Mais de 70 líderes mundiais celebraram, neste domingo (11), em Paris, o centenário do armistício que selou o fim da Primeira Guerra Mundial. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o russo, Vladimir Putin, o turco Recep Tayyip Erdogan e a chanceler alemã, Angela Merkel, participaram de um ato solene presidido pelo francês Emmanuel Macron. Em seu discurso como mestre de cerimônias, o líder da França criticou o crescente nacionalismo na América e na Europa. “O nacionalismo é uma traição ao patriotismo”, disse ele. O presidente pediu aos colegas que rejeitassem “o fascínio pela retirada, pela violência e pela dominação”. (LÍDERES... 2018).
A questão racial e a luta contra a discriminação estiveram
presentes em diversos movimentos sociais, no decorrer da
história brasileira, como se verificou no âmbito da
“Tudo aquilo que foi meu lastro, terra onde tinha fincado
os pés, tudo se transformou num jogo fácil de adivinhas. O
que era milagrosa descida dos santos reduziu-se a um estado
de transe que qualquer calouro da Faculdade analisa e expõe.
Para mim, professor, só existe a matéria. Nem por isso deixo
de ir ao terreiro e de exercer as funções de meu posto de
Ojuobá, cumprir meu compromisso. Não me limito como o
senhor que tem medo do que os outros possam pensar, tem
medo de diminuir o tamanho de seu materialismo.
— Sou coerente, você não é!, explodiu Fraga Neto, Se
não acredita mais, não acha desonesto praticar uma farsa,
como se acreditasse?
— Não. Primeiro, como já lhe disse, gosto de dançar e
de cantar, gosto de festa, antes de tudo de festa de
candomblé. Ademais, há o seguinte: estamos numa luta, cruel
e dura. Veja com que violência querem destruir tudo que nós,
negros e mulatos, possuímos, nossos bens, nossa fisionomia.
Ainda há pouco tempo, com o delegado Pedrito, ir a
candomblé era um perigo, o cidadão arriscava a liberdade e
até a vida (…) O senhor pensa que, seu eu fosse discutir
com o delegado Pedrito, como estou discutindo com o senhor,
teria obtido algum resultado? Se eu houvesse proclamadomeu materialismo, largo de mão o candomblé, dito que tudo aquilo não passava de um brinquedo de criança, resultado do medo
primitivo, da ignorância e da miséria, a quem eu ajudaria? Eu ajudaria, professor, ao delegado Pedrito e sua malta de facínoras,
ajudaria a acabar com uma festa do povo. Prefiro continuar a ir ao candomblé, ademais gosto de ir, adoro puxar cantiga e dançar
em frente aos atabaques.
— Assim, mestre Pedro, você não ajuda a modificar a sociedade, não transforma o mundo.
— Será que não? Eu penso que os orixás são um bem do povo. A luta da capoeira, o samba-de-roda, os afoxés, os
atabaques, os berimbaus são bens do povo. Todas essas coisas e muitas outras que o senhor, com seu pensamento estreito,
quer acabar, professor, igualzinho ao delegado Pedrito, me desculpe lhe dizer. Meu materialismo não me limita…”
“Três pastos, uma casa, uma roça de mandioca, arado, carro
de bois, cavalo, gado e cachorro. Uma mulher, doze filhos. O
baque da cancela era um adeus a tudo isso. Já tinha sido
um homem, agora não era mais nada, não tinha mais nada.”
TORRES, Antônio. Essa Terra. Rio de Janeiro: Record, 2005, 20
ed. edição, p. 67.
Considerando-se a totalidade do romance e a temática do
trecho acima, é correto afirmar: