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Pergunta Interativa
Qual é o conceito analítico de infração penal na Teoria Geral do Delito?
Conteúdo Completo
1.
Qual é o conceito analítico de infração penal na Teoria Geral do Delito?
É a análise dos elementos estruturais da infração penal.
O conceito analítico considera os componentes que formam a infração penal, como conduta, tipicidade, ilicitude e culpabilidade, buscando entender sua estrutura completa. Por exemplo, um homicídio é analisado sob esses elementos para verificar se há crime.
2.
Qual a diferença entre crime (delito) e contravenção penal?
Crime é conduta grave, contravenção é menos lesiva.
No Brasil, infração penal é um gênero dividido em crimes (delitos) e contravenções. A conduta grave é crime, sujeita a penas maiores, enquanto atos menos lesivos são contravenções, com punições mais brandas, conforme o contexto social.
3.
O que caracteriza o delito segundo o modelo tripartite adotado no CP?
Conduta típica, antijurídica e culpável.
O modelo tripartite exige que o fato seja: típico (enquadra-se no tipo penal), ilícito (contrário ao direito) e culpável (passível de reprovação). Por exemplo, matar alguém dolosamente sem justificativa configura delito.
4.
O que é tipicidade na teoria do delito?
Adequação da conduta ao tipo penal previsto em lei.
A tipicidade é o enquadramento do comportamento do agente no tipo jurídico descrito. Exemplo: atirar em alguém e causar morte encaixa-se no tipo penal homicídio, cumprindo a tipicidade.
5.
Quais são os elementos centrais da tipicidade formal?
Conduta humana, nexo causal e adequação típica.
É a ação ou omissão consciente e voluntária que causa o resultado previsto pelo tipo penal, havendo relação direta entre conduta e resultado. Exemplo: dirigir embriagado e atropelar uma pessoa.
6.
Qual a diferença entre dolo e culpa na conduta típica?
Dolo é intenção; culpa é descuido sem querer o resultado.
No dolo, o agente quer o resultado ou assume o risco; na culpa, atua sem intenção, mas por negligência, imprudência ou imperícia causa o resultado. Exemplo: matar alguém intencionalmente (dolo) vs. causar acidente por imprudência (culpa).
7.
O que é nexo de causalidade no delito?
Ligação direta entre conduta e resultado.
É a relação causa-efeito fundamental para imputar o resultado ao agente. Por exemplo, se o motorista atropela uma pessoa, há nexo causal entre a ação de dirigir e a morte.
8.
Como o Código Penal aborda a superveniência de causa independente?
Exclui imputação pelo resultado se causa independente produziu efeito.
Quando uma causa posterior e independente gera o resultado, o agente inicial responde apenas pelo resultado anterior. Exemplo: lesão seguida de morte causada por acidente da ambulância.
9.
Quando a omissão é penalmente relevante?
Quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado.
Segundo o CP, a omissão é relevante se o agente tem dever legal ou assumiu responsabilidade e poderia evitar o dano, como o policial que não age frente a crime ou babá que não protege criança.
10.
Qual o princípio central da tipicidade material?
Lesão ou ameaça significativa ao bem jurídico protegido.
A tipicidade material exige que a conduta cause um dano relevante ao bem jurídico, descartando crimes formais sem efetiva lesão, como o furto sem subtração efetiva.
11.
Quais são os princípios ligados à tipicidade material?
Lesividade, insignificância, adequação social e alteridade.
O princípio da lesividade exige dano; da insignificância exclui danos irrelevantes; da adequação social considera atos socialmente aceitos; e da alteridade requer lesão a terceiros, como no exemplo do furto de algo extremamente insignificante.
12.
O que é a antijuridicidade (ilicitude) do delito?
Conduta contrária ao ordenamento jurídico sem excludentes.
Um fato típico será ilícito se violar a lei sem que haja causa justificadora. Exemplo: agressão sem legítima defesa é ilícita; já se agir em legítima defesa, não há ilicitude.
13.
Quais são as causas excludentes de ilicitude previstas no CP?
Estado de necessidade, legítima defesa, dever legal e exercício regular de direito.
Essas excludentes autorizam a conduta típica, afastando a ilicitude. Por exemplo, agente que age em legítima defesa repele agressão sem praticar crime.
14.
O que define o estado de necessidade como excludente de ilicitude?
Prática para salvar perigo atual sem causar sacrifício desproporcional.
O agente age para evitar dano maior a direito próprio ou alheio, sem poder evitar de outro modo, e onde o sacrifício exigido seria injusto, como quebrar porta para salvar vida.
15.
Quais os requisitos do estado de necessidade?
Perigo atual, não provocado, ameaça a direito, inevitabilidade e razoabilidade.
É preciso que o perigo seja real e iminente, causado por terceiros, que o agente não podia evitar, que o bem protegido tenha valor igual ou superior ao sacrificado, e que o sacrifício seja razoável.
16.
Qual a diferença entre estado de necessidade real e putativo?
Real: perigo existe; Putativo: perigo suposto por erro.
No estado de necessidade real o perigo é concreto, enquanto no putativo o agente só imagina o perigo, podendo haver exclusão ou redução de pena conforme inevitabilidade do erro.
17.
O que é legítima defesa segundo o Código Penal?
Reprimir agressão atual ou iminente com meios moderados necessários.
Legítima defesa é o direito de proteger a si ou a terceiros contra agressão injusta. Por exemplo, usar força proporcional para repelir um ataque físico iminente.
18.
Quais são os requisitos para configurar legítima defesa?
Agressão injusta, atual ou iminente; uso moderado dos meios necessários.
Para legitimar a defesa, a agressão deve ser contra direito próprio ou de terceiro, e deve-se usar meios proporcionais ao ataque, evitando excessos.
19.
O que é o estrito cumprimento do dever legal?
Atuação obrigatória conforme a lei em funções públicas ou delegadas.
Agente público pode ferir bens jurídicos se estiver cumprindo obrigação legal. Exemplo: policial que prende alguém agindo conforme a lei, sem abusos ou excessos.
20.
Quando há excesso no estrito cumprimento do dever legal?
Quando a conduta ultrapassa a obrigação legal, dolosa ou culposamente.
Se um policial usa força desproporcional, causando danos além do permitido, incorre em excesso doloso ou culposo, respondendo por isso, apesar da causa excludente.
21.
O que caracteriza o exercício regular de direito?
Exercício de um direito previsto em lei, com indispensabilidade e proporcionalidade.
Como exemplificar prisão em flagrante por cidadão comum: restringe direitos, mas é permitido. Requisito: uso proporcional e adequado do direito.
22.
Quais os requisitos do exercício regular de direito?
Indispensabilidade, proporcionalidade e conhecimento da situação.
Não se pode agir com meios desnecessários; a reação deve ser proporcional; e o agente deve estar ciente dos fatos justificadores da ação.
23.
Qual a definição de culpabilidade na Teoria Geral do Delito?
Juízo de reprovabilidade sobre a conduta do agente.
Culpabilidade avalia se o agente pode ser responsabilizado moral e juridicamente pelo ato, considerando imputabilidade, consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa.
24.
O que é imputabilidade penal?
Capacidade do sujeito entender e querer a conduta ilícita.
Agente imputável tem discernimento para entender o crime e agir conforme isso. Inimputáveis, como menores ou doentes mentais, não respondem penalmente.
25.
Como o Código Penal trata menoridade penal?
Menores de 18 anos são inimputáveis, sujeitos a medidas socioeducativas.
Até 18 anos, o indivíduo não é responsabilizado criminalmente, recebendo proteção e reeducação conforme ECA, sem aplicação de penas tradicionais.
26.
Quando a embriaguez exclui a imputabilidade penal?
Só na embriaguez completa, involuntária, causada por caso fortuito ou força maior.
Se o agente fica totalmente incapaz por embriaguez não voluntária, não responde penalmente. Caso contrário, mesmo embriagado voluntariamente, pode ser punido.
27.
O que é potencial consciência da ilicitude?
Possibilidade de entender, nas circunstâncias, o caráter ilícito da conduta.
O agente deve ter meios para reconhecer que sua ação é proibida. Se o erro sobre isso for inevitável, pode haver isenção de pena; se evitável, atenuação da pena.
28.
Qual a diferença entre erro de proibição direto e indireto?
Direto: acredita que conduta é lícita; Indireto: erro sobre limites ou excludentes.
Erro direto é desconhecimento da ilegalidade; erro indireto é quando o agente pensa que existe uma causa justificadora para a conduta, mas está equivocado.
29.
O que é erro de tipo e qual sua consequência?
Engano sobre fato que exclui dolo, mas admite punição por culpa se prevista.
O agente desconhece um elemento do tipo penal, como erro sobre a pessoa ou objeto. Por exemplo, atira em pessoa errada. Exclui o dolo, mas pode responder por culpa.
30.
O que é inexigibilidade de conduta diversa na culpabilidade?
Situação em que não se pode exigir comportamento diferente do agente.
Quando o agente não tinha alternativa razoável a não ser agir da forma praticada, como coação moral irresistível ou obediência hierárquica, não se considera culpável.