Aristóteles adota uma concepção de realidade segundo a
qual o que existe é a substância individual, que podemos
considerar aqui como o indivíduo material concreto. Este
seria o constituinte último da realidade, o que evitaria o
paradoxo da relação, ou da regressão infinita, enfrentado
pela ontologia platônica (Marcondes, 2010. Adaptado).
O paradoxo da relação surge porque Platão
Em seu livro Iniciação à história da filosofia: dos pré-
-socráticos a Wittgenstein, Danilo Marcondes discute
diferentes teorias metafísicas da Antiguidade. Dentre
elas, o contraste entre Aristóteles e Platão. Nas palavras
do autor: “Aristóteles, ao contrário de Platão, valoriza os
sentidos e sua contribuição para o desenvolvimento do
conhecimento. Enquanto Platão considerava os sentidos
pouco confiáveis, proporcionando apenas uma ‘visão de
sombras’, Aristóteles os vê como pontos de partida do
processo de conhecimento e indispensáveis para esse
processo”.
No excerto, a diferença entre teoria metafísica apresentada e a platônica diz respeito à
A escola estoica foi fundada em Atenas em 300 a.C. por
Zenão de Cítio (344-262 a.C.). A doutrina estoica antiga
foi desenvolvida e elaborada pelos discípulos e sucessores de Zenão, Cleantes (330-232 a.C.) e Crisipo (280-206
a.C.). O estoicismo concebe a filosofia de forma sistemática e composta de três partes fundamentais: a física, a
lógica e a ética, cuja relação é explicada através da metáfora da árvore. A física corresponderia à raiz, a lógica
ao tronco e a ética aos frutos.
(Marcondes, 2010. Adaptado)
Segundo Danilo Marcondes (2010), a metáfora da árvore
na filosofia estoica ilustra a
Sobre a relação entre Platão e Sócrates, Danilo Marcondes, em seu livro Iniciação à história da filosofia:
dos pré-socráticos a Wittgenstein, afirma: “A crítica de
Platão a Sócrates diz respeito […] à concepção de
filosofia como método de análise, que […] seria […]
insuficiente para caracterizá-la. Seu principal argumento
era que um método necessita, para a sua aplicação correta e eficaz, de um fundamento teórico que estabeleça
exatamente os critérios segundo os quais o método é
aplicado de forma correta e eficaz. […] É esse o papel
da famosa teoria platônica das ideias ou das formas, que
pode ser considerada o início da metafísica clássica”.
Segundo Marcondes, a principal função da Teoria das
Ideias de Platão é
Danilo Marcondes explica, em seu livro Iniciação à história
da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein, um ponto
fundamental do pensamento dos filósofos pré-socráticos:
“A característica central da explicação da natureza pelos
primeiros filósofos é […] o apelo à noção de causalidade.
O estabelecimento de uma conexão causal entre determinados fenômenos naturais constitui assim a forma básica
da explicação científica. […] A explicação causal possui,
entretanto, um caráter regressivo. Ou seja, explicamos
sempre uma coisa por outra e há assim a possibilidade
de se ir […] até o infinito. […] Surge a necessidade de se
estabelecer uma causa primeira […] que sirva de ponto de
partida para todo o processo racional”.
Entre os filósofos pré-socráticos, Demócrito concebia
como princípio explicativo mencionado
Na escola Jônica ou de Mileto, os dois principais seguidores de Tales, Anaxímenes e Anaximandro, não aceitaram a ideia do mestre de que a água seria o elemento
primordial, postulando outros elementos, respectivamente,
o ar e o apeiron, como tendo esta função (Marcondes,
2010. Adaptado).
Tal mudança de concepção sobre qual poderia ser o elemento primordial da realidade observável pode ser tomado
como sinal de que nessa escola filosófica
É fato que o excesso de exercícios bem como a deficiência destes arruínam o vigor; do mesmo modo, tanto
a bebida e o alimento em demasia quanto a falta destes
arruínam a saúde, quando em proporção adequada a
produzem, aumentam e preservam. O mesmo acontece
em relação à moderação, à coragem e às outras virtudes.
Aquele que, tomado pelo medo, de tudo foge e nada
suporta se torna um covarde, ao passo que aquele que
não experimenta medo diante de coisa alguma e tudo
enfrenta se torna um temerário. Do mesmo modo, aquele
que se curva a todos os prazeres e não se refreia diante
de nenhum se converte em um licencioso. Por outro lado,
quem se afasta de todos os prazeres, como os indivíduos
rudes, se torna [um indivíduo] insensível.
(Aristóteles, 2001)
Segundo Aristóteles, para alcançar a virtude, é necessário
Danilo Marcondes, em seu livro Iniciação à história da
Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein, aborda uma
das principais teses da filosofia aristotélica: “a virtude
está no meio (meson); por exemplo, o corajoso não é
aquele que nada teme, nem o que tudo teme, mas sim o
que tem uma dose certa de temor que é a cautela, sem
contudo perder a iniciativa, e evitando o excesso que
seria a temeridade”.
A tese aristotélica mencionada por Danilo Marcondes, no
excerto, implica que a conduta ética deve
A tentativa dos primeiros filósofos da escola jônica, também conhecidos como físicos, foi buscar uma explicação do mundo natural, o que constitui o assim chamado
naturalismo da escola. A chave da explicação do mundo
da experiência estaria, então, para esses pensadores,
no próprio mundo, e não fora dele, em alguma realidade
misteriosa e inacessível. O mundo se abre, assim,
ao conhecimento, à possibilidade total de explicação
(ao menos em princípio), à ciência. (Marcondes, 2010.
Adaptado)
Segundo Danilo Marcondes, para os filósofos jônicos,
seria necessário
Em Filosofando: introdução à filosofia, Maria Lúcia de
Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins afirmam
que “Na Grécia Antiga não havia a ideia de artista no
sentido que hoje empregamos, uma vez que a arte estava integrada à vida. As obras de arte dessa época eram
utensílios (vasos, ânforas, copos), edificações (templos)
ou instrumentos educacionais. O artífice que os produzia era considerado um trabalhador manual, do mesmo
nível do agricultor ou do ferramenteiro. Ele era um artesão, tinha domínio da tekhné, numa sociedade que considerava o trabalho manual indigno”. Aranha e Martins
destacam uma voz que ecoava o coro dessa sociedade:
“Platão (…) recusa-se a dar valor autônomo ao que
chamamos de arte”.
O conceito a partir do qual Platão fundamenta sua crítica
ao retratado no excerto é o de
O estabelecimento de uma conexão causal entre determinados fenômenos naturais constitui a forma básica
da explicação científica, e é, em grande parte, por esse
motivo que consideramos as primeiras tentativas de elaboração de teorias sobre o real dos filósofos jônicos como
o início do pensamento científico. Explicar é relacionar
um efeito a uma causa que o antecede e o determina.
(Marcondes, 2010)
Segundo Danilo Marcondes, no entanto, um problema
epistemológico inerente à explicação causal é
No texto “Do que se tem pensado sobre o trabalho”, Suzana Albornoz apresenta uma análise histórica da noção
de trabalho: “Os estudiosos da Grécia são unânimes em
afirmar que ali a prática material produtiva ocupava um
lugar secundário. A ideia, de que o homem se faz a si
mesmo e se eleva como ser humano justamente através
e sua atividade prática, com seu trabalho, transformam o
mundo material, é uma ideia moderna, alheia ao pensamento antigo”.
Segundo Suzana Albornoz, a visão grega antiga sobre o
trabalho era marcada pela