Considere o poema de Augusto Massi para responder à questão.

Homem rindo

A roda de amigos
sacudida por uma
rajada de risos.

Me concentro num
homem tímido que
sorri por dentro.

Deslocado na roda
rapidamente corta
o riso pela raiz.

Mas o riso retorna.
Coceira furiosa nos
orifícios do nariz.

Bebe graça no gargalo
rola rala racha o bico
ri até ficar sem graça.

A rodada de amigos
explode às gargalhadas:
o tímido é sua cachaça.

(Negativo, 1991.)
No contexto do poema, o sentido expresso pelo último verso é:
Considere o poema de Augusto Massi para responder à questão.

Homem rindo

A roda de amigos
sacudida por uma
rajada de risos.

Me concentro num
homem tímido que
sorri por dentro.

Deslocado na roda
rapidamente corta
o riso pela raiz.

Mas o riso retorna.
Coceira furiosa nos
orifícios do nariz.

Bebe graça no gargalo
rola rala racha o bico
ri até ficar sem graça.

A rodada de amigos
explode às gargalhadas:
o tímido é sua cachaça.

(Negativo, 1991.)
“Deslocado na roda rapidamente corta o riso pela raiz.”
A expressão “cortar pela raiz” equivale a
Leia o texto para responder a questão.

Tentativa e erro, experimentar o novo, entender que algumas questões têm respostas complexas ou podem mesmo não ter uma resposta, cultivar a noção de que o fracasso é essencial para o progresso, aceitar que erros são o que nos faz eventualmente acertar, saber persistir quando as dificuldades parecem não acabar nunca.
Esses são alguns dos componentes da pesquisa científica, uma espécie de sabedoria acumulada através dos tempos que, acredito, é também muito útil em vários aspectos da vida – de como enfrentar desafios individualmente até como reger empresas.
Quem poderia adivinhar que a eletricidade e o magnetismo são manifestações de um campo eletromagnético que se propaga através do espaço com a velocidade da luz? Quem poderia adivinhar que as espécies animais evoluem devido a mutações genéticas aliadas ao processo de seleção natural? Esse conhecimento todo não veio do nada; exigiu muita coragem intelectual, disciplina de trabalho e tolerância ao erro.
Se as coisas não funcionam, precisamos deixar o orgulho para trás e aceitar que falhamos. Todo cientista sabe muito bem que a maioria das suas ideias não vai funcionar. Resolutos, vamos em frente; mas devemos também estar abertos a críticas.
Na ciência, e em qualquer outra área de trabalho, é bom ouvir as sábias palavras de Isaac Newton – mesmo se o próprio, durante a vida, não tenha sido o que chamaria de um modelo de humildade profissional: “Não sei o que possa parecer aos olhos do mundo, mas aos meus pareço apenas ter sido como um menino brincando à beira-mar, divertindo-me com o fato de encontrar de vez em quando um seixo mais liso ou uma concha mais bonita que o normal, enquanto o grande oceano da verdade permanece completamente por descobrir à minha frente”.

(Marcelo Gleiser. www.folha.uol.com.br. 10.12.2017. Adaptado)
O autor defende que
Leia o texto de Jorge Coli para responder à questão.

Dizer o que seja a arte é coisa difícil. Um sem-número de tratados de estética debruçou-se sobre o problema, procurando situá-lo, procurando definir o conceito. Mas, se buscamos uma resposta clara e definitiva, decepcionamo-nos: elas são divergentes, contraditórias, além de frequentemente se pretenderem exclusivas, propondo-se como solução única. Desse ponto de vista, a empresa é desencorajadora.
Entretanto, se pedirmos a qualquer pessoa que possua um mínimo contato com a cultura para nos citar alguns exemplos de obras de arte ou de artistas, ficaremos certamente satisfeitos. Todos sabemos que a Mona Lisa, que a Nona Sinfonia de Beethoven, que a Divina Comédia, que Guernica de Picasso ou o Davi de Michelangelo são, indiscutivelmente, obras de arte. Assim, mesmo sem possuirmos uma definição clara e lógica do conceito, somos capazes de identificar algumas produções da cultura em que vivemos como “arte”.
É possível dizer, então, que arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo, isto é: nossa cultura possui uma noção que denomina solidamente algumas de suas atividades e as privilegia. Portanto, podemos ficar tranquilos: se não conseguimos saber o que a arte é, pelo menos sabemos quais coisas correspondem a essa ideia e como devemos nos comportar diante delas.

(O que é arte, 2010. Adaptado.)
“arte são certas manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo” (3° parágrafo)
Os dois segmentos sublinhados podem ser substituídos, com correção gramatical, por:
Leia a crônica de Ruy Castro para responder à questão.

Como um tumor

Cientistas da Universidade de Hiroshima, no Japão, criaram uma rã transparente, cujas intimidades ficam expostas e podem ser perfeitamente observadas pelo lado de fora. Com isso, salvaram-se gerações inteiras de rãs, porque os cientistas não precisarão mais dissecá-las para saber como reagem às substâncias que eles vivem lhes injetando. Outra vantagem é a de que poderão acompanhar uma rã por todo o seu ciclo de vida — o ciclo de vida da rã, claro, não dos cientistas.
Para chegar à rã transparente, os japoneses, craques em engenharia genética, levaram anos cruzando exemplares de rãs albinas. E agora partiram para aperfeiçoá-la: vão fazer com que qualquer corpo estranho que apareça dentro da rã se acenda. Um tumor, por exemplo.
Já no Marrocos, também nesta semana, os cientistas da Universidade de Rabat conseguiram com que um pato nascesse no ovo de uma galinha. Se isso lhe parece meio mixo (afinal, no mesmo dia, em Recife, uma avó deu à luz seus próprios netos, lembra-se?), saiba que a proeza marroquina é considerada mais importante, pelo fato de os palmípedes e os galináceos constituírem famílias diferentes.
Por coincidência, é o que se está discutindo em Brasília nos últimos dias: um político gerado num ovo destinado a palmípedes pode se baldear no meio do mandato para o terreiro dos galináceos, por ver neste mais oportunidades para ciscar? Em princípio, não. Mas e se o eleitor só quiser saber do pinto ou do pato, e não do ovo de onde ele saiu?
Essas mudanças nunca são de graça. Assim, sugiro convocar os japoneses para cruzar nossos políticos com as rãs albinas e, com isso, criar políticos transparentes. Quando um deles recebesse um corpo estranho — uma propina, por exemplo —, esse corpo se acenderia. Como um tumor.

(Crônicas para ler na escola, 2010.)
Na frase “os cientistas não precisarão mais dissecá-las para saber como reagem às substâncias que eles vivem lhes injetando” (1° parágrafo), o verbo “viver” foi empregado com a mesma acepção que se verifica em:

Leia o texto a seguir para responder à questão.


A comparação entre as festas realizadas no Dia dos Finados no Brasil e no México demonstrou que a população do país da América do Norte associou mais a tradição indígena do que o país da América do Sul. O Dia dos Mortos, como é conhecida a celebração mexicana para o dia 2 de novembro, é uma das maiores celebrações do mundo e demonstra a forte conexão que os mexicanos têm com seus antepassados.

Por meio da análise dos símbolos utilizados na data, a pesquisadora Júlia Batista Alves pôde perceber por que há pouca força do evento no Brasil: “Aqui não vemos nada parecido com o que acontece nas ruas do México”.

Uma possível explicação para as divergências estaria, segundo a pesquisadora, na forma como a cultura indígena foi mais integrada à população não indígena no México, enquanto no Brasil a supressão da cultura indígena parece ter sido mais radical. “Podemos dizer que, nesta comparação, os indígenas no Brasil assimilaram mais a cultura católica europeia, e que os indígenas mexicanos conseguiram fazer com que os jesuítas europeus assimilassem mais sua cultura, ainda que tenha sido por meio de adaptações dos ritos indígenas aos católicos, para uma maior interação entre eles”, afirma Júlia.

A Festa dos Mortos tem proporções muito maiores do que as celebrações relativas no Brasil, que são mais solenes e marcadas pela religiosidade da Europa. No Dia de Finados brasileiro ocorrem missas e outros ritos cristãos, além de idas ao cemitério para homenagear familiares falecidos. Mesmo com o forte sincretismo de culturas e religiões no país, uma festa brasileira para os mortos não acontece. “A celebração aqui tem um viés mais católico”, diz Júlia.

A comparação, para Júlia, se faz interessante porque o México também é um país no qual a maioria se declara católica. Ainda assim, as comemorações apresentam aspectos muito diferentes. Os mexicanos confeccionam altares coloridos, nos quais oferecem alimentos, flores, velas, entre outros artigos, dependendo da região; também ocorrem desfiles e concursos de fantasias. A pesquisadora conta que a Guatemala também apresenta ritos parecidos, mas que não se comparam à grandiosidade da celebração mexicana, que chegou a ser reconhecida como Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade pela Unesco em 2003, devido ao seu valor histórico, cultural e artístico.


(Mariana Melo. “Para pesquisadora do Prolam, tradição indígena dá singularidade ao Dia dos Mortos no México”. https://jornal.usp.br. Adaptado)

No trecho “Uma possível explicação para as divergências estaria, segundo a pesquisadora, na forma como…” (3o parágrafo), as palavras destacadas, no contexto em que foram empregadas, têm como sinônimo e antônimo, respectivamente,
Leia o trecho do romance Iracema, de José de Alencar, para responder à questão.

Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.
A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.
Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.
De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d’alma que da ferida.
O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.
A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.

(Iracema, 2006.)
“Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica” (5° parágrafo)
No contexto em que está inserida, a frase é equivalente a
Leia o texto para responder à questão.


Noivos


Na sala de espera do cardiologista, abro uma revista, folheio e paro nas páginas que falam de casamentos milionários. Em um deles, só os bem-casados custaram 20 mil reais. Nossa! O preço de um belo jantar para 200 pessoas.

Esses casamentos de revista foram perfeitos, pelo menos nas histórias impressas. Nem sempre é assim.

Meu primo, por exemplo, esqueceu as alianças. Não propriamente esqueceu: na verdade, não comprou, era contra e, noivo de primeira viagem, não sabia que elas fazem parte da cerimônia. Um dos casais convidados emprestou-lhe as alianças, entre cochichos, enquanto o padre sorria, supondo que fosse esquecimento do noivo afobado.

Maio, setembro, dezembro, não se sabe bem por quê, são meses de pico de casamentos. Faltam salões de festas. Há bufês de dois andares que fazem festas simultâneas. Estive em um em que os bem-casados estavam trocados.

– Cadê aqueles dentro de saquinhos bordados com as iniciais dos noivos, que mandei fazer em Minas? – queria saber a mãe da noiva de cima.

Estavam embaixo. “Oh, não!” Desespero, correria, põe tudo nas caixas, sobe caixa, desce caixa, rearranja. Ufa!

E as noivas atrasadas? A filha de um conhecido chegou na hora, deu um abraço no pai na porta da igreja, conforme o figurino, e soou a marcha nupcial, pai e filha entraram pelo tapete vermelho e começaram os murmúrios. Ela firme, olhos no fim do tapete onde o padre esperava, e mais murmúrios e murmúrios. Ela não entendia, pensou que fosse o sucesso do vestido, até que, ao chegar ao altar, ela olhou para o lado e exclamou:

– Este não é o meu noivo!

O noivo dela se atrasara; aquele diante do altar aguardava a noiva dele, que estava atrasadíssima.

Desfeita a trapalhada com a chegada do noivo certo e a retirada gentil do noivo sem noiva, que cedeu a precedência da cerimônia, casou-se a filha do meu conhecido. Sensibilizada com a gentileza do rapaz.

Este, certamente irritado com o atraso da própria noiva, mas também admirado com a beleza da outra, confidenciou a um padrinho amigão: teria levado vantagem com a troca.

(Ivan Angelo. Veja SP, 19.07.2006. Adaptado)
Considere a frase.

Houve uma grande trapalhada na noite do casamento, e o que desfez essa trapalhada foi a chegada do noivo certo.

O trecho destacado nessa frase pode ser substituído, corretamente, por:

Leia o texto a seguir para responder a questão.

Trabalho infantil: crianças impedidas em nome da sobrevivência



O trabalho infantil expõe a desigualdade e a indiferença ao direito de ser criança. “O trabalho infantil impede que crianças desenvolvam, em toda potência, suas habilidades e capacidades em um contexto saudável. Consiste na violação à regra constitucional de prioridade absoluta à garantia dos direitos às crianças e aos adolescentes. As consequências geram efeitos para toda a vida, alimentando o ciclo de pobreza e exclusão social”, ressalta Mariana Zan, advogada do Instituto Alana.



Segundo relatórios, 160 milhões de crianças e adolescentes vivem atualmente em situação de trabalho infantil no mundo, sendo cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes no Brasil. Mais da metade tem entre 5 e 11 anos. Os números reforçam a cultura de que é normal crianças trabalharem para sobreviver. Vê-se que a sociedade ignora o direito à infância. No interior do Pará, encontramos o caso de Vilciney Silva. “Com nove anos, eu ia para a feira vender coxinha de manhã e pamonha à tarde. Nos fins de semana, eu vendia amendoim nas festas. Morava com meus avós e não tinha tempo para brincar nem estudar. A gente tinha que existir e se alimentar”, conta.



Hoje, pai de três meninos, faz questão de brincar quando estão juntos. Para ele, é o momento de alegria que descobriu já adulto. O trabalho durante a infância não era uma opção. Tinha que fazer. “Eu me questionava se ia conseguir as coisas sem a escola. Mas entre estudar e ter comida, a fome falava mais alto”, diz. Prestes a terminar o curso de licenciatura em Educação do Campo, ele quer seguir os estudos e fazer mestrado. Os sonhos do menino que trabalhava na feira foram adiados por muito tempo. “Percebi a necessidade de estudar e que, para o pobre, as dificuldades sempre acontecem, mas a gente não tem que desistir”, conclui.


(Célia Fernanda Lima. “Trabalho infantil: crianças impedidas em nome da sobrevivência”. Lunetas. 13.06.2022. Adaptado)

Leia os trechos a seguir:

“O trabalho infantil impede que crianças desenvolvam...” (1° parágrafo)

Os sonhos do menino que trabalhava na feira foram adiados por muito tempo. (3° parágrafo)

Considerando o sentido com que foram empregados no texto, os termos em destaque têm como sinônimos, respectivamente:
Página 2