Leia o trecho a seguir:

"Ao erguer os olhos para o firmamento, contemplava as constelações que, como bordados celestiais, pontilhavam o manto noturno. Toda a imensidão cósmica parecia convergir para um único ponto, despertando no observador uma sensação de pequenez diante da grandiosidade do universo."

Qual alternativa melhor expressa a ideia central do trecho?
Leia o texto a seguir e utilize-o para responder à pergunta.

Na pequena vila de Arco-Íris, o tempo parecia ter parado, como se os dias fossem pinceladas de cores vibrantes na tela de um artista sonhador. As casas, feitas de madeira antiga, exalavam o aroma do tempo, enquanto as flores no jardim dançavam suavemente ao sabor do vento, criando um espetáculo de vida e cor. Em meio a esse cenário encantador, um sabiá, com seu canto melodioso, tornava-se a trilha sonora do cotidiano, preenchendo o ar com notas que falavam de liberdade e alegria. No centro da vila, uma árvore majestosa, com ramos robustos e folhas verdejantes, era o ponto de encontro de todas as crianças, que a consideravam um portal mágico para aventuras intermináveis. Entre risos e sussurros, os pequenos se reuniam para ouvir as histórias contadas pelo velho Benedito, um contador de histórias cuja voz carregava a sabedoria das gerações. Ele falava sobre dragões, princesas e heróis, transportando as crianças para mundos além da imaginação, onde tudo era possível e a amizade sempre prevalecia. Assim, naquele canto encantado do mundo, a vida fluía como um rio sereno, repleto de promessas e sonhos a serem descobertos, e o canto do sabiá era a melodia que unia tudo em perfeita harmonia.


Fonte independente.
A vida na vila de Arco-Íris é comparada a um rio sereno, repleta de promessas e sonhos, sugerindo que os moradores vivem em harmonia com a natureza e entre si, aproveitando cada momento com gratidão e:

Considere a seguinte frase: "A árvore era tão alta quanto o prédio da escola."

Esta frase está:

Maranhense, que inspirou o filme 'Pureza', recebe prêmio internacional Award por sua contribuição na luta contra a escravidão e o tráfico de pessoas


A maranhense Pureza Lopes Loyola, que inspirou a história contata no filme 'Pureza', que conta a história de uma mãe que resgatou o filho do trabalho escravo contemporâneo, recebeu, nesta quinta-feira (15), o prêmio internacional Award, pela sua contribuição na luta contra a escravidão e o tráfico de pessoas.

O prêmio foi entregue pelo governo dos Estados Unidos da América, em Washington. Pureza é primeira mulher brasileira a receber a honraria.

Dona Pureza, como é conhecida, se tornou referência no Brasil e no mundo por lutar contra a escravidão ao procurar o filho mais novo, Abel, que saiu de casa para trabalhar em um garimpo, em 1996.

A maranhense arrumou um emprego em uma fazenda e testemunhou o tratamento brutal de trabalhadores rurais escravizados. Depois de três anos de muita peregrinação, a mãe conseguiu localizar e resgatar o filho no interior do Pará. Essa história de luta e coragem foi parar no cinema com direção de Renato Barbieri e com a atriz Dira Paes no papel de Pureza. O filme ‘Pureza’ recebeu quase trinta prêmios em festivais nacionais e internacionais de cinema.

Na próxima segunda-feira (19), o filme Pureza será exibido pela primeira vez na TV aberta, na sessão Tela Quente, da Rede Globo. A Tela Quente vai ao ar depois da novela das 9h, ‘Terra e Paixão’. O filme ‘Pureza’ conta a história da maranhense Pureza, que durante três anos enfrentou diversos perigos e obstáculos para encontrar seu filho caçula, Antônio Abel, que tinha ido ao Pará em busca da sorte no garimpo.

A luta de Dona Pureza a tornou um símbolo do combate ao trabalho escravo contemporâneo e agora a história dela chega aos cinemas, sendo interpretada pela atriz Dira Paes. O longa é dirigido por Renato Barbieri e produzido por Marcus Ligocki Jr.


Fonte:
https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2023/06/15/maranhenseque-inspirou-o-filme-pureza-recebe-premio-internacional-award.ghtml
De acordo com o trecho “A luta de Dona Pureza a tornou um símbolo do combate ao trabalho escravo contemporâneo”, é possível inferir que:

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 7.

TEXTO

ADOÇÃO NO BRASIL

A adoção no Brasil é entendida legalmente como uma ferramenta de função social que busca garantir o direito ao desenvolvimento pleno da criança.

O processo de adoção no Brasil passou por diversos momentos diferentes no decorrer do tempo. Em momentos passados, era uma forma de adquirir mão de obra barata. Uma família “adotava” uma criança sob a condição de que, em troca do abrigo e alimento, ela deveria trabalhar cuidando da casa ou de outras crianças mais novas, geralmente filhos legítimos da família. Muita coisa mudou desde então e, embora essa prática ainda persista, a adoção é hoje vista pelos órgãos judiciais como um artifício usado para garantir os direitos da criança e do adolescente de terem acesso a um meio familiar saudável onde disponham de oportunidades de pleno desenvolvimento social, físico, psicológico e educacional.

O jurista e filósofo brasileiro Clóvis Beviláqua (1859-1944) define a adoção como “o ato civil pelo qual alguém aceita um estranho na qualidade de filho”. Nesse sentido, a adoção é vista como uma forma de estabelecimento de laço familiar indissolúvel; assim, aquele que é adotado passa a ter todos os direitos de um filho biológico.

A partir da Constituição de 1988, a adoção passou a ser vista pelo meio jurídico como uma ferramenta de função social, uma forma de proteção aos interesses da criança e do adolescente. A elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) firmou legalmente essa função e, entre suas determinações, estão:

Determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente:

• A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa (…);

• O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver sob a guarda ou tutela dos adotantes;

• A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais;

• A adoção será concedida quando apresentar reais vantagens para a criança ou adolescente em situação de adoção e fundar-se em motivos legítimos;

• O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando.

Embora os avanços legais tenham garantido meios para que as crianças e adolescentes que vivem em abrigos e encontram-se em situação de adoção tenham a oportunidade de novamente se tornarem parte de uma família, as filas de pessoas que desejam adotar continuam a crescer. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2015, existiam cerca de 5,6 mil crianças e adolescentes à espera de uma nova família nos lares adotivos espalhados pelo país. Enquanto isso, segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), 33 mil famílias estão cadastradas na fila. Esse estranho fenômeno explica-se ao observarmos que, dessas 5,6 mil crianças e adolescentes, 86% possuem 5 anos ou mais. Ocorre que a grande maioria das famílias que esperam nas filas do CNA exige que a criança a ser adotada seja recém-nascida, saudável e de pele clara, características que apenas 6% das crianças que se encontram nos abrigos possuem.

Desse fato também surge outra importante discussão acerca da legitimidade da adoção por casais homoafetivos. Embora, em 2015, ainda não exista lei formal que aborde o assunto, os tribunais e juízes já garantiram, nos casos em que as análises dos órgãos de assistência social recomendavam a adoção, o direito a esses casais de adotar.


Por: Lucas de Oliveira Rodrigues

https://www.preparaenem.com/sociologia/adocao-no-brasil.htm

Analise as afirmativas a seguir.

I- A adoção tem uma função social, que garante o direito ao desenvolvimento pleno da criança e do adolescente.

II- A adoção ainda é demorada, pois a maioria dos adotantes preferem crianças brancas e maiores de cinco anos.

III- O filho adotivo tem os mesmos direitos do filho biológico, sendo a adoção um processo revogável.

IV- As preferências dos adotantes são consequências da crescente fila de famílias que aguardam uma adoção.

De acordo com o texto, está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

O calor da sauna

Paulo Pestana


“Já que…” – a junção do advérbio com o pronominal é quase sinônimo de problema. Serve para dar prosseguimento a algo que estamos fazendo ou querendo fazer, e aí começa uma interminável sequência de ações, complementos e adendos. Numa obra é fatal.

E foi assim que começou a saga do nosso amigo, 15 anos atrás. Morador do bairro Sudoeste desde os primeiros dias, decidiu fazer uma reforma no apartamento. Não precisava, mas “já que…” (olha ele aí) um amigo tinha terminado uma obra, aproveitou o arquiteto.

E “já que…” (de novo!) faria um projeto, pediu para acrescentar uma sauna na área da piscina da cobertura. Coisa simples. Os amigos estranharam. Nunca o viram numa sauna antes. Mas era um capricho, e com esses desejos repentinos não se discute; e “já que…” (mais uma vez) existia uma pequena casa de máquinas no local, seria moleza.

Muitos “já-ques” depois, a obra foi entregue. A cozinha ficou mais ampla, o escritório mais confortável, a sala mais agradável e até o banheiro do quarto ganhou uma garibada. Satisfeito, nosso amigo curtia a casa como se fosse nova, um prazer onanista – no sentido figurado, claro, já que era exclusivo dele; nunca foi um exibido.

E a sauna?, já pressinto a pergunta. Também ficou muito boa, caprichada, feita com material de primeira, motor último tipo. Como mimo, o arquiteto deixou uma essência de eucalipto e uma toalhinha branca. Não sei se por encanto com o resto do lar, mas ele nunca entrou na sauna, nunca apertou o botão de ligar. Até agora.

15 anos se passaram e, enfim, ele resolveu estrear a sauna. De novo, os amigos estranharam. Eram dias escaldantes, com temperatura próxima dos quarenta graus; ou seja: a cidade inteira atrás de um refresco, de uma sombra, e ele chamou amigos para inaugurar a sauna, com direito a champanhe geladinha.

Qualquer pessoa prevenida faria um teste antes, mas nosso amigo é um otimista. As pessoas chegaram e ele apertou o botão. Nada. Nem uma faísca. O motor, talvez cansado de esperar, não ligou. Mas como ensinou madame Clicquot Ponsardin, com champanhe não há tempo ruim. E a festa continuou.

Com o calorão, não precisava mesmo de vapor para esquentar a sauna, e pelo menos o cheiro do eucalipto funcionou a contento.

Dia seguinte, veio a ressaca moral, e nosso amigo chamou o eletricista que havia contratado para fazer uma revisão em todo o sistema elétrico da casa. “Já que…” (ele sempre volta!) seria feita mudança de fios e tomadas, que consertasse também a sauna, inclusive trocando o motor zero quilômetro, mas inútil, por uma máquina nova, menor e mais potente.

O rapaz tinha muita boa vontade, mas, ao que parece, só isso. Quando foi instalar o motor no quadro de luz, encostou a chave de fenda nos dois polos, e ninguém precisa ser um unabomber para saber que isso dá em explosão. E o bum foi tão poderoso que apagou a luz de todo o bloco; muita gente saiu correndo.

Até hoje os vizinhos olham nosso amigo de soslaio. E se alguém quiser briga é só falar em sauna com ele.

