Leia o trecho do poema “Todas as cartas de amor são ridículas" de Fernando Pessoa:

Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas.
A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas.

Qual é a reflexão mais profunda sugerida pelo autor sobre as cartas de amor?
O calor da sauna

Paulo Pestana


“Já que…” – a junção do advérbio com o pronominal é quase sinônimo de problema. Serve para dar prosseguimento a algo que estamos fazendo ou querendo fazer, e aí começa uma interminável sequência de ações, complementos e adendos. Numa obra é fatal.

E foi assim que começou a saga do nosso amigo, 15 anos atrás. Morador do bairro Sudoeste desde os primeiros dias, decidiu fazer uma reforma no apartamento. Não precisava, mas “já que…” (olha ele aí) um amigo tinha terminado uma obra, aproveitou o arquiteto.

E “já que…” (de novo!) faria um projeto, pediu para acrescentar uma sauna na área da piscina da cobertura. Coisa simples. Os amigos estranharam. Nunca o viram numa sauna antes. Mas era um capricho, e com esses desejos repentinos não se discute; e “já que…” (mais uma vez) existia uma pequena casa de máquinas no local, seria moleza.

Muitos “já-ques” depois, a obra foi entregue. A cozinha ficou mais ampla, o escritório mais confortável, a sala mais agradável e até o banheiro do quarto ganhou uma garibada. Satisfeito, nosso amigo curtia a casa como se fosse nova, um prazer onanista – no sentido figurado, claro, já que era exclusivo dele; nunca foi um exibido.

E a sauna?, já pressinto a pergunta. Também ficou muito boa, caprichada, feita com material de primeira, motor último tipo. Como mimo, o arquiteto deixou uma essência de eucalipto e uma toalhinha branca. Não sei se por encanto com o resto do lar, mas ele nunca entrou na sauna, nunca apertou o botão de ligar. Até agora.

15 anos se passaram e, enfim, ele resolveu estrear a sauna. De novo, os amigos estranharam. Eram dias escaldantes, com temperatura próxima dos quarenta graus; ou seja: a cidade inteira atrás de um refresco, de uma sombra, e ele chamou amigos para inaugurar a sauna, com direito a champanhe geladinha.

Qualquer pessoa prevenida faria um teste antes, mas nosso amigo é um otimista. As pessoas chegaram e ele apertou o botão. Nada. Nem uma faísca. O motor, talvez cansado de esperar, não ligou. Mas como ensinou madame Clicquot Ponsardin, com champanhe não há tempo ruim. E a festa continuou.

Com o calorão, não precisava mesmo de vapor para esquentar a sauna, e pelo menos o cheiro do eucalipto funcionou a contento.

Dia seguinte, veio a ressaca moral, e nosso amigo chamou o eletricista que havia contratado para fazer uma revisão em todo o sistema elétrico da casa. “Já que…” (ele sempre volta!) seria feita mudança de fios e tomadas, que consertasse também a sauna, inclusive trocando o motor zero quilômetro, mas inútil, por uma máquina nova, menor e mais potente.

O rapaz tinha muita boa vontade, mas, ao que parece, só isso. Quando foi instalar o motor no quadro de luz, encostou a chave de fenda nos dois polos, e ninguém precisa ser um unabomber para saber que isso dá em explosão. E o bum foi tão poderoso que apagou a luz de todo o bloco; muita gente saiu correndo.

Até hoje os vizinhos olham nosso amigo de soslaio. E se alguém quiser briga é só falar em sauna com ele.

PESTANA, Paulo. O calor da sauna. Correio Braziliense, 13 de novembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/ocalor-da-sauna/. Acesso em: 15 nov. 2023. Adaptado.

Glossário:

- Madame Clicquot Ponsardin: empresária francesa do ramo de bebidas. Passou a fazer vinho na região de Champagne, na França, no início do século XIX, à frente de um negócio falido que havia sido fundado pelo sogro em 1772. A bebida que leva sua alcunha é um dos champanhes mais reverenciados do planeta. (Adaptado de Veja, 09/09/2022)

- unabomber: Apelido dado pela polícia federal estadunidense (FBI) ao matemático Ted Kaczynski, que matou três pessoas e feriu mais 23 durante uma onda de bombardeios em massa entre 1978 e 1995. Os alvos de seus ataques pareciam sempre ser universidades e companhias aéreas. (Adaptado de BBC Brasil, 10/06/2023)

- onanista: Aquele que pratica o onanismo = 1. Coito interrompido antes da ejaculação. 2. Masturbação masculina. ("onanismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2023, https://dicionario.priberam.org/onanismo.)
Ao afirmar que “até o banheiro do quarto ganhou uma garibada” (4º parágrafo), o autor do texto quis dizer que tal cômodo:
Leia o trecho abaixo e marque a alternativa correta quanto aos comentários a respeito do texto “Momento num café”, de Manuel Bandeira.

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Analise o poema abaixo:

DA FELICIDADE

Quantas vezes a gente, em busca da ventura, Procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte, os óculos procura Tendo-os na ponta do nariz!

QUINTANA, Mario. Da felicidade. Disponível em: https://www.pensador.com/frase/NDE1/. Acesso em: 29 de mai. de 2024.

Assinale a alternativa que melhor expressa a opinião do autor sobre a busca pela felicidade:
Reaprender a estar no mundo

Volta às atividades sociais e ao trabalho precisam incluir cuidados com a saúde física, autoconhecimento, diálogo e empatia.
Claudio Lottenberg 9 de dezembro de 2021


No estágio em que nos encontramos da pandemia de Covid-19 no Brasil, com uma parcela expressiva – mais de 60% – de sua população completamente imunizada, já é possível, ainda com alguns cuidados e medidas protetivas como uso de máscara e higienização constante das mãos, falar em alguma volta à normalidade. Com isso, avançam os planos para o retorno ao trabalho presencial ou em formatos híbridos. Mas no dia 11 de novembro a pandemia completou 20 meses, um período longo e que exigiu demais de todos em termos emocionais.

Simplesmente voltar ao que éramos antes será muito difícil, assumindo que seja possível.

Será preciso um reaprendizado. Algumas pessoas comentam, em tom de brincadeira, que já não sabem mais como viver em sociedade – que desaprenderam como se comportar em público. Por mais que seja mesmo brincadeira, isso não está tão longe assim da realidade. Aristóteles disse que o homem é um animal que vive em sociedade – mas talvez isso seja algo que tenha de ser adquirido, não um traço de algum modo inato.

Listas, receitas, métodos, programas e recomendações de como nos reinserirmos no mundo circulam em abundância. Esses conteúdos são importantes, pensando que casos de ansiedade e depressão tiveram forte crescimento ao longo da pandemia – de 27,6% para a primeira e de 25,6%, para a segunda, segundo pesquisa publicada na revista científica The Lancet no mês passado. Mais do que em qualquer outro momento de nossas vidas, cuidar da saúde, tão atingida pelas consequências da crise sanitária, se faz necessário nesse caminho de volta à normalidade.

Seja qual for a fórmula a se seguir, nela não poderá faltar ao menos:

– Cuidado com a saúde física: o bem-estar físico não está desconectado da saúde mental. Ao praticar exercícios e estimular a liberação de dopamina e serotonina, estamos nutrindo nosso corpo com substâncias que elevam o prazer, a autoestima e ajudam a equilibrar as emoções. Aqui vale encontrar a atividade que mais combina com seu estilo, como uma caminhada pela manhã, yoga, práticas meditativas, natação e até uma dança de salão. Enquanto você cuida da sua saúde mental, o corpo também agradece. Com 150 minutos de exercício por semana é possível diminuir o risco de doenças como o diabetes.

– Autoconhecimento: conhecer a si mesmo faz muito sentido quando falamos sobre saúde mental. Compreender o que gostamos de fazer, e isso inclui o trabalho, ao qual dedicamos grande parte do tempo de nossas vidas. Reconhecer nossos limites e se dar direito ao descanso e ao lazer.


– Diálogo e empatia: as pessoas que estão retomando suas rotinas agora podem voltar com muitas sequelas desse período de isolamento. Mais do que nunca será preciso olhar para o capital humano e acolher aqueles que podem ter sofrido perda de familiares ou de amigos, ou estar com sequelas da doença, com problemas para dormir, ou que de outra forma estejam abaladas. Tudo isso lembrando que a pandemia não acabou e que ainda é preciso continuar com as medidas de proteção individuais e coletivas.

