Recife Não a Veneza americana Não a Mauritssatd dos armadores das Índias Ocidentais Não o Recife dos Mascates Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois ─ Recife das revoluções libertárias Mas o Recife sem história nem literatura Recife sem mais nada Recife da minha infância (...) Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos É macaquear A sintaxe lusíada
Manoel Bandeira. Evocação do Recife. (Excerto) In: Libertinagem. Estrela da vida inteira. 20. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p.133-136.
O pernambucano Manoel Bandeira é um dos mais
representativos poetas brasileiros quando se trata de
mostrar os princípios e temas defendidos pelo
Modernismo. Em “Evocação do Recife”, constata-se o
seguinte tema ou princípio modernista: