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Acerca de Montaigne

Montaigne, o influente filósofo francês do século XVI,
foi um conservador, mas nada teve de rígido ou estreito, muito
menos de dogmático. Por temperamento, foi bem o contrário de
um revolucionário; certamente faltaram-lhe a fé e a energia de
um homem de ação, o idealismo ardente e a vontade. Seu
conservadorismo aproxima-se, sob certos aspectos, do que no
século XIX viria a ser chamado de liberalismo.
Na concepção política de Montaigne, o indivíduo deve
ser deixado livre dentro do quadro das leis, e a autoridade do
Estado deve ser a mais leve possível. Para o filósofo, o melhor
governo será o que menos se fizer sentir; assegurará a ordem
pública sem invadir a vida privada e sem pretender orientar os
espíritos. Montaigne não escolheu as instituições sob as quais
viveu, mas resolveu respeitá-las, a elas obedecendo fielmente,
como achava correto num bom cidadão e súdito leal. Que não
lhe pedissem mais do que o exigido peloequilíbrio da razão e
pela clareza da consciência.

(Adaptado da introdução aos Ensaios, de Montaigne. Trad.
de Sergio Milliet. S. Paulo: Abril, Os Pensadores, 1972.)

Há no primeiro parágrafo afirmações que induzem o leitor a identificar:

I. um conservador típico como alguém rígido, limitado e dogmático.

II. um revolucionário como alguém ativo, idealista, dotado de fé, energia e vontade.

III. um conservador do século XVI com um liberal do século XIX.

Completa corretamente o enunciado desta questão o que está em

Redes sociais: o reino encantado da intimidade de faz de conta


      Recebi, por e-mail, um convite para um evento literário. Aceitei, e logo a moça que me convidou pediu meu número de Whatsapp para agilizar algumas informações. No dia seguinte, nossa formalidade havia evoluído para emojis de coraçãozinho. No terceiro dia, eia iniciou a mensagem com um "bom dia, amiga". Quando eu fizer aniversário, acho que vou convidá-la pra festa.

      Postei no Instagram a foto de um cartaz de cinema, e uma leitora deixou um comentário no Direct. Disse que vem passando por um drama parecido como do filme; algo tão pessoal, que ela só quis contar para mim, em quem confia 100%. Como não chamá-la para a próxima ceia de Natal aqui em casa? Fotos de recém-nascidos me são enviadas por mulheres que eu nem sabia que estavam grávidas. Mando condolências pela morte do avô de alguém que mal cumprimento quando encontro num bar. Acompanho a dieta alimentar de estranhos. Fico sabendo que o amigo de uma conhecida troca, todos os dias, as fraldas de sua mãe velhinha, mas que não faria isso pelo pai, que sempre foi seco e frio com ele - e me comovo; sinto como se estivesse sentada a seu lado no sofá, enxugando suas lágrimas.

      Mas não estou sentada a seu lado no sofá e nem mesmo sei quem ele é; apenas li um comentário deixado numa postagem do Facebook, entre outras milhares de postagens diárias que não são pra mim, mas que estão ao alcance dos meus olhos. É o reino encantado das confidências instantâneas e das distâncias suprimidas: nunca fomos tão íntimos de todos.

      Pena que esse mundo fofo é de faz de conta, intimidade, pra valer, exige paciência e convivência, tudo o que, infelizmente, tornou-se sinônimo de perda de tempo. Mais vale a aproximação ilusória: as pessoas amam você, mesmo sem conhecê-la de verdade. É como disse, certa vez, o ator Daniel Dantas em entrevista à Marilia Gabriela: "Eu gostaria de ser a pessoa que meu cachorro pensa que eu sou".

      Genial. Um cachorro começa a seguir você na rua e, se você der atenção e o levar pra casa, ganha um amigo na hora. O cachorro vai achá-lo o máximo, pois a única coisa que ele quer é pertencer. Ele não está nem aí para suas fraquezas, para suas esquisitices, para a pessoa que você realmente é: basta que você o adote.

      A comparação é meio forçada, mas tem alguma relação com o que acontece nas redes. Farejamos uns aos outros, ofertamos um like e, de imediato, ganhamos um amigo que não sabe nada de profundo sobre nós, e provavelmente nunca saberá. A diferença - a favor do cachorro - é que este está realmente por perto, todos os dias, e é sensível aos nossos estados de ânimo, tornando-se íntimo a seu modo. Já alguns seres humanos seguem outros seres humanos sem que jamais venham a pertencer à vida um do outro, inaugurando uma nova intimidade: a que não existe de modo nenhum.

Martha Medeiros <https://www, revistaversar.com. br/redes-sociais-inttmÍdade/> - (com adaptações)

A ideia central do texto é:

A frase que está corretamente redigida é:

Assinale a alternativa em que o termo em destaque não está empregado conotativamente.
Adidas corre para corrigir erro gramatical em camisa comemorativa do Palmeiras

Martin Fernandez


A Adidas, fornecedora de material esportivo do Palmeiras, corre contra o tempo para confeccionar novas camisas para os jogadores do time, que nesta quarta-feira inaugura o seu novo estádio em partida contra o Sport, às 22h, pelo Campeonato Brasileiro. A empresa produziu uma peça especial para a festa desta noite, mas o uniforme divulgado tinha um erro de português.

Ao redor do distintivo, a frase “o bom filho à casa torna" foi escrita equivocadamente com o acento grave, que representa crase, na preposição “a" - a crase é a junção de duas vogais, utilizada, por exemplo, quando se funde o artigo feminino “a" com a preposição “a".

- Não deveria ter (crase na frase da camisa). Quando se refere a sua própria casa, não existe o artigo. Você sai de casa, passa em casa. O curioso é que se fosse qualquer outra casa, a do vizinho, a da sogra, a do São Paulo, aí haveria o artigo - explica o professor Sérgio Nogueira.

A Adidas está rastreando a fonte do erro. Algumas camisas foram produzidas com a falha, mas, segundo a empresa, nenhuma chegou às lojas Ainda não se sabe o que será feito com essas peças.

(Martin Fernandez, em 19 de novembro de 2014. Texto retirado do Blog Bastidores FC: http://globoesporte.globo.com/ blogs/especial-blog/bastidores-fc/post/adidas-corre-para-corrigir-erro-gramatical-em-camisa-comemorativa-do-palmeiras.html) 

Seguindo a explicação sobre o erro de português na frase da camisa dos jogadores do Palmeiras dada pelo professor Sérgio Nogueira ao jornalista, indique a alternativa que apresenta a possível correção que foi feita, seguindo às regras da norma-padrão da língua portuguesa. 
29 anos de democracia 

Mais de 90 milhões de brasileiros, quase metade da população atual, não eram nascidos quando o último general- presidente, João Figueiredo, deixou o Palácio do Planalto. Outros 30 milhões ainda não eram adolescentes. 
Maioria crescente dos brasileiros, portanto, terá nascido ou se tornado adulta na vigência do regime democrático. A Nova República já é mais longeva que todos os arranjos republicanos anteriores, à exceção do período oligárquico (1889-1930). 
Em termos de escala, assiduidade e participação da população na escolha dos governantes, o Brasil de 1985 a 2014 parece outro país, moderno e dinâmico, no cotejo com a restrita experiência eleitoral anterior. 
A hipótese de ruptura com o passado se fortalece quando avaliamos a extensão dos mecanismos de distribuição de oportunidades e de mitigação de desigualdades de hoje. Sozinhas, as despesas sociais no Brasil equivalem, em percentual do PIB, a quase todo o gasto público chinês. 
A democracia brasileira contemporânea, e apenas ela na história nacional, inventou o que mais perto se pode chegar de um Estado de Bem-Estar num país de renda média. A baixa qualidade dos serviços governamentais está ligada sobretudo à limitação do PIB, e não à falta de políticas públicas social- democratas. 
Autoritários e populistas do passado davam uma banana para o custeio -e o controle de qualidade- da educação básica. Governos democráticos a partir de 1985 fizeram disparar a despesa. Muito da redução na desigualdade de renda se deve a isso. 
Ainda assim, a parte da esquerda viúva da ruína socialista vive a defender o “aprofundamento da democracia” e “mudanças estruturais” que nos livrem do modelo de “modernização conservadora” -seja lá o que esses termos signifiquem hoje. 
Já ocorreu a tal “mudança estrutural”. O Brasil democrático não se parece com seu passado tristonho, embora ainda haja tanto por fazer. 

(Vinicius Mota, Folha de São Paulo)
“Maioria crescente dos brasileiros, portanto, terá nascido ou se tornado adulta na vigência do regime democrático”. 

O emprego da forma futura “terá nascido” mostra o valor de
No Brasil, apenas 15% dos assassinatos são esclarecidos pela polícia. Para outros ilícitos, as taxas são ainda mais acanhadas. Isso significa que, se o lucro esperado com a materialização do crime for alto, cometê-lo é uma decisão perfeitamente racional. A chance de ser identificado, afinal, é pequena, e a de ser condenado e cumprir pena, ainda menor. A título de comparação, no Reino Unido e na França, os índices de solução de homicídios são de 90% e 80%, respectivamente. Com números assim, não surpreende que as taxas de criminalidade sejam altas no Brasil. (Hélio Schwartsman. Folha de São Paulo, 01/05/2018, p. A2.)
No texto, o colunista expõe argumentos que procuram explicar as elevadas estatísticas associadas à ocorrência de crimes no Brasil. Dentre as medidas apresentadas abaixo, todas com o objetivo de reduzir as taxas de criminalidade brasileiras, a única que pode ser justificada por tais argumentos é:
Texto – 11 de setembro: repercussões

A partir do 11 de setembro, os norte-americanos concluíram que sua vida havia se transformado definitivamente. O ambiente de paz não existe mais. Os dirigentes anunciam que a guerra ao terrorismo irá se estender por muitos anos e que uma grave ameaça paira sobre os Estados Unidos, pois os terroristas podem atacar de muitas maneiras e empregar métodos bastante variados, inclusive armas químicas e biológicas. A sensação tranquilizante de invulnerabilidade dá lugar a uma fragilidade aterradora e um medo paranoico toma conta da população. Assiste-se a uma corrida atrás de máscaras de gás, as pessoas têm medo de se aventurar no centro da cidade, temem que a água e o ar estejam contaminados por substâncias químicas, tóxicas e demonstram profundo receio de andar de avião.

(História do Século XX, Serge Bernstein)
“A partir do 11 de setembro, os norte-americanos concluíram que sua vida havia se transformado definitivamente”.

A forma verbal “havia se transformado” equivale a duas outras formas verbais, que são:
O RACISMO DA ACADEMIA APAGOU A HISTÓRIA DE DANDARA E LUISA MAHIN
A escravidão interrompeu a história da África e de seus descendentes, roubando séculos de
produção intelectual em troca de trabalho forçado. O Brasil só aboliu a escravidão há menos de 131
anos e é natural ver alguns nomes de heróis afro-brasileiros sendo reconhecidos cada vez mais no
Panteão da Pátria, um memorial cívico inaugurado em 1986 para homenagear personalidades
brasileiras.
No “Livro dos heróis e heroínas da pátria”, já constam nomes como Luís Gama, Anita
Garibaldi, Zumbi dos Palmares e Heitor Villa-Lobos. Recentemente, o Senado aprovou a inclusão de
duas lideranças negras: Dandara, líder quilombola que articulava as estratégias de Palmares ao lado
do marido, Zumbi, e Luisa Mahin, considerada uma das maiores lideranças negras contra a
escravidão na Bahia do século 19, mãe do abolicionista Luís Gama. Ambas são símbolos da luta
feminina contra a escravidão.
Assim como a maior parte dos personagens negros, o nome dessas duas guerreiras é envolto
em polêmica. Historiadores desconectados da realidade negra questionam as fontes que comprovam
a existência dessas mulheres porque só há relatos esparsos das suas vidas. Ambas acabaram alvos
do desinteresse de historiadores da época, e ainda hoje existe uma dificuldade imensa em recuperar
suas biografias por não haver um esforço em catalogar e analisar a tradição oral como fonte
historiográfica. A maior parte da vida de Dandara, por exemplo, sobreviveu na forma de lendas,
segundo a Fundação Palmares. Não há registros do local onde nasceu, tampouco da sua
ascendência africana, tampouco sobraram evidências físicas sobre a Dandara após o ataque a
Palmares.
A mãe de Luís Gama é tratada da mesma maneira pela história. Não existem registros oficiais
de suas participações nos levantes baianos. O primeiro documento que descreve Luisa é uma carta
de seu filho Luís Gama. Segundo a historiadora Ligia Fonseca Ferreira, “a riqueza de detalhes e o
testemunho pessoal atribuem veracidade à narração de Gama, ampliando as possibilidades de
aceitação da personagem”. Luisa pertencia à nação nagô-jeje, originária do Golfo do Benin. Era do
povo Mahin, daí seu sobrenome. Ela sempre negou o batismo e manteve suas tradições africanas
acima das doutrinas cristãs. Sua casa teria sido o quartel general da Revolta dos Malês em 1835.
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A falta desses registros em papel, que nunca seriam obtidos de modo fácil ou que sequer
existam, gera um questionamento que, a meu ver, é a face de um preconceito secular na
historiografia, tema abordado por Joseph Ki-Zerbo, um dos mais respeitados historiadores africanos.
Segundo Ki-Zerbo, os estereótipos raciais criadores de desprezo estão tão profundamente
consolidados que corromperam inclusive os próprios conceitos da historiografia.
A inscrição dessas duas mulheres no Panteão da Pátria não é apenas um reconhecimento das
figuras históricas, mas significa uma pequena ruptura na historiografia com viés colonial, um passo
em direção à valorização da tradição negra brasileira como uma entidade histórica. Isso contribui para
a construção e o fortalecimento da consciência étnica do povo afro-brasileiro. Sem isso, negros e
indígenas seguirão à mercê da visão de quem os manteve cativos, exatamente como diz um famoso
ditado africano: “Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caça seguirão
glorificando o caçador.”
 O racismo atribuído à academia justifica-se, no texto, pelo fato de
TEXTO 1 – DIREITO AFETIVO
João Paulo Lins e Silva, O Globo, 09/10/2014

Acompanhamos recentemente notícias na imprensa sobre registros de nascimento de menores com a inclusão de duas mães e um pai. Três atos distintos ocorreram; um em Minas Gerais e dois no Rio Grande do Sul. Por maior semelhança, carregam os registros características peculiares, mas que trazem e antecipam uma forte tendência, com a visão da família multiparental, ou seja, a capacidade de uma pessoa possuir, simultaneamente, mais de um pai ou de uma mãe em seu registro de nascimento. O que poderia soar absurdo ou, no mínimo, estranho antigamente, a evolução do formato da família brasileira força a necessidade de uma adequação de nossa legislação notarial.
“Por maior semelhança, carregam os registros características peculiares, mas que trazem e antecipam uma forte tendência,...”

A conjunção mas mostra uma oposição entre dois termos, que pode ser expressa do seguinte modo:
Tempos loucos – Parte 2

     Os adultos que educam hoje vivem na cultura que incentiva ao extremo o consumo. Somos levados a consumir de tudo um pouco: além de coisas materiais, consumimos informações, ideias, estilos de ser e de viver, conceitos que interferem na vida (qualidade de vida, por exemplo), o sexo, músicas, moda, culturas variadas, aparência do corpo, a obrigatoriedade de ser feliz etc. Até a educação escolar virou item de consumo agora. A ordem é consumir, e obedecemos muitas vezes cegamente a esse imperativo.
      Quem viveu sem usar telefone celular por muito tempo não sabe mais como seria a vida sem essa inovação tecnológica, por exemplo. O problema é que a oferta cria a demanda em sociedades consumistas, que é o caso atual, e os produtos e as ideias que o mercado oferece passam a ser considerados absolutamente necessários a partir de então.
       A questão é que temos tido comportamento exemplar de consumistas, boa parte das vezes sem crítica alguma. Não sabemos mais o que é ter uma vida simples porque almejamos ter mais, por isso trabalhamos mais etc. Vejam que a ideia de lazer, hoje, faz todo sentido para quase todos nós. Já a ideia do ócio, não. Ou seja: para descansar de uma atividade, nos ocupamos com outra. A vadiagem e a preguiça são desvalorizadas.
      Bem, é isso que temos ensinado aos mais novos, mais do que qualquer outra coisa. Quando uma criança de oito anos pede a seus pais um celular e ganha, ensinamos a consumir o que é oferecido; quando um filho pede para o pai levá‐la ao show do RBD, e este leva mesmo se considera o espetáculo ruim, ensinamos a consumir, seja qual for a estética em questão; quando um jovem pede uma roupa de marca para ir a uma festa e os pais dão, ensinamos que o que consumimos é mais importante do que o que somos.
      Não há problema em consumir; o problema passa a existir quando o consumo determina a vida. Isso é extremamente perigoso, principalmente quando os filhos chegam à adolescência. Há um mercado generoso de oferta de drogas. Ensinamos a consumir desde cedo e, nessa hora, queremos e esperamos que eles recusem essa oferta. Como?!
       Na educação, essa nossa característica leva a consequências sutis, mas decisivas na formação dos mais novos. Como exemplo, podemos lembrar que estes aprendem a avaliar as pessoas pelo que elas aparentam poder consumir e não por aquilo que são e pelas ideias que têm e que o grupo social deles é formado por pares que consomem coisas semelhantes. Não é a toa que os pequenos furtos são um fenômeno presente em todas as escolas, sejam elas públicas ou privadas.
     Nessa ideologia consumista, é importante considerar que os objetos perdem sua primeira função. Um carro deixa de ser um veículo de transporte, um telefone celular deixa de ser um meio de comunicação; ambos passam a significar status, poder de consumo, condição social, entre outras coisas.
      A educação tem o objetivo de formar pessoas autônomas e livres. Mas, sob essa cultura do consumo, esses dois conceitos se transformaram completamente e perderam o seu sentido original. Os jovens hoje acreditam que têm liberdade para escolher qualquer coisa, por exemplo. Na verdade, as escolhas que fazem estão, na maioria das vezes, determinadas pelo consumo e pela publicidade. Tempos loucos, ou não?

(SAYÃO, Rosely. Tempos loucos – Parte 2. Disponível em:http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/arch2006‐10‐01_2006‐10‐15.html. Acesso em: dezembro de 2015.)
O texto lido é formado por ideias bem articuladas, ligadas umas às outras. Para isso, alguns recursos como o uso de expressões que remetem a outras apresentadas anteriormente foram utilizados. Assinale um exemplo para tal tipo de relação corretamente identificada entre os trechos apresentados.
Quem tem o direito de falar?
A política não é uma questão apenas de circulação de bens e riquezas. Na verdade, a política é
também uma questão de circulação de afetos, da maneira como eles irão criar vínculos sociais,
afetando os que fazem parte desses vínculos.
A maneira como somos afetados define o que somos e o que não somos capazes de ver, sentir e
perceber. Definido o que vejo, sinto e percebo, definem-se o campo das minhas ações, a maneira
como julgarei, o que faz parte e o que está excluído do meu mundo.
Percebam, por exemplo, como um dos maiores feitos políticos de 2015 foi a circulação de uma
mera foto, a foto do menino sírio morto em um naufrágio no Mar Mediterrâneo. Nesse sentido, foi
muito interessante pesquisar as reações de certos europeus que invadiram sites de notícias de seu
continente com posts e comentários. Uma quantidade impressionante deles reclamava daqueles
jornais que decidiram publicar a foto. Eles diziam basicamente a mesma coisa: “parem de nos
mostrar o que não queremos ver”.
Toda verdadeira luta política é baseada em uma mudança nos circuitos dominantes de afetos.
Prova disso foi o fato de tal foto produzir o que vários discursos até então não haviam conseguido:
a suspensão temporária da política criminosa de indiferença em relação à sorte dos refugiados.
De fato, sabemos que faz parte das dinâmicas do poder decidir qual sofrimento é visível e qual é
invisível. Mas, para tanto, devemos antes decidir sobre quem fala e quem não fala.
Há várias maneiras de silêncio. A mais comum é simplesmente calar quem não tem direito à voz.
Isso é o que nos lembram todos aqueles que se engajaram na luta por grupos sociais vulneráveis
e objetos de violência contínua (negros, homossexuais, mulheres, travestis, palestinos, entre
tantos outros).
Mas há ainda outra forma de silêncio. Ela consiste em limitar a fala. A princípio, isso pode parecer
um ato de dar voz aos excluídos e subalternos, fazendo com que negros falem sobre os problemas
dos negros, mulheres falem sobre os problemas das mulheres, e por aí vai. No entanto, essa
é apenas uma forma astuta de silêncio, e deveríamos estar mais atentos a tal estratégia de
silenciamento identitário. Ao final, ela quer nos levar a acreditar que negros devem apenas falar
dos problemas dos negros, que mulheres devem apenas falar dos problemas das mulheres.
Posso dar visibilidade a sofrimentos que antes não circulavam, mas, quando aceito limitar minha
fala pela identidade que supostamente represento, não mudarei a forma de circulação de afetos,
pois não conseguirei implicar quem não partilha minha identidade na narrativa do meu sofrimento.
Ser um sujeito político é conseguir enunciar proposições que podem implicar qualquer um, ou seja,
que se dirigem a essa dimensão do “qualquer um” que faz parte de cada um de nós. É quando nos
colocamos na posição de qualquer um que temos mais força de desestabilização. O verdadeiro
medo do poder é que você se coloque na posição de qualquer um.
VLADIMIR SAFATLE
Adaptado de Folha de S. Paulo, 25/09/2015.
Ao abordar estratégias de silenciamento, o autor considera que uma delas seria mais astuta. 
Em relação às falas silenciadas, essa estratégia consiste em: 
Excesso de ordem ou de caos não nos faz bem
01  Existe uma obra do século VIII a.C atribuída ao poeta grego Hesíodo chamada Teogonia, na
02 qual ele conta sobre a origem dos deuses, e, segundo a obra, o primeiro deus a surgir foi Caos e
03 a partir dele surge Dia e Noite, daí tudo vai se desenrolando. É uma obra magnífica! Recomendo
04 a todos essa leitura. Em outras palavras, caos e ordem sempre existiram desde o início dos
05 tempos. É impossível haver só ordem ou só caos, os dois estão sempre interconectados.
06  Excesso de ordem ou excesso de caos representa a morte. Vamos entender melhor isso! O
07 caos é até estudado em Física e vem associado com um conceito interessante de entropia. Quem
08 nunca ouviu __ conhecida frase “tudo tende __ desordem…”? Sendo bem simplista, entropia é
09 essa tendência relacionada às coisas. Dou aulas de Física e sempre me utilizo de um exemplo
10 superdidático para explicar isso. Se você espatifa um ovo no chão, esse ovo jamais voltará a ser
11 bonitinho e oval como era. A única maneira de ele voltar a ser como era é você filmar a queda e
12 colocar o vídeo da filmagem rodando de trás pra frente, assim você vê aquela clássica cena de
13 filme na qual um ovo se reconstitui. Mas na mesma hora você pensa: “ah! O vídeo está rodando
14 de trás pra frente…”. Não é bacana isso?
15  O caos ou desordem está ligado a tudo que tem movimento. Já a ordem total ou absoluta está
16 ligada __ ausência de movimento. E a total ausência de movimento é a morte. Inclusive o
17 conceito filosófico de morte é bem mais amplo do que o biológico ou o conceito religioso.
18  É legal levar para a nossa vida prática. Quando uma casa está arrumada demais, essa é a
19 prova concreta de que não existe movimento dentro dela. Inclusive até psicólogos e terapeutas
20 utilizam uma frase que virou clichê hoje em dia: “uma casa muito arrumada é uma casa triste”.
21 Ou seja, um pouquinho de desordem faz bem, é sinal de que há vida, há movimento na casa.
22  Outro exemplo é nosso próprio corpo. Se ele ficar parado demais é como se estivéssemos
23 mortos. Inclusive diversas doenças surgem por conta do sedentarismo. Veja que interessante!
24 Uma das mais comuns qual é: pressão alta. Ela vem de quê? Quase sempre das artérias e veias
25 que ficam entupidas por causa da gordura que se acumula. Essa gordura impede o quê? O
26 sangue de circular. E o que o sangue representa? Vida e movimento! Essa é a metafísica da
27 saúde, que estou explicando a você da forma mais simples que eu posso transmitir!
28 Esse assunto é riquíssimo, está na Física, na Filosofia, na Psicologia, na Medicina, na Arte, na
29 natureza, nos ambientes, está até mesmo nos relacionamentos! Perceba! O que acontece quando
30 um relacionamento é harmônico demais, o casal parece que é perfeito, que nunca briga, que
31nunca discute, que nunca há discordâncias, etc? É um relacionamento de fachada! Todo bom
32 relacionamento tem lá a sua pitada de caos. Eu até me atrevo a dizer que essa pitada de caos é
33 um tempero especial nos relacionamentos!
34  Enfim, o resumo de tudo que quero dizer nesse texto é: ordem e caos são importantes, mas
35 devem estar juntos e jamais em excesso, pois o excesso dos dois representa a morte! Vou deixar
36 essa viagem filosófica por aqui. O que coloquei aqui foi apenas um grãozinho de areia na
37 imensidão desse tema…
Texto adaptado especialmente para esta prova.
Disponível em https://www.contioutra.com/excesso-de-ordem-ou-de-caos-nao-nos-faz-bem/.
Acesso em 11 dez. 2018.
Conforme Domingos Paschoal Cegalla, em Novíssima Gramática da Língua Portuguesa, a comparação é uma figura de linguagem que consiste em pôr em confronto pessoas ou coisas, a fim de lhes destacar semelhanças, características, traços comuns, visando a um efeito expressivo. Partindo-se desse pressuposto, assinale a alternativa que contém uma frase extraída do texto em que é constatável o uso da comparação. 

Leia o texto para responder às questões:

        O tio Sabino, paramentado de rico, fez ainda sair da maleta de couro uma espécie de saco de lona com fechos de correias. Debaixo da cama, por esquecimento, tinham ficado as alpargatas do Carvalhosa. O tio Sabino calçou-as, as suas narinas palpitavam. Correu o fecho da porta cautelosamente, foi até ao escritório do Carvalhosa e sacou da gaveta do contador uns rolinhos de libras; de passagem pelo toilette arrecadou o cofre de joias, os anéis e a caixa de pó de arroz; de cima da banquinha de noite desapareceu a palmatória de prata dourada e tudo foi arrecadado no saco.
        Fechou destramente o saco, tendo-lhe metido primeiro a camisa de chita que despira, a fim de não tinirem dentro os metais. E de chapéu à banda e cachimbo na boca saiu, o saco pendente, fechando a porta e tirando-lhe a chave. Ninguém estava no corredor; Maria do Resgate engomava na saleta; as crianças na cozinha cortavam papagaios, chilreando.
        - Até logo, minha sobrinha, até logo.
        Ela veio correndo, com o seu riso afetuoso.
        - O jantar é às cinco, sim? Mas, querendo, dá-se ordem para mais tarde.
        - Qual! Não temos precisão de incômodos. Às quatro e meia estou.
        E com a mala pendente, o lenço escarlate fora do bolso do fraque e bengala debaixo do braço, desceu a escada cantarolando.
        Eram seis horas da tarde e nada do tio Sabino.
        Sete horas, e Maria do Resgate acaba de notar a porta da alcova fechada. Diabo...
        No dia seguinte a polícia andava em campo para descobrir o larápio, que com tamanha pilhéria roubara a família Carvalhosa.

                                                     (Fialho de Oliveira, O Tio da América. Em: Contos. Adaptado)

Carvalhosa e Maria do Resgate recebem em Portugal o tio Sabino, morador do Pará, no Brasil. Este, estando fora da atenção da sobrinha e das crianças,

Texto para os itens de 15 a 24

1 Não foi por falta de aviso. Desde 2004, a
Aeronáutica vem advertindo dos riscos do desinvestimento
no controle do tráfego aéreo. Ao apresentar suas propostas
4 orçamentárias de 2004, 2005 e 2006, o Departamento de
Controle do Espaço Aéreo (DECEA) informou, por escrito,
que a não liberação integral dos recursos pedidos levaria
7 à situação vivida agora no país. Mesmo assim, as verbas
foram cortadas ano após ano pelo governo, em dois
momentos: primeiro no orçamento, depois na liberação
10 efetiva do dinheiro.
As advertências do DECEA foram feitas à
Secretaria de Orçamento Federal do Ministério do
13 Planejamento, na oportunidade em que foram solicitadas
verbas para operação, manutenção, desenvolvimento e
modernização do Sistema de Controle do Espaço Aéreo
16 Brasileiro (SISCEAB). Elas são citadas em relatório do
Tribunal de Contas da União (TCU).

O Estado de S.Paulo, 25/3/2007, p. C6 (com adaptações).

Com referência às estruturas e às idéias do texto, bem como a aspectos associados aos temas nele tratados, julgue os próximos itens.

A Câmara dos Deputados instalou comissão parlamentar de inquérito (CPI) para examinar as causas do apagão aéreo, sem que tenha havido manifestação do Poder Judiciário e com apoio explícito da base de sustentação política do governo, que propôs a medida e rapidamente indicou seus representantes.

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Com relação aos sentidos e a aspectos lingüísticos do texto, julgue os itens seguintes.

No texto, é apresentada, em forma dissertativa, uma análise do processo de globalização e da hegemonia, no mundo contemporâneo, do sistema econômico embasado no livre mercado.

A mulher do vizinho
Fernando Sabino

Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco. 

O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.

O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fabrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte: 

— O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.  

Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio: 

—Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?

O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.

— Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não e gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?

Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:

— Da ativa, minha senhora?

E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:

— Da ativa, Motinha! Sai dessa...

Texto extraído do livro "Fernando Sabino - Obra Reunida - Vol.01",
Editora Nova Aguiar - Rio de Janeiro, 1996, pág. 872.
Sobre a expressão: “E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?”, é CORRETO afirmar que ela reflete a um antigo hábito brasileiro utilizado para:

São Paulo recicla menos de 1% do lixo
doméstico, e questão chega à Justiça


Com seus dois principais aterros esgotados ou próximos do
esgotamento completo, São Paulo exporta, hoje, para cidades
vizinhas, a maior parte das 15 mil toneladas de lixo doméstico
produzidas diariamente na capital. Desse total, menos de 1% é
devidamente reciclado.
Segundo especialistas, a taxa de reciclagem poderia chegar a
30%. Mas, como resultado dessa discrepância, aterros sanitários
comuns estão recebendo diariamente toneladas de material que
poderia ser reutilizado e que nem chega a ser triado nas insuficientes
estações que preparam o material destinado à reciclagem.
Estudo da ONG Instituto Pólis mostra que, infelizmente, sem
o tratamento e a destinação corretos, 35% do lixo reciclável
separado em casas e condomínios é despejado em aterros.
A situação insustentável do lixo da capital chegou à Justiça.
No início do ano, uma decisão de primeira instância determinou
que a Prefeitura de São Paulo implante, no prazo máximo de
um ano, coleta seletiva para toda a cidade. Além disso, também
exige que a administração pública fomente a formação de cooperativas
de catadores.
A prefeitura resolveu contra-atacar recorrendo da decisão
e afirmando que a implantação se dará até 2012. As concessionárias
que fazem a coleta pedem prazo até 2015 para ampliar
o serviço.
Segundo a prefeitura, 103 toneladas de lixo reciclável são
coletadas diariamente. Há hoje 16 centrais de triagem em São
Paulo, mas seriam precisos 31 centros para cobrir toda a cidade.

(Cadernos Sesc de Cidadania. Dia Mundial do Meio Ambiente. Adaptado)

Assinale a alternativa que contém informações verdadeiras, de acordo com o exposto no texto.

                                                         XÓPIS

        Não foram os americanos que inventaram o shopping center. Seus antecedentes diretos são as galerias de comércio de Leeds, na Inglaterra, e as passagens de Paris pelas quais flanava, encantado, o Walter Benjamin. Ou, se você quiser ir mais longe, os bazares do Oriente. Mas foram os americanos que aperfeiçoaram a ideia de cidades fechadas e controladas, à prova de poluição, pedintes, automóveis, variações climáticas e todos os outros inconvenientes da rua. Cidades só de calçadas, onde nunca chove, neva ou venta, dedicadas exclusivamente às compras e ao lazer - enfim, pequenos (ou enormes) templos de consumo e conforto. Os xópis são civilizações à parte, cuja existência e o sucesso dependem, acima de tudo, de não serem invadidas pelos males da rua.

        Dentro dos xópis você pode lamentar a padronização de lojas e grifes, que são as mesmas em todos, e a sensação de estar num ambiente artificial, longe do mundo real, mas não pode deixar de reconhecer que, se a americanização do planeta teve seu lado bom, foi a criação desses bazares modernos, estes centros de conveniência com que o Primeiro Mundo - ou pelo menos uma ilusão de Primeiro Mundo - se espraia pelo mundo todo. Os xópis não são exclusivos, qualquer um pode entrar num xópi nem que seja só para fugir do calor ou flanar entre as suas vitrines, mas a apreensão causada por essas manifestações de massa nas suas calçadas protegidas, os rolezinhos, soa como privilégio ameaçado. De um jeito ou de outro, a invasão planejada de xópis tem algo de dessacralização. É a rua se infiltrando no falso Primeiro Mundo. A perigosa rua, que vai acabar estragando a ilusão.

        As invasões podem ser passageiras ou podem descambar para violência e saques. Você pode considerar que elas são contra tudo que os templos de consumo representam ou pode vê-las como o ataque de outra civilização à parte, a da irmandade da internet, à civilização dos xópis. No caso seria o choque de duas potências parecidas, na medida em que as duas pertencem a um primeiro mundo de mentira que não tem muito a ver com a nossa realidade. O difícil seria escolher para qual das duas torcer. Eu ficaria com a mentira dos xópis.

                                                                                                          (Veríssimo, O Globo, 26-01-2014.) 

O texto de Veríssimo pode ser definido mais adequadamente como :

Nossas palavras

Meu amigo lusitano, Diniz, está traduzindo para o francês meus dois primeiros romances, Os Éguas e Moscow. Temos trocado e-mails muito interessantes, por conta de palavras e gírias comuns no meu Pará e absolutamente sem sentido para ele. Às vezes é bem difícil explicar, como na cena em que alguém empina papagaio e corta o adversário “no gasgo". Não sei se no universo das pipas, lá fora, ocorrem os mesmos e magníficos embates que se verificam aqui, “cortando e aparando" os adversários.adversários.

Outra situação: personagens estão jogando uma “pelada" enquanto outros estão “na grade". Quem está na grade aguarda o desfecho da partida, para jogar contra o vencedor, certamente porque espera fora do campo, demarcado por uma grade. Vai explicar…

E aqueles dois bebedores eméritos que “bebem de testa" até altas horas? Por aqui, beber de testa é quase um embate para saber quem vai desistir primeiro, empilhando as grades de cerveja ao lado da mesa.

Penso que o uso das gírias - palavras bem locais, quase dialeto, que funcionam na melodia do nosso texto - é parte da nossa criatividade, uma qualidade da literatura brasileira. Quanto a mim, uso pouco, aqui e ali, nossas palavras. Procuro ser econômico. Mesmo assim, vou respondendo aos e-mails. Ele me diz que, enfim, está tudo pronto.

(Edyr Augusto Proença, http://blogdaboitempo.com.br, 26.07.2013. Adaptado)
O termo destacado em – E aqueles dois bebedores eméritos que “bebem de testa” até altas horas? – está corretamente interpretado com o sentido de
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