóticos,
são os negros roceiros, que teimam em dormir pelos
desvãos das janelas sobre uma esteira esmolambada e
uma manta sórdida; são copeiros, cocheiros, moços de
cavalariça, trabalhadores braçais. No meio disto, muitos
com educação, mas que a falta de recursos e proteção
atira naquela geena social.
BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos vivos .
São Paulo: Cosac& Naify, 2010.
No relato de sua experiência no sanatório onde foi
interno, Lima Barreto expõe uma realidade social e
humana marcada pela exclusão. Em seu testemunho,
essa reclusão demarca uma
✂️ a) medida necessária de intervenção terapêutica. ✂️ b) forma de punição indireta aos hábitos desregrados. ✂️ c) compensação para as desgraças dos indivíduos. ✂️ d) oportunidade de ressocialização em um novo
ambiente. ✂️ e) conveniência da invisibilidade a grupos vulneráveis
e periféricos.