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Entre as frases abaixo, assinale aquela que mostra o acento grave indicativo da crase em um contexto em que seu uso não é optativo.
Em todas as sentenças a seguir, o emprego do acento indicativo de crase está correto, exceto em:
Envelhecer no Brasil não é igual para todo mundo

Questões sociais, de raça e de gênero têm um grande impacto no processo de envelhecimento.


O envelhecimento é um processo natural que envolve alterações fisiológicas, estruturais e químicas nas células das pessoas. Mas essa mudança biológica inerente à vida não é igual para todo mundo. Além das questões físicas, o gênero, o contexto social e a raça têm um peso enorme nesse processo, principalmente em países subdesenvolvidos como o Brasil, repleto de desigualdades e com um racismo estrutural que permeia a cultura.


O primeiro dado que mostra a realidade do cenário local é a relação entre expectativa de vida e riqueza. Em Santa Catarina, estado com uma das maiores rendas médias per capita do Brasil, uma pessoa vivia em média 79,9 anos em 2019, segundo a última pesquisa sobre o assunto divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, no Maranhão, cuja renda é a menor do Brasil, a expectativa média de vida naquele ano foi de 71,4 anos.


“O envelhecimento não é igual para pobres e para ricos, não é igual para alfabetizados e letrados, assim como também envelhecer na região Nordeste, por exemplo, não é a mesma coisa que envelhecer no Sul”, explicou Adelaide Paredes Moreira, professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e coordenadora do mestrado profissional em gerontologia da mesma instituição.


De acordo com Adelaide, estudos mostram que pessoas nascidas em lugares mais pobres tendem a ter de 10 a 20 anos a menos de expectativa de vida do que aquelas nascidas em locais mais ricos ou com situações econômicas melhores. O Mapa da Desigualdade da Capital Paulista de 2021, divulgado pela Rede Nossa São Paulo, mostra essa realidade dentro da maior cidade do país. No Jardim Paulista, bairro da região central de São Paulo, a média de vida dos moradores é de 80 anos, enquanto no Iguatemi, na zona leste, é de 60 anos – uma diferença gritante de 20 anos.


“O Brasil tem uma desigualdade social muito presente, e isso vai refletir diretamente na esperança de vida dessas pessoas”, disse Adelaide. (...)


Envelhecimento ativo para todos?


A população mundial está ficando cada vez mais velha, e o Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), será a sexta nação do mundo com o maior número de idosos até 2025. Prevendo esse cenário global, a entidade adotou no final dos anos 1990 o termo “envelhecimento ativo”. O conceito diz que para o processo se tornar uma experiência positiva, a vida deve ser acompanhada de oportunidades contínuas de saúde, participação (social) e segurança. Dessa forma, o idoso pode passar dos 60 anos com autonomia, independência, qualidade de vida e saúde.


As desigualdades sociais e raciais, no entanto, dificultam o envelhecer ativo e saudável para alguns grupos. “As pessoas idosas negras, atualmente, são aquelas que menos aprenderam a ter vida social, porque elas são aquelas que menos recebem pessoas em casa, que menos frequentam a casa das pessoas, ou seja, elas só trabalham – e em um trabalho de baixa qualidade. E não dá para falar que a pessoa não quis se preparar para envelhecer. Ela até pensou nisso, mas tinha que pagar contas, acordar cedo, trabalhar mais tempo para o filho viver um pouquinho melhor”, falou Silva.


Os próprios espaços com maior concentração de negros e pardos, como favelas, por exemplo, não facilitam um envelhecimento ativo prático, e ainda criam uma espécie de “segregação residencial”, disse Silva. “Você já foi em um local que tem muitas pessoas negras? Você percebe que o território não é bom para se viver, a qualidade e o acesso dos serviços não são bons, então as pessoas – tanto negras quanto brancas – que envelhecem nesses espaços não têm muitas possibilidades.” (...)


Longevidade e políticas públicas


O Brasil tem políticas públicas robustas para o envelhecimento, que abordam capacitação, garantia de acesso à rede de serviços de saúde, acolhimento, entre outros pontos. Uma das principais legislações é o Estatuto da Pessoa Idosa, instituído em outubro de 2003 por meio da Lei nº 10.741. O grande problema desse arcabouço jurídico, no entanto, é que ele muitas vezes não é colocado em prática pela sociedade, segundo Adelaide.


“O estatuto do idoso é realmente um dos principais instrumentos que veio dar suporte à política nacional de atenção à pessoa idosa. Eu acho que o que falta é a sociedade realmente tornar essa política algo efetivo, não só na saúde, mas também na educação, na habitação, na segurança social, e em políticas que garantam que a pessoa chegue à velhice e que, ao chegar lá, possa usufruir, nessa fase, de uma vida mais plena, de uma vida digna, e de uma vida feliz”, falou.


De acordo com a professora, a promoção e a efetivação de políticas públicas são poderosas ferramentas para aumentar a longevidade. Uma vida longeva, ainda de acordo com Adelaide, também está relacionada com alimentação saudável, prática de exercícios físicos, leituras, jogos e, principalmente, relações sociais – com familiares, amigos e a comunidade no geral.


Sobre o autor: Lucas Gabriel Marins é jornalista e futuro biólogo. Disponível em https://drauziovarella.uol.com.br/60mais/envelhecer-bem/envelhecer-no-brasil-nao-e-igual-para-todo-mundo/. Com adaptações.




De acordo com as regras de acentuação das palavras, assinale a alternativa correta que apresenta palavra(s) acentuada(s) pela mesma razão que as palavras em destaque no período: “O envelhecimento é um processo natural que envolve alterações fisiológicas, estruturais e químicas nas células das pessoas.”.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Por que a geração Z e os millennials não atendem mais o telefone

"Olá, esta é a caixa postal de Yasmin Rufo. Por favor, não deixe mensagem, pois não vou ouvir, nem ligar de volta."

Infelizmente, esta não é a mensagem da minha caixa postal. Mas eu certamente gostaria que fosse, bem como a maior parte dos jovens da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) e dos millennials (nascidos entre 1981 e 1995).

Uma pesquisa recente concluiu que 25% das pessoas com 18 a 34 anos de idade nunca atendem o telefone. Os participantes responderam que ignoram o toque, respondem por mensagens de texto ou pesquisam o número online se for desconhecido.

A pesquisa do site Uswitch envolveu 2 mil pessoas. Ela também concluiu que cerca de 70% das pessoas com 18 a 34 anos preferem mensagens de texto a chamadas telefônicas.

Para as gerações mais velhas, falar ao telefone é normal. Meus pais passaram a adolescência brigando com seus irmãos pelo telefone fixo no corredor, o que só fazia com que toda a família ouvisse as suas conversas.

Já a minha adolescência foi passada em mensagens de texto. Fiquei obcecada por elas desde o momento em que ganhei meu Nokia cor-de-rosa de presente de aniversário, com 13 anos de idade.

Eu passava todas as noites depois da escola redigindo textos de 160 caracteres para os meus amigos.

Eu retirava todas as vogais e espaços desnecessários, até que a mensagem parecesse um grupo de consoantes aleatórias que os próprios serviços deinteligência teriam dificuldade de decifrar. Afinal, eu nunca iria pagar a mais para escrever 161 caracteres.

E, em 2009, as ligações telefônicas do meu celular custavam uma fortuna. "Nós não demos este telefone para você fofocar com suas amigas a noite inteira", relembravam meus pais sempre que recebiam minha conta telefônica, todos os meses.

Foi assim que surgiu uma geração de pessoas que só se comunicam por texto. As ligações por telefone celular eram para emergências e o telefone fixo era usado raramente para falar com os avós.

A psicóloga Elena Touroni explica que, como os jovens não desenvolveram o hábito de falar ao telefone, "agora parece estranho, pois não é o normal".

Por isso, os jovens podem esperar o pior quando o telefone começa a tocar − ou se iluminar em silêncio, já que ninguém com menos de 35 anos de idade tem o toque configurado no seu telefone.

Mais da metade dos jovens que responderam à pesquisa do Uswitch reconheceram acreditar que uma ligação inesperada significa más notícias.

A psicoterapeuta Eloise Skinner explica que a ansiedade em torno das ligações vem de "uma associação com algo de ruim − uma sensação de pavor ou mau presságio".

"À medida que as nossas vidas ficam mais atribuladas e os cronogramas de trabalho mais imprevisíveis, temos menos tempo para ligar para um amigo, simplesmente para saber como ele está", explica ela. "Por isso, as ligações telefônicas ficam reservadas para as notícias importantes das nossas vidas, que, muitas vezes, podem ser difíceis."

Para Jack Longley, de 26 anos, "é exatamente isso". Ele nunca atende ligações de números desconhecidos, pois "ou é golpe, ou é marketing. É mais fácil simplesmente ignorar as ligações, em vez de procurar saber quais delas são verdadeiras."

Nick e Charlie, da série 'Heartstopper', fazem parte da geração das mensagens de texto

Mas não falar ao telefone não significa que os jovens não mantenham contato com seus amigos. Nossos grupos de bate-papo se movimentam o dia inteiro, com uma série de mensagens corriqueiras, memes, fofocas e, mais recentemente, mensagens de voz.

Muitas dessas conversas, agora, acontecem nas redes sociais, particularmente no Instagram e no Snapchat, onde é mais fácil enviar imagens e memes ao lado dos textos. E, mesmo com o consenso de que as ligações telefônicas são indesejadas, o uso de mensagens de voz divide as gerações mais jovens.

Na pesquisa do Uswitch, 37% das pessoas com 18 a 34 anos de idade declarou que as mensagens de voz são sua forma preferida de comunicação. Por outro lado, apenas 1% dos participantes com 35 a 54 anos preferem mensagens de voz em vez de ligações telefônicas.

"A mensagem de voz é como falar ao telefone, só quemelhor", afirma a estudante Susie Jones, de 19 anos. "Você tem o benefício de ouvir a voz dos seus amigos, mas sem pressões. Por isso, é uma forma mais educada de comunicação."

Mas, para mim, é difícil ouvir mensagens de voz de cinco minutos de uma amiga contando as novidades sobre a vida dela. Elas devaneiam, as mensagens ficam repletas de palavras como "tipo" e "ahn" − e toda a história poderia ser contada em duas mensagens de texto.

As mensagens de texto e de voz permitem que os jovens participem das conversas no seu próprio ritmo. E eles podem responder de forma mais atenciosa e ponderada.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyw96x064eo

"Mais da metade dos jovens que responderam à pesquisa do Uswitch..."
O sinal indicativo de crase no trecho acima é obrigatório devido a regência do verbo responder. Nas alternativas abaixo, também é obrigatório o uso da crase, EXCETO em:

COM O CACHORRO AO LADO



Toda manhã saía levando o cachorro a passear. Era uma boa justificativa o cachorro, para ele que, aposentado, talvez não tivesse outra. la caminhando devagar até a avenida junto ao mar, e lá chegando deixava-se ficar num banco, o olhar posto nos navios fundeados ao largo. Havia sempre muitos navios. No seu tempo de prático, navios não precisavam esperar. De lancha ou rebocador, em calmaria ou em tempestade, ele cruzava a barra e, no mar aberto, se aproximava do casco tão mais alto do que sua própria embarcação, olhava para cima avaliando a distância, começava a subir pela escadinha ondeante. Havia riscos. Muitas vezes chegara na ponte de comando encharcado. Mas era o que sabia fazer, e o fazia melhor do que outros. Melhor do que outros conhecia as lajes submersas, os bancos de areia, as correntezas todas daquele porto, e nele conduzia os navios como se a água fosse vidro e ele visse o que para os demais era oculto. Os navios entravam no porto como cegos guiados por quem vê. Havia sido um belo trabalho. Agora sentava-se no banco junto ao mar, e olhava ao longe os navios. Sabia que não estavam ali à espera do prático. O tráfego marítimo havia aumentado ano a ano, e aos poucos tornara-se necessário esperar por uma vaga no porto, como em qualquer estacionamento de automóveis. Mas, sentado no banco. com o cachorro deitado a seu lado, gostava de pensar que na névoa da manhã os navios esperavam por ele, esperavam a lancha ou o rebocador que o traria até junto do alto casco, quando então levantaria a cabeça avaliando a distáncia antes de começar a subir. Um a um, aqueles navios agora cravados na água como se na rocha, sairiam da névoa e, comandados por ele cruzariam a barra entrando no porto. Progressivamente, o horizonte ficaria despovoado. Seus devaneios chegavam só até esse ponto, só até o horizonte desimpedido. Acrescentava ainda um lamento de sirene, longo. Depois se levantava do banco. О cachorro se levantava do chão. O passeio da manhã estava terminado.


COLASANTI, Marina. Hora de alimentar serpentes. São Paulo:

Editora Global, 2013.

Com relação ao sinal indicativo de crase, assinale a opção em que o acento ocorreu pelo mesmo motivo observado no trecho "Sabia que não estavam ali à espera do prático."
Analise as afirmativas abaixo sobre o uso correto do sinal de crase.
I. Devo minha vida àquele médico.
II. Eu fiquei mais confiante à medida que falava.
III. Aqueles professores não aderiram a greve.
IV. A aula à qual assisti foi maravilhosa.
Estão corretas as afirmativas:
Leia a explicação sobre acentuação e identifique o sinal utilizado na formação da crase:
“Os acentos são notações léxicas empregadas sobre algumas vogais para indicar a sílaba tônica ou para indicar a fusão entre elas (...)”.
(Bezerra, 2015, p. 60)
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Menino e celular à mesa


Enquanto almoçava tranquilamente meu arroz-com-feijão no restaurante, a paz foi interrompida. Um menino de cerca de 8 anos entrou correndo, seguido pela avó ofegante. O pequeno atraiu atenções imediatas graças à sua desenvoltura social.

Ele gritava, esbarrava nas pessoas, mexia em tudo, quase derrubando as panelas. Demonstrava o que educadores modernos chamam de "hiperatividade" e os antigos de "falta de limites". Ansiosa, a avó tentou acalmá-lo:

− Querido, prefere esta mesa ou aquela?

Sem responder, ele testava a estabilidade das mesas com empurrões. Finalmente, sentou-se, pegou o celular e iniciou uma ruidosa batalha virtual contra monstros. A avó insistiu:

− Posso pegar batatinha ou macarrãozinho?

Sem resposta, o menino ignorava o mundo real, focado no jogo. A avó tentou alimentá-lo, mas ele rejeitou. A situação mudou quando o inesperado aconteceu: um Avatar Prateado emergiu do jogo, materializando-se ao lado do menino.

Com voz firme, repreendeu-o:

− Menino cheio de frescuras! Respeite sua avó e coma direitinho!

Assustado, o garoto desligou o celular, pegou o garfo e começou a comer. A avó suspirou aliviada, enquanto os presentes aplaudiam o improvável herói. O Avatar, com um gesto de despedida, pagou a conta com cartão de débito e sumiu em um rastro de luz, deixando para trás uma refeição finalmente tranquila.

Mais uma missão cumprida.