Claudio Lottenberg é mestre e doutor em oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp). É presidente do conselho do Hospital Albert Einstein e do Instituto Coalizão Saúde.

(LOTTENBERG, Claudio. Reaprender a estar no mundo. Forbes Brasil, 09 de dezembro de 2021. Colunas. Disponível em: https://forbes.com.br/colunas/2021/12/claudio-lottenberg-reaprender-aestar-no-mundo/.
Acesso em: 18 dez. 2021.)
Para sustentar sua tese, o articulista se vale de alguns tipos de argumento. Três deles foram reproduzidos abaixo, bem como fragmentos do texto que ilustram cada tipo. Associe os trechos aos tipos de argumento apresentados e, em seguida, assinale a alternativa que representa a sequência CORRETA dos elementos.

CA - citação de autoridade
COD - comprovação por observação de dados
RL - raciocínio lógico

I. “Mais do que em qualquer outro momento de nossas vidas, cuidar da saúde, tão atingida pelas consequências da crise sanitária, se faz necessário nesse caminho de volta à normalidade.” ( )
II. “casos de ansiedade e depressão tiveram forte crescimento ao longo da pandemia – de 27,6% para a primeira e de 25,6%, para a segunda, segundo pesquisa publicada na revista científica The Lancet” ( )
III. “Aristóteles disse que o homem é um animal que vive em sociedade – mas talvez isso seja algo que tenha de ser adquirido, não um traço de algum modo inato”( )
. Acesso em: 21 de abril de 2024. Considerando o texto acima, assinale a alternativa que indica quem foi “Tomado, então, de um ódio insensato [...]”: "> O POBRE POEMA


O POBRE POEMA Eu escrevi um poema horrível! É claro que ele queria dizer alguma coisa... Mas o quê? Estaria engasgado? Nas suas meias-palavras havia no entanto uma ternura mansa como a que se vê nos olhos de uma criança doente, uma precoce, incompreensível gravidade de quem, sem ler os jornais, soubesse dos sequestros dos que morrem sem culpa dos que se desviam porque todos os caminhos estão tomados... Poema, menininho condenado, bem se via que ele não era deste mundo nem para este mundo... Tomado, então, de um ódio insensato, esse ódio que enlouquece os homens ante a insuportável verdade, dilacerei-o em mil pedaços. E respirei... Também! Quem mandou ter ele nascido no mundo errado?

QUINTANA, Mário. O pobre poema. Disponível em: <https://encantoliterario.com.br/segunda-poetica-o-pobre-poemamario-quintana/>. Acesso em: 21 de abril de 2024.

Considerando o texto acima, assinale a alternativa que indica quem foi “Tomado, então, de um ódio insensato [...]”:
Em uma sala de aula de Língua Portuguesa, a professora está explicando conceitos relacionados à Fonologia. Durante a explicação, ela destaca alguns elementos importantes. Qual dos itens abaixo representa corretamente um conceito relacionado aos aspectos fonológicos da língua?
Leia a frase: "A cidade cresceu rapidamente nos últimos anos. Com isso, novos serviços e comércios surgiram para atender à população."

É correto afirmar que o texto está:
Ao analisar o texto abaixo, é possível perceber a complexidade intrínseca na apreensão do significado:
"O néon da metrópole, reverberando em caleidoscópio urbano, delineia a polissemia da existência, onde os matizes da contemporaneidade se entrelaçam, desafiando a cognição do leitor."

Dentro desse contexto, assinale a alternativa que melhor sintetiza a proposta do autor.
Reaprender a estar no mundo

Volta às atividades sociais e ao trabalho precisam incluir cuidados com a saúde física, autoconhecimento, diálogo e empatia.
Claudio Lottenberg 9 de dezembro de 2021


No estágio em que nos encontramos da pandemia de Covid-19 no Brasil, com uma parcela expressiva – mais de 60% – de sua população completamente imunizada, já é possível, ainda com alguns cuidados e medidas protetivas como uso de máscara e higienização constante das mãos, falar em alguma volta à normalidade. Com isso, avançam os planos para o retorno ao trabalho presencial ou em formatos híbridos. Mas no dia 11 de novembro a pandemia completou 20 meses, um período longo e que exigiu demais de todos em termos emocionais.

Simplesmente voltar ao que éramos antes será muito difícil, assumindo que seja possível.

Será preciso um reaprendizado. Algumas pessoas comentam, em tom de brincadeira, que já não sabem mais como viver em sociedade – que desaprenderam como se comportar em público. Por mais que seja mesmo brincadeira, isso não está tão longe assim da realidade. Aristóteles disse que o homem é um animal que vive em sociedade – mas talvez isso seja algo que tenha de ser adquirido, não um traço de algum modo inato.

Listas, receitas, métodos, programas e recomendações de como nos reinserirmos no mundo circulam em abundância. Esses conteúdos são importantes, pensando que casos de ansiedade e depressão tiveram forte crescimento ao longo da pandemia – de 27,6% para a primeira e de 25,6%, para a segunda, segundo pesquisa publicada na revista científica The Lancet no mês passado. Mais do que em qualquer outro momento de nossas vidas, cuidar da saúde, tão atingida pelas consequências da crise sanitária, se faz necessário nesse caminho de volta à normalidade.

Seja qual for a fórmula a se seguir, nela não poderá faltar ao menos:

– Cuidado com a saúde física: o bem-estar físico não está desconectado da saúde mental. Ao praticar exercícios e estimular a liberação de dopamina e serotonina, estamos nutrindo nosso corpo com substâncias que elevam o prazer, a autoestima e ajudam a equilibrar as emoções. Aqui vale encontrar a atividade que mais combina com seu estilo, como uma caminhada pela manhã, yoga, práticas meditativas, natação e até uma dança de salão. Enquanto você cuida da sua saúde mental, o corpo também agradece. Com 150 minutos de exercício por semana é possível diminuir o risco de doenças como o diabetes.

– Autoconhecimento: conhecer a si mesmo faz muito sentido quando falamos sobre saúde mental. Compreender o que gostamos de fazer, e isso inclui o trabalho, ao qual dedicamos grande parte do tempo de nossas vidas. Reconhecer nossos limites e se dar direito ao descanso e ao lazer.


– Diálogo e empatia: as pessoas que estão retomando suas rotinas agora podem voltar com muitas sequelas desse período de isolamento. Mais do que nunca será preciso olhar para o capital humano e acolher aqueles que podem ter sofrido perda de familiares ou de amigos, ou estar com sequelas da doença, com problemas para dormir, ou que de outra forma estejam abaladas. Tudo isso lembrando que a pandemia não acabou e que ainda é preciso continuar com as medidas de proteção individuais e coletivas.

Claudio Lottenberg é mestre e doutor em oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp). É presidente do conselho do Hospital Albert Einstein e do Instituto Coalizão Saúde.

(LOTTENBERG, Claudio. Reaprender a estar no mundo. Forbes Brasil, 09 de dezembro de 2021. Colunas. Disponível em: https://forbes.com.br/colunas/2021/12/claudio-lottenberg-reaprender-aestar-no-mundo/.
Acesso em: 18 dez. 2021.)
São dicas dadas pelo autor para a volta à normalidade póspandemia de Covid-19, EXCETO:
Não vai dar tempo
Paulo Pestana
Crônica

