As atividades agrárias têm-se mostrado crescentemente como fortes depredadoras dos recursos naturais. É
incontestável a necessidade crescente de produção
de alimentos que possam atender ao crescimento do
consumo pela população que cada dia mais vive em
cidades. Para suprir tais necessidades, a tendência tem
sido a de recorrer a tecnologias cada dia mais sofisticadas. Nesse processo de aperfeiçoamento técnico e
na procura de aumento da produtividade por hectare
e por trabalhador visando aumentar a lucratividade, o
ambiente natural está cada dia mais sendo alterado,
chegando em algumas áreas do Brasil e do mundo a
verdadeira degradação ambiental.
(Jurandyr Luciano Sanches ROSS. A sociedade industrial e o ambiente.
In______. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995.Adaptado)
Uma das variáveis mais importantes de ambientes terrestres que favorecem ou dificultam a expansão de áreas de
cultivo e o aumento da capacidade produtiva dos lugares é
Para a população de mais baixa renda ou mesmo nenhuma
renda, morar na periferia da região metropolitana paulistana
não é uma opção, é contingência, necessidade de sobrevivência. Essa população, em geral, acaba ficando prisioneira
nesse espaço, impossibilitada de locomover-se e acessar
as possibilidades na metrópole, por falta de recursos para
circulação, associada muitas vezes à falta de capacitação
profissional. A essa população ainda é imputada a culpabilidade por todo tipo de problemas urbanos existentes no
local: ocupação irregular, violência urbana, degradação
do meio ambiente etc. Mudar essa situação pressupõe ter
acesso a localizações que concentram as possibilidades de
empregos e ou atividades informais que permitam minimamente a sobrevivência.
(Glória da Anunciação Alves. A mobilidade/imobilidade na produção
do espaço metropolitano. In: Ana Fani Alessandri Carlos; Marcelo Lopes
de Souza; Maria Encarnação Beltrão Sposito (Org.). A produção do espaço
urbano: agentes, processos, escalas e desafios. Contexto, 2011. Adaptado)
A Geografia possui alguns conceitos-chave, capazes de
sintetizarem a sua objetivação, os quais guardam entre
si forte grau de parentesco, visto que todos se referem à
ação humana modelando a superfície terrestre: paisagem,
região, espaço, lugar e território. Cada um desses conceitos possui várias acepções, cada qual baseada em uma
corrente teórica específica do pensamento geográfico.
(Roberto Lobato Corrêa. Espaço, um conceito-chave da Geografia.
In: Iná Elias de Castro; Paulo Cesar da Costa Gomes;
Roberto Lobato Corrêa. Geografia: conceitos e temas.
7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. Adaptado)
O debate em torno desses conceitos tem se mostrado
de grande relevância, pois revela conflitos e, consequentemente, propicia avanços na teoria geográfica. Nesse
contexto, é correto afirmar que, na Geografia
Os desmatamentos na Amazônia eliminarão uma
fonte de umidade importante para a atmosfera, considerando que 56% das chuvas locais e regionais dependem
da floresta. Através da superfície das folhas das árvores
evaporam-se grandes volumes de água.
(José Bueno Conti; Sueli Angelo Furlan. Geoecologia: o clima, os solos e a
biota. In: Jurandyr Luciano Sanches Ross, (Org.). Geografia do Brasil.
São Paulo: Edusp, 1995. Adaptado)
Texto II
A floresta amazônica exerce um papel fundamental
na regulação da umidade atmosférica, através de uma
intensa reciclagem da água realizada pelas árvores. Depois da chuva, a floresta tropical promove a evapotranspiração, fenômeno que consiste na combinação de processos de evaporação e transpiração intensas. A água
retorna à superfície sob a forma de chuva. A floresta realiza o transporte de umidade dentro e fora da região, afetando o ciclo hidrológico e os níveis dos rios amazônicos.
Além disso, a umidade originada na bacia amazônica é
transportada pelos ventos para outras partes do continente, desempenhando papel importante na formação de
precipitações em regiões distantes da própria Amazônia,
como o Sudeste e o Sul do Brasil e a bacia do Prata. (José A. Marengo; Gilberto Fisch. Clima e Região Amazônica. In: Iracema
Fonseca de Albuquerque Cavalcanti. Nelson Jesuz Ferreira (Org.).
Clima das regiões brasileiras e variabilidade climática. 1. ed. São Paulo:
Oficina de Textos, 2021. Adaptado)
O Texto II completa a ideia do Texto I, fazendo referência
a um fenômeno atmosférico denominado de
Desde a pré-história, os movimentos migratórios das
sociedades humanas têm se mostrado constantes, sendo motivados por fatores naturais, como fenômenos climáticos, esgotamento de recursos de coleta vegetal ou
de caça etc., assim como por conflitos políticos, como
guerras entre tribos ou nações, cujos perdedores se
viam ameaçados ou obrigados a abandonarem seus
territórios. Estas últimas são as migrações impelidas
ou forçadas. Em contrapartida, os movimentos migratórios voluntários são aqueles motivados pelo desejo de
melhoria de condições de vida ou de ascensão social.
Nesse caso, os indivíduos têm a liberdade de decidir
deixar seu local de origem em busca de outros que lhes
ofereçam a possibilidade de realização de expectativas
de melhorias no seu padrão de vida.
(Francisco Capuano SCARLATO. In: ROSS, Jurandyr Luciano Sanches
(Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. Adaptado)
Devemos considerar que os movimentos migratórios, o
ato de emigrar, são causados por fatores de
Se as chuvas fossem distribuídas de maneira uniforme no
globo, a média seria de 900 mm. A distribuição geográfica
da chuva depende, basicamente, de quatro fatores que
determinam a quantidade e o padrão de precipitação em
diferentes regiões do mundo.
(José Bueno Conti; Sueli Angelo Furlan. Geoecologia: o clima, os solos
e a biota. In: Jurandyr Luciano Sanches Ross. Geografia do Brasil.
São Paulo: Edusp, 1995. Adaptado)
Cavalcanti (1998) propôs sete ações didáticas para a
construção de conceitos no ensino de Geografia, que resulte no confronto de representações sociais e conceitos
científicos, a saber: (1) propiciar a atividade mental e física dos alunos; (2) considerar a vivência dos alunos como
dimensão do conhecimento; (3) estabelecer situações de
interação e cooperação entre os alunos; (4) contar com a
intervenção do professor no processo de aprendizagem
dos alunos; (5) manter relação dialógica com os alunos
e entre os alunos; (6) promover autorreflexão e sociorreflexão dos alunos; (7) acompanhar e controlar resultados
da construção de conhecimentos pelos alunos. Em virtude de estarem associadas a uma determinada atitude de
ensino, essas ações não podem ser vistas isoladamente.
Pelo contrário, todas elas devem ser realizadas de modo
inter-relacionado e interdependente entre si.
(Lana de Souza Cavalcanti. Geografia, escola e construção de conhecimentos. 11. ed. Campinas (SP). Papirus, 1998. Adaptado)
Essas ações didáticas sustentam-se em uma abordagem
A escala assume papel importante na produção de um
mapa, uma vez que assegura a precisão e o detalhamento
das informações espacialmente localizadas. Além disso, a
escala contribui para uma interpretação adequada e um
uso eficaz do mapa.
(Paulo Roberto Fitz. Cartografia Básica. São Paulo: Oficina de Textos,
2008. Adaptado)
De maneira geral, as escalas são apresentadas em
mapas nas formas: numérica,
Segundo Simielli (1999), há três tipos de croquis que
mais interessam ao ensino da Geografia, nos quais as
informações são representadas de forma simplificada e
estilizada.
(Nídia Pontuschka; Tomoko Iyda Paganelli; Núria Hanglei Cacete.
Para ensinar e aprender Geografia. São Paulo: Cortez, 2007. Adaptado)
Mais importante do que dar conta de um rol de conteúdos extremamente longo, sem relação com a vivência do
aluno e com aquilo que ele já detém como conhecimento
primeiro, é saber como esses conteúdos são produzidos. Nesse contexto, o processo de descoberta diante
de um espaço determinado, extremamente dinâmico e
em constante transformação, pode aguçar a reflexão do
aluno para produzir conhecimentos que não estão nos
livros didáticos. Ver a paisagem, seja ela qual for, no lugar em que o aluno mora ou outra fora de seu espaço de
vivência, pode suscitar interrogações que, com o suporte
do professor, ajudarão a revelar e mostrar o que existe
por trás do que se vê ou do que se ouve. Um projeto de
ensino fundamentado numa metodologia que oportunize
ao aluno a apreensão do espaço social, físico e biológico,
torna-se, portanto, fundamental no ensino básico.
(Nídia Pontuschka;,Tomoko Iyda Paganelli; Núria Hanglei CACETE.
Para ensinar e aprender Geografia. São Paulo: Cortez, 2007. Adaptado)
O texto faz referência a uma metodologia de ensino
denominada
“Cabe ao professor de qualquer disciplina motivar o
aluno a encarar os estudos como uma tarefa significativa
e interessante. Se o aluno apresenta dificuldades de ler,
analisar e redigir textos, é importante a orientação docente. O argumento comumente utilizado de que “não somos
professores de Língua Portuguesa” não se justifica. Em
qualquer disciplina, também em Geografia, é possível
orientar os alunos para a melhor maneira de estudar um
texto, desenvolvendo a capacidade de lidar com essa forma de comunicação e ampliando a possibilidade de compreender a realidade social com maior profundidade. [...]
Saber ler e analisar um texto ou documento é requisito
indispensável para o estudante em todas as disciplinas
escolares [...]”.
(Nídia Pontuschka; Tomoko Iyda Paganelli; Núria Hanglei Cacete.
Para ensinar e aprender Geografia. São Paulo: Cortez, 2007)
Texto II
“Um texto constitui, portanto, uma mensagem codificada, e sua leitura implica a decodificação da mensagem
pela compreensão e acompanhamento do raciocínio do
autor. A finalidade da análise textual é aprender a ler, a
familiarizar-se com os termos técnicos, os conceitos, as
ideias e saber como elas se relacionam, assim como buscar hierarquizar o conteúdo do texto, identificar e acompanhar o raciocínio do autor, suas conclusões e as bases
que as sustentam”.
(Nídia Pontuschka; Tomoko Iyda Paganelli; Núria Hanglei Cacete.
Para ensinar e aprender Geografia. São Paulo: Cortez, 2007).
A crítica presente no Texto I remete ao entendimento
de que a leitura deve ser trabalhada no espaço escolar
por todas as disciplinas, com o intuito de ajudar o aluno
a desenvolver a capacidade de análise e compreensão
do texto. Considerando-se a finalidade da análise textual
abordada no Texto II, as autoras propõem a integração
entre literatura e Geografia, pois entendem que é pela
leitura que se conhecem e aprendem os conteúdos de
ensino. Nesse sentido, sugerem um roteiro para que seja
realizada a análise temática de um texto literário, estruturado em: