Um paciente do sexo masculino de 70 anos foi encaminhado para
investigação diagnóstica de dispneia progressiva. Após exame
físico detalhado e anamnese cuidadosa, referia ser ex-tabagista
(carga tabágica de 20 anos-maço), portador de hipertensão
arterial sistêmica em uso de losartana. Paciente relatava dispneia
progressiva com início há dois anos e piora significativa nos
últimos oito meses. Negou febre, dor torácica, poliartralgia,
poliartrite e sudorese noturna. Sempre trabalhou em escritório,
sem qualquer tipo de exposição ambiental no trabalho ou na
residência. O paciente trouxe diversos exames, como
espirometria, que sugeria distúrbio ventilatório restritivo grave. A
tomografia computadorizada de tórax, realizada recentemente,
evidenciou infiltrado intersticial reticular bilateral, simétrico,
predominando na periferia do parênquima pulmonar com
diversas áreas de faveolamento na periferia do parênquima. O
padrão radiológico era típico de pneumonia intersticial usual
(PIU). Além disso, o paciente trouxe diversos marcadores de
autoimunidade, todos não reagentes.
Considerando-se a história clínica e os achados radiológicos e
funcionais, a suspeita diagnóstica seria de:
✂️ a) pneumonia em organização, caracterizada pelo padrão de
infiltrado reticular na tomografia computadorizada; ✂️ b) sarcoidose, pelo aspecto radiológico e o quadro de dispneia
progressiva; ✂️ c) DPOC, considerando-se os achados radiológicos e funcionais; ✂️ d) fibrose pulmonar idiopática, por se tratar de paciente extabagista, sem história de exposição ocupacional, marcadores
de autoimunidade não reagentes, além dos achados clínicos
radiológicos; ✂️ e) tuberculose, pelos achados radiológicos descritos na
tomografia computadorizada.