O mundo anda com muita pressa. Não bastasse ouvir os recados deixados no telefone com rotação acelerada para ganhar parcos segundos, agora a onda é ouvir música em velocidade mais rápida. Isso mesmo: o pessoal está com urgência que a música acabe.
O artista gasta fosfato e talento – alguns nem tanto – para fazer uma canção e o gaiato do ouvinte agora está alterando o andamento _______ tem o cérebro pedindo pé embaixo.
Ritmos vêm sendo acelerados há tempo, mas pelos artistas, não pelos ouvintes. O blues virou rock, que virou uma massa sonora difícil de ser catalogada; o samba cadenciado dos desfiles das escolas foi tão apressado que virou uma marcha, com pouco espaço para a evolução dos passistas. São mudanças que o tempo trouxe.
Mas o que ocorre agora com a tecnologia e a compressão é uma interferência direta na obra. Os serviços de streaming ainda não oferecem a opção de se ouvir música acelerada, mas não vai demorar.
Ainda bem que tem gente que gosta de andar na contramão. Aos 82 anos de idade, o cantor e compositor Paul Simon está lançando um disco com uma suíte, faixa única de 33 minutos e dois segundos, dividida em sete partes. Chama-se Seven Psalms e é um convite à reflexão sobre mortalidade e espiritualidade que não combina com essa pressa toda.
Autor de clássicos inescapáveis da música popular – The Sound of Silence, Bridge Over Troubled Waters, entre tantos – Simon obriga que o ouvinte atravesse toda a obra desde o início, já que não há separação de faixas. Há uma delicadeza que cobra tempo de quem ouve, como a lembrar Drummond, que a vida necessita de pausas.
A pressa não é exclusiva dos ouvidos. Já faz algum tempo que versões reduzidas de grandes romances são oferecidas a quem tem preguiça de enfrentar[,] por exemplo[,] as 1.544 páginas da tradução brasileira de Guerra e Paz, de Tolstoi. Não são as famosas condensações de livros que as Seleções de Reader’s Digest publicam há 101 anos (81 no Brasil) com linguagem simplificada e narrativa resumida para facilitar a[,] digamos[,] digestão.
Agora é radical: as 3.938 páginas de Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, estão resumidas em apenas 30 linhas. E o sujeito sai achando que pegou tudo. O mesmo ocorre com Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes (1.328 páginas), Os Miseráveis, de Vitor Hugo (1.912), O tempo e o Vento, de Érico Veríssimo (2.832) ou qualquer obra que exija disposição intelectual e bíceps bem preparados – tudo registrado em algumas linhas.
Já estamos quase na metade do ano que começou ainda outro dia, o que dá uma sensação de urgência em tudo o que nos cerca. Viramos Lebre de Março, o coelho do País das Maravilhas, de Carroll, sempre com um enorme relógio das mãos, “dois dias” atrasado e para quem o eterno dura às vezes apenas um segundo.
Não adianta, não vai dar tempo de fazer tudo. É melhor ler 49 resumos de livros do que um romance inteiro? Ouvir três músicas no espaço que teríamos para ouvir uma? Ou apertar a tecla FF (ainda existe?) para acelerar a reprodução de um filme?
Mas se você chegou até aqui é bom saber que gastou sete minutos para ler esse texto.

PESTANA, Paulo. Não vai dar tempo. Correio Braziliense, 21 de junho de
2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/nao-vai-dartempo/. Acesso em: 22 jun. 2023. Adaptado.
Diante da tendência atual de se ouvirem músicas de maneira acelerada e de se lerem livros de modo resumido, o autor se mostra:

Escorrendo


Aos 5 anos de idade o mundo é esmagadoramente mais forte do que a gente. (Aos 30 também, mas aprendemos umas manhas que, se não anulam a desproporção, ao menos disfarçam nossa pequenez.)

A ignorância não é uma bênção, é uma condenação: compreender a origem dos nossos incômodos faz uma grande diferença. Mas como, com tão poucas palavras ao nosso dispor? Palavras são ferramentas que usamos para desmontar o mundo e remontá-lo dentro da nossa cabeça. Sem as ferramentas precisas, ficamos a espanar parafusos com pontas de facas, a destruir porcas com alicates.

Com 2 anos, meu nariz escorria sem parar na sala de aula. Eu não sabia assoar, nem sequer sabia que existia isto: assoar. Apenas enxugava o que descia na manga do uniforme, conformado, até ficar com o nariz assado.

Lembro-me bem da sensação da meia sendo comida pela galocha enquanto eu andava. A cada passo, ela ia se engorovinhando mais e mais na frente do pé, faltando no calcanhar, e eu aceitava o infortúnio como se fosse uma praga rogada pelos deuses, uma sina. Não passava pela minha cabeça trocar de meia, desistir da galocha, pedir ajuda aos adultos: a vida era assim, não havia o que fazer.

Numas férias, meu pai apareceu antes do combinado para pegar minha irmã e eu na casa dos meus avós. Durante 400 quilômetros, falou que existiam pessoas boas e pessoas más, que aconteciam coisas que a gente não conseguia entender, que mesmo as pessoas más podiam fazer coisas boas e as pessoas boas, coisas más. Já quase chegando a São Paulo, contou que nosso vizinho, de 6 anos, tinha levado um tiro. Naquela noite, enquanto as crianças da rua brincavam – mais quietas do que o habitual, sob um véu inominável –, um dos garotos disse: “Bem feito! Ele é muito chato”.

Hoje, penso que pode ter sido sua maneira de lidar com uma realidade esmagadoramente mais forte do que ele. Meu vizinho, felizmente, sobreviveu. Nossa ingenuidade é que não: ficou ali, estirada entre amendoeiras e paralelepípedos, sendo iluminada pela lâmpada intermitente de mercúrio, depois que todas as crianças voltaram para suas casas.



Fonte: Crônica de Antônio Prata. Escorrendo. Disponível em: https://novaescola.org.br/arquivo/vem-que-eu-teconto/pdf/escorrendo.pdf



A caracterização do texto “Escorrendo” como crônica ocorre porque:
Qual é o efeito do uso correto dos sinais de pontuação na leitura e compreensão de um texto?
Texto para a questão.

O que fazer quando alguém “surta”?

Para a medicina, surtar é entrar em um quadro psicótico agudo. Esse quadro antigamente era chamado de loucura, mas eu não gosto dessa expressão
Arthur Guerra - 25 de outubro de 2022
Antes de mais nada, vamos diferenciar o termo médico surto do popular “surto”. Para a medicina, surtar é entrar em um quadro psicótico agudo. Esse quadro antigamente era chamado de “loucura”, mas eu não gosto dessa expressão.
O que vamos tratar aqui é do vocábulo popular, que pode ser aplicado para uma série de situações, como descontrole emocional, ataque de pânico, desajuste de comportamento.
Fiquei com vontade de falar sobre isso porque recentemente viralizou um vídeo gravado dentro de um avião em que, por algum motivo, um passageiro se descontrolava, se debatia muito, superagitado, e todos na cabine estavam sem saber o que fazer. Será que é preciso segurar essa pessoa? Controlá-la? Levá-la para o hospital tão logo quando possível?
O que fazer se alguém perto de nós entrar em um quadro parecido com o desse passageiro? Uma curiosidade. Casos como o desse homem não são tão raros. Nos Estados Unidos, por exemplo, existe uma expressão para descrever pessoas que ficam violentas, indisciplinadas e inquietas no voo: raiva aérea. Só em 2021, auge da pandemia, foram mais de 5.000 casos, sendo a maioria causados pelo uso de máscara. Bebida e, especialmente, bebida misturada com remédios também podem eventualmente fazer alguém surtar.
Em primeiro lugar, tenha muita calma e, se vocês estiverem em um ambiente fechado, procure retirar objetos que possam, sem querer, quebrar ou ferir a pessoa que está excitada. Procure conter essa pessoa, abraçandoa fortemente. Isso é importante para que ela, na sua agitação, não se machuque.
Agora, se porventura a inquietação dessa pessoa começar a aumentar ao ponto de, por exemplo, ela bater a cabeça na parede ou ter a intenção de se machucar, é fundamental levá-la para um pronto-socorro, nem que seja à força. Qualquer PS público ou privado está capacitado para atender uma pessoa assim. O Samu também está.
Se o surto acontecer durante uma viagem de avião, os comissários de bordo estão orientados a perguntar se existe um médico entre os passageiros. Os voos internacionais, cujas viagens são longas, carregam um kit médico, que, entre outros remédios, tem aqueles voltados para quadros psiquiátricos. Geralmente são drogas da classe dos calmantes, que vão ajudar a tranquilizar quem está agitado, permitindo que a viagem siga sossegada até o pouso, quando esse passageiro deverá ser encaminhado a um hospital ou médico.


Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

GUERRA, Arthur. O que fazer quando alguém “surta”? Forbes Brasil, 25 de outubro de 2022. Colunas. Disponível em:
https://forbes.com.br/forbessaude/2022/10/arthur-guerra-o-que-fazerquando-alguem-surta/
De acordo com o texto,
Leia o texto abaixo e marque a alternativa correta conforme os comentários.
Nutricionista Marina Gusmão
Chamar alguém de plus size é mais "aceitável" do que chamar alguém de gorda, ou seja, o termo plus size se tornou um eufemismo para a palavra gorda. Mas por que precisamos de um termo mais “brando” para o adjetivo gorda? Por que tem que ter um nome específico para tamanhos maiores? Por que não existe um termo antagonista ao plus size, um “less size”? Por que o termo gord@ é ofensivo, mas o termo magr@ é elogio?
A palavra plus size não deveria servir como um “escudo”, porque a palavra gorda não é ofensiva. Pelo menos não deveria ter essa conotação. O número da balança não determina absolutamente nada sobre o seu caráter, os seus valores e a sua essência. Porém a mídia, por estar o tempo todo repetindo a mensagem de que gordura é sinônimo de fracasso, infelicidade, doença, e que o seu valor é determinado pelo número da balança, nós acreditamos que isso é um fato. É aquela história de água mole, pedra dura. Nós aceitamos que a frase “gorda é xingamento” sem questionar o porquê disso. Gordo não é um xingamento. Gordo é apenas uma característica física de uma pessoa, assim como alto/baixo. E como alto/baixo significa apenas DIFERENTE DE e não PIOR ou MELHOR QUE, a palavra gorda também deveria ter uma carga neutra. Particularmente, eu prefiro a palavra gorda, por ser mais honesta e menos preconceituosa.
@nutriricardodurante, em https://www.facebook.com/photo/?fbid=1935929506542&set=a.758961 699571668&_tn_=,0#f
Leia o trecho a seguir: "Os dias quentes me faziam querer ficar dentro de casa, protegido do sol escaldante."

Este trecho descreve algo sobre:
Que animais o homem já enviou ao espaço?

Animais no espaço: até moscas já foram enviadas para fora da Terra.


Entre os terráqueos, o homem não foi o pioneiro no espaço. Mas foi o responsável por enviar várias espécies de animais antes de Yuri Gagarin e Neil Armstrong. Moscas, peixes, tartarugas, lesmas, minhocas e abelhas já tiveram sua experiência extraterrena. Até mesmo aranhas foram enviadas para testar suas habilidades de tecer uma teia em ambiente de microgravidade.


A viagem de animais ao espaço começou em 1947, quando os americanos enviaram moscas-das-frutas em uma cápsula. A partir de então, Rússia e EUA passaram a mandar animais maiores. Primatas eram os preferidos pelos astronautas (NASA/União Europeia), enquanto os cães eram os escolhidos dos cosmonautas (russos). Já na França, um gato ficou famoso por ser o primeiro, e único, felino escolhido para desbravar o cosmos.


Entre todos os animais que estiveram no espaço, a cadela Laika é a mais famosa. Em 4 de outubro de 1957, a era espacial teve início com o lançamento da Sputnik 1. Um mês depois, a cadela foi enviada ao espaço, a bordo da Sputnik 2, sem chances de retornar com vida. Embora sua morte tenha provocado revolta, Laika e os outros animais que ultrapassaram os limites terrenos abriram caminho para os humanos.


De acordo com Douglas Galante, doutor em Astronomia pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), esse pioneirismo animal foi importante para entender os possíveis efeitos que o ambiente espacial poderia provocar nos seres humanos. “Um dos objetivos na época era o de enviar humanos ao espaço. Nesse cenário, as naves espaciais e os sistemas de manutenção de condições vitais no espaço foram testados sucessivamente, com animais maiores e mais complexos (dos insetos aos macacos), até que houvesse uma confiança grande o suficiente para enviar o primeiro astronauta”, argumenta.


Adaptado
https://www.terra.com.br
GHX Comunicação - maio/2013
O autor do texto transmite:
Em uma campanha de saúde pública, o cartaz exibia frases como: “Lave as mãos antes das refeições” e “Use máscara em ambientes fechados”. O material não se limitava a informar, mas orientava ações concretas a serem cumpridas pelos leitores.

Esse tipo de estrutura textual, comum em receitas, manuais e regulamentos, caracteriza-se por qual tipologia?
Todo astronauta precisa de grande capacidade de ________________ e controle de __________________ .

As palavras que completam corretamente a frase acima são:
Leia o título e o subtítulo de uma reportagem reproduzidos abaixo.

Ciência
Sonda da Nasa é primeira espaçonave a “tocar” o Sol
A Parker Solar Probe está explorando a coroa solar para ajudar os cientistas a entender o campo magnético, o "vento" e a evolução da estrela. Entenda.
Por Luisa Costa 15 dez 2021, 18h34
(COSTA, Luisa. Sonda da Nasa é a primeira espaçonave a “tocar” o Sol. Superinteressante, 15 de dezembro de 2021. Ciência.
Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/sonda-da-nasa-eprimeira-espaconave-a-tocar-o-sol/.
Acesso em: 18 dez. 2021.)

Configura-se como um pressuposto do título desta matéria jornalística a seguinte afirmativa:
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