Algo que me deixava irritado era a improdutiva polêmica se
cinema é arte ou não: já não me irrito, porque percebi que os
que dizem não, o fazem apenas por esporte. O esporte de irritar
os outros. Todo filme em potencial faz pensar. Do mais bobo ao
mais hermético. E o mais bobo pode ser muito mais filosófico do
que o hermético. Entretanto, quando a função é exclusivamente
entreter, ainda que faça pensar (acidentalmente), será mais
pobre. Então, se a função é de saída pensar, a chance de ser
mais rico é maior. (Paranhos, 2003.In: Revista Filosofia, Ciência & Vida. Nº 4. Editora
Escala Educacional, p. 56.) Em pouco tempo o cinema se tornou uma indústria; e hoje não
podemos falar sobre ela sem mencionarmos a indústria cultural. Nos deparamos, às vezes, com uma banalização generalizada e com uma crescente padronização dos produtos culturais, que cada vez mais se apresentam simplificados. Na
lógica da indústria cultural:
A política do “pão e circo” (que no capitalismo apresenta de
forma nítida sua extemporalidade), as execuções escabrosas de
condenados e outros atentados contra a dignidade humana
constituem um elemento indissociável do desenvolvimento civilizatório. Todos esses fenômenos sociais apresentam o ponto
comum de associarem intrinsecamente a exaltação da visibilidade, da crueldade e do entretenimento público como mecanismos de poder sobre a subjetividade popular. O espetáculo
apropriado pelo poder estabelecido muitas vezes apresenta uma
capacidade de submissão das massas mais intensa que uma
violência legítima do Estado. (Bittencourt, 1996. In: Revista Filosofia, Ciência & Vida. Nº 8-EditoraEscala Educacional, p. 56.) Dentre os grandes debates da contemporaneidade, a questão
do desenvolvimento midiático e as suas influências no cotidiano são sempre pauta importante. Jean Baudrillard dedica
seus estudos, dentre outros assuntos, à compreensão da sociedade de massa e à massificação da sociedade. Aponta para o
que ele qualificou de hiper-realidade, que condiz com a ideia: