Há quase um século, os antropólogos estudam outras formas de
vida, como Bronislaw Malinowski e os jardins, Edward
Evans-Pritchard e o gado, Gregory Bateson e os golfinhos.
Contudo, nas últimas décadas, os praticantes da antropologia
têm ampliado as perspectivas que embasam suas etnografias,
decentrando análises sobre agência e poder e advogando por
uma antropologia mais-que-humana. Uma das viradas teóricas
responsáveis por esse decentramento é a virada ontológica.
Uma das contribuições feitas pela virada ontológica é:
No texto Populações indígenas, povos tradicionais e preservação
na Amazônia, Manuela Carneiro da Cunha e Mauro de Almeida
afirmam o seguinte: “Durante muito tempo, existiu entre antropólogos,
conservacionistas, governantes e as próprias populações
tradicionais aquilo que um antropólogo chamou, em outro
contexto, de ‘mal-entendido útil’. Esse mal-entendido gira em
torno do que se pode chamar de essencialização do
relacionamento entre as populações tradicionais e o meio
ambiente” (Cunha e Almeida, 2009, p. 13). Na base dessa essencialização está o mito:
Arquivos audiovisuais fazem parte do conjunto de artefatos
que povoam museus e centros culturais e de investigação e
conservação. Apesar de serem classificadas como
“coleções etnográficas”, suas materialidades distintas e
variadas colocam outras questões e dilemas de
colecionamento, difusão e salvaguarda. Diante disso, a
antropologia dedicada ao cotidiano museal deve atentar
para o modo sobre como coleções fonográficas e fílmicas
foram geradas de forma a poder
No início do seu ensaio “Mercadorias e a política de valor”, o
antropólogo Arjun Appadurai explicita um dos seus objetivos:
“[…] propor uma nova perspectiva sobre a circulação de mercadorias na vida social. Tal perspectiva pode ser sintetizada da seguinte forma: a troca econômica cria o valor; o valor é concretizado nas mercadorias que são trocadas; concentrar-se nas coisas trocadas, em vez de apenas nas formas e funções da troca, possibilita a argumentação de que o que cria o vínculo entre a troca e o valor é a política, em seu sentido mais amplo.”
Com esse argumento, Arjun Appadurai propõe como novo objeto de análise da antropologia:
“[…] propor uma nova perspectiva sobre a circulação de mercadorias na vida social. Tal perspectiva pode ser sintetizada da seguinte forma: a troca econômica cria o valor; o valor é concretizado nas mercadorias que são trocadas; concentrar-se nas coisas trocadas, em vez de apenas nas formas e funções da troca, possibilita a argumentação de que o que cria o vínculo entre a troca e o valor é a política, em seu sentido mais amplo.”
Com esse argumento, Arjun Appadurai propõe como novo objeto de análise da antropologia:
Em Dois pequenos problemas com a lei terra intangível para os
Kisêdjê, Marcela Coelho de Souza examina a conexão entre o
povo Kisêdjê e a terra. A autora propõe o conceito de “terra
intangível”, que desafia a compreensão ocidental de propriedade
e posse. A autora argumenta que:
"A despeito do possessivo na expressão nossa terra, não acredito que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de Souza, 2017, p. 123).
A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida como:
"A despeito do possessivo na expressão nossa terra, não acredito que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de Souza, 2017, p. 123).
A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida como:
O conjunto de convenções da UNESCO, que define e instrui
os processos de restituição ou retorno de objetos culturais,
tem como princípio o reconhecimento histórico da pilhagem
de objetos durante a Segunda Guerra Mundial e o
colonialismo europeu dos séculos XIX e XX. Por conta disso,
medidas de reparação por danos patrimoniais e morais
devem ser geradas. Assim sendo, os processos de
restituição são definidos como
Para Sherry Ortner, o principal legado da antropologia geertziana
tem sido a questão de como “os símbolos modelam os modos em
que os atores sociais veem, sentem e pensam sobre o mundo ou,
em outras palavras, como os símbolos operam enquanto veículos
de ‘cultura’”.
(Adaptado de Ortner, S. B. Teoria na antropologia desde os
anos 60. In: Mana, 17(2), 2011, p. 421) Para Geertz, sistemas culturais como os calendários balineses são
objeto de análise antropológica para:
A história de classificação dos objetos salvaguardados em
reservas técnicas etnológicas, desde as curiosidades
artificiais da virada dos séculos XVIII–XIX até os artefatos
etnográficos da virada dos séculos XIX–XX, evidencia a
contínua redefinição de parâmetros científicos e a relação
tensa entre classificação científica, classificação étnica e
classificação de gestão museal. Nem sempre curadores,
conservadores e, mais recentemente, indígenas, falam a
mesma língua. Considerando o trabalho pioneiro de Berta
Ribeiro, a partir dos acervos de museus como o Nacional do
Rio de Janeiro e Emílio Goeldi do Pará, a organização da
produção de material etnográfico é classificada em
No prefácio do livro “Trecos, troços e coisas”, o antropólogo
Daniel Miller propõe o seguinte:
“O leitmotiv deste livro é um questionamento da oposição, vigente no senso comum, entre pessoa e coisa, animado e inanimado, sujeito e objeto. Em alguma medida, a ciência tem conseguido evitar isso. […] Aqui, em contraste, estou interessado em desenvolvimentos na ciência social, e não na ciência natural, e no encontro qualitativo da antropologia com a diversidade dos povos e a crescente diversidade das coisas.”
O objeto de estudo proposto por Daniel Miller é(são):
“O leitmotiv deste livro é um questionamento da oposição, vigente no senso comum, entre pessoa e coisa, animado e inanimado, sujeito e objeto. Em alguma medida, a ciência tem conseguido evitar isso. […] Aqui, em contraste, estou interessado em desenvolvimentos na ciência social, e não na ciência natural, e no encontro qualitativo da antropologia com a diversidade dos povos e a crescente diversidade das coisas.”
O objeto de estudo proposto por Daniel Miller é(são):
No que se refere à produção de alimentos, identidade cultural e territórios, julgue o item a seguir.
Compreende-se patrimônio imaterial como um bem de natureza intangível, de caráter dinâmico e intimamente associado às práticas e representações culturais, definido na Constituição Federal de 1988 como os modos de criar, fazer e viver, expressos em rituais, celebrações, entre outros.
Historicamente, podemos organizar os marcos de
desenvolvimento de um determinado campo científicomuseal tomando como índices o incremento de coleções, a
ampliação de quadros profissionais ou a especialização de
áreas de conhecimento. O Museu Antropológico da UFG,
iniciado nos anos de 1960, fundamenta-se em paradigma
Em seu artigo “O futuro nos laudos antropológicos”, o
antropólogo Paulo Santini afirma:
“Com respeito ao reconhecimento oficial de direitos territoriais indígenas — em que a delimitação substantiva de um território é exigida para o cumprimento do artigo 231 da Constituição —, a primeira, senão a única atribuição legal de antropólogos é a de empreender e coordenar os estudos dos grupos técnicos instituídos para proceder à identificação e à delimitação das terras ocupadas tradicionalmente pelos índios; requere-se dos especialistas que tracem e demonstrem a continuidade entre povos pré-colombianos e populações atuais.”
A realização de um laudo antropológico pressupõe o emprego de técnicas de pesquisa consagradas pela disciplina.
A técnica de pesquisa antropológica, indispensável na produção de laudos, que permite ao técnico acessar a realidade social em questão, entrar em contato com o grupo pesquisado e conhecer suas singularidade é(são) o(s):
“Com respeito ao reconhecimento oficial de direitos territoriais indígenas — em que a delimitação substantiva de um território é exigida para o cumprimento do artigo 231 da Constituição —, a primeira, senão a única atribuição legal de antropólogos é a de empreender e coordenar os estudos dos grupos técnicos instituídos para proceder à identificação e à delimitação das terras ocupadas tradicionalmente pelos índios; requere-se dos especialistas que tracem e demonstrem a continuidade entre povos pré-colombianos e populações atuais.”
A realização de um laudo antropológico pressupõe o emprego de técnicas de pesquisa consagradas pela disciplina.
A técnica de pesquisa antropológica, indispensável na produção de laudos, que permite ao técnico acessar a realidade social em questão, entrar em contato com o grupo pesquisado e conhecer suas singularidade é(são) o(s):