Questões de Concursos

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Lenine
(Manuel Bandeira)

Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas.

Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

- Me dá um livro! aquele!
- Aquele é em francês, você não entende.
- Então aquele! - Aquele é em inglês.
- Não tem figura? - Não tem figura.
- Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
A forma verbal “Dir-se-ia”, que ocorre no terceiro parágrafo, pode ser entendida como um exemplo de variação diacrônica e, segundo a Norma Padrão, tem seu emprego justificado:
Considere a sequência A = {sen(x), sen3 (x),sen5 (x),sen7 (x), ⋯ }, com |sen(x)| < 1 e x um ângulo no primeiro quadrante. Assinale a alternativa que apresenta a soma dos infinitos termos dessa sequência.
Lenine
(Manuel Bandeira)

Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas.

Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

- Me dá um livro! aquele!
- Aquele é em francês, você não entende.
- Então aquele! - Aquele é em inglês.
- Não tem figura? - Não tem figura.
- Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
A coesão referencial é aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outros explícitos ou inferíveis. Nesse sentido, assinale a alternativa em que se destaca, do primeiro parágrafo, um exemplo desse tipo de coesão.
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A conjunção adverbial temporal “quando” está presente no primeiro e no segundo parágrafo do texto. Em relação ao seu emprego, é correto afirmar que exprime, em sua primeira e segunda ocorrência, respectivamente:
Lenine
(Manuel Bandeira)

Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas.

Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

- Me dá um livro! aquele!
- Aquele é em francês, você não entende.
- Então aquele! - Aquele é em inglês.
- Não tem figura? - Não tem figura.
- Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
A forma verbal “Lembram-se”, no terceiro parágrafo, contribui para a coerência do texto uma vez que deve ser entendida como:
Lenine
(Manuel Bandeira)

Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas.

Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

- Me dá um livro! aquele!
- Aquele é em francês, você não entende.
- Então aquele! - Aquele é em inglês.
- Não tem figura? - Não tem figura.
- Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
O final do texto apresenta a fala dos personagens por meio de um discurso que:
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
No último parágrafo do texto, o emprego do adjetivo “filial” deve ser entendido como um recurso coesivo que:
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
Na passagem “limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão” (2º§), registram-se duas ocorrências da preposição “a”. No entanto, ocorre crase em apenas uma delas. Com base nessa afirmação, assinale a alternativa que apresenta um comentário correto.
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A fim de aproximar o leitor da discussão que será apresentada, o autor combina duas importantes figuras de linguagem no subtítulo. Assinale a alternativa que apresenta as duas figuras de linguagem presentes no subtítulo.
Três torneiras estão despejando água continuamente. Após 1 minuto, o volume aproximado de água que sai da primeira é de 2,5 cm3 , o da segunda é de 3 cm3 e o da terceira é de 4 mL. Quando a primeira torneira tiver despejado 1 L, quantos litros a terceira torneira terá despejado a mais que a segunda?
Lenine
(Manuel Bandeira)

Homens há que levam uma vida obscura e só depois da morte se vai tecendo a lenda em que se lhes perfaz a glorificação. A outros, ao contrário, a lenda os anuncia. Surge primeiro um nome, até então de todo desconhecido, e em torno dele as imaginações trabalham, as informações contraditórias pululam, e à mercê desse lento processo de cristalização uma estranha figura vai avultando extra-real e muitas vezes com proporções até nitidamente inumanas.

Lenine era para mim um desses nomes. E no entanto, preciso dizê-lo, Lenine foi uma das grandes decepções de minha vida. Assim acontece sempre quando a imaginação superexcitada longamente se encontra de repente face a face com a realidade no cotidiano das coisas.

Lenine!... Lembram-se como essas três sílabas começaram a aparecer no serviço telegráfico da guerra? No atordoamento das derrotas russas o nome se insinuava misteriosamente como de um habilíssimo espião a soldo de agentes alemães e servindo contra a sua própria pátria. Lenine era isto. Lenine era aquilo. Lenine era agente alemão?

O nome por si só vivia de uma vida intensa. Dir-se-ia criação verbal de um grande poeta, um desses grandes artistas que guardam toda a força mesmo sob os gestos de maior carinho. [...]

Quando, porém, chegou a hora de maiores intimidades intelectuais, Lenine se mostrou já imbuído do que há de mais odioso no espírito pequeno-burguês: a preocupação do ganho, a cobiça dos bens materiais, o gozo e delícia da propriedade.

Se me encontrava na rua, pedia tostão. Se me via à janela, entrava a pedinchar quanto deparava em minha sala:

- Me dá um livro! aquele!
- Aquele é em francês, você não entende.
- Então aquele! - Aquele é em inglês.
- Não tem figura? - Não tem figura.
- Deixe ver! [...]

(ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Elenco de cronistas
modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1995)
O primeiro parágrafo do texto II distingue dois tipos de homens. De acordo com o narrador, Lenine seria um exemplo:
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
Chama-se heterogeneidade tipológica o fato de um gênero textual ser constituído por dois ou mais tipos. Nesse sentido, no texto de Ruy Castro, assinale a alternativa correta.
Outdoors ambulantes
A publicidade tomou conta do mundo e não há mais um centímetro de superfície que não venda alguma coisa
(Ruy Castro)

O jornalista Paulo Francis nunca usou um jeans na vida. Em 30 anos de convívio, nunca vi. Sempre de calça social. Incomodava-o ver sujeitos na rua ostentando aquele couro costurado no bolso de trás com a marca do fabricante, anunciando-a como se fossem outdoors ambulantes. Não entendia como alguém podia se orgulhar de exibir nomes como Levi’s ou Wrangler quando a etiquetinha de seus ternos e gravatas da Brooks Brothers era aplicada internamente, de forma a ser lida apenas pelo usuário. "Bundinha que mamãe beijou vagabundo nenhum prega a marca", dizia.

Quando Francis morreu, em 1997, a tomada do mundo pela publicidade apenas começava. Em Nova York, onde morava, cartazes, outdoors e luminosos já faziam parte da paisagem desde os anos 1920, claro, mas concentravam-se no distrito teatral —Broadway, Rua 42, Times Square, parte do Village. Os táxis e ônibus circulavam com os nomes de suas respectivas empresas na lataria, e só. Mesmo as lanchonetes vagabundas, que adorava frequentar por causa dos hambúrgueres, limitavam-se às ofertas do dia, a giz, no quadro-negro atrás do balcão. [...]

Francis era do tempo em que os anúncios nos jornais e revistas faziam parte da página impressa e não nos agrediam. Ao contrário, as agências de propaganda disputavam em criatividade e sofisticação — na imprensa brasileira, ficaram clássicos os anúncios do Banco Nacional, com o guarda-chuva como símbolo, e os do Volkswagen, que faziam do modesto buggy um objeto de desejo.

Hoje, a propaganda é grosseira e compulsória em tudo que a vista alcança. Não há um centímetro que não seja usado para vender alguma coisa. Não preciso descrever isso aqui, nem há espaço para tanto. É só olhar em torno. E não apenas na rua — em tudo que trazemos para casa, há um anúncio de alguma coisa de que nunca tínhamos ouvido falar e de que não podemos abrir mão.

O filial Francis não gostaria de saber que, agora, há até ovos carimbados com a marca de sua granja natal e anunciando suas mães como grandes poedeiras.

(Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/outdoorsambulantes.shtml/. Acesso em 12/04/2025)
A fim de apresentar seu posicionamento acerca da situação atual da propaganda, o enunciador constrói a introdução do texto por meio do seguinte recurso expressivo:
Geraldo e Maurício possuem coleções de cartões postais de regiões do Paraná. A coleção de Geraldo pode ser organizada em um álbum, colocando-se 3 cartões por folha. Usando o mesmo número de folhas, pode-se organizar a coleção de Maurício, colocando-se 5 cartões por folha. Além disso, se Maurício der 6 cartões de sua coleção a Geraldo, as coleções de ambos passarão a ter a mesma quantidade de cartões. Quantos cartões há nas coleções de Geraldo e Maurício juntas?

O texto a seguir é referência para a questão.

'Speed watching’: o que você perde quando acelera a velocidade do filme?

Com a pandemia de coronavírus, uma legião de confinados passou a sentir o tempo de forma diferente. Um exemplo disso é o crescente hábito de consumir produções audiovisuais em velocidade acelerada. Cada vez mais plataformas de streaming têm oferecido ferramentas de speed watching, que permitem alterar o ritmo do que se assiste ou se escuta. Na Netflix, é possível ver um filme ou série com até o dobro da velocidade original. As possibilidades são as mesmas no Youtube e no Spotify. Isso estende a funcionalidade para podcasts, palestras e até aulas online.

Especialistas entendem que essa tendência é uma resposta ao atual momento: mais do que nunca, a tecnologia é a principal interface das pessoas com o mundo ao redor. Isso interfere no ritmo com o qual se vive e se consomem conteúdos. O psiquiatra Adriano Aguiar lembra que, durante muito tempo, a rotina das pessoas era ditada pela natureza. Depois, com a chegada da televisão, os programas passaram a interferir no dia a dia das famílias. “Algumas iam dormir só depois da novela ou do programa do Jô Soares”, exemplifica o médico. Hoje, em meio à explosão do mercado de streaming, que dá a possibilidade de se assistir ao que se quer e quando se quer, esses limites se dissolveram. “Estamos jogados no ilimitado da informação e submetidos ao funcionamento de algoritmos que deliberadamente trabalham para gerar uma adição”, defende Aguiar.

É diante desse fluxo frenético que as pessoas se veem impelidas a consumir em pouco tempo a maior quantidade de conteúdo possível. Isso pode levar à chamada síndrome de FOMO, sigla do inglês “fear of missing out”: aquele medo desesperado de perder alguma coisa frente a uma avalanche de dados. O “speed watching” se insere nesse contexto.

Assistir a um filme em velocidade acelerada ajuda a ganhar tempo. Por outro lado, um hábito que serviria para descansar a mente acaba alimentando a ansiedade, conforme explica a psiquiatra e professora da Universidade Positivo, Raquel Heep. O cérebro do ansioso pode operar em um sistema de recompensa: consumindo mais em menos tempo e sentindo os ganhos disso, terá dificuldade em desfrutar de uma obra no ritmo original. Para Heep, há uma confusão entre absorver fatos e ter um momento de contemplação. O cineasta Alexandre Rafael Garcia concorda. Ele argumenta que receber informações é diferente de assimilálas mediante a reflexão que um filme ou série promovem sob um ritmo determinado. “Eu sei que o homem de ferro morre, mas ver o homem de ferro morrendo é outra coisa. E a nossa sociedade está muito centrada no volume do que se consegue absorver”, diz Garcia, que é também professor de cinema da Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

Embora acelerar um filme atrapalhe a experiência de assistir a um grande clássico, cineastas e neurocientistas concordam que o cérebro humano pode estar ficando mais rápido e, com isso, os filmes também. O premiado diretor de cinema Fernando Meirelles está entre os que enxergam esse movimento. Para ele, o fato de nossa cabeça estar ficando mais veloz impacta a recepção das produções cinematográficas agora. “A quantidade do que processamos hoje é muitas vezes maior do que o que recebíamos há 40 anos”, diz.

O neurocientista Marcelo de Meira Santos Lima, da Universidade Federal do Paraná, explica que, embora não haja estudos comprovando a influência do “speed watching” no cérebro, esse órgão pode, sim, sofrer impactos de longo prazo, a começar pelas sinapses. Coletivamente, a formação de novas redes neurais poderia originar cérebros mais eficientes e rápidos, embora com uma demanda de energia atípica e capaz de impulsionar quadros de ansiedade, insônia, distúrbios de atenção e depressão.

Enquanto a ciência não decifra esse mistério, muitos seguirão acelerando conteúdos. Ao menos de vez em quando, como faz o próprio Fernando Meirelles. Ele confessa que em alguns casos, quando um filme lhe parece previsível ou desinteressante, opta por escaneá-lo, na expectativa de que alguma cena para frente o prenda. “Acelerar para mim é o estágio que vem antes de abandonar”.

(Lívia Inácio, 14/03/2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56368238.)

Com relação à estrutura textual, considere as seguintes afirmativas:


1. A autora opta pela problematização do tema já no primeiro parágrafo.

2. A pergunta que faz parte do título é respondida ao longo do texto.

3. Meirelles é a favor da aceleração dos filmes clássicos para que eles possam ser absorvidos pelo cérebro humano.


Assinale a alternativa correta.