Fernando Fabbrini - Texto Adaptado https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/2025/1/2/meninoe-celular-a-mesa
Com base no trecho "O pequeno atraiu atenções imediatas graças à sua desenvoltura social", analise o uso da crase no contexto apresentado e assinale a alternativa correta.
Considere o trecho reescrito:
(...) um dia correu até minha mãe e pediu ____ ela que lhe fizesse o favor de ver se lhe salvava o marido que queria dar fim ____ própria vida. (...) Pádua obedeceu; confessou que acharia forças para submeter-se ____ vontade de minha mãe.
A alternativa que completa as lacunas, respectivamente, em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase é:
Texto I

A menina que criava peixes na barriga
(fragmento)

A menina lavava a louça no jirau estendido para o fundo da casa de madeira. No quintal havia um lago de águas represadas que no tempo invernoso transbordava, formando um córrego, que por sua vez desaguava no rio.

Barrigudinha, como quase todas as crianças ribeirinhas amazônicas, ela ajudava a mãe depois do almoço e guardava no armário de madeira branca os parcos talheres e vasilhas usados nas refeições familiares.

Quando seus parentes dormiam à tarde, Kelly do Socorro – esse era o nome dela – se dirigia ao pequeno porto da frente da casa para olhar os navios transportadores de minérios, parados ao longo do rio, à espera de carregamento. Ali ela se imaginava viajando num daqueles monstros de ferros que povoavam a paisagem e alimentavam seus sonhos. Acenava, também, para os pescadores passantes em seus barquinhos motorizados movidos à gasolina, pois as velhas montarias a remo agora davam lugar às rabetas. Mas até o barulho delas lhe encantava.

A mãe quebrava o encanto, chamando-a. Era hora de preparar o jantar, antes que os carapanãs que costumavam aparecer subitamente em nuvens ao anoitecer enchessem a casa. O pai chegaria logo com cachos de açaí para serem debulhados e preparados no acompanhamento da refeição do dia seguinte.

Kelly chorava. – Dói muito minha barriga, mãe. Não aguento mais isso todo dia.

A mãe retrucava. – Tu tens que fazer isso, criatura. É da tua natureza. E fazia massagem na barriga, no peito e na boca da menina com azeite de copaíba.

Talvez por causa do amargor desse óleo vegetal ela não resistia e expelia pela boca dezenas de peixes sobre o jirau. A mãe escolhia os maiores, descamava-os com rapidez e os fritava para o jantar. Os restantes eram jogados ainda vivos no pequeno igarapé atrás da casa. Eram de várias espécies e se reproduziam e cresciam rapidamente, formando enormes cardumes, para a satisfação dos pescadores da área. [...]

(Fernando Canto)
No terceiro parágrafo, há algumas ocorrências do sinal indicativo de crase. De acordo com a Gramática Tradicional, o “a” é sempre acentuado nas locuções de natureza adverbial formadas com palavra feminina, motivo pelo qual a construção “à tarde” recebe o acento grave. Assinale a alternativa em que esse acento é empregado por essa mesma razão.

COM O САСНОRRO AO LADO


Toda manhã saía levando o cachorro a passear. Era uma boa justificativa o cachorro, para ele que, aposentado, talvez não tivesse outra. la caminhando devagar até a avenida junto ao mar, e lá chegando deixava-se ficar num banco, o olhar posto nos navios fundeados ao largo. Havia sempre muitos navios. No seu tempo de prático, navios não precisavam esperar. De lancha ou rebocador, em calmaria ou em tempestade, ele cruzava a barra e, no mar aberto, se aproximava do casco tão mais alto do que sua própria embarcação, olhava para cima avaliando a distância, começava a subir pela escadinha ondeante. Havia riscos. Muitas vezes chegara na ponte de comando encharcado. Mas era o que sabia fazer, e o fazia melhor do que outros. Melhor do que outros conhecia as lajes submersas, os bancos de areia, as correntezas todas daquele porto, e nele conduzia os navios como se a água fosse vidro e ele visse o que para os demais era oculto. Os navios entravam no porto como cegos guiados por quem vê. Havia sido um belo trabalho. Agora sentava-seno banco junto ao mar, e olhava ao longe os navios. Sabia que não estavam ali à espera do prático. O tráfego marítimo havia aumentado ano a ano, e aos poucos tornara-se necessário esperar por uma vaga no porto, como em qualquer estacionamento de automóveis. Mas. sentado no banco, com o cachorro deitado a seu lado, gostava de pensar que na névoa da manhã os navios esperavam por ele, esperavam a lancha ou o rebocador que o traria até junto do alto casco, quando então levantaria a cabeça avaliando a distância antes de começar a subir. Um a um, aqueles navios agora cravados na água como se na rocha, sairiam da névoa e, comandados por ele cruzariam a barra entrando no porto. Progressivamente, o horizonte ficaria despovoado. Seus devaneios chegavam só até esse ponto, só até o horizonte desimpedido. Acrescentava ainda um lamento de sirene, longo. Depois se levantava do banco. O cachorro se levantava do chão. O passeio da manhä estava terminado.


COLASANTI, Marina.Hora de alimentar serpentes.São Paulo: Editora Global, 2013.

Com relação ao sinal indicativo de crase, assinale a opção em que o acento ocorreu pelo mesmo motivo observado no trecho "Sabia que não estavam ali à espera do prático."
Assinaleaalternativaincorretaquantoàcrase.

“Ela ia recebê-lo à porta, falando e rindo, tirava-lhe o chapéu e a bengala, dava-lhe o braço e levava-o a uma cadeira, ou até à cadeira, porque havia lá na casa a ‘cadeira do Viegas’, obra especial, conchegada, feita para gente enferma ou anciã.”


Nesse trecho de Machado de Assis, o acento grave na palavra destacada ocorre porque

Em relação ao uso da crase, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) A crase pode ser a contração da preposição “a” com o artigo definido feminino.
( ) É permitido o uso da crase antes de pronome pessoal.
( ) Antes de nomes próprios femininos, o uso da crase é facultativo.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

A primeira cidade dos EUA com maioria árabe Dearborn se tornou a primeira cidade de maioria árabe dos Estados Unidos em 2023. Com cento e dez mil habitantes, ela abriga o Museu Nacional Árabe-Americano e a maior mesquita da América do Norte.

A cidade é governada por um dos poucos prefeitos árabes e muçulmanos dos Estados Unidos. Dearborn também foi a primeira cidade americana a transformar o fim do jejum do Ramadã em feriado oficial para os funcionários municipais e é um dos poucos lugares do país onde uma mesquita foi autorizada a transmitir a chamada para a prece islâmica pelos seus alto-falantes.

Por tudo isso, Dearborn oferece aos visitantes uma oportunidade tentadora de viajar ao Oriente Médio sem sair dos Estados Unidos, explorando como os árabes-americanos formaram a cidade e o país.

Segundo o curador do Museu Histórico de Dearborn, Jack Tate, a cidade era pouco mais que um terreno rural escassamente povoado até o início do século 20.

Mas tudo mudou nos anos 1920, quando o fabricante de carros e futuro magnata dos negócios Henry Ford transferiu a sede da sua companhia − a Ford − para Dearborn.

"Naquela época, era uma comunidade pequena e monótona", explica Tate. "E, quando abriu a fábrica, pessoas vieram de todas as partes dos Estados Unidos, de todo o mundo, para trabalhar para a Ford. Foi o grande início da migração do Oriente Médio para cá."

Quando Ford criou seus famosos automóveis Modelo T, em 1908, ele precisava de pessoas para construí-los.

Ondas de trabalhadores de lugares que hoje pertencem ao Líbano, Síria, Iraque, Iêmen e aos Territórios Palestinos logo começaram a chegar à região de Detroit, em busca de novos empregos e altos salários.

No início dos anos 1920, a maior parte dos trabalhadores da linha de montagem do Modelo T da Ford era de origem árabe. E, quando Henry Ford mudou a fábrica para Dearborn, muitos dos seus funcionários o seguiram.

