Pode-se admitir que a experiência passada dá
somente uma informação direta e segura sobre
determinados objetos em determinados períodos do
tempo, dos quais ela teve conhecimento. Todavia, é esta
a principal questão sobre a qual gostaria de insistir: por
que esta experiência tem de ser estendida a tempos
futuros e a outros objetos que, pelo que sabemos,
unicamente são similares em aparência. O pão que
outrora comi alimentou-me, isto é, um corpo dotado de
tais qualidades sensíveis estava, a este tempo, dotado
de tais poderes desconhecidos. Mas, segue-se daí que
este outro pão deve também alimentar-me como ocorreu
na outra vez, e que qualidades sensíveis semelhantes
devem sempre ser acompanhadas de poderes ocultos
semelhantes? A consequência não parece de nenhum
modo necessária.
HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano . São Paulo: Abril Cultural, 1995.
O problema descrito no texto tem como consequência a
✂️ a) universabilidade do conjunto das proposições de
observação. ✂️ b) normatividade das teorias científicas que se valem da experiência. ✂️ c) dificuldade de se fundamentar as leis científicas em bases empíricas. ✂️ d) inviabilidade de se considerar a experiência na
construção da ciência. ✂️ e) correspondência entre afirmações singulares e afirmações universais.