No trecho a seguir, o pensador quilombola, também conhecido
como Nêgo Bispo, apresenta uma estratégia contracolonial para a
relação com a língua.
Certa vez, fui questionado por um pesquisador de Cabo Verde:
“Como podemos contracolonizar falando a língua do inimigo?”. E
respondi: “Vamos pegar as palavras do inimigo que estão potentes
e vamos enfraquecê-las. E vamos pegar as nossas palavras que
estão enfraquecidas e vamos potencializá-las. Por exemplo, se o
inimigo adora dizer desenvolvimento, nós vamos dizer que o
desenvolvimento desconecta, que o desenvolvimento é uma
variante da cosmofobia. Vamos dizer que a cosmofobia é um vírus
pandêmico e botar para ferrar com a palavra desenvolvimento.
Porque a palavra boa é envolvimento”.
BISPO DOS SANTOS, Antônio. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu
Editora/PISEAGRAMA, 2023.
Assinale a opção que corresponde à estratégia apresentada.
Em uma entrevista com o crítico Paul Gilroy para sua antologia
Small Acts: Thoughts on the Politics of Black Cultures [Pequenos
atos: reflexões sobre a política das culturas negras] (1994), a
romancista Toni Morrison (1931-2019) argumentou que os sujeitos
africanos que vivenciaram a captura, o roubo, o rapto, a mutilação
e a escravidão foram os primeiros modernos.
ESHUN, Kodwo. Outras considerações sobre o Afrofuturismo. In: Histórias afroatlânticas: antologia. São Paulo: MASP, 2022.
O trecho acima apresenta uma relação entre a experiência das
populações negras escravizadas e a condição do indivíduo na
modernidade.
Assinale a opção que apresenta o aspecto que justifica esta
afirmação.
Na última década, vem aumentando a presença de
indígenas em espaços antes frequentados apenas por
profissionais de museus, como reservas técnicas,
requalificando e, em alguns casos, estudando coleções.
Este fato se enquadra em um movimento mais amplo, dentre
os grupos sociais antes representados por instituições como
Museus, de revisão crítica de imagens e significados
associados à formação da nação. Dentre as estratégias
narrativas e institucionais adotadas, a criação de museus
indígenas representa
No capítulo Conflitos ambientais – a atualidade do objeto, Henri
Acselrad afirma o seguinte:
"O método requererá o esforço de não enfrentar em separado,
por exemplo, a análise da questão da água da discussão das
questões fundiárias, de articular a caracterização das dimensões
físico-materiais com a explicitação das dimensões simbólicas
associadas aos modos de representar o ‘meio’, ambos elementos
indissociáveis na explicação das estratégias dos diferentes atores
envolvidos nos processos conflitivos em causa” (Acselrad, 2004,
p. 10-11).
Como outros autores dedicados à antropologia do meio
ambiente, Acselrad propõe que:
Os fluxos culturais, entre as nações, e o consumismo global criam
possibilidades de “identidades partilhadas” – como
“consumidores” para os mesmos bens, “clientes” para os mesmos
serviços, “públicos” para as mesmas mensagens e imagens – entre
pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço
e no tempo. À medida que as culturas nacionais tornam-se mais
expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades
culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas
através do bombardeamento e da infiltração cultural.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.
O trecho acima apresenta uma leitura sobre os efeitos do processo
de globalização sobre a formação de identidades.
Assinale a opção que reflete corretamente o que é exposto no
trecho.
Seres humanos se formam em mundos simbólicos e linguísticos
variados. Os diferentes modos de conhecimento e as variadas
formas de se relacionar com o mundo e com a Terra não podem ser
medidos pelos avanços na ciência e na tecnologia modernas. (...)
Precisaremos entender o poder transformativo da
heterogeneidade em vez de regredir para um certo Volk [povo] e
continuar a depender da empatia e da sensibilidade como formas
de resolução de tensões no interior de agrupamentos cada vez
mais isolados.
HUI, Yuk. Tecnodiversidade. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
O trecho acima enfatiza a diversidade de culturas humanas e
chama atenção para o fato de que há modos distintos de
considerá-la.
Ele aponta para os riscos de tomar a diversidade como
Beatriz Heredia e Moacir Palmeira são dois antropólogos
brasileiros dedicados a etnografias da política. São inúmeras as
suas publicações sobre eventos e o tempo da política. No artigo
Os comícios e a política de facções, os autores tratam os comícios
como “rituais”.
"Um entendimento mais ‘completo’ de por que esse ‘jogo de
força’ passa pelos comícios e não por outras formas de
ajuntamento ou de comunicação política supõe uma análise tão
exaustiva quanto possível desse ritual, situando-o no contexto
em que ele é posto pelos que o realizam” (Palmeira e Heredia,
1995, p. 37). Analisar os comícios como rituais implica discutir:
Os movimentos feministas são frequentemente concebidos em
ondas, cada uma marcando um momento distinto das lutas das
mulheres, com reivindicações, pautas e estratégias próprias.
Assinale a opção que apresenta a característica distintiva da
chamada quarta onda do feminismo.
A partir da década de 1970, o conceito de patrimônio cultural
passou por significativas transformações. Seu escopo foi alargado
para além da valorização de bens materiais de caráter
monumental. Essa mudança de perspectiva refletiu-se na
inclusão de novas categorias de patrimônio, como o patrimônio
imaterial. No Brasil, um marco desse alargamento de sentido foi
o tombamento do terreiro de candomblé Casa Branca, na Bahia,
em 1984. No Brasil, o patrimônio imaterial permite:
Para Gilberto Velho, a antropologia urbana é uma antropologia
das sociedades complexas. Em seu artigo Estilo de vida urbanoe
modernidade, o antropólogo escreve o seguinte:
“A metrópole moderna oferece a possibilidade de transitar entre
vários mundos e esferas diferenciadas. A fragmentação do
trabalho tem, como outro lado da moeda, o desenvolvimento de
áreas e domínios especializados de sociabilidade, lazer, crença
religiosa, atividade política etc.” (Velho, 1995, p. 229). A antropologia urbana de Gilberto Velho tem um dos seus
fundamentos teóricos na produção de:
Em Rituais ontem e hoje, Mariza Peirano analisa o carnaval como
um ritual que expressa as ambiguidades e os dilemas da
sociedade brasileira. A autora destaca:
"O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um
processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26).
De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na
sociedade brasileira consiste em:
O tema do “Patrimônio Cultural” é uma das questões
importantes na gestão dos acervos etnográficos. No Brasil,
antes dos marcos normativos que transformaram em
processos jurídicos o tombamento de bens “materiais” e o
registro dos bens “imateriais”, os museus etnográficos já
eram responsáveis pela conservação e preservação destes
patrimônios. Quando coleções etnográficas adentram
museus
Em seu artigo Antropologia e política, Karina Kuschnir afirma: “Questionar conceitos como 'clientelismo’ é deixar de tomar esse
modelo como ponto de partida; é não considerar universais
termos como, por exemplo, ‘individualismo’, ‘representação’ e
‘domínio público’; é, finalmente, perceber que o universalismo é
um valor inspirado no paradigma da modernização, na crença de
que a imparcialidade e a objetividade devem prevalecer sobre as
emoções e a subjetividade” (Kuschnir, 2007, p. 165-166).
A contribuição da antropologia para a compreensão da política é:
Diversas formas expressivas populares e étnicas foram
preteridas e silenciadas ao longo da história de formação
dos símbolos nacionais. Capoeira e samba, nas primeiras
décadas do século XX, Funk e Hip hop nas últimas décadas,
foram incompreendidas, perseguidas e proibidas.
Paulatinamente, no entanto, resultado da articulação entre
artistas populares, intelectuais e promotores culturais,
gêneros antes perseguidos foram consagrados, por sua
força expressiva e popularidade, como ícones de regiões e
da Nação. Nesse quadro, museus antropológicos podem
participar contribuindo com
Nos jogos de força em torno das classificações e
representações sobre os povos indígenas em museus
antropológicos, coleções e exposições etnográficas, podem
ser consideradas
Os processos de restituição de objetos em guarda de
museus e indivíduos podem adquirir facetas nacionais, em
quadros de justiça de transição e reparação. No Brasil o
caso paradigmático da campanha “Liberte o meu sagrado”
levou à devolução (nos termos dos religiosos, “libertação”)
de 519 objetos, batizados de “coleção Nosso Sagrado”, com
guarda no Museu da República do Rio de Janeiro. Este fato
representou um marco na relação entre comunidades e
museus porque