Em uma escola pública brasileira, uma professora de Língua Portuguesa do 9º ano passou a receber, ao longo do ano letivo, um
número crescente de estudantes migrantes oriundos de um país em crise humanitária. Esses estudantes, falantes nativos de
espanhol, chegaram com pouco conhecimento do português. Ao perceber as dificuldades enfrentadas por esses estudantes na
comunicação e na participação em sala de aula, a professora buscou estratégias de acolhimento linguístico que permitissem
tanto a integração dos migrantes quanto o engajamento dos estudantes brasileiros no processo.
Ao notar risos dos colegas brasileiros diante da pronúncia distinta dos migrantes falantes de espanhol — que diziam “Raque[l]”,
a professora decidiu abordar a questão das diferenças fonético-fonológicas entre os estudantes e refletir com a turma sobre os
impactos desses contrastes na interação entre os falantes de português e do espanhol no contato linguístico produzido na sala
de aula. Nesse caso específico, e para elaborar sua proposta, a professora deve considerar que