Questões de Concursos
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Nada por aqui
O casamento infeliz da corrupção com cumplicidade e a resultante crise de autoridade na vida pública (com reflexos em toda sociedade, inclusive na família) trazem à tona a questão da moralidade. (Não estou usando, de propósito, a palavra ética: a pobre anda humilhada demais.) Não se confunda moralidade com moralismo, que é filho da hipocrisia. Moralidade faz parte da decência humana fundamental. Dispensa teorias, mas é a base de qualquer convívio e ordem social. Embora não necessariamente escrita, está contida também nas leis tão mal cumpridas do país. Todos a conhecem em seus traços mais largos, alguns a praticam. Moralidade é compostura. É exercer autoridade externa fundamentada em autoridade moral. É fiscalizar rigorosamente o cumprimento das leis sem ser policialesco. É respeitar as regras sem ser uma alma subalterna. Moralidade pode ser difícil num país onde o desregramento impera. Exige grande coragem dizer não quando a tentação (de roubar, de enganar, ou de compactuar com tudo isso) nos assedia de todos os lados, também de cima. Num governo, é o oposto de assistencialismo, que dá alguns trocados aos despossuídos, em lugar de emprego e educação, que lhes devolveriam a dignidade. É lutar pelo bem comum, perseguindo e escancarando a verdade mesmo que contrarie grandes e vários interesses.
(Lya Luft, Veja, 20.09.2006)
As questões de números 09 e 10 têm como base o trecho
— Num governo, é o oposto de assistencialismo, que dá alguns trocados aos despossuídos, em lugar de emprego e educação, que lhes devolveriam a dignidade. É lutar pelo bem comum, perseguindo e escancarando a verdade mesmo que contrarie grandes e vários interesses.
A palavra que aparece três vezes no trecho, sendo que,
Atenção: As questões de números 1 a 8 referem-se ao texto
seguinte.
Prazer sem humilhação
O poeta Ferreira Gullar disse há tempos uma frase que
gosta de repetir: ?A crase não existe para humilhar ninguém".
Entenda-se: há normas gramaticais cuja razão de ser é emprestar
clareza ao discurso escrito, valendo como ferramentas úteis
e não como instrumentos de tortura ou depreciação de alguém.
Acho que o sentido dessa frase pode ampliar-se: ?A arte
não existe para humilhar ninguém", entendendo-se com isso
que os artistas existem para estimular e desenvolver nossa
sensibilidade e inteligência do mundo, e não para produzir obras
que separem e hierarquizem as pessoas. Para ficarmos no
terreno da música: penso que todos devem escolher ouvir o que
gostam, não aquilo que alguém determina. Mas há aqui um
ponto crucial, que vale a pena discutir: estamos mesmo em
condições de escolher livremente as músicas de que gostamos?
Para haver escolha real, é preciso haver opções reais.
Cada vez que um carro passa com o som altíssimo de graves
repetidos praticamente sem variação, num ritmo mecânico e
hipnótico, é o caso de se perguntar: houve aí uma escolha?
Quem alardeia os infernais decibéis de seu som motorizado
pela cidade teve a chance de ouvir muitos outros gêneros
musicais? Conhece muitos outros ritmos, as canções de outros
países, os compositores de outras épocas, as tendências da
música brasileira, os incontáveis estilos musicais já inventados
e frequentados? Ou se limita a comprar no mercado o que está
vendendo na prateleira dos sucessos, alimentando o círculo
vicioso e enganoso do ?vende porque é bom, é bom porque
vende"?
Não digo que A é melhor que B, ou que X é superior a
todas as letras do alfabeto; digo que é importante buscar
conhecer todas as letras para escolher. Nada contra quem
escolhe um ?batidão" se já ouviu música clássica, desde que
tenha tido realmente a oportunidade de ouvir e escolher
compositores clássicos que lhe digam algo. Não acho que é
preciso escolher, por exemplo, entre os grandes Pixinguinha e
Bach, entre Tom Jobim e Beethoven, entre um forró e a música
eletrônica das baladas, entre a música dançante e a que
convida a uma audição mais serena; acho apenas que temos o
direito de ouvir tudo isso antes de escolher. A boa música, a
boa arte, esteja onde estiver, também não existe para humilhar
ninguém.
(João Cláudio Figueira, inédito)
A diversidade de épocas e de linguagens em que as artes se manifestam
(FAAP) OLHOS DE RESSACA
"Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas... As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momentos houve que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã." (Machado de Assis)
Só um destes verbos é transitivo direto, ao lado do qual aparece o objeto direto:
Em qual período o se é uma conjunção integrante?
Um livro didático, mostrando diferentes objetivos dos vários modos de organização discursiva, indicava:
(texto 1) identificar, localizar e qualificar
(texto 2) relatar
(texto 3) discutir, informar
Considerando as informações dadas, os textos referidos são, respectivamente: