Sobre a interpretação de Zygmunt Bauman (2001) a respeito da atual fase histórica da modernidade e suas principais características, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.


I. A sociedade que entra no século XXI não é menos moderna do que a do século anterior, pois mantém sua insaciável sede de destruição criativa.


II. A individualização compulsória implica a colonização da esfera pública pelo “privado”, favorecendo a lenta desintegração da cidadania.


III. O espírito consumista se traduz em um montante cada vez mais mensurável de necessidades e desejos de mercado.

Considerando o tema da organização do processo de trabalho e suas repercussões, relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as características sintéticas aos seus respectivos conceitos.


Coluna 1


1. Taylorismo.

2. Fordismo.

3. Toyotismo.


Coluna 2


( ) Sistema de adaptação produtiva às demandas flutuantes do mercado, que emerge como alternativa à crise econômica global da década de 1970.


( ) Modelo baseado em estudos de tempo e movimento para prescrever a forma mais rápida e eficaz de trabalhar, condicionando o salário à produtividade individual.


( ) Seus entusiastas argumentam que se trata de um modelo que estimula mais a criatividade do trabalhador, demandando um perfil de trabalhador polivalente e de maior qualificação.


( ) Conjunto de inovações técnicas de gestão e ampliação da mecanização na indústria que se converteu em paradigma organizacional e consagrou a produção e consumo de massas.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Em relação a Émile Durkheim e seu arcabouço teórico, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.


I. Define “fato social” como objeto de estudo distintivo da Sociologia em relação a outras ciências.


II. Fatos sociais são reconhecíveis por serem capazes de exercer sobre as consciências particulares uma influência coercitiva.


III. Chamou de “espírito de adesão ao grupo” a disposição individual em aderir a uma sociedade.

De acordo com Daflon e Sorj, “Qualquer pessoa familiarizada com os manuais e os cursos acadêmicos de sociologia clássica é capaz de recitar de cor os pensadores canônicos. Os mesmos autores são apontados como os pais fundadores das ciências sociais quase sem variações. Apesar das inúmeras diferenças que os separam, os autores que compõem esse cânone possuem uma característica comum: todos são homens. Em defesa dessa escolha, costuma-se dizer que a subordinação e a opressão das mulheres ao longo do período crítico para o desenvolvimento das ciências sociais foram tão profundas que isso impediu que elas se apoderassem dos meios necessários para produzir e difundir pensamento. [...] a despeito de imensas dificuldades, houve efetivamente uma produção intelectual significativa e impactante feita por mulheres no século XIX. Muitas delas se esgueiraram pela margem de sociedades patriarcais para escrever e se fazer ler; foram ‘marginais’ ou mesmo ‘malditas’ em seu tempo. Outras foram intelectuais influentes, amplamente lidas, difundidas e atuantes dentro dos mesmos círculos frequentados pelos autores tradicionais” (DAFLON, V. T.; SORJ, B. Clássicas do pensamento social: mulheres e feminismos no século XIX. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2021).


Em relação à perspectiva apresentada no trecho acima, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) As autoras buscam recuperar elos e genealogias do pensamento de mulheres invisibilizadas no campo da Sociologia.


( ) O argumento principal é de que acadêmicos de Sociologia não saberiam recitar de cor os pensadores canônicos, caso se tratassem de mulheres.


( ) O texto sugere que as intelectuais do período foram marginalizadas por não abordarem temas de interesse social à época.


( ) Questiona-se que a ausência de mulheres no cânone sociológico se explique exclusivamente pela subordinação feminina socialmente mais profunda no período de surgimento da disciplina.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Pierre Bourdieu et al. (2015) consideram que a familiaridade com o universo social constitui o obstáculo epistemológico por excelência para o sociólogo. Para eles, endossando a elaboração teórica de Gaston Bachelard, esse dilema deve ser enfrentado por meio de uma determinada postura orientadora da atividade dos cientistas. Qual conceito bachelardiano os autores mobilizam para essa argumentação?

Em relação ao referencial teórico do sociólogo Florestan Fernandes, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) O autor empreendeu uma análise extensa da cultura Tupinambá, que alguns classificam como a fase “funcionalista” do autor, e outros, como sua “antropologia esquecida”.


( ) Definiu o capitalismo dependente brasileiro como resultado de um processo atípico de revolução burguesa, sem um episódio histórico específico fundacional, gerando uma relação imbricada entre arcaísmo e modernidade.


( ) Para Florestan, o engajamento social dos sociólogos desvirtuaria os propósitos da disciplina e sua objetividade científica, tornando-a uma ideologia militante.


