Questões de Concursos

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Analise as palavras paixão, gargalhadas, depósito, trêmulo, e assinale a alternativa que apresenta, pela ordem, a classificação dessas palavras quanto a posição das sílabas tônicas:
Das palavras destacadas abaixo, somente uma NÃO deve ser preenchida o espaço com “J”.
O CORPO ESCRITO DA LITERATURA

A escrita se faz com o corpo, e dar sua pulsação, seu ritmo pulslonal, sua respiração singular, sua rebeldia, às vezes domada pela força da armadura da língua, pela sintaxe, freios e ordenamentos. Assim, nunca são puras ideias abstratas que se escrevem e por isso, quando se lida com a escrita alheia do escritor ou do escrevente comum, como leitor ou crítico, toca-se em textos, com as mãos, com os olhos, com a pele. Tal gesto pode irritar profundamente aquele que escreveu, como se seu corpo sofresse uma agressão ou uma invasão Indevida, da qual ele tem que se defender, sob o risco de se ver ferido por um olhar ou mäo estranha. Por isso, aquele que escreve, a todo momento, talvez tente se explicar, se suturar, na tentativa de se preservar de um outro intrusivo, que fala de um lugar que nem sempre é o da cumplicidade especular, obrigando a um dizer outro que ele - o que escreve - recusa, desconhece ou simplesmente cala.
O escrever tem a ver com uma intimidade que, no entanto, sempre se volta para fora, paradoxalmente se mascarando e se desvelando, ao mesmo tempo. Dar, a fugaz medida do texto, que o faz se dizer e se desdizer, no palco mesmo da folha branca, onde ele se exibe, com pudor, falso pudor, ou uma espécie de bravataexibicionista. Textos poéticos ou romanescos querem agradar ou seduzir o incauto leitor com suas manhas e artimanhas, prometendo e faltando à palavra dada, às promessas de respostas. à avidez ingênua de quem espera dele mais do que palavras, letras.
Assim, o texto fala e fala mais do que o autor pretende, e não há como evitar essa rebeldia de palavras que fogem de um ilusório comando, mesmo quando se buscam recursos os mais variados, para domá-las, se assim se pretende, no cárcere privado da sintaxe, das normas, dos modelos, sonetos, tercetos ou a mais rígida rima livre.
Porque as palavras são "palavras em pássaros" como afirma um personagem de João Gilberto Noll que se diz dominado por elas, no ato mesmo da escrita, como se elas escapassem de seus dedos que dedilham as teclas da máquina, sem conseguir controlá-las.
Um dia, escrevi ou me escrevi: literatura são palavras. Mas nem todas as palavras fazem literatura, a não ser aquelas que trabalham no velho barro da língua, laborando nele como quem forja alguma coisa tão material, como com o cristal sonoro ou o som bruto de cordas que esperam as mãos do violinista, para afiná-las ou quebrá-las com som novo que possa arranhar nossos ouvidos duros, rapidamente surdos aos velhos verbos repetidos que ecoam sinistramente na velha casa da escrita. [...]
A escrita não segura todos os riscos, todos os pontos finais, mas alguma coisa ela faz, quando se gastam todos os recursos do semblant, quando, de repente, ela começa a se dizer sozinha, avizinhando-nos do real, este insabido que fascina e nos deixa nus diante de todos os leitores.
Talvez ar, nessa hora, surja um voyeurismo que surpreenda o escritor, lá onde ele não se adivinhava, quando pode se desconhecer em suas palavras, estas que saem de seu pobre teatro do quotidiano e o espreitam, no chão mesmo da poesia, na sua letra, ao pé da letra.
Ela, a poesia, vem, sem suas vestimentas-textos, que, de tão decorados, se põem a despir-se. pois todo ator ou atriz tem sua hora de cansaço, quando sua fala já não fala, quando uma brusca opacidade faz que ele ou ela tropece as palavras e as gagueje, num hiato.
Depois da luta, a luta mais vã de Drummond, fica-se sabendo que ela - a luta - é de outra ordem e se escreve com outras armas. Mas só se sabe isso depois de liquefazer suas palavras-lutas, de passar por um estado de ruptura do velho chão da gramática, da língua pátria.
Língua pátria necessária, mas que precisa ser transformada em herança, para ser reescrita e relida, agora, noutros tempos, sem que se deixe de trabalhar o limo verde de seus vocábulos esquecidos no museu de tudo. Tudo o que me diz ou nos diz na floresta de símbolos onde nos perdermos, onde perdemos o rumo e o prumo. Mas também onde inventamos outros itinerários, com outras bússolas. no papel lívido, como disse a voz de um escritor cujo nome esqueci, mas que me fala agora. Ou mesmo, escrevendo nessa outra tela, a dos nossos fantasmas, bela ou temida janela. ou nessa outra, cujo brilho ofusca, a do computador, que faz voar, correr nas suas teclas as palavras-pássaros, sem pouso, sem pausa.
Palavras-pássaros do tempo-espaço que não se deixam apagar nas letras empoeiradas das prateleiras de Babel, de Borges, sempre reescritas. Sempre renovadas e reinventadas, que é para isso que serve a literatura.[...]

BRANDÃO, Ruth Silviano. A vida escrita. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2006. (Texto adaptado)
Observe o trecho a seguir.
"Talvez aí, nessa hora, surja um voyeurismo que surpreenda o escritor, lá onde ele não se adivinhava, quando pode se desconhecer em suas palavras, estas que saem de seu pobre teatro do quotidiano e o espreitam, no chão mesmo da poesia, na sua letra, ao pé da letra." (7º§)
O termo sublinhado possui uma variante ortográfica, que substitui o qu- inicial por um c-, podendo, portanto, ser também escrito como "cotidiano", sem implicar qualquer mudança do seu sentido original. Assinale a opção em que o termo apresentado também apresenta essa propriedade.
Leia com atenção a reportagem abaixo para responder à questão.

Adaptado
A terceira edição da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção ouviu estudantes dos ensinos fundamental e médio e mostrou que 64% deles "consideram importante" ter psicólogo na escola para atendê-los.
Os jovens querem profissionais de psicologia na escola "tanto no apoio para lidar com sentimentos, quanto para orientar sobre o que venham a fazer no futuro".
"Há uma preocupação entre os alunos de que as escolas apoiem no desenho do futuro deles", destaca Tatiana Klix, diretora da Porvir, uma plataforma que produz conteúdos de apoio a educadores, que também esteve à frente da pesquisa.
A atuação permanente de psicólogos nas escolas está prevista em projeto de lei (PL) aprovado pelo Congresso Nacional.
A pesquisa ouviu 258.680 estudantes, de 11 a 21 anos, de todo o Brasil. A maior participação na pesquisa foi de estudantes da Região Sudeste (63,5%). A maioria passou a maior parte da vida escolar em escolas públicas (93,4%), tinha de 15 a 17 anos (58%), é formada de meninas (52%) e se define de cor parda (42%).
Fonte: https://www.metrojornal.com.br/foco/2019/11/30/maioriaestudantes-psicologo-escolas.html
Assinale a alternativa em que todas as palavras estão acentuadas corretamente.
O TEXTO I - A RESOLUÇÃO DA QUESTÃO


Imprensa internacional repercute decisão do STF sobre regulação das redes.


Le Monde, por exemplo, lembrou que Alexandre de Moraes já censurou o X por 40 dias no ano passado


Jornais como o norte-americano Washigton Post e o francês Le Monde noticiaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criar uma regulação das redes sociais no Brasil.

Segundo o Post, a decisão do STF “incomodou a relação entre a nação sul-americana e o governo dos EUA”. “Os críticos expressaram preocupação de que a medida possa ameaçar a liberdade de expressão se as plataformas removerem preventivamente conteúdo que possa ser problemático”.

Le Monde diz que o Brasil, “onde um juiz da Suprema Corte tirou o X de Elon Musk do ar no ano passado por 40 dias por desinformação, foi mais longe do que qualquer outro país latino-americano na repressão a postagens questionáveis ou ilegais nas redes sociais”.

O jornal se referiu à decisão de Alexandre de Moraes, um dos principais defensores da regulação das redes no Brasil. “A decisão provavelmente aumentará as tensões entre o Supremo Tribunal Federal, de um lado, e as empresas de tecnologia que acusam o Brasil de censura”, acrescentou Le Monde.

O Financial Times afirma que a “decisão da Suprema Corte do Brasil sobre plataformas digitais corre o risco de alimentar tensões com o governo norte-americano do presidente Donald Trump, que ameaçou impor restrições de visto a estrangeiros que censurarem empresas e cidadãos norte-americanos”.

A decisão do STF sobre a regulação das redes sociais, da quinta-feira 26, responsabiliza as plataformas de mídia social por conteúdo de terceiros considerado ilegal, mesmo sem ordem judicial.

A função de legislar cabe ao Congresso Nacional, mas, com a alegação de que houve avanço de discursos de ódio, antidemocráticos e criminosos, os ministros, por maioria, criaram as novas regras.

Ao julgar o Marco Civil da Internet, a Corte entendeu que o artigo 19 é parcialmente inconstitucional, e, a partir de agora, as plataformas são obrigadas a retirar conteúdos de terceiro, mesmo sem decisão judicial. Basta uma notificação extrajudicial para isso.

O placar foi de 8 a 3 pela regulação das redes. Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cármen Lúcia votaram a favor de regular a internet; André Mendonça, Edson Fachin e Nunes Marques votaram contra, pela constitucionalidade do artigo 19.


https://revistaoeste.com/politica/imprensa-internacional-repercute-decisao-do-stf-sobre-redes-sociais/. Adaptado.
Leia a seguinte passagem: “Os críticos expressaram preocupação de que a medida possa ameaçar a liberdade de expressão se as plataformas removerem preventivamente conteúdo que possa ser problemático”. Em relação às regras de Acentuação gráfica vigentes, marque a alternativa cuja palavra sublinhada tenha sido acentuada conforme a mesma justificativa da que se encontra destacada no fragmento acima.
Assinale a alternativa correta quanto à acentuação das palavras estabelecida pela norma-padrão.
Firmo andava pelos oitenta anos, mas quem o visse a cavalo, no campo, não lhe daria tanta idade.

Era um caboclo atirado, musculoso e rijo; grandes olhos negros brilhavam-lhe no rosto queimado pelos verões e os cachos do seu cabelo rolavam-lhe pelos ombros largos.

Velho, embora “ninguém lhe chegava ao pé sem muito jeito”, como ele próprio dizia sorrindo com os seus dentes limados, agudos como pontas de frechas. Apesar de alquebrado e enfermo, andava com arrogância e notava-se-lhe na voz, áspera e forte, o hábito de comando.

Em tempos de festa, quando vinham para a mesma eira moças do lugar e de longe, Firmo saltava na roda, sapateando, rasgando na viola a tirana dos campeiros, e quem ousava pegar no verso do caboclo?! As tabaroas morenas sorriam com os olhos fascinados e unidas desfaziam-se das flores para que o cantador as fosse pisando no sapateado. Por isso Firmo andava sempre de ponta com os companheiros e, mais de uma vez, o descante acabou varrido à faca; mas quem ficasse do lado do caboclo podia estar descansado – nunca fugiu de arrelia, fosse com um, fosse com dez ou mais.


(Coelho Neto, Sertão. Adaptado)



Vocabulário:
tirana: canção
tabaroa: pessoa que vive no interior, na roça
descante: canto
arrelia: confusão, desavença

Considere as passagens do texto:

•  … “ninguém lhe chegava ao sem muito jeito”, como ele próprio dizia sorrindo...

•  … notava-se-lhe na voz, áspera e forte, o hábito de comando.

Assinale a alternativa em que os termos destacados seguem, correta e respectivamente, as mesmas regras de acentuação dos termos destacados nas passagens do texto.

Texto II

O QUE É MOBILIDADE URBANA?

Mobilidade urbana é definida como a capacidade de deslocamento de pessoas dentro do espaço urbano por motivos econômicos, sociais e pessoais. Nesse sentido, é possível entender que todos participam e dependem, de alguma forma, da mobilidade urbana para irem de um local a outro com qualidade e eficiência.

De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), existem diversos desafios da mobilidade urbana no Brasil. Dentre eles, destacam-se o rápido desenvolvimento urbano e investimentos em infraestrutura. Segundo o Ipea, o rápido crescimento populacional aparece como um dos principais desafios para a mobilidade. Hoje, aproximadamente 85% da população brasileira vive em centros urbanos e cerca de 36 cidades têm mais de 500 mil moradores. O estudo também aponta o alto custo de projetos de infraestrutura como mais um desses cenários desafiadores, uma vez que são necessárias vias e sistemas de transporte adequados para deslocar o cidadão.

Enquanto são criadas políticas públicas para melhorar a infraestrutura das cidades, existem algumas alternativas que pessoas e empresas podem desenvolver, desde já, para contribuir com a mobilidade urbana. Um exemplo é a carona solidária. Gestores podem estimular, dentro das empresas, a prática de carona entre membros da equipe que moram próximos uns dos outros.

Outro exemplo é o deslocamento sem motor. Para colaboradores que gostam de ir trabalhar utilizando meios de transporte não-motorizados – como bicicletas, por exemplo –, é interessante desenvolver espaços que facilitem o dia a dia de quem adota a prática. Estacionamento para bikes e vestiários são boas alternativas.

Ao somar os desafios da mobilidade urbana no Brasil com as boas práticas que podem melhorá-la, é possível entender que são muitos os benefícios trazidos por um ambiente de melhor mobilidade. Dentre eles destacam-se:

• Ganho de tempo – Se mais pessoas dividissem um mesmo veículo em caronas para ir e voltar do trabalho, haveria menos congestionamento nas ruas em horários de pico. O resultado é menos tempo em engarrafamentos e mais tempo produzindo ou descansando.

Networking – Outro ponto interessante despertado pelas boas práticas de mobilidade urbana é a possibilidade de criar uma rede de contatos profissionais durante as caronas solidárias.

• Menos poluição – Além de melhorar o trânsito, deixar menos veículos em circulação também reduz a emissão de poluentes e gases responsáveis pelo efeito estufa.

O futuro perfeito – e esperado – para a mobilidade urbana envolve a possibilidade de deslocamento fácil, eficiente e seguro para todos.

BLOG FROTAS LOCALIZA. O que é mobilidade urbana? Localiza, 11 nov. 2022. Disponível em: https://frotas.localiza.com/blog/mobilidade-urbana. Acesso em: 09 jan. 2023. (Adaptado).
O QUE É MOBILIDADE URBANA?


Mobilidade urbana é definida como a capacidade de deslocamento de pessoas dentro do espaço urbano por motivos econômicos, sociais e pessoais. Nesse sentido, é possível entender que todos participam e dependem, de alguma forma, da mobilidade urbana para irem de um local a outro com qualidade e eficiência.

De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), existem diversos desafios da mobilidade urbana no Brasil. Dentre eles, destacam-se o rápido desenvolvimento urbano e investimentos em infraestrutura. Segundo o Ipea, o rápido crescimento populacional aparece como um dos principais desafios para a mobilidade. Hoje, aproximadamente 85% da população brasileira vive em centros urbanos e cerca de 36 cidades têm mais de 500 mil moradores. O estudo também aponta o alto custo de projetos de infraestrutura como mais um desses cenários desafiadores, uma vez que são necessárias vias e sistemas de transporte adequados para deslocar o cidadão.

Enquanto são criadas políticas públicas para melhorar a infraestrutura das cidades, existem algumas alternativas que pessoas e empresas podem desenvolver, desde já, para contribuir com a mobilidade urbana. Um exemplo é a carona solidária. Gestores podem estimular, dentro das empresas, a prática de carona entre membros da equipe que moram próximos uns dos outros.

Outro exemplo é o deslocamento sem motor. Para colaboradores que gostam de ir trabalhar utilizando meios de transporte não-motorizados – como bicicletas, por exemplo –, é interessante desenvolver espaços que facilitem o dia a dia de quem adota a prática. Estacionamento parabikese vestiários são boas alternativas.

Ao somar os desafios da mobilidade urbana no Brasil com as boas práticas que podem melhorá-la, é possível entender que são muitos os benefícios trazidos por um ambiente de melhor mobilidade. Dentre eles destacam-se:

• Ganho de tempo – Se mais pessoas dividissem um mesmo veículo em caronas para ir e voltar do trabalho, haveria menos congestionamento nas ruas em horários de pico. O resultado é menos tempo em engarrafamentos e mais tempo produzindo ou descansando.

Networking– Outro ponto interessante despertado pelas boas práticas de mobilidade urbana é a possibilidade de criar uma rede de contatos profissionais durante as caronas solidárias.

• Menos poluição – Além de melhorar o trânsito, deixar menos veículos em circulação também reduz a emissão de poluentes e gases responsáveis pelo efeito estufa.


O futuro perfeito – e esperado – para a mobilidade urbana envolve a possibilidade de deslocamento fácil, eficiente e seguro para todos.


BLOG FROTAS LOCALIZA. O que é mobilidade urbana? Localiza, 11 nov. 2022. Disponível em:https://frotas.localiza.com/blog/mobilidade-urbana.Acesso em: 09 jan. 2023. (Adaptado).

“O futuro perfeito – e esperado – para a mobilidade urbana envolve a possibilidade de deslocamento fácil, eficiente e seguro para todos”.
São acentuados pela mesma regra gramatical que o termo destacado no fragmento os vocábulos

Complete os espaços em branco e, em seguida, assinale a alternativa com a sequência correta.

Durante a paralisação da última terça-feira, os integrantes das coligações ________________ reuniram-se usando calças e camisetas _____________.

Marque a única opção em que a palavra escreve- se sem a letra h.

Eles blogam. E você?

Após o surgimento da rede mundial de computadores, no início da década de 1990, testemunhamos uma revolução nas tecnologias de comunicação instantânea. Nós, que nascemos em um mundo anterior à Internet, aprendemos a viver no universo constituído por coisas palpáveis: casas, máquinas, roupas etc. O contato se estabelecia entre seres humanos reais por meios "físicos": cartas, telefonemas, encontros.

Em um mundo concreto, a escola não poderia ser diferente: livros, giz, carteiras, quadro-negro, mural. Esse espaço é ainda hoje definido por uma série de símbolos de um tempo passado e tem se mantido relativamente inalterado desde o século XIX. Os alunos atuais, porém, são nativos digitais. Em outras palavras: nasceram em um mundo no qual já existiam computadores, Internet, telefone celular, tocadores de MP3, videogames, programas de comunicação instantânea (MSN, Google Talk etc.) e muitas outras ferramentas da era digital. Seu mundo é definido por coisas imateriais: imagens, dados e sons que trafegam e são armazenados no espaço virtual.

Um dos aspectos mais sedutores do ciberespaço é o seu poder de articulação social. Foi no fim da década de 1990 que os usuários da Internet descobriram uma ferramenta facilitadora da interação escrita entre diferentes pessoas conectadas em uma rede virtual: osweblogs, que logo ficaram conhecidos como blogs. O termo é formado pelas palavras web (rede, em inglês) e log (registro, anotação diária). A velocidade de reprodução da blogosfera é assustadora: 120 mil novos blogs por dia, 1,4 blog por semana.

O blog se caracteriza por apresentar as observações pessoais de seu "dono" (o criador do blog) sobre temas que variam de acordo com os interesses do blogueiro e também de acordo com o tipo de blog. As possibilidades são infinitas: há blogs pessoais, políticos, culturais, esportivos, jornalísticos, de humor etc.

Os textos que o blogueiro insere no blog são chamados de posts. Em português, o termo já deu origem a um verbo, "postar", que significa "escrever uma entrada em um blog". Os posts são cronológicos, porém apresentados em ordem inversa: sempre do mais recente para o mais antigo. Os internautas que visitam um blog podem fazer comentários aos posts.

Justamente porque facilitam a comunicação e permitem a interação entre usuários de todas as partes, os blogs são interessantes ferramentas pedagógicas. Se a escola é o espaço preferencial para a construção do conhecimento, nada mais lógico do que levar os blogs para a sala de aula, porque eles têm como vocação a produção de conteúdo. Por que não criar um blog de uma turma, do qual participem todos os alunos, para comentar temas atuais, para debater questões polêmicas, para criar um contexto real em que o texto escrito surja como algo natural?

Na blogosfera, informação é poder. E os jovens sabem disso, porque conhecem o ciberespaço. O entusiasmo pela criação de um blog coletivo certamente será acompanhado pelo desejo de transformá-lo em ponto de parada obrigatória para os leitores que vagam no universo virtual. E esse desejo será um motivador muito importante. Para conquistar leitores, os autores de um blog precisam não só ter o que dizer, mas também saber como dizer o que querem, escolher imagens instigantes, criar títulos provocadores.

Uma vez criado o blog da turma, as possibilidades pedagógicas a ele associadas multiplicam-se. Para gerar conteúdo consistente é necessário pesquisar, considerar diferentes pontos de vista sobre temas polêmicos, avaliar a necessidade de ilustrar determinados conceitos com imagens, definir critérios para a moderação dos comentários, escolher os temas preferenciais a serem abordados etc. Todos esses procedimentos estão na base da construção de conhecimento.

Outro aspecto muito importante é que os jovens, em uma situação rara no espaço escolar, vão constatar que, nesse caso, quem domina o conhecimento são eles. Pela primeira vez não precisarão virar "analógicos" para se adaptar ao universo da sala de aula. Eu blogo. Eles blogam. E você?

Maria Luiza Abaurre, in Revista Carta na Escola. (adaptado)

Observe as frases abaixo.

I - Como continha informações imprecindíveis aos alunos, o blog teve repercusão imediata.

II - Um blog não deve ter conteúdo obsceno, que provoque ultraje ou constranja os usuários.

III- A criação de blogs das turmas começou como algo despretencioso, mas a destreza dos alunos motivou todo o colégio.

IV - Graças à cessão de material por parte dos professores, minha turma teve o privilégio de criar um blog voltado para os assuntos tratados em sala.

Assinale a opção em que TODAS as palavras estão grafadas corretamente.

'A periferia nunca deixou de produzir literatura', defende coordenadora das Fábricas de Cultura


Os hábitos de leitura nas periferias da maiormetrópoledaAméricado Sul são o foco da pesquisa realizada pela Organização Social Poiesis, que analisou o público das oito unidades das Fábricas de Cultura presentes em São Paulo e apontou que mulheres representam 70% do público leitor.

Para a coordenadora artístico-pedagógica das bibliotecas das Fábricas de Cultura, Ifé Rosa, a literatura sempre esteve presente na comunidade, que não deixou "nenhum preconceito impedir de acessar a literatura".

"Todo esse movimento de literatura mostra que ela, na verdade, foi durante muito tempo vista como algo elitista, como algo para outro tipo de público, mas, enquanto isso, aperiferianunca deixou de produzir literatura, de produzir oralidade ou 'oralituras', expressão usada por Leda Maria Martins. A periferia nunca deixou que nenhum preconceito a impedisse de acessar a literatura, algo tão importante para todo ser humano", disse Ifé em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

A pesquisa avaliou oshábitosde leitura dos frequentadores das bibliotecas das Fábricas de Cultura na Brasilândia, Capão Redondo, Diadema, Iguape, Jaçanã, Jardim SãoLuís, Osasco e Vila Nova Cachoeirinha. A coordenadora destaca que a literatura sempre esteve presente nas comunidades e que a diversidade de leitura apontada pela pesquisa ajuda a desconstruir preconceitos sobre "queme o que lê".

Os dados indicam que as mulheres foram 70% do total de leitores, porcentagem maior que a média nacional (61%). Para a coordenadora artístico-pedagógica das bibliotecas das Fábricas de Cultura, Ifé Rosa, o protagonismo feminino revela a participação singular das mulheres nas comunidades. "Sabemos o quanto as mulherestêmum papel fundamental nas periferias, nãonas questões do dia a dia, no trato com aprópriafamília, com a comunidade, mas também com a literatura. Ficamos muito felizes em saber que as mulheres estão acessando a literatura, uma literatura diversa que fala tanto diretamente com as realidades delas quantotambémcom a literatura clássica", contou.

Representatividade

Para a coordenadora, a diversidade de leitura da populaçãoperiférica— que incluimangás,clássicos, autores negros eindígenas— mostra que o acesso "às literaturas" precisa ser ampliado, sempre atento ao que o público deseja ler. Ela também ressalta aimportânciada representatividade e de uma curadoria coletiva.

"Recentemente, Ana Maria Gonçalves — primeira mulher negra a entrar na Academia Brasileira de Letras —, falou algo bem importante: que as pessoas racializadas,negras principalmente, muitas vezes não acessavam a literatura porque não se viam representadas, eram histórias que iam muitoalémda sua realidade. Quando uma criança, um jovem, um adolescente, uma pessoa trabalhadora consegue acessar uma história em que se sinta representada, essa literatura se aproxima", afirma Ifé.


(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2025/08/20/a-periferia-nunca-deixou-de -produzir-literatura-defende-coordenadora-das-fabricas-de-cultura/. Acesso em 25 ago. 2025. Adaptado.)
Há no texto dezessete palavras sublinhadas. Julgue as assertivas a seguir considerando essas palavras e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)Duas palavras acentuadas atendem à regra das palavras oxítonas terminadas em -em.

(__)Quatro palavras acentuadas atendem à regra das palavras paroxítonas terminadas em ditongo oral átono, seja ele crescente ou decrescente.

(__)Seis palavras acentuadas atendem à regra das palavras proparoxítonas.

(__)Uma palavra acentuada atende à regra das palavras oxítonas terminadas em -a/-as.

(__)Três palavras acentuadas atendem às regras das monossílabas tônicas.

(__)Uma palavra acentuada atende à regra dos hiatos.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
I. Texto de interpretação para resolução de questões de PORTUGUÊS

Para que ninguém a quisesse

Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mais do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. A noite tirou do bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido em uma gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.

(Marina ColasantL http:J/www.avozdapoesia.eom.br/obras_ler.php?obra_id=19263. Acesso em 09103/18.}
Assinale a alternativa em que as regras de acentuação, nos conjuntos de palavras, foram empregadas de acordo com a norma padrão:
De acordo com as regras de acentuação, assinale a alternativa em que as palavras receberam acento gráfico por serem classificadas, respectivamente, como: oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.
Marque a alternativa cujos vocábulos apresentam a seguinte ordem de classificação quanto à tonicidade: oxítona, paroxítona e proparoxítona.
Nunca imaginei um dia

Até alguns anos atrás, eu costumava dizer frases como "eu jamais vou fazer isso" ou "nem morta eu faço aquilo", limitando minhas possibilidades de descoberta e emoção. Não é fácil libertar-se do manual de instruções que nos autoimpomos. As vezes, leva-se uma vida inteira, e nem assim conseguimos viabilizar esse projeto. Por sorte, minha ficha caiu há tempo.
Começou quando iniciei um relacionamento com alguém completamente diferente de mim, diferente a um ponto radical mesmo: ele, por si só, foi meu primeiro "nunca imaginei um dia". Feitos para ficarem a dois planetas de distância um do outro. Mas o amor não respeita a lógica, e eu, que sempre me senti tão ?onfo~~vel num_ mundo planejado, inaugurei a instab1hdade emocional na minha vida. Prendi a respiração e dei um belo mergulho.
A partir dai, comecei a fazer coisas que nunca havia feito. Mergulhar, aliás, foi uma delas. Sempre respeitosa com o mar e chata para molhar os cabelos afundei em busca de tartarugas gigantes e peixe~ coloridos no mar de Fernando de Noronha. Traumatizada com cavalos (por causa de um equino que quase me levou ao ch_ão quando eu tinha oito anos), participei da minha primeira cavalgada depois dos 40, em São Francisco de Paula: Roqueira convicta e avessa a pagode, assisti a um show: do Zeca Pagodinho na Lapa. Para ver o Ronaldo Fenô'11eno jogar ao vivo, me infiltrei na torcida do Olímpico num ,Jogo entre Grêmio e Corinthians, mesmo sendo colorada.
Meu paladar deixou de ser monótono: comecei a provar alimentos que nunca havia provado antes. E muitas outras coisas vetadas por causa do "medo do ridículo" receberam alvará de soltura. O ridículo deixou de existir na minha vida.
Não deixei de ser eu. Apenas abri o leque me permitindo ser um "eu" mais amplo. E sinto que é um caminho sem volta.
Um mês atrás participei de outro capítulo da série "Nunca im_aginei um dia". Viajei numa excursão, eu que sempre reieIteI essa modalidade turística. Sigo preferindo viajar a dois ou sozinha, mas foi uma experiência fascinante, ainda mais que a viagem não tinha como destino um pais do circuito Elizabeth Arden (ParisLondr:s-Nova York), mas um pais africano, muçulmano e desértico. Ahás, o deserto de Atacama, no Chile, será meu provável "nunca imaginei um dia" do próximo ano.
E agora cometi a loucura jamais pensada, a insanidade que nunca me permiti, o ato que me faria merecer uma camisa-de-força: eu, que nunca me comovi com bichos de estimação, adotei um gato de rua.
Pode colocar a culpa no esplrito natalino: trouxe um bichano de três meses pra casa, surpreendendo minhas filhas, que já haviam se acostumado com a ideia de ter uma mãe sem coração. E o que mais me estarrece: estou apaixonada por ele.
Ainda há muitas experiências a conferir: fazer compras pela internet, andar num balão cozinhar dignamente, me tatuar, ler livros pelo kindle', viajar de navio e mais umas 400 coisas que nunca imaginei fazerum dia, mas que já não duvido. Pois tem essa também: deixei de ser tão cética.
Já que é improvável que o próximo ano seja diferente de qualquer outro, que a novidade sejamos nós.


Medeiros, Martha. Nunca imaginei um dia. 2009. Disponível em: http://alagoinhaipaumirim.blogspot.com/2009/12/nuncaimaginei-um-dia-martha-medeiros.html. Acesso em: 10 fev. 2021.
Assinale a opção que apresenta palavras que devem ser acentuadas seguindo, respectivamente, as mesmas regras das palavras em destaque nos trechos: "[ ... ] sempre me senti tãoconfortável [ ... ]" (2º§); "O ridículo deixou de existir na minha vida." (4º§); e "[ ... ] que a novidade sejamos nós". (10º§)
A"NÃO­ME­TOQUES" !

ArturAzevedo

I

Passavam­se os anos, eAntonieta ia ficandopara tia, ­ não que lhe faltassem candidatos,
mas ­ infeliz moça! ­ naquela capital de província não havia um homem, um só, que ela
considerassedignodeserseumarido.AoComendadorCostacomeçavamainquietarseriamenteas
exigências da filha, que repelira, já, comdesdenhososmuxoxos, uma boa dúzia de pretendentes
cobiçadospelasprincipaisdonzelasdacidade.Nenhumadestassecasoucomrapazquenãofosse
primeiramenteenjeitadopelaaltivaAntonieta.
­-Que diabo! dizia o comendador à suamulher,D.Guilhermina, ­ estou vendo que será
precisoencomendar­lheumpríncipe!
­- Ou então, acrescentava D. Guilhermina, esperar que algum estrangeiro ilustre, de
passagemnestacidade..
­-Estávocêbemaviada!Emquarentaanosqueaquiestou,sódoisestrangeiros ilustrescá
têmvindo:oAgassizeoHerman.
Entretanto, eram os pais os culpados daquele orgulho indomável. Suficientemente ricos
tinhamdadoà filhaumaeducaçãode fidalga,habituando­adesdepequenina aver imediatamente
satisfeitososseusmaiscustososeextravagantescaprichos.
Bonita,rica,elegante,vestindo­sepeloúltimofigurino,falandocorrentementeofrancêseo
inglês, tocandomuito bem o piano, cantando que nem uma prima­dona, tinhaAntonieta razões
sobejasparasejulgarumavisraranasociedadeemquevivia,enãoencontraremnenhumaclasse
homemquemerecesseahonrainsignedeacompanhá­laaoaltar.
UmagrandeviagemàEuropa,empreendidapelocomendadoremcompanhiadaesposaeda
filha, completara a obra. Ter estado em Paris constituía, naquela boa terra, um título de
superioridade.
Ao cabo de algum tempo, ninguém mais se atrevia a erguer os olhos para a filha do
ComendadorCosta,contraaqualseestabeleceupoucoapoucocertacorrentedeanimadversão.
Começaramtodosanotar­lhedefeitosparecidoscomosdasuvasdeLaFontaine,e,comoa
qualquerindivíduo,machooufêmea,queestivesseemtalouqualevidência,eradifícilescaparalia
umaalcunha,embreveAntonietasetornouconhecidapela"Não­me­toques".

II

Teria sido realmente amada?Não,mas apenas desejada, ­ tanto assim que todos os seus
namoradosseesqueceramdela...
Todos,menos omais discreto, omais humilde, o único talvez, que jamais se atrevera a
revelarosseussentimentos.
Chamava­se José Fernandes, e era o primeiro empregado da casa doComendadorCosta,
ondeentraraaosdezanosdeidade,nomesmo diaemquechegaradePortugal.
Por esse tempo veio aomundoAntonieta. Ele vira­a nascer, crescer, instruir­se, fazer­se
altivaebela.Quantasvezesatrouxeraaocolo,quantasvezesaacalentaranosbraçosouaembalara
noberço!E,algunsanosdepois,eraaindaelequemtodasasmanhãsa levavae todasastardesia
buscá­lanocolégio.
QuandoAntonietachegouaosquinzeanoseeleaosvinteecinco,"SeuJosé"(eraassimque
lhe chamavam) notouque a sua afeiçãopor aquelameninase transformava, tomandoum caráter
estranhoeindefinível;mascalou­se,ecomeçoudeentãopordianteaviverdoseusonhoedoseu
tormento. Mais tarde, todas as vezes que aparecia um novo pretendente à mão da moça, ele
assustava­se,tremia,tinhaacessosdeciúmes,quelhecausavamfebre,masopretendenteera,como
todososoutros,repelido,eeleexultavanasolidãoenosilênciodoseuplatonismo.
Materialmente,SeuJosésacrificara­sepeloseuamor.Eraele,comosecostumadizer(não
seicomquepropriedade)o"tombo"dacasacomercialdoComendadorCosta;entretanto,depoisde
tantosanosdededicaçãoeamizade,asuasituaçãoeraaindaadeumsimplesempregado;opatrão,
ingratoeegoísta,pagava­lheemconsideraçãoeelogiosoque lhedeviaem fortuna.Maisdeuma
vezapareceramaSeuJoséocasiõesdetrocaraqueleempregoporumasituaçãomaisvantajosa;ele,
porém,nãotinhaânimodedeixaracasaondeaoseuladoAntonietanasceraecrescera.

III

Umdia,tudomudouderepente.
Sem dar ouvidos a Seu José, que lhe aconselhava o contrário, o Comendador Costa
empenhouasuacasanumagrandeespeculação,cujosefeitosforamdesastrosos,e,paranãofechar
aporta,viu­seobrigadoafazerumaconcordatacomoscredores.Foiesteoprimeirogolpeatirado
pelodestinocontraaaltivezda"Não­me­toques".
Acasa iadenovose levantando,e jáestavaquase livredosseuscompromissosdehonra,
quando oComendadorCosta, adoecendo gravemente, faleceu,deixando a família numa situação
embaraçosa.
Um verdadeiro deus exmachina apareceu então na figura de Seu José que, reunindo as
suadas economias que ajuntara durante trinta anos, e associando­se aD.Guilhermina, fundou a
firmaViúvaCosta&Fernandes,esalvoudeumaruínaiminenteacasadoseufinadopatrão.

IV

Oestabelecimentoprosperavaaolhosvistoseeraapontadocomoumaprovaeloqüentede
quanto podem a inteligência, a boa fé e a força de vontade, quando o falecimento da viúvaD.
Guilherminaveiocolocara filhanumasituaçãodifícil...Sozinha,sempainemmãe,nemamigos,
aostrintaedoisanosdeidade,semprebelaearroganteemquepesasseatodososseusdissabores,
aonde iria a "Não­me­toques"?Antonieta foi a primeira a pensar queo seu casamento com José
Fernandeseraumatoqueascircunstânciasimpunham...[...]
Começou então uma nova existência para Antonieta, que, não obstante aproximar­se da
medonhacasadosquarenta,erasempreformosa,comoseuportederainhaeoseucoloopulento,
de uma brandura de cisne. As suas salas, profundamente iluminadas, abriam­se quase todas as
noitesparagrandesepequenasrecepções:eram festassobrefestas.Agora já lhenãochamavama
"Não­me­toques"; ela tornara­se acessível, amável, insinuante, com um sorriso sempre novo e
espontâneo para cada visita.Fizeram­lhe a corte, e ela, outrora impassível diante dos galanteios,
escutava­os agora com prazer. Um galã, mais atrevido que os outros, aproveitou o momento
psicológicoeconseguiuumaentrevista­Esseprimeiroamantefoiprontamentesubstituído.Seguiu­
seoutro,maisoutro,seguiram­semuitos...

VII

EquandoSeuJosé,desesperado,fezsaltarosmioloscomumabala,deixouestafraseescritanum
pedaçodepapel:
"Enquanto foi solteira, achavaminhamulher que nenhum homem era digno de ser seumarido;
depoisdecasada(porconveniência)achouquetodoseleseramdignosdeserseusamantes.Mato­
me”.

Cor reiodaManhã, 12deoutubrode1902.
http://www.dominiopublico.gov.br /download/texto/bi000050.pdf


Assinale a alternativa cuja seqüência apresenta uma palavra que não tem a sílaba tônica na mesma posição das demais do grupo:
Adolescentes e a busca pelo corpo perfeito


Autoestima e autocuidado são atributos significativos para uma vida de bem−estar. No entanto, o equilíbrio ésempre bem−vindo. Dependendo do nível de exigência com a autoimagem, a busca pelo corpo perfeito pode trazer prejuízos e sofrimento.

Nunca se falou tanto em saúde mental infantil e do adolescente como nos últimos tempos. Isso é positivo, pois abre portas para que as pessoas possam refletir sobre assuntos relevantes, tendo a oportunidade de mudar comportamentos e pensamentos inadequados.

A adolescência é um momento sensível. A fase marca a despedida da infância e a entrada para um mundo cheiode obrigações e cobranças.

É nesse estágio que as pessoas dão mais importância para o social, buscando aceitação dos pares e identificação com grupos específicos. É também a época em que despertam os interesses sexuais, aumentando a preocupação com a aparência e o julgamento.

O uso exagerado de filtros do Instagram é um bom exemplo nesse sentido, já que a motivação por trás é se mostrar interessante para alcançar a aceitação social. Nofundo, o jovem altera a própria imagem na tentativa de esconder o “eu real” a fim de se transformar em um “eu idealizado” para os outros.

A perfeição é impossível de ser atingida. Buscar algo inviável gera frustração, aumento da insatisfação, sofrimento e prejuízos afetivos, sociais e profissionais.


Fonte: Hospital Santa Mônica — Adaptado.
Considerando−se a grafia das palavras, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE.

____________ tudo mudou, com ________ da nossa amizade.
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