Analise o trecho a seguir, da obra “Investigações Filosóficas”:
§23. Quantas espécies de frases existem? Afirmação, pergunta e comando, talvez? — Há inúmeras de
tais espécies: inúmeras espécies diferentes de emprego daquilo que chamamos de “signo”, “palavras”,
“frases”. E essa pluralidade não é nada fixa, um dado para sempre; mas novos tipos de linguagem,
novos jogos de linguagem, como poderíamos dizer, nascem e outros envelhecem e são esquecidos.
(Uma imagem aproximada disso podem nos dar as modificações da matemática) [...].
O termo “jogo de linguagem” deve aqui salientar que o falar da linguagem é uma parte de uma
atividade ou de uma forma de vida. Imagine a multiplicidade de jogos de linguagem por meio destes
exemplos e outros: Comandar, e agir segundo comandos; Descrever um objeto conforme aparência
ou conforme medidas; Produzir um objeto segundo uma descrição (desenho); Relatar um
acontecimento; Conjecturar sobre o acontecimento; Expor uma hipótese e prová-la; Apresentar os
resultados de um experimento por meio de tabelas e diagramas; Inventar uma história, ler;
Representar teatro; Cantar uma cantiga de roda; Resolver enigmas; Fazer uma anedota, contar;
Resolver um exemplo de cálculo aplicado; Traduzir de uma língua para outra; Pedir, agradecer,
maldizer, saudar, orar. É interessante comparar a multiplicidade das ferramentas da linguagem e seus modos de emprego, a
multiplicidade das espécies de palavras e frases com aquilo que os lógicos disseram sobre a estrutura
da linguagem (e também o autor do Tractatus Logico-Philosophicus)(Wittgenstein, 1979).
Com base no texto acima e nos conhecimentos sobre a transição filosófica de Wittgenstein do
“Tractatus Logico-Philosophicus” para as “Investigações Filosóficas”, analise as assertivas e assinale
V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A ideia de jogos de linguagem substitui a concepção de linguagem como representação lógica do
mundo, afirmando a pluralidade dos usos linguísticos como parte integrante das formas de vida
humanas.
( ) O conceito de linguagem nas “Investigações Filosóficas” continua subordinado ao ideal de uma
estrutura formal universal, sendo os jogos de linguagem instâncias derivadas dessa estrutura
lógica.
( ) A crítica ao essencialismo na segunda fase de Wittgenstein implica a rejeição da busca por
definições unívocas dos termos filosóficos, valorizando em seu lugar a descrição dos modos de
uso nas práticas concretas.
( ) Ao abandonar a busca por fundamentos últimos da linguagem, Wittgenstein estabelece uma nova
metafísica da linguagem baseada em jogos ontológicos fixos, que garantem o sentido como
produto de uma gramática transcendental.
( ) A noção de que “o significado de uma palavra é seu uso na linguagem” representa uma ruptura
com a tentativa anterior de fixar o sentido por meio da correspondência lógica entre proposições
e estados de coisas.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
No seu primeiro dia de aula, o professor de Filosofia se deparou com a seguinte
pergunta de um aluno: “por que estudar Filosofia? Filósofo é alguém louco, professor?”. Acrescentou
outro aluno: “não gosto de Filosofia porque tira a fé da gente”! Para responder os questionamentos,
considerando a definição, a função e a forma de considerar a disciplina de Filosofia, o professor fez as
seguintes afirmações:
I. Prezados alunos! Quem nunca se perguntou um dia sobre a finitude da vida?
II. Quem aqui já ouviu ou já fez uma crítica ao governo? Ou até mesmo uma autocrítica as suas
atitudes e suas ideias?
III. Quem já não teve dúvidas ou angústias ao tomar uma decisão ou pensar sobre algo da vida?
IV. É natural ao ser humano ter certezas, dúvidas, viver e construir realidades. Portanto, alunos, a
Filosofia não é apenas uma disciplina, ela é um olhar que o ser humano tem sobre a própria
realidade, manifestando-se em forma de perguntas, dúvidas, certezas ou angústias.
Quais estão corretas?
Considere o seguinte caso: João olha para um relógio na parede que marca
exatamente meio-dia. Ele acredita que é meio-dia com base nisso. No entanto, o relógio está parado,
e a coincidência entre o horário mostrado e o horário correto compromete a justificativa. Sobre esse
caso e o conceito de conhecimento como crença verdadeira justificada, analise as assertivas a seguir:
I. O caso apresentado mostra uma crença verdadeira e justificada que não pode ser considerada
conhecimento, pois depende de uma circunstância aleatória que compromete a justificativa.
II. A definição tradicional de conhecimento como crença verdadeira justificada é insuficiente para
lidar com casos em que a justificativa é comprometida por coincidências.
III. Para que uma crença possa ser considerada conhecimento, é necessário, além de uma
justificação, que exista uma ligação confiável entre a crença e a verdade, o que não ocorre no
caso apresentado.
IV. Mesmo que João esteja correto sobre o horário, a justificativa apresentada não é suficientemente
robusta para caracterizar conhecimento, pois não envolve um processo confiável de avaliação ou
verificação por parte do sujeito.
Analise a seguinte afirmação do filósofo Merleau-Ponty: “nascer é ao mesmo tempo
nascer do mundo e nascer no mundo. O mundo já está constituído, mas também não está nunca
completamente constituído”. Considerando o pensamento do filósofo e sua relação com demais
pensadores sobre o tema da liberdade, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta. I. Quando o pensador fala que “nascemos do mundo”, quer dizer que, desde cedo, existe um campo
aberto de possibilidades à nossa disposição, que pode nos permitir sermos livres ou não.
II. Podemos compreender que o filósofo está buscando explicar o significado e o conceito de liberdade
com base em dois aspectos: o da construção e o da liberdade situada. Em ambos os aspectos, o
mundo abre caminhos, mas também impõem limites para a vivência da liberdade.
III. Pode-se compreender a nossa existência com base em dois fundamentos: que nunca há
determinismo e que nunca há escolhas absolutas, “pois nunca somos consciência nua”, algo
pronto, acabado, somos seres abertos a uma infinidade de possibilidades.
IV. O pensador está concordando com o pensamento de Rousseau, que afirma: “o homem no seu
estado natural não é livre”, porque já nasce pronto. Segundo o filósofo, o homem é “o lobo do
próprio homem”. Para ambos os pensadores, é a sociedade que torna o homem livre bondoso e
virtuoso. Em outras palavras, é a sociedade que constrói a essência humana.
No campo da filosofia, os conceitos de condição necessária e condição suficiente são
utilizados para descrever relações lógicas entre proposições, enquanto os conceitos de bens
instrumentais e bens finais dizem respeito à hierarquia de valores na ética. Uma condição
_____________ é algo indispensável para que um evento ocorra ou uma proposição seja verdadeira.
No entanto, sua presença, isoladamente, não assegura a realização ou veracidade. Uma
condição _____________ é algo que, quando presente, assegura plenamente a ocorrência de um
evento ou a veracidade de uma proposição, sem depender de outras condições adicionais.
Um bem _____________ é desejado ou valorizado porque serve como meio para alcançar outro bem.
Um bem _____________ é desejado ou valorizado por si mesmo, sendo o objetivo último das ações
humanas.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
As origens do que hoje se compreende por filosofia analítica remontam ao século XIX
e ao trabalho do matemático e filósofo alemão Friedrich Ludwig Gottlob Frege. Na primeira metade do
século XX, os desenvolvimentos do campo analítico foram impulsionados por instituições e pensadores
de diferentes regiões e países. Alguns grupos contribuíram para a promoção da filosofia analítica.
Estão entre eles:
I. Escola de Frankfurt.
II. Analistas de Cambridge.
III. Escola dos Annales.
IV. Círculo de Berlim.
V. Escola de Leópolis-Varsóvia.
A questão do trágico como problema filosófico vai além das considerações estéticas
em torno das propriedades e da forma do drama. Em relação ao problema do trágico, assinale a
alternativa correta.
A Filosofia pode ser entendida de diferentes maneiras, dependendo da tradição ou
abordagem adotada. Algumas perspectivas enfatizam seu caráter prático, enquanto outras destacam
sua dimensão teórica. Com base nessas diferentes acepções, relacione a Coluna 1 à Coluna 2,
associando cada afirmativa apresentada à acepção correspondente de Filosofia.
Coluna 1
1. Questionar o que é dado como certo é o primeiro passo para compreender profundamente.
2. A reflexão sobre a própria vida é indispensável para a construção de uma existência significativa.
3. A filosofia é o estudo sistemático dos fundamentos últimos do ser e do saber, orientado pela razão.
4. Examinar as limitações do que se pode conhecer é tão necessário quanto explorar novas verdades.
5. A filosofia não elabora teorias, mas busca a clarificação e o aprofundamento de problemas.
Coluna 2
( ) Filosofia como prática ética e sabedoria de vida, promovendo reflexões sobre como viver melhor.
( ) Filosofia como ciência dos primeiros princípios da realidade e do conhecimento.
( ) Filosofia como exercício de problematização crítica, levantando questões sobre pressupostos básicos.
( ) Filosofia como análise crítica, focada em esclarecer conceitos e reformular questões fundamentais.
( ) Filosofia como estudo dos limites e possibilidades do conhecimento humano.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
A cada época, as teorias científicas instituem métodos que se baseiam em hipóteses,
leis, procedimentos e técnicas de pesquisa e de aplicação dos conhecimentos. Esses métodos definem
as normas e regras do que deve ser pesquisado e conhecido [...]. Assim, em cada época de sua
história, a razão cria modelos ou paradigmas explicativos para os fenômenos ou para os objetos do
conhecimento, não havendo continuidade nem pontos comuns que permitam compará-los”. CHAUÍ,
Marilena. Iniciação à filosofia. São Paulo: Ática, 2014, p. 98. A perspectiva teórica acima está
relacionada ao pensamento de:
Analise os trechos a seguir, que apresentam reflexões sobre a relação entre
pensamento empírico e pensamento filosófico:
•A experiência sensorial é a base do conhecimento, mas apenas a filosofia pode transformar a
percepção em compreensão universal.
•O pensamento empírico observa e experimenta, enquanto o filosófico busca compreender as
condições que tornam o conhecimento possível.
•O empírico e o filosófico não são excludentes; o primeiro testa o real, e o segundo estrutura as
teorias que nos ajudam a interpretá-lo.
Com base nos trechos apresentados, assinale a alternativa que melhor sintetiza a relação entre
pensamento empírico e filosófico.
A filosofia tem características próprias que a distinguem de outras formas de
conhecimento humano, tais como a religião, a arte e a ciência. Nesse sentido, pode-se dizer que a
filosofia se propõe a:
“O filósofo alemão Edmund Husserl diz saber o que é filosofia, ao mesmo tempo que
assume desconhecê-la. E completa afirmando que apenas os pensadores secundários estão contentes
com suas definições” (ARANHA, M. L. A. MARTINS, M. H. P. Filosofando. São Paulo: Moderna, 2016).
O trecho acima pode ser interpretado de que forma?
Considerando a possiblidade de aprender a Filosofia, pode-se afirmar que:
I. Toda aprendizagem pressupõem uma relação com o desconhecido.
II. Como qualquer outra disciplina, a Filosofia utiliza um repertório conceitual.
III. A análise e a interpretação de texto, o debate e a produção textual são caminhos explícitos de
construção de conhecimento filosófico.
IV. O conhecimento filosófico é diferente do senso comum, portanto, só é possível aprender Filosofia
decorando os conceitos de formas sistemáticas etimológicas, obtendo e apreciando a história da
Filosofia.
Quais estão corretas?
Gaston Bachelard, filósofo francês do século XIX, dedicou-se à filosofia da descoberta
científica. Para ele, o historiador da ciência deve considerar ideias como fatos, enquanto o
epistemólogo deve encarar fatos como ideias em um sistema de pensamento. No ensino elementar,
Bachelard (2002) destaca a importância de extrair o abstrato do concreto, utilizando experiências para
ilustrar teorias. Ele alerta que fenômenos interessantes podem envolver afetividade, prejudicando a
objetividade científica. A ciência busca delinear e ordenar fenômenos, encontrando um equilíbrio entre
concreto e abstrato, matemática e experiência, leis e fatos. Para isso, Bachelard valoriza experiências
que fogem do comum, levando a contradições e discussões que resultam na criação de leis. Para
Bachelard, o espírito científico proíbe que tenhamos uma opinião sobre:
“Não precisamos buscar na infinidade de conceitos de ‘filosofia’ – talvez um para cada
autor de certa expressão, e que à vagueza das formulações acrescentam às vezes até posições
contraditórias –, não precisamos procurar aí a incerteza e imprecisão que reinam e, sobretudo em
nossos dias, no que concerne o objeto da especulação filosófica. Muito mais ilustrativa é a consulta
aos textos filosóficos ou qualquer exposição ou análise do desenvolvimento histórico do assunto”.
PRADO JUNIOR, Caio. O que é filosofia. São Paulo: Cultrix, 1981, p. 9. Considerando o trecho
apresentado, a filosofia pode ser compreendida como:
Analise o excerto a seguir, da obra “O Ensino de Filosofia e a Lei 10.639”:
“Os manuais de História da Filosofia, em sua maioria, concordam quando se trata de fazer o registro
do ‘nascimento’ do pensamento filosófico. A hipótese mais aceita é da certidão grega. O modo menos
polêmico gira em torno de um ‘cadastro’ feito por volta do século VI a.C. na Grécia antiga, com a
patente de primeiro filósofo conferida a Tales de Mileto. E, ainda que existam algumas divergências
entre historiadores da Filosofia, esta não deixaria de ser grega, porque se não for de Tales de Mileto,
o posto de primeiro filósofo seria de Sócrates ou de Platão. A pergunta que quero compartilhar é
simples: é possível falar da Filosofia fora de um desenho geopolítico europeu?
Pois bem, é importante interrogar a validade da assertiva ‘a Filosofia é ocidental’. Eu advogo que o
eurocentrismo e colonialidade são elementos-chave para o entendimento da ideia de que a Filosofia é
uma ‘versão’ do pensamento humano, exclusivamente europeia. A defesa de que os europeus e o seu
projeto civilizatório seriam necessariamente superiores aos de outros povos numa escala hierárquica
que, invariavelmente, localiza a África e sua diáspora na parte mais baixa está presente nos textos de
muitos filósofos ocidentais” (Nogueira, 2015).
Com base no trecho acima e nos debates presentes na obra sobre o afroperspectivismo e a diáspora
na filosofia brasileira e africana, analise as assertivas a seguir:
I. A crítica ao eurocentrismo filosófico busca desconstruir a ideia de que a Filosofia só pode ter
nascido na Grécia Antiga, reivindicando uma pluralidade geopolítica e epistêmica.
II. A proposta afroperspectivista defende uma filosofia centrada nos valores ocidentais, para garantir
a universalidade dos conceitos filosóficos clássicos.
III. A Filosofia Africana e Afrodiaspórica busca visibilizar os saberes ancestrais que foram
marginalizados pelo epistemicídio promovido pela colonialidade do saber.
IV. A oralidade (ou oralitura), enquanto forma legítima de transmissão do conhecimento, é
desvalorizada por critérios ocidentais que privilegiam a escrita como única forma de registro
válido.
V. O afroperspectivismo propõe um campo policêntrico de produção filosófica, que reconhece a
contribuição africana não apenas como objeto de estudo, mas como produtora de teorias
filosóficas.
“A despeito de uma transformação histórica no âmbito de sua competência explicativa – em parte devida à sua enorme fertilidade em gerar novos saberes –, o pensamento filosófico resiste
precisamente porque não abandona seu motivo originário”.
O trecho acima, retirado do documento Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), voltados às ciências
humanas, destaca a presença contínua da busca inicial do saber filosófico que inspirou os gregos. De
acordo com o referido documento, é correto afirmar que a Filosofia nasceu com a declarada intenção
de