( ) Seus estudos demonstraram os elementos positivos da miscigenação para a cultura nacional e o racismo como fator residual na sociedade de classes brasileira.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Adorno e Horkheimer (1985) argumentam sobre a regressão moderna do esclarecimento à ideologia, que encontra nos meios de comunicação de massa a sua expressão mais influente. Para eles, a padronização de dispositivos culturais repercute na reprodução de valores hegemônicos na ordem social vigente. Nesse sentido, qual é o conceito mobilizado pelos autores para essa tese?
Conforme destacou Manuel Castells (2016), há mais de duas décadas, a comunicação mediada pela internet é ainda um fenômeno recente para que a pesquisa social tenha logrado conclusões sólidas sobre seu sentido social. Entretanto, considerando que a cultura é mediada e determinada pela comunicação, os seus conteúdos são transformados profundamente por esse novo sistema tecnológico. Como o autor conceituou essa nova cultura que teria emergido com o advento da internet e suas redes?

A Política Nacional de Ensino Médio, Lei nº 14.945/2024, prevê a ampliação da carga horária da Formação Geral Básica (FGB) e o retorno dos componentes curriculares da disciplina de Sociologia. Conforme as Orientações Curriculares Nacionais, que estiveram em vigor até a Reforma do Ensino Médio, Lei nº 13.415/2017, “[...] sempre estão presentes nos conteúdos de ensino da Sociologia temas ligados à cidadania, à política em sentido amplo (quando, muitas vezes no lugar da Sociologia stricto sensu, os professores trazem conteúdos, temas e autores da _____________) e mesmo contrastes com a organização política de sociedades tribais ou simples (quando, então, é a _______________ que vem ocupar o lugar da Sociologia). [...] A Sociologia, como espaço de realização das _______________ na escola média, pode oferecer ao aluno, além de informações próprias do campo dessas ciências, resultados das pesquisas as mais diversas, que acabam modificando as concepções de mundo, a economia, a sociedade e o outro, isto é, o diferente – de outra cultura” (BRASIL, 2006).


Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima

Roque de Barros Laraia (2001) produziu uma obra de referência que buscou introduzir o leitor nos conceitos antropológicos de cultura. Em relação à perspectiva apresentada pelo autor, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) O chamado determinismo geográfico é criticado pelo autor, pois está baseado na ideia de que as diferenças climáticas ou de ambiente físico determinam a diversidade cultural.


( ) Para Laraia, os limites do aparato biológico humano são determinantes para a compreensão das diferenças culturais entre os povos.


( ) As culturas têm lógicas próprias que somente são compreensíveis em seus códigos simbólicos específicos.


( ) A compreensão da dinâmica cultural favorece uma melhor convivência entre gerações e pode reduzir comportamentos discriminatórios.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Segundo Michael Löwy (2000), existem nas Ciências Sociais poucos conceitos tão enigmáticos e polissêmicos como este. Desde o seu surgimento, é objeto de ambiguidades, paradoxos, arbitrariedades e contrassensos. De modo genérico e sintético, já foi definido tanto como expressão de falsa consciência, correspondendo a interesses determinados, quanto como um conjunto de valores morais ou concepções de mundo. A qual conceito o autor se refere?

Leia o trecho a seguir, de Connell: “Abra qualquer compêndio introdutório de Sociologia e provavelmente você vai achar [...] uma discussão sobre os pais fundadores focada em Marx, Durkheim e Weber. O primeiro capítulo também pode citar Comte, Spencer, Tönnies e Simmel, e talvez alguns poucos outros. Na visão normalmente apresentada a estudantes, esses homens criaram a Sociologia em resposta a mudanças dramáticas na sociedade europeia: a Revolução Industrial, o conflito de classes, a secularização, a alienação e o Estado Moderno. [...] A principal dificuldade com esta visão é que ela não se enquadra com a evidência mais relevante – o que os sociólogos do período estão escrevendo. Os compêndios mais gerais de Sociologia, até a Primeira Guerra Mundial, não se esmeravam na análise da modernização da sociedade na qual os autores viveram. [...] temos fortes razões para duvidar do retrato convencional da criação da Sociologia. Isso não apenas para questionar a influência de certos indivíduos. Nós precisamos examinar a história da Sociologia como um produto coletivo – as preocupações compartilhadas, suposições e práticas que construíram a disciplina em vários períodos e o formato dado que a história, pelas forças sociais transformadoras, construiu a nova ciência” (CONNELL, R. O Império e a criação de uma ciência social. Contemporânea, v. 2, n. 2, 2012) – trecho adaptado especialmente para esta prova.


De acordo com a abordagem do trecho, analise as assertivas a seguir:


I. A autora indica ser importante explorar descrições diferentes do retrato convencional da construção da Sociologia.


II. Connell analisa criticamente a formação do cânone clássico da Sociologia e a primazia de seus objetos de estudo à época.


III. A socióloga critica a ausência de Comte, Spencer, Tönnies e Simmel entre os listados como pais fundadores da Sociologia em algumas obras.


Quais estão corretas?

Segundo Namorado (2009), “É importante não esquecer que a irradiação moderna do _______________, desencadeada no início do século XIX e que o tornou num fenômeno universal, sempre se processou como resistência à hegemonia do capitalismo, mesmo quando ele veio incorporar respostas compensatórias às sequelas mais gritantes das pulsões mais predatórias do capitalismo. Uma resistência que, não apagando a sua subalternidade perante a lógica dominante, não permitiu que se diluísse nela sem retorno e alimentou, de algum modo, também a sua alternatividade perante o capitalismo” (Namorado, R., 2009) – trecho adaptado especialmente para esta prova.


Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do trecho acima.

No clássico texto “Racismo e sexismo na cultura brasileira” (2020), Lélia Gonzalez aborda a força simbólica do mito da democracia racial e seus efeitos danosos sobre a sociedade brasileira e a mulher negra, em particular. A autora parte de referenciais teóricos da Psicanálise e das Ciências Sociais para criar sínteses originais. Qual foi o conceito desenvolvido pela autora para se referir à sintomática do racismo no Brasil?
O trabalho autônomo é uma categoria que se diferencia do trabalho subordinado existente no emprego típico. Entretanto, a expansão do autoempreendedorismo no Brasil, nas últimas décadas, tem expressado linhas tênues na definição de uma autonomia genuína ou um assalariamento disfarçado. Como a literatura recente tem nomeado esse tipo de contratualização das relações de trabalho?

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as definições conceituais sintéticas de Estado aos seus respectivos autores.


Coluna 1


1. Émile Durkheim.

2. Karl Marx.

3. Max Weber.

4. Pierre Bourdieu.


Coluna 2


( ) Espaço de relações de força e de sentido, do monopólio da violência simbólica, produtor de princípios de classificação suscetíveis de serem aplicados ao mundo social.


( ) Instituição que pertence à dimensão da superestrutura social, tendo como finalidade primordial a defesa da propriedade privada e a reprodução da dominação de classe social.


( ) Comunidade humana que reivindica o monopólio legítimo do uso da violência física dentro de determinado território.


( ) Conjunto de corpos sociais que têm por qualidade falar e agir em nome da sociedade, órgão de reflexão e justiça que organiza a vida moral de um país.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

Conforme Kergoat, “[...] essa forma é historicamente adaptada a cada sociedade. Tem por características a destinação prioritária dos homens à esfera produtiva e das mulheres à esfera reprodutiva e, simultaneamente, a ocupação pelos homens das funções de forte valor social agregado (políticas, religiosas, militares etc.)” (KERGOAT, D. Divisão sexual do trabalho e relações sociais de sexo. In: HIRATA, H. et al. (orgs.). Dicionário crítico do feminismo. São Paulo: Unesp, 2009).


O trecho faz referência a qual conceito sociológico?

“[...] tradução em atos do princípio de solidariedade que se expressa pela referência a um bem comum, valorizando pertenças herdadas, no caso da solidariedade tradicional, ou pertenças construídas, no caso da solidariedade moderna filantrópica ou democrática. [...] é impulsionada pelo sentimento de que a defesa de um bem comum supõe a ação coletiva. Em sentido genérico, incluindo tanto as formas jurídicas [...], como as cooperativas e mutualistas, pode ser abordada sociologicamente como um espaço que opera a passagem, graças a um encontro interpessoal, entre redes de socialidades primária e secundária, entre esferas privada e pública” (CHANIAL, P.; LAVILLE, J., 2009) – trecho adaptado especialmente para esta prova.


As características apresentadas no trecho acima definem a:

Para Silvia Rivera Cusicanqui (2010), o impulso modernizador das elites europeias na América resultou tanto em processos de subjugação como no desenvolvimento de estratégias e projetos contra-hegemônicos para a modernidade, inclusive a retomada do paradigma epistemológico indígena. De que forma a autora tem denominado sua perspectiva teórico-prática?
As plataformas digitais permitem a intermediação comercial entre pessoas físicas ou destas com fornecedores e vendedores. Entretanto, quando a mediação envolve também a prestação de serviços – com a intervenção ativa das plataformas sobre a forma de execução e contrapartida financeira a ser recebida – seu enquadramento legal tem desafiado diferentes países. No âmbito das relações de trabalho brasileiras, como tem sido conceituado esse fenômeno social?
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