A mudança transformou o pacato vilarejo na sede da maior instalação industrial do mundo. E, mais do que isso, ela possibilitou que Dearborn passasse a abrigar a maior concentração de árabes-americanos dos Estados Unidos.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckr5d1k70ero.adaptado.
Palestinos logo começaram a chegar "à região" de Detroit, em busca de novos empregos e altos salários.
Em relação ao sinal indicativo de crase na expressão destacada, é correto afirmar que ela ocorre, de maneira:
O texto a seguir é base para a questão.

Como a tão malbaratada palavra “ética”, muito vocábulo per-
de seu sentido quando envereda por trilhas falsas. “Ética” desig-
nava comportamento, ou conjunto de regras, em geral não escri-
tas, que ditavam esse comportamento. Vivia-se a ética nos
tribunais, entre parlamentares, entre países amigos ou adversários,
e também nas relações cotidianas entre pessoas. O termo devia
ser comum entre nós, como água e pão. Comportamentos éticos
ou não éticos configuram nosso dia-a-dia na rua, na praia, no
trabalho, a começar pela família – onde aprendemos alguns con-
ceitos talvez nunca verbalizados, mas introjetados, que passam a
fazer parte de nós.

(Lya Luft. Veja, 30.11.2005)
Assinale a frase correta quanto à regência e à crase.

Considerando a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, leia com atenção o texto abaixo para responder à questão.

O câncer de mama é o segundo mais comum no mundo. E os dados sobre essa doença são contrastantes: enquanto ela é uma das principais causas de morte de mulheres, também é o tipo de câncer com a maior taxa de cura. O que separa um resultado de outro é, naturalmente, o diagnóstico precoce.

Hoje, o autoexame das mamas e a mamografia são prevenções efetivas, que buscam pequenos nódulos indicativos do início do problema. Agora, porém, médicos querem tornar o diagnóstico mais simples, prático e preciso: segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, um exame de sangue poderia detectar um câncer de mama 5 anos antes de aparecerem os sinais detectados pelos exames atuais.

A lógica do estudo foi não focar nas concentrações de células cancerígenas, que são justamente o que causam o nódulo, mas sim nos antígenos produzidos por elas. Antígeno, vale lembrar, é toda substância que desencadeia uma resposta imune do organismo, ativando nosso sistema de defesa.

A hipótese dos pesquisadores era a de que as células cancerígenas, desde quando são muito poucas, já produzem proteínas que agem como antígenos. Detectar no sangue os anticorpos desencadeados por esses antígenos seria uma forma mais prática de detectar o câncer de mama em estágio inicial.

Para testar essa hipótese, a equipe coletou amostras de sangue de 90 pacientes recém-diagnosticados com câncer de mama e 90 amostras de pacientes sem o problema, para servir como grupo de controle.

Fonte: https://super.abril.com.br/saude/cancer-de-mama-pode-serdetectado-por-exame-de-sangue-ate-5-anos-antes-de-sinais-aparecerem/

Considerando a utilização correta do acento grave, indicador de crase, assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas do texto abaixo.

_____ luz de novas tecnologias espera-se que o combate_____ células cancerígenas seja mais bem sucedido, gerando menos transtornos _____ quem enfrenta essa terrível doença.

Agritech como solução para a desertificação


Vincent Martin, da FAO, destaca que a tecnologia agrícola e as práticas sustentáveis podem desempenhar um papel crucial na mitigação ou na reversão da desertificação. Isso pode ser feito por meio de gestão sustentável do solo, inovação na captação e no uso da água, desenvolvimento de culturas mais resistentes e técnicas de restauração do solo.

Ele também ressalta que a transição parcial do cultivo a céu aberto para a agricultura protegida pode gerar uma economia significativa de água. Em climas quentes, as estufas são particularmente eficazes para mitigar os impactos das mudanças climáticas, pois permitem que os produtores controlem fatores como temperatura e umidade.

“Estufas podem proporcionar até cinco vezes mais produtividade por área e sete vezes mais eficiência no uso da água em comparação ao cultivo tradicional em campo aberto”, afirmou Martin. Preservar os recursos naturais e reduzir a necessidade de transformar terras marginais em terras cultiváveis são metas essenciais para a agricultura sustentável.

“O que precisamos fazer é criar um ambiente onde os estresses ambientais sejam reduzidos, permitindo que essas terras sejam utilizadas”, disse. “E é exatamente isso que produtos como o SecondSky fazem.” Com o aumento das vendas e planos para expandir a aplicação do SecondSky em uma gama ainda maior de produtos a partir de 2025, a empresa Iyris espera que manter as estufas frescas ao redor do mundo também nos ajude a combater o calor fora delas.

Fonte: CNN Brasil. Adaptado.
Considerando o uso da crase, avaliar se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E) e assinalar a sequência correspondente.

( ) Gostaria de pedir informações à diretora da escola. ( ) Iremos à Bahia neste fim de semana. ( ) O juiz fez menção à você, Júlio. ( ) O aluno escreveu a prova à caneta.

Identifique a frase na qual o uso da crase foi empregado corretamente.

Como evitar que motoristas bêbados fiquem impunes e continuem a matar no trânsito

Rodrigo Cardoso, Paula Rocha, Michel Alecrim e Luciani Gomes

O Brasil possui uma legislação que dificulta a redução do número de mortes em acidentes de trânsito.Nem mesmo a Lei n.º 11.705,a chamada Lei Seca, que entrou em vigor em meados de 2008 para frear o ímpeto de brasileiros que insistem em guiar sob o efeito do álcool, tem conseguido conter o avanço desse tipo de tragédia.É fácil identificar o porquê.Está disseminado no país o sentimento de que é possível combinar a bebida com a direção sem que haja punição.
As garras do Judiciário, na maioria dos casos, não têm alcançado esses motoristas porque a lei é falha. O exame do bafômetro, necessário para que se detecte a quantidade de álcool ingerida passível de penalidade, pode ser recusado pelo infrator.Sem o teste, não há como se punir com rigor. Há pelo menos 170 projetos de lei propondo alterações na Lei Seca na Câmara dos Deputados. “Do jeito que está, não existe Lei Seca no País”, diz o advogado Maurício Januzzi.
Os números mostram a ineficácia do atual Código de Trânsito.No ano seguinte à implantação da Lei Seca, quando a fiscalização marcava presença nas ruas e os veículos de comunicação a divulgavam, houve uma redução de 1,8% nas mortes de trânsito.
Nos últimos meses,uma sequência de acidentes com vítimas fatais em ruas e avenidas tem chocado a opinião pública.
Na última década, enquanto nos países da Europa as mortes no trânsito decresceram em 41%, no Brasil verificou-se um crescimento de 40%.
Aumentar a punição de quem dirige embriagado é um dos caminhos para inibir as pessoas de dirigir depois de beber.
Um dos maiores problemas da eficácia da Lei Seca é a fiscalização.O jurista Luiz Flávio Gomes acredita que o controle tem que ser implacável. “A fiscalização não pode ser flexibilizada, afrouxada”, afirma.
Mostrar o caminho e reger o comportamento. É assim que campanhas de segurança no trânsito mundo afora tiveram sucesso.Se educar deve vir primeiro do que a repressão, rever socialmente o conceito que temos sobre o álcool, porém, não é fácil. O uso da bebida alcoólica está culturalmente presente na vida do brasileiro. É uma das poucas drogas consumidas – por ser lícita – com a família reunida. O álcool ganha poder de sedução por meio de propagandas direcionadas ao público jovem que o associa a situações de poder, conquista, de belas companhias, velocidade.
Para dirigir, porém, não se deve beber.
(ISTO É, nov. 2011. Adaptado)

Considere a seguinte frase do texto:

É assim que campanhas de segurança no trânsito mundo afora tiveram sucesso. (8.º parágrafo)

Se o início dessa frase for modificado para – O sucesso no mundo afora se deveu... – deverá ser completada, corretamente, com
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