PESTANA, Paulo. O calor da sauna. Correio Braziliense, 13 de novembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/ocalor-da-sauna/. Acesso em: 15 nov. 2023. Adaptado.

Glossário:

- Madame Clicquot Ponsardin: empresária francesa do ramo de bebidas. Passou a fazer vinho na região de Champagne, na França, no início do século XIX, à frente de um negócio falido que havia sido fundado pelo sogro em 1772. A bebida que leva sua alcunha é um dos champanhes mais reverenciados do planeta. (Adaptado de Veja, 09/09/2022)

- unabomber: Apelido dado pela polícia federal estadunidense (FBI) ao matemático Ted Kaczynski, que matou três pessoas e feriu mais 23 durante uma onda de bombardeios em massa entre 1978 e 1995. Os alvos de seus ataques pareciam sempre ser universidades e companhias aéreas. (Adaptado de BBC Brasil, 10/06/2023)

- onanista: Aquele que pratica o onanismo = 1. Coito interrompido antes da ejaculação. 2. Masturbação masculina. ("onanismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2023, https://dicionario.priberam.org/onanismo.)
No oitavo parágrafo, a expressão “a contento” fomenta o entendimento de que o cheiro da essência de eucalipto funcionou de maneira:
A coesão textual é fundamental para garantir que as ideias se conectem de maneira lógica. Na frase “O sol brilhava intensamente. Ele estava quente”, a palavra “Ele” é um exemplo de:

Leia o trecho abaixo:

"Então, fiquei sabendo que Maurício descansou para sempre no seu sono profundo. Meus pêsames!"

Qual é o eufemismo utilizado na frase acima?

“Em suma: não é o mundo que vai acabar se deixarmos as mudanças climáticas rolarem soltas. Só o mundo como o conhecemos. E o que é o mundo senão o que você conhece? Pense em cada casa, escola, restaurante etc. que estão debaixo d’água no Rio Grande do Sul: nós somos os lugares em que vivemos, as memórias que cultivamos, as pessoas que amamos e até nossos objetos favoritos. O aquecimento global pode parecer um problema abstrato, mas já estamos experimentando suas consequências reais. Para as vítimas de tragédias ambientais, o mundo já acabou. E agora elas precisam reconstruí-lo.”

VAIANO, Bruno. O mundo não vai acabar. Mas vai. Superinteressante, 07 de maio de 2024. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/omundo-nao-vai-acabar-mas-vai/. Acesso em: 08 mai. 2024.


Qual é a temática que norteia o desenvolvimento do trecho apresentado?
Um cadáver no banco, um meme no celular


A sociedade do espetáculo se apresenta em sua forma mais cruel, casada com a alta tecnologia que permite atrocidades com a velocidade de um clique

Renato de Faria | 28/04/2024



Uma sociedade produtiva e eficiente, idólatra da pura razão instrumental, dá passos certeiros em direção [a]1 barbárie. A técnica, por si só, é carente de reflexão ética, pois esse modo de pensar exige tempo, ócio e debate. Os burocratas da tecnoidolatria, tendo em vista seu baixo vocabulário e sua curtíssima carta de leitura, desconhecem a importância do desenvolvimento moral.

É por isso que a inovação tecnológica, isolada das Humanidades, não nos levará [a]2 lugar algum.

Diariamente, constatamos as ações inconsequentes na Rede, nos assustando quanto [a]3 escalada da BOÇALIDADE/BOSSALIDADE que impera nessa terra sem lei e sem reflexão ética.

Assistimos [a]4 uma delas, estarrecidos, nos últimos dias: cenas macabras que mostravam um cadáver sendo levado [a]5 uma agência bancária. Não era filme de terror, era a vida em carne e nosso. Confesso que resisti a ver a cena. Apenas o relato bastava. A cultura da imagem escandalosa, comum em nosso tempo, não acrescentaria nada em minha reflexão.

Porém, mesmo negando o acesso às cenas e todo o seu SENSSACIONALISMO/SENSACIONALISMO midiático, propício à indústria jornalística do escândalo, em pouco tempo, meu telefone já se encontrava infestado com a enxurrada de memes, figurinhas e cenas que retratavam o próprio corpo, vilipendiado pela segunda vez, em situações constrangedoras.

Já defendi (e defendo!) [...] a ironia como sobrevivência, como prática de resistência à vida burocratizada e contabilizada. Com isso, reafirmo que o humor é uma das poucas formas que sobraram de uma humanidade corrompida. No entanto, a questão é bem diferente. Os memes, produzidos pelo concreto do corpo representado, ultrapassam qualquer limite ético. Isso não é piada, é sadismo puro, PERVERCIDADE/PERVERSIDADE customizada por aplicativo e compartilhada por alguns que, dessensibilizados pelo cotidiano maldoso que infesta os suportes digitais, ainda dizem, "deixa de ser careta, moralista, isso é apenas uma imagem, uma brincadeira". Não, meu amigo. Sinto em informar, não é apenas uma piada.

Uma das cenas mais tristes da Ilíada é justamente quando Aquiles, herói grego, após vencer o nobre Heitor em um duelo de honra, amarra seu cadáver à carruagem e o arrasta diante dos muros de Troia. Príamo, seu pai e Rei daquela cidade, e Andrómaca, sua esposa, presenciaram o vilipêndio e nada puderam fazer. Na guerra, os bárbaros mostram toda sua voracidade, literalmente, dançando sobre o corpo alheio.

Estamos construindo uma forma de convivência que desconsidera qualquer limite moral. Os devotos da tecnoidolatria se comportam como Eichmann (o burocrata nazista relatado por Hannah Arendt), cheios de clichês, esquivando-se da corresponsabilidade no compartilhamento das imagens e sem a noção profunda do mal que estão fazendo.

É preciso lembrar que essa civilização já não nos oferece nenhuma garantia, caso caiamos desmaiados em algum lugar por aí, sejamos atropelados ou soframos algum acidente. Em poucas horas, nossos filhos, esposa, mãe e pai verão a cena de nosso corpo sem vida compartilhada nos grupos de WhatsApp da família, do futebol e da igreja. A sociedade do espetáculo se apresenta em sua forma mais cruel, casada com a alta tecnologia que permite ATROCIDADES/ATROÇIDADES com a velocidade de um clique.

Certo dia, ouvi alguém dizendo: "sossego mesmo só quando estivermos comendo capim pela raiz, quando esticarmos a canela e fecharmos o paletó de madeira". Agora, acho que nem isso... Com muitas câmeras nas mãos e nenhuma ideia na cabeça, perdemos até o direito a essa paz eterna.



FARIA, Renato de. Um cadáver no banco, um meme no celular. Estado de
Minas, 28 de abril de 2024. Disponível em:
https://www.em.com.br/colunistas/filosofiaexplicadinha/2024/04/6846875-um-cadaver-no-banco-um-meme-nocelular.html. Acesso em: 29 abr. 2024. Adaptado.


De acordo com as informações apresentados no artigo:
Maranhense, que inspirou o filme 'Pureza', recebe prêmio internacional Award por sua contribuição na luta contra a escravidão e o tráfico de pessoas


A maranhense Pureza Lopes Loyola, que inspirou a história contata no filme 'Pureza', que conta a história de uma mãe que resgatou o filho do trabalho escravo contemporâneo, recebeu, nesta quinta-feira (15), o prêmio internacional Award, pela sua contribuição na luta contra a escravidão e o tráfico de pessoas.

O prêmio foi entregue pelo governo dos Estados Unidos da América, em Washington. Pureza é primeira mulher brasileira a receber a honraria.

Dona Pureza, como é conhecida, se tornou referência no Brasil e no mundo por lutar contra a escravidão ao procurar o filho mais novo, Abel, que saiu de casa para trabalhar em um garimpo, em 1996.

A maranhense arrumou um emprego em uma fazenda e testemunhou o tratamento brutal de trabalhadores rurais escravizados. Depois de três anos de muita peregrinação, a mãe conseguiu localizar e resgatar o filho no interior do Pará. Essa história de luta e coragem foi parar no cinema com direção de Renato Barbieri e com a atriz Dira Paes no papel de Pureza. O filme ‘Pureza’ recebeu quase trinta prêmios em festivais nacionais e internacionais de cinema.

Na próxima segunda-feira (19), o filme Pureza será exibido pela primeira vez na TV aberta, na sessão Tela Quente, da Rede Globo. A Tela Quente vai ao ar depois da novela das 9h, ‘Terra e Paixão’. O filme ‘Pureza’ conta a história da maranhense Pureza, que durante três anos enfrentou diversos perigos e obstáculos para encontrar seu filho caçula, Antônio Abel, que tinha ido ao Pará em busca da sorte no garimpo.

A luta de Dona Pureza a tornou um símbolo do combate ao trabalho escravo contemporâneo e agora a história dela chega aos cinemas, sendo interpretada pela atriz Dira Paes. O longa é dirigido por Renato Barbieri e produzido por Marcus Ligocki Jr.


Fonte:
https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2023/06/15/maranhenseque-inspirou-o-filme-pureza-recebe-premio-internacional-award.ghtml
Assinale a alternativa que está de acordo com o texto.
TEXTO PARA A QUESTÃO.

Os guaranis e a fundação de São Paulo

Tenho ouvido muitas memórias guaranis, especialmente sobre a cidade de São Paulo
Txai Suruí | 15.mar.2024

Que a história foi contada pelo outro lado e que nós sofremos um apagamento histórico vocês já sabem, por isso falo tanto da importância das nossas narrativas e de recontar essa história. E a memória é essencial para todos nós, sociedade indígena e não indígena.
[Ela] é condutora para entendermos o presente e construirmos o futuro que queremos. Por isso sempre atento às histórias que são recontadas pelos mais velhos e por outros povos de Abya Yala. Ultimamente, por causa do meu amado, ando ouvindo muitas memórias guaranis, especialmente de São Paulo.
O Pátio do Colégio é um local emblemático e de grande importância histórica para a cidade de São Paulo e para o Brasil como um todo. Ele marca o local onde os jesuítas José de Anchieta e Manuel da Nóbrega fundaram o colégio que viria a ser o ponto inicial da cidade, em 25 de janeiro de 1554.
Originalmente criado como um núcleo de educação religiosa e de CONVERÇÃO/CONVERSÃO dos indígenas ao catolicismo, o Pátio do Colégio desempenhou papel central no processo da colonização portuguesa no Brasil e nas dinâmicas de interações com os povos indígenas, particularmente os guaranis.
Os jesuítas buscavam CATEQUIZAR/CATEQUISAR os guaranis, ensinando-[lhes] a língua portuguesa e a religião católica, e com eles aprendiam habilidades em agricultura e artesanato. Mas essa interação não foi isenta de violência e exploração. Na verdade, houve um complexo panorama de relações, que inclui resistência, ADAPTAÇÃO/ADAPITAÇÃO e, infelizmente, muito abuso.
Os jesuítas [os] organizavam em aldeias, conhecidas como "reduções", onde os guaranis deveriam seguir as regras e os modos de vida europeus. Essa abordagem missionária resultou na perda de aspectos significativos das culturas indígenas, incluindo crenças, línguas e maneiras tradicionais de vida.
Além disso, os europeus trouxeram doenças contra as quais os guaranis não tinham imunidade, provocando drástica redução populacional. Enquanto isso, no âmbito da colonização mais ampla, os guaranis enfrentavam outras formas severas de exploração. Muitos foram mortos e muitos foram capturados nas expedições chamadas "bandeiras", organizadas por colonos de origem portuguesa para escravizá-los.
É essencial reconhecer que a fundação de São Paulo, representada simbolicamente pelo Pátio do Colégio, marca não apenas o início de uma cidade, mas também uma era de encontros culturais complexos que têm implicações até hoje.
O legado dos guaranis e a violência que eles sofreram e sofrem é uma parte integral da história de São Paulo e do Brasil que precisa estar na memória, para a história, a reparação e a justiça.

Txai Suruí - Coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental - Kanindé e do Movimento da Juventude Indígena de Rondônia


SURUÍ, Txai. Os guaranis e a fundação de São Paulo. Folha de São Paulo, 15 de março de 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/txaisurui/2024/03/a-historia-e-seus-narradores.shtml. Acesso em: 16 mar. 2024. Adaptado.
Segundo as informações explicitadas nesse artigo, pode-se considerar que o encontro cultural entre os europeus e os povos originários do Brasil NÃO teve um viés.
Leia o fragmento: “O vento dançava furioso entre as árvores, chicoteando folhas e galhos como se fosse uma multidão em revolta.” Esse recurso, presente em textos literários, atribui ações humanas a elementos inanimados, intensificando o efeito expressivo.

Qual figura de linguagem está em destaque?
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.

Fonte: Carlos Drummond de Andrade, Poema Amar.
No poema, qual é o sentimento predominante em relação ao amor?
Leia o texto a seguir e utilize-o para responder à pergunta.

Na pequena vila de Arco-Íris, o tempo parecia ter parado, como se os dias fossem pinceladas de cores vibrantes na tela de um artista sonhador. As casas, feitas de madeira antiga, exalavam o aroma do tempo, enquanto as flores no jardim dançavam suavemente ao sabor do vento, criando um espetáculo de vida e cor. Em meio a esse cenário encantador, um sabiá, com seu canto melodioso, tornava-se a trilha sonora do cotidiano, preenchendo o ar com notas que falavam de liberdade e alegria. No centro da vila, uma árvore majestosa, com ramos robustos e folhas verdejantes, era o ponto de encontro de todas as crianças, que a consideravam um portal mágico para aventuras intermináveis. Entre risos e sussurros, os pequenos se reuniam para ouvir as histórias contadas pelo velho Benedito, um contador de histórias cuja voz carregava a sabedoria das gerações. Ele falava sobre dragões, princesas e heróis, transportando as crianças para mundos além da imaginação, onde tudo era possível e a amizade sempre prevalecia. Assim, naquele canto encantado do mundo, a vida fluía como um rio sereno, repleto de promessas e sonhos a serem descobertos, e o canto do sabiá era a melodia que unia tudo em perfeita harmonia.


Fonte independente.
A árvore majestosa, que se torna o ponto de encontro das crianças, também significa:
Mundo de curiosidades

CHC | 354


1. Cérebro em desenvolvimento

Quando nascemos, o nosso cérebro não é considerado totalmente “pronto”. Ele continua crescendo e se desenvolvendo por muitos e muitos anos. Da gestação até os 3 anos de idade é quando o cérebro mais cresce. Esse período de amadurecimento inicial permite, por exemplo, que a criança se comunique, sente, ande e interaja com as pessoas. Já por volta dos 6 anos de idade, o córtex cerebral (a parte externa que todos chamam de “massa cinzenta”) completa seu desenvolvimento. Essa é a região responsável pela nossa capacidade de falar, prestar atenção numa aula, de usar o lápis para escrever nas linhas de um caderno, entre outras coisas. Na adolescência, por volta dos 14 anos, outras regiões amadurecem, permitindo o controle das emoções. Esse período dura mais tempo. Somente por volta dos 30 anos de idade é que o cérebro humano para de crescer. Acredita?


Priscilla Oliveira Silva Bomfim
Núcleo de Pesquisa, Ensino, Divulgação e Extensão
Universidade Federal Fluminense



2. Os carros voadores estão chegando?


Você já deve ter andado em um carro, mas duvido que tenha voado em um! Os carros voadores, porém, já são realidade. Trata-se de um tipo novo de veículo que se parece com um carro, mas possui hélices como um helicóptero. São bem parecidos também com um drone, só que maiores, como um carro de verdade, com hélices bem grandes. Outra curiosidade é que eles podem transportar passageiros sem a presença de um piloto. Sim! Eles voam de forma autônoma.

A Embraer (Empresa Brasileira de Aeronaves) está desenvolvendo o primeiro carro voador do Brasil. Outros estão em construção em países como China e Austrália. O que você acharia de voar de carro por aí?

Kalinka Branco
Laboratório de Sistemas Embarcados Críticos
Departamento de Sistemas de Computação
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação
Universidade de São Paulo



3. Emigração ou imigração?

Emigração e imigração são termos que ______ (faz/fazem) referência a movimentos de deslocamento de populações no mundo, em busca de moradia fixa em outra região ou país. Atualmente, cerca de oito bilhões de pessoas ______ (habita/habitam) nosso planeta, distribuídas por diferentes partes e com situações de vida distintas. É justamente em função destes diferentes contextos que ______ (ocorre/ocorrem) as migrações.

Emigração é o movimento de saída do local de moradia em busca de uma nova residência em outra região ou país. Dentre os fatores que ______ (leva/levam) as pessoas a saírem estão pobreza, desemprego e risco de vida, seja por guerra ou por mudanças climáticas.

Já a imigração é o movimento de entrada em uma nova região ou país para estabelecer moradia. Dentre os fatores que mais atraem as pessoas para isso ______ (está/estão) melhores oportunidades de emprego, estudo e qualidade de vida, além da própria sobrevivência.


Deborah da Costa Fontenelle
Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira
(CAp-Uerj)



4. Época das frutas


[As] frutas produzidas por cada espécie de vegetal passam por seus próprios processos de amadurecimento. E estes processos estão ligados a condições do solo e do clima, como temperatura e volume de chuvas. Há frutas que se dão melhor em estações mais frias e com pouco sol, por exemplo, enquanto outras, precisam de temperaturas mais altas. São [as] chamadas “frutas da época” ou “frutas da estação”, e é natural que se desenvolvam melhor e captem mais nutrientes do solo em condições favoráveis. Além de serem mais saborosas, seus valores nutricionais também são maiores.

Outro fato importante é que o combate [a] pragas costuma ser mais intenso em plantações fora de época. Assim, [as] frutas cultivadas em suas épocas específicas necessitam muito pouco ou nenhum agrotóxico. Viu só? O consumo de frutas da estação é uma maneira saudável e consciente de garantir [a] sustentabilidade da produção e torná-la mais segura para o planeta!



Ana Paula Gelli de Faria
Departamento de Botânica
Universidade Federal de Juiz de Fora


MUNDO de curiosidades (seção). Ciência Hoje das Crianças, ed. 354, maio de 2024. Disponível em: https://chc.org.br/artigo/mundo-de-curiosidades-354/. Acesso em: 04 mai. 2024. Adaptado.
De acordo com o texto “Cérebro em desenvolvimento”:
A urgente necessidade de aumentar a resiliência cibernética do Brasil


O Brasil, ao fortalecer sua infraestrutura cibernética e criar políticas eficazes, não apenas aumenta a própria resiliência, mas também contribui para a estabilidade e a busca da segurança global no combate aos cibercriminosos
» Luana Tavares e Fábio Diniz, Fundadores do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime.
29/04/24




Nos últimos anos, o Brasil e o mundo TÊM1 enfrentado desafios significativos no que diz respeito à segurança cibernética, com ataques frequentes que expõem a premente necessidade de construirmos uma cultura de segurança no ambiente digital. A recente violação ao sistema de pagamentos da União (Sistema Integrado de Administração Financeira — Siafi), cujas suspeitas indicam ter partido do roubo e uso indevido de credenciais de servidores públicos, resultou no desvio de R$ 3,5 milhões em recursos da União, estimativa atual do governo, e é um dos casos que reforçam a importância de acelerar a implementação de uma política nacional de cibersegurança.


Essa [política] não deve apenas estabelecer normas e regulamentações robustas para proteger os sistemas nacionais, mas também garantir a construção de uma cultura [nacional] de proteção no [ciberespaço] e rápida atualização das estratégias de defesa em resposta às ameaças [emergentes]. A resiliência cibernética do Brasil no cenário [digital] depende da capacidade do país de proteger suas infraestruturas [críticas] e dados [sensíveis], como os que foram utilizados nessa violação, contra [invasores] mal-intencionados.


Nesse contexto complexo, a atuação da sociedade civil organizada e dos setores produtivos é de extrema relevância e DEVE2 colaborar estreitamente com o Estado nas principais demandas e preocupações dos cidadãos e dos mais diversos segmentos da economia. A principal colaboração, neste momento, deve se concentrar em garantir insumos ao desenvolvimento da Estratégia Nacional de Cibersegurança. Esse trabalho está sendo realizado pelo Comitê Nacional de Cibersegurança, sob a coordenação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI).


Essa é uma prática que países como EUA, Reino Unido e, mais recentemente, Chile já IMPLEMENTARAM3 e visa fornecer um panorama detalhado dos desafios e necessidades relacionados à segurança cibernética com olhar multissetorial e sistêmico, bem como prioridades e medidas para atendê-los. O objetivo é assegurar que esse documento seja um verdadeiro compromisso nacional abrangente e alinhado com as necessidades reais do país, tanto nos aspectos econômicos e de segurança quanto no aspecto social, uma vez que todos esses ataques TEM4 influência direta sobre os cidadãos.


Além disso, a relevância do GSI e os investimentos realizados para o fortalecimento da ação da Polícia Federal são inquestionáveis. O GSI desempenha um papel crucial na coordenação das ações de defesa cibernética em nível nacional, enquanto a PF, com o trabalho imprescindível de investigação, necessita de recursos adicionais (e não de cortes) para expandir sua capacidade tecnológica e operacional. Investir na infraestrutura, na capacitação e nas ferramentas necessárias para essas instituições é essencial para que possam efetivamente educar, prevenir, identificar e responder a incidentes cibernéticos.

A proteção no espaço digital não é apenas uma questão tecnológica, mas, sim, de segurança aos ativos nacionais. O Brasil, ao fortalecer sua infraestrutura cibernética e criar políticas eficazes, não apenas aumenta a própria resiliência, mas também contribui para a estabilidade e a busca da segurança global no combate aos cibercriminosos. Portanto, é imperativo que HAJA5 um compromisso contínuo e reforçado do governo e de toda a sociedade para enfrentar esses desafios com a seriedade e a urgência que eles requerem.


Ao se considerar o futuro da cibersegurança no Brasil, é fundamental que todas as medidas sejam tomadas não apenas reativamente, mas, principalmente, proativamente. Se queremos vencer essa batalha, precisamos estar sempre um passo à frente dos criminosos cibernéticos, com políticas e práticas que se adaptem rapidamente às novas tecnologias e aos métodos de ataque. Para tanto, devemos atuar na construção de uma cultura nacional nesse tema, com a implementação efetiva de uma política de cibersegurança. Só assim, o Brasil poderá assegurar a integridade de sua infraestrutura crítica e a proteção de seus cidadãos no ambiente digital.



TAVARES, Luana; DINIZ, Fábio. A urgente necessidade de aumentar a
resiliência cibernética do Brasil. Correio Braziliense, 29 de abril de 2024.
Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/04/6846936-artigoa-urgente-necessidade-de-aumentar-a-resiliencia-cibernetica-dobrasil.html. Acesso em: 29 abr. 2024. Adaptado.

Quanto à segurança cibernética no Brasil, os articulistas ponderam que:
O calor da sauna

Paulo Pestana


“Já que…” – a junção do advérbio com o pronominal é quase sinônimo de problema. Serve para dar prosseguimento a algo que estamos fazendo ou querendo fazer, e aí começa uma interminável sequência de ações, complementos e adendos. Numa obra é fatal.

E foi assim que começou a saga do nosso amigo, 15 anos atrás. Morador do bairro Sudoeste desde os primeiros dias, decidiu fazer uma reforma no apartamento. Não precisava, mas “já que…” (olha ele aí) um amigo tinha terminado uma obra, aproveitou o arquiteto.

E “já que…” (de novo!) faria um projeto, pediu para acrescentar uma sauna na área da piscina da cobertura. Coisa simples. Os amigos estranharam. Nunca o viram numa sauna antes. Mas era um capricho, e com esses desejos repentinos não se discute; e “já que…” (mais uma vez) existia uma pequena casa de máquinas no local, seria moleza.

Muitos “já-ques” depois, a obra foi entregue. A cozinha ficou mais ampla, o escritório mais confortável, a sala mais agradável e até o banheiro do quarto ganhou uma garibada. Satisfeito, nosso amigo curtia a casa como se fosse nova, um prazer onanista – no sentido figurado, claro, já que era exclusivo dele; nunca foi um exibido.

E a sauna?, já pressinto a pergunta. Também ficou muito boa, caprichada, feita com material de primeira, motor último tipo. Como mimo, o arquiteto deixou uma essência de eucalipto e uma toalhinha branca. Não sei se por encanto com o resto do lar, mas ele nunca entrou na sauna, nunca apertou o botão de ligar. Até agora.

15 anos se passaram e, enfim, ele resolveu estrear a sauna. De novo, os amigos estranharam. Eram dias escaldantes, com temperatura próxima dos quarenta graus; ou seja: a cidade inteira atrás de um refresco, de uma sombra, e ele chamou amigos para inaugurar a sauna, com direito a champanhe geladinha.

Qualquer pessoa prevenida faria um teste antes, mas nosso amigo é um otimista. As pessoas chegaram e ele apertou o botão. Nada. Nem uma faísca. O motor, talvez cansado de esperar, não ligou. Mas como ensinou madame Clicquot Ponsardin, com champanhe não há tempo ruim. E a festa continuou.

Com o calorão, não precisava mesmo de vapor para esquentar a sauna, e pelo menos o cheiro do eucalipto funcionou a contento.

Dia seguinte, veio a ressaca moral, e nosso amigo chamou o eletricista que havia contratado para fazer uma revisão em todo o sistema elétrico da casa. “Já que…” (ele sempre volta!) seria feita mudança de fios e tomadas, que consertasse também a sauna, inclusive trocando o motor zero quilômetro, mas inútil, por uma máquina nova, menor e mais potente.

O rapaz tinha muita boa vontade, mas, ao que parece, só isso. Quando foi instalar o motor no quadro de luz, encostou a chave de fenda nos dois polos, e ninguém precisa ser um unabomber para saber que isso dá em explosão. E o bum foi tão poderoso que apagou a luz de todo o bloco; muita gente saiu correndo.

Até hoje os vizinhos olham nosso amigo de soslaio. E se alguém quiser briga é só falar em sauna com ele.

PESTANA, Paulo. O calor da sauna. Correio Braziliense, 13 de novembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/ocalor-da-sauna/. Acesso em: 15 nov. 2023. Adaptado.

Glossário:

- Madame Clicquot Ponsardin: empresária francesa do ramo de bebidas. Passou a fazer vinho na região de Champagne, na França, no início do século XIX, à frente de um negócio falido que havia sido fundado pelo sogro em 1772. A bebida que leva sua alcunha é um dos champanhes mais reverenciados do planeta. (Adaptado de Veja, 09/09/2022)

- unabomber: Apelido dado pela polícia federal estadunidense (FBI) ao matemático Ted Kaczynski, que matou três pessoas e feriu mais 23 durante uma onda de bombardeios em massa entre 1978 e 1995. Os alvos de seus ataques pareciam sempre ser universidades e companhias aéreas. (Adaptado de BBC Brasil, 10/06/2023)

- onanista: Aquele que pratica o onanismo = 1. Coito interrompido antes da ejaculação. 2. Masturbação masculina. ("onanismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2023, https://dicionario.priberam.org/onanismo.)
Com base nas informações do penúltimo parágrafo, ao dizer que o eletricista contratado pelo amigo “tinha muita boa vontade, mas, ao que parece, só isso.”, o cronista dá a entender que o rapaz:

A era do Homo Trecos

A Revolução Treconológica nos encheu de coisas, sem antes nos perguntar se seriam úteis

Renato de Faria | 10/03/2024

Um cérebro bem desenvolvido, capacidade de falar e produzir cultura, esses são os traços mais marcantes do Homo sapiens. Vencemos uma batalha natural e aqui estamos, com pensamento e reflexão. Para alguns, a libertação de um estado de natureza, no qual somos frágeis, presas fáceis. Para outros, um castigo divino, uma falha natural, pois bom mesmo seria viver por aí, pescando e caçando, sem eira nem beira, tal qual os animais.


Toda cultura se acha, invariavelmente, mais capacitada e evoluída do que a anterior. Isso é normal, faz parte da arrogância de viver o presente. Porém, toda comunidade histórica, por mais adaptada e avançada que pareça ser, terá sempre seu ponto cego, aquela característica marcante e ignorante, bem debaixo do nariz, que a envergonhará diante das demais.


Por mais que os gregos sejam fascinantes, pois nos deram a filosofia, a música, a matemática, a democracia e tantas outras coisas, eles eram escravocratas. Não percebiam, a tempo, que a escravidão é um mal ético e objetivo. Eles não enxergavam. Afinal, se é ponto cego, de fato, não era para ser visto mesmo. E aqueles que se levantaram em contrariedade, foram vistos como loucos, pessimistas, que intencionavam arruinar a ordem social. Depois, foram chamados de gênios.


Daqui a quatrocentos, quinhentos anos, encontrarão nossa fragilidade, nosso ponto cego, nossa poeira jogada para debaixo do tapete. Imagino um congresso de antropólogos, filósofos e cientistas discutindo nossa civilização, com seus avanços e retrocessos, descobertas e encobertas, luzes e sombras. Encontrarão nosso calcanhar de Aquiles, pois entraremos para a história como a era dos Homo Trecos.


A Revolução Treconológica nos encheu de coisas, sem antes nos perguntar se seriam úteis. É treco no braço, na cintura, no bolso, na orelha, na maleta e em qualquer lugar que dê para pendurar alguma coisa. Diferentemente daqueles que vieram antes de nós, nossas invenções não foram criadas por uma necessidade social. Pelo contrário, a demanda é, unicamente, pela ansiedade em produzir mais coisas, mais trecos.


Depois, começamos a nos perguntar para que eles servem. Quando descobrimos que nos fazem mal, causando dependências diversas, devido ao seu uso recreativo e excessivo, a própria indústria irá oferecer outros trecos farmacológicos para baixar a ansiedade, curar a tristeza e afastar a depressão. Calma, eles dão jeito para tudo. É treco que não acaba mais.


Nós, os Homo Trecos, não gostamos muito de pensar, essa coisa antiquada, analógica e sofrida. Basta inventar uns quatro ou cinco termos em língua inglesa (a língua oficial dos criados treconológicos) para suprir a falta de vocabulário que seus representantes desenvolveram. Por uma saudade do cordão umbilical, também criaram carregadores, bluetooth, cabos e redes, para estarmos sempre conectados ao Treco-Mãe.


Ótimo! Seremos a nova espécie! Trecos humanos que irão vagar por aí, correndo de um lugar a outro, fazendo quatro reuniões na mesma hora, com um tempo presente carente de sentido, em namoro eterno com a morte. Viveremos na monotonia daqueles que não sabem o que fazer com a vida, reduzida à obsolescência daqueles que só sabem se relacionar com o fetiche em consumir mais trecos.



FARIA, Renato de. A era do Homo Trecos. Estado de Minas, 10 de março de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/filosofiaexplicadinha/2024/03/6816267-a-era-do-homo-trecos.html. Acesso em: 30 mar. 2024. Adaptado.

De acordo com o articulista, o ser humano produz trecos:
De acordo com o texto a seguir, marque a alternativa correta quanto aos comentários.
O que pode ser feito no DF para enfrentar a crise climática?
As condições climáticas estão cada vez mais adversas, e a nossa rotina precisa mudar. Além dessa quantidade de dias sem chuva, o clima do DF é extremamente seco, com variações de temperatura muito grandes. Não tem organismo que dê conta dessas variações, fisiologicamente falando. Isso tem um impacto, especialmente, para idosos, para crianças e pessoas que têm alguma comorbidade associada. Então, é fundamental se atentar à melhoria da qualidade de vida dessas pessoas. Ingestão de água em quantidade maior; espaços onde você dorme, evitando aqueles que estejam abafados e com poeira, optar por locais ventilados; deixar toalha na beira da cama; evitar exposição à alta temperatura, onde o ar é mais seco. O uso de máscara é recomendado para não inalar fuligem e fumaça. São medidas muito simples, que irão melhorar, de maneira considerável, a qualidade de vida. Sobre a população vulnerável, é a que está próxima da área com o maior número de queimadas. O fogo chega muito perto da casa dessas pessoas, a qualidade de vida delas com essas intempéries fica precária e vão adoecer mais. (...) Políticas públicas específicas para essa população têm que ser para ontem.
https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2024/10/6956894
Página 7