Na obra Documentos de identidade:uma introdução às teorias de currículo, Tomaz Tadeu da Silva argumenta que as vertentes
teóricas crítica e pós-crítica do currículo emergem como reações às limitações da teoria tradicional, que concebe o currículo
como um conjunto neutro de conteúdos organizados para transmissão de conhecimento e mensuração do desempenho.
A teoria crítica recusa a pretensa neutralidade do currículo e entende que ele é atravessado por relações de poder. Explora a
ideia de que a escola pode reproduzir desigualdades, mas também pode combatê-las. Valoriza a conscientização dos estudantes
sobre os mecanismos sociais e históricos que estruturam essas desigualdades.
A teoria pós-crítica, embora também rejeite o modelo tradicional, desloca a análise para a esfera discursiva e cultural,
questionando as verdades universais e focalizando a construção das identidades, das subjetividades e das diferenças.
Nesse sentido, o currículo é um texto cultural que produz significados sobre o mundo e os sujeitos.
Com base no exposto, qual estratégia pedagógica desenvolvida com os estudantes está alinhada à teoria crítica de currículo?
Em uma escola da rede pública municipal, a equipe de educadores está revisando o Projeto Político Pedagógico (PPP) à luz
do novo referencial curricular do município, elaborado de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Durante as
reuniões, surgem diferentes percepções entre os professores: alguns compreendem que esse documento apresenta uma lista de
conteúdos obrigatórios a serem cumpridos; e outros entendem que ele orienta as decisões didáticas que deverão ser adaptadas,
considerando o contexto da escola e as necessidades dos estudantes. Diante dessa problemática, a coordenadora pedagógica
apresenta a perspectiva do currículo moldado, segundo a reflexão de Gimeno Sacristán (2000): “O currículo moldado vai além
do currículo prescrito (normativo) e do apresentado (materiais didáticos), devendo ser articulado e ressignificado de acordo
com os diferentes componentes curriculares, de modo a convergir para o contexto local e regional”.
Diante do exposto, a concepção curricular apresentada pela coordenadora implica assumir o currículo como
A Educação do Campo emerge da discussão de diálogos com movimentos sociais e em diferentes eventos, como as Conferências
Nacionais por uma Educação Básica do Campo. Normativas foram promulgadas, tais como a Resolução CEB/CNE n. 1/2002,
que institui Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, em prol de um projeto que continue a “luta para
que os sistemas de ensino discutam um currículo para a área rural e que a formação de professores, inicial, continuada ou em
serviço, não reproduza o currículo da área urbana na rural”.
ALENCAR, M. F. S. Educação do Campo e a formação de professores: construção de uma política
educacional para o campo brasileiro. Ci. & Tróp., n. 2, 2010 (adaptado).
Nesse contexto, a formação do professor para a Educação do Campo tem como princípio