Nos últimos tempos, diversos segmentos da
sociedade têm protagonizado debates acerca da
redução da idade penal. Além disso, uma série
de situações revela a ausência de garantia de
direitos humanos em diversas instituições ou
entidades em que o profissional da Psicologia
atua, principalmente aquelas em que há privação
de liberdade, como nas unidades de internação
de jovens em conflito com a lei. É prática comum
nesse tipo de instituição os psicólogos receberem
solicitações para diagnosticar, prognosticar, emitir
pareceres, entre outras atribuições.
DOTTO, K. M.; ENDO, P. C.; SPOSITO, S. E.; ENDO, T. C. (org.)
Psicologia, violência e direitos humanos. Conselho Regional de
Psicologia da 6ª Região. São Paulo: CRP SP, 2011 (adaptado).
Com relação às informações do texto, assinale a
opção correta acerca de atribuições da prática dos
psicólogos que atuam no contexto das medidas
socioeducativas com privação de liberdade.
A rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) constitui-se em um espaço privilegiado para
identificação, acolhimento, atendimento, notificação, cuidados e proteção de crianças e adolescentes
em situação de violência, bem como para a orientação às famílias. É importante compreender as
especificidades dos grupos mais vulneráveis, buscando-se alertar os profissionais para riscos e
possibilidades de prevenção, cuidados e proteção.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Linha de cuidado para a atenção integral à
saúde de crianças, adolescentes e suas famílias em situação de violências. Brasília: Ministério da Saúde, 2010 (adaptado).
Considerando a linha de cuidado das ações de proteção frente a situações de violência propostas pelo
Ministério da Saúde, avalie as afirmações a seguir.
I. A capacitação dos profissionais de saúde é fundamental para que se consiga identificar as diferentes
formas de expressão da violência, segundo a faixa etária e o sexo da criança e do adolescente.
II. A multideterminação do fenômeno da violência requer a conscientização dos profissionais de
saúde sobre a importância da integralidade do cuidado.
III. O atendimento inicial de crianças e adolescentes deve ser realizado por profissional especializado
e, se constatada situação de violência, devem ser formadas equipes multiprofissionais no próprio
serviço ou articuladas com a rede de cuidado e de proteção social.
IV. A promoção de ações educativas junto às escolas e aos espaços comunitários para identificação,
reconhecimento e busca de atendimento nas redes de proteção pode auxiliar a interrupção do
ciclo de violência vivenciado por crianças e adolescentes.
A automutilação refere-se a comportamentos cuja intenção é causar a si mesmo algum dano físico ou
psicológico e que são praticados de forma intencional e consciente. O tema da automutilação ainda é
considerado tabu em nossa sociedade, o que torna sua abordagem adequada uma importante estratégia
de prevenção. Por concentrarem crianças, adolescentes e adultos jovens, os ambientes educacionais,
como escolas e faculdades, devem ser alvos de esforços de prevenção à prática de automutilação.
Disponível em: http://biblioteca.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2021/09/prevencao-automutilacao-suicidio.pdf.
Acesso em: 03 jul. 2022 (adaptado).
A partir do texto e considerando as possibilidades de intervenções psicoeducativas com o propósito de
prevenir a automutilação, avalie as afirmações a seguir.
I. A escola deve viabilizar programas de capacitação para a sua equipe com o propósito de desenvolver
conhecimentos, atitudes e habilidades que propiciem a identificação dos alunos que exibem sinais
e sintomas como depressão e ansiedade.
II. A equipe escolar deve ser orientada sobre a melhor maneira de abordar os alunos para discutir
suas preocupações, motivando-os a procurar ajuda.
III. A prevenção a comportamentos de automutilação pode ser realizada por meio de programas
multidisciplinares contínuos, que devem ser implementados como parte das estratégias preventivas
a comportamentos de risco nas instituições escolares.
IV. A intervenção psicoterapêutica com grupos de adolescentes na escola deve ocorrer com enfoque
nas mudanças comportamentais, emocionais e cognitivas relacionadas às características pessoais.
As concepções socialmente construídas de que mulheres são inferiores a homens e a de que indivíduos
não heterossexuais são inferiores aos heterossexuais frequentemente estão associadas à violação
dos direitos humanos. A violência contra a mulher e a homofobia estão entre as consequências mais
diretas dessas violações. A discriminação não se limita às questões de gênero, mas também a outros
marcadores sociais, como classe e raça.
MURTA, S. G. et al. Sexismo e heterossexismo: do impacto sobre a saúde às possibilidades de prevenção. In: VIANA, T. C. et al. (org.).
Psicologia clínica e cultura contemporânea. Brasília: Liber Livros, 2012, p. 448-469 (adaptado).
Considerando o texto apresentado e o fortalecimento de uma cultura inclusiva de diversidade de gênero
e sexual, avalie as afirmações a seguir.
I. Os livros didáticos e os projetos desenvolvidos nas escolas, em que o tema da sexualidade é
considerado ação preventiva, garantem, ao tratarem da perspectiva biológica, a abordagem dos
direitos sexuais e reprodutivos, dispensando a exploração de outros contextos.
II. Os programas relacionados à equidade de gênero e diversidade sexual objetivam transformar,
por meio de intervenção educativa, o sistema de crenças e de comportamentos dos seus
participantes, que podem tornar-se multiplicadores e influenciar mudanças culturais.
III. A discussão sobre a diversidade sexual na escola, embora seja importante, pode impactar o
desenvolvimento de um curso natural da sexualidade.
IV. Os programas educacionais e as estratégias de desenvolvimento pessoal com estudantes são
essenciais para promover a equidade de gênero e o respeito à diversidade sexual.
Uma psicóloga trabalha em um hospital-escola
atendendo crianças e seus familiares. Nesse serviço
de saúde, existe uma equipe multiprofissional
formada por assistentes sociais, enfermeiros,
médicos, nutricionistas e psicólogos, os quais
atuam de modo integrado com vistas a atender
as necessidades das crianças em tratamento e
apoiar seus familiares. A equipe multiprofissional
se reúne periodicamente e todos têm participação
efetiva nas discussões e nas decisões, de modo que
a equipe tem sido considerada referência em sua
área de atuação.
Considerando o caso apresentado, avalie as
afirmações a seguir.
I. A psicóloga, ao ter acesso a informações
pessoais da mãe da criança que não são
relevantes para a condução do tratamento,
poderá repassá-las para a equipe
multiprofissional.
II. Ao realizar uma entrevista psicológica, a
psicóloga deverá informar os resultados das
investigações aos familiares ou responsáveis
legais, pois esse é um direito assegurado
às pessoas submetidas a esse tipo
de procedimento.
III. As pesquisas desenvolvidas no serviço
de saúde pela psicóloga não precisam
ser submetidas a um comitê de ética de
pesquisa com seres humanos, pois se trata
de um serviço ligado a uma universidade.
IV. Ao atuar em um hospital-escola, a psicóloga
não deverá transpor o modelo da clínica
individual; ao contrário, deverá considerar
não somente os aspectos individuais, como
também os grupais e institucionais em
seu trabalho.
A causa dostranstornos de ansiedade infantojuvenil é,
muitas vezes, desconhecida e inclui fatores diversos.
Até a década de 1980, havia a crença de que os medos
durante a infância eram passageiros e benignos.
Atualmente se reconhece que os medos podem
constituir transtornos bastante frequentes, causando
sofrimento e disfunção à criança ou ao adolescente.
A identificação precoce dos transtornos de ansiedade
pode evitar repercussões negativas na vida da criança
e dos adolescentes, tais como a evasão escolar, a
utilização demasiada de serviços de saúde por queixas
somáticas associadas à ansiedade e, possivelmente,
a ocorrência de problemas psiquiátricos na vida adulta.
CASTILLO, A. R. G. L. et al. Transtornos de ansiedade. Revista Brasileira
de Psiquiatria. n. 22, p. 20-23, 2000 (adaptado).
Considerando as informações apresentadas no
texto e o contexto dos transtornos de ansiedade em
crianças e adolescentes, avalie as afirmações a seguir.
I. Os sintomas de ansiedade na adolescência
são difíceis de se identificar, uma
vez que podem ser confundidos com
comportamentos comumente reconhecidos
como típicos dessa fase da vida.
II. O desenvolvimento emocional, as relações
familiares e o ambiente incidem sobre as
causas e a maneira como se manifestam
os medos considerados patológicos, em
crianças e adolescentes.
III. O transtorno de ansiedade em crianças e
adolescentes tende a ser transitório, sendo
superado no curso do desenvolvimento,
uma vez que medos e preocupações são
comuns nessa etapa da vida.
IV. A avaliação e o planejamento da intervenção
psicológica são fundamentais para obter
uma história detalhada sobre início dos
sintomas, possíveis fatores desencadeantes,
tipo de apego, estilo parental e significado da
experiência para a criança ou o adolescente.
Recentemente, foi inaugurado, numa comunidade,
um Centro Especializado de Referência
de Assistência Social (CREAS) vinculado à
Coordenadoria da Mulher e ao Conselho Municipal
dos Direitos da Mulher. Os profissionais do serviço
estão preocupados com a promoção desses
direitos e com a garantia da equidade de gênero.
Desse modo, procura-se desenvolver uma série
de ações de caráter preventivo e educativo com
as mulheres que pertencem à comunidade,
com o objetivo de diminuir a vulnerabilidade da
população feminina.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Prêmio Profissional:
Democracia e Cidadania Plena das Mulheres.
Brasília: CFP, 2012 (adaptado).
Considerando o texto apresentado e as ações
pertinentes às (aos) psicólogas(os) nos CREAS, com
vistas a atingir os objetivos mencionados no texto,
avalie as afirmações a seguir.
I. A realização de ações focadas no diagnóstico
psicológico de mulheres em situação de
vulnerabilidade deve ser prioridade para
a(o) psicóloga(o) que atua no CREAS.
II. A(O) psicóloga(o) deve propor ações
direcionadas à promoção de autonomia,
visando-se ao bem-estar de toda a família
envolvida em processo psicoterapêutico.
III. A criação de espaços de reflexão para
valorização, autonomia, fortalecimento e
instrumentalização das mulheres deve ser
incentivada, com vistas a ajudá-las a se
reconhecerem como sujeitos de direitos.
IV. A promoção de ações na modalidade de grupo
deve ser direcionada a todas as mulheres
da comunidade, enquanto a psicoterapia
individual deve ser restrita a mulheres em
situação de violência de gênero.
Considere que um paciente de 45 anos com
sequelas neurológicas decorrentes de Covid-19,
incluindo perda de memória recente e
comprometimento do quadro de atenção, procurou
uma clínica de Psicologia por encaminhamento
de seu neurologista. Com a descrição do pedido
de avaliação psicológica, foi atendido por uma
psicóloga. No processo dessa avaliação, o uso dos
instrumentos psicológicos foi decidido de acordo
com orientações dos respectivos manuais de testes
e da legislação vigente.
Considerando as orientações do Conselho Federal
de Psicologia (CFP) referentes à elaboração de
documentos psicológicos (Resolução n. 006/2019)
e à condução de procedimentos de avaliação
psicológica (Resolução n. 009/2018), avalie as
afirmações a seguir.
I. A psicóloga deve elaborar um atestado
psicológico, na conclusão do processo,
contendo detalhes sobre os testes
utilizados, resultados obtidos e diretrizes
para a intervenção integrada com o serviço
de neurologia.
II. O laudo psicológico e os protocolos de
resposta e correção dos testes devem ser
cuidadosamente guardados por, no mínimo,
cinco anos.
III. A psicóloga pode emitir uma declaração de
comparecimento do cliente aos encontros
de avaliação, para fins de justificativa de
ausência ao trabalho nos dias de realização
da avaliação psicológica.
IV. A psicóloga, na escolha dos instrumentos
psicológicos para a investigação das
demandas apresentadas, deve optar por
aqueles que avaliam aspectos relacionados
à personalidade, inteligência e atenção.
O trabalho em uma instituição de saúde, seja ela um hospital, ambulatório ou posto de saúde, necessita
ser realizado a partir de uma perspectiva interdisciplinar, de modo que o atendimento oferecido
busque a integralidade do sujeito atendido. Trabalhar a interdisciplinaridade não significa negar as
especialidades e a objetividade de cada ciência, mas, sim, desvelar a necessidade de romper com a
tendência fragmentadora e desarticulada do processo de conhecimento, além de ressaltar a importância
da interação e transformação recíprocas entre as diferentes áreas do saber. Em síntese, o trabalho em
equipe é hoje uma prática crescente no atendimento à saúde.
XAVIER, L. P.; REIS, P. P. F.; FRASSÃO, M. C. G. O trabalho do psicólogo junto à equipe de saúde.
Revista Ciências em Saúde. v. 6, n. 1, 2016 (adaptado).
Acerca do tema abordado no texto, avalie as afirmações a seguir.
I. A atuação das(os) psicólogas(os) junto a outros profissionais da saúde deve contribuir para a
articulação da equipe e, ao mesmo tempo, proporcionar-lhes o suporte necessário para o bom
desenvolvimento das relações interpessoais.
II. As(Os) psicólogas(os), ao atuarem em uma instituição de saúde, devem colocar em prática um
modelo de saúde-doença em que a história individual dos usuários seja levada em consideração
tanto no processo diagnóstico quanto no tratamento e prognóstico.
III. As(Os) psicólogas(os) devem atuar ativamente com os demais profissionais da saúde, incluindo
médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Para aumentar a sua clientela, uma psicóloga que
realiza atendimentos individuais de crianças com
dificuldades de aprendizagem criou uma conta
em uma rede social e passou a realizar postagens
diárias. Os temas incluíam desenvolvimento infantil,
sinais precoces de dificuldades de aprendizagem,
indicações de leituras e filmes relacionados aos
temas, além de outros materiais que pudessem
interessar ao seu público em potencial. As postagens
da psicóloga foram elaboradas a partir de aulas de
Marketing digital que ela realizou.
Considerando o uso adequado da rede social pela
profissional, assinale a opção que apresenta uma
postagem que respeita os fundamentos teóricos e
técnicos e o código de ética profissional.
TEXTO 1 Em maio de 2022, Genivaldo de Jesus Santos foi asfixiado e morto por gás lacrimogênio, segundo laudo
do Instituto Médico Legal, dentro de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal no Estado de Sergipe,
após ser abordado por andar de motocicleta sem capacete. Durante a abordagem policial, um sobrinho
da vítima informou que o mesmo sofria de esquizofrenia, encontrava-se em tratamento há cerca de
20 anos e fazia uso de medicação, a qual, inclusive, estava em sua posse. Ainda que os policiais tenham
sido informados, a abordagem prosseguiu com o uso de força e violência, desproporcional ao risco
oferecido por Genivaldo.
Disponível em: https://g1.globo.com/se/sergipe/notícia/2022/05/31/esquizofrenia-de-genivaldo-santos-morto-durante-operacao-daprf-ja-havia-sido-comprovada-em-processo-judicial.ghtml. Acesso em: 10 ago. de 2022 (adaptado).
TEXTO 2 No início do século XX, surgem as primeiras iniciativas eugênicas no país, cujos problemas coletivos eram
compreendidos a partir da proliferação indesejada de pessoas que se reproduziram, durante consecutivas
gerações, propagando características comportamentais e mentais viciosas, criminosas e degeneradas.
Sob o discurso altruísta de garantia de tratamento, o louco-criminoso passou a ser contido e isolado
em manicômios judiciários, instituições vinculadas ao sistema penitenciário e administradas, à época,
por importantes médicos psiquiatras.
BAGATIN, T. A eugenia e o tratamento do louco-criminoso no início do século XX. VIII CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA.
p. 1.545-1.553, 2017 (adaptado).
A partir das temáticas abordadas nos textos, avalie as afirmações a seguir.
I. Historicamente, o isolamento, a violência e a morte de pessoas em sofrimento psíquico têm sido
justificados como procedimentos de segurança necessários para garantir o bem coletivo e a defesa
da sociedade.
II. Para o pensamento eugênico, o controle do comportamento de indivíduos considerados
degenerados deve ser realizado por meio de um tratamento psicossocial a esses indivíduos
marginalizados pela sociedade.
III. Mesmo após a Reforma Psiquiátrica, a associação entre loucura e periculosidade tem sido utilizada
como um argumento estratégico para a manutenção dos manicômios judiciários.
IV. O caso de Genivaldo reúne elementos que evocam as marcas do pensamento eugênico, como a
criminalização de pessoas pobres e negras.
V. Ainda que a morte de Genivaldo pudesse ter sido evitada, por vezes, o uso desproporcional da
força justifica-se em decorrência dos comportamentos agressivos e imprevisíveis da esquizofrenia.
Quando Ametista levava situações de racismo sofrido por ela para a terapia, sua terapeuta branca
tentava convencê-la de que “somos todos um, que somos todos iguais...". Ao ser entrevistada,
Ametista verbalizou: “todas as experiências (com psicoterapeutas) que eu tive sempre confirmaram
as críticas de que a Psicologia não daria conta das especificidades das vivências raciais” e completou:
"Parece que as pessoas não ouviam o que eu estava falando e afirmavam uma universalidade
da experiência”.
DAMASCENO, M. G.; ZANELLO, V. Psicoterapia, raça e racismo no contexto brasileiro: experiências e percepções de mulheres negras.
Psicologia em Estudo, v. 24, p. 1-15, 2019 (adaptado).
A partir do texto e considerando as vivências da população negra em razão do racismo, assinale a
opção correta.
A(O) Psicóloga(o), a partir de seus conhecimentos, pode atuar e colaborar para a inclusão de estudantes
autistas. Assim, no contexto escolar, poderão preparar recursos que tornem mais práticos o ensino e
a aprendizagem desses estudantes. O objetivo é contemplar as dificuldades comumente presentes em
crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), de acordo com o seu grau e suas peculiaridades,
dando assistência a professores e responsáveis. Deverão também, ao formular as atividades escolares,
ter o cuidado e a atenção de pensar nos alunos com TEA, priorizando, em especial, questões direcionadas
ao desenvolvimento da linguagem e do comportamento social, favorecendo a produção de respostas
promissoras no ambiente escolar. Em função do preconceito, que é estrutural, faz-se necessário, ademais,
que profissionais da área da Psicologia ajudem na luta anticapacitista.
ALMEIDA, D. C. A importância do psicólogo na inclusão escolar do autista. Revista Eletrônica Acervo Saúde.
v. 15, n. 4, p. 1-7, 2022 (adaptado).
Em relação ao capacitismo contra pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), avalie as afirmações
a seguir.
I. O capacitismo configura-se como uma atitude discriminatória ou que denota preconceito contra
pessoas com deficiência (PCDs) e uma de suas características é o uso de expressões e termos que
visam inferiorizar PCDs.
II. O conceito de pessoa com deficiência apresentado pela Organização das Nações Unidas
(ONU) reforça a necessidade de psicólogas(os), no campo do trabalho institucional,
avaliarem e diagnosticarem a pessoa com autismo, de modo a traçar um plano individualizado a
ser desenvolvido pela escola.
III. A Psicologia pode contribuir com a luta anticapacitista frente ao autismo, promovendo a aderência
à educação inclusiva, que passa pelo entendimento das barreiras que prejudicam a aprendizagem
na observância da relação com as representações sociais sobre o transtorno.
IV. O TEA deve ser abordado a partir de uma perspectiva biomédica, reforçando a associação
da deficiência à doença e ao anormal, cabendo a(ao) psicóloga(o) intervir em busca de uma
performance que se aproxime de um sujeito universal.
A violência doméstica contra as mulheres configura-se como um problema social de alta incidência
no Brasil. Trata-se, portanto, de um tema complexo e sensível tanto para o campo de pesquisa
quanto para o da intervenção. A violência configura-se como uma vivência de negação do humano,
evocando sentimentos de vergonha, humilhação, medos, que caracterizam a tensão e as dificuldades
de falar sobre a situação vivida. Trata-se de uma experiência de violação de direitos e de conflitos
interpessoais que envolve rompimentos nas relações de intimidade e confiança, permeados de
julgamentos morais e modelos de masculinidade e feminilidade que desqualificam as mulheres
e incidem nas suas subjetividades. A complexidade do problema tem relação com suas múltiplas
dimensões, caracterizando-se como objeto transdisciplinar.
HANADA, H.; D’OLIVEIRA, A. F. P. L.; SCHRAIBER, L. B. Os psicólogos na rede de assistência a mulheres em situação de violência.
Estudos Feministas. Florianópolis, v. 18, n. 1, janeiro-abril/2010, p. 33-59 (adaptado).
Considerando a atuação dos diferentes profissionais nos casos de violência contra a mulher, avalie as
afirmações a seguir.
I. As ações de saúde devem estar voltadas para o tratamento e a prevenção dos agravos físicos,
emocionais e de saúde sexual e reprodutiva.
II. A orientação e a assistência jurídica devem ser fornecidas nas situações que implicam separação,
disputa de guarda dos filhos, direitos sobre bens e configuração de crime.
III. A assistência social é o serviço responsável por fornecer orientações sobre benefícios que auxiliem
no enfrentamento à vulnerabilidade e na ruptura do ciclo de violência.
IV. A orientação psicossocial é importante para a elaboração da situação familiar violenta e para a
construção de novos projetos de vida e novas perspectivas de relação afetiva.
As ações sociais voltadas para a promoção de saúde são sintetizadas na Carta de Ottawa, de 1986,
que define quatro diretrizes para atuação: integração da saúde como práticas de políticas públicas
saudáveis, atuação da população na gestão do sistema de saúde, reorientação dos sistemas de saúde e
ênfase na mudança dos estilos de vida. É nesse último eixo que a Psicologia estará situada, como campo
de saber que propõe quais poderiam ser esses estilos para uma vida saudável.
MEDEIROS, P.; BERNARDES, A.; GUARESCHI, N. O conceito de saúde e suas implicações nas práticas psicológicas.
Psicologia: Teoria e Pesquisa. Brasília, v. 21, n. 3, p. 263-69, set-dez. 2005 (adaptado).
Considerando a importância de uma perspectiva crítica da Psicologia nas políticas de promoção da saúde,
avalie as afirmações a seguir.
I. A Psicologia oferece subsídios para o entendimento e nivelamento dos sujeitos em relação a
critérios de normalidade e anormalidade, o que fundamenta o conceito de saúde como ausência
de doença.
II. A Psicologia contribui com a promoção da saúde ao atuar de forma crítica em oposição às práticas
individualizantes, privatistas e assistencialistas.
III. A implantação do Sistema Único de Saúde no Brasil foi um marco nas discussões epistemológicas
sobre a saúde e acarretou uma série de consequências metodológicas voltadas para as políticas
públicas de saúde que têm como foco a população.
IV. As diretrizes de integralidade e interdisciplinaridade propostas pelo SUS criam a necessidade de
articulação entre campos de saber distintos na saúde pública, que incluem a Psicologia, para o
entendimento de fatores relacionados ao indivíduo, em detrimento do coletivo.
Em 2020, com a pandemia de Covid-19, o mundo entrou em contato com novas apresentações da morte,
suscitando na sociedade reformulações em seus rituais mortuários, trazendo também o pesar do luto e
o persistente temor da finitude. Isso impactou também a forma como as crianças passaram a lidar com
esse fenômeno, bem como a forma como os adultos passaram a abordar a temática com elas. A infância
se caracteriza por ser um período em que a criança está em pleno desenvolvimento físico e cognitivo e
uma perda faz com que seja necessário repensar esse fenômeno, bem como enfrentá-lo junto à criança.
NASCIMENTO, A. M. et al. Psicologia da morte e fenomenologia: notas para a pesquisa empírica em tempos de COVID-19.
Revista AMAzônica, v. 14, n. 1, p. 168-204, 2022 (adaptado).
Considerando o texto e a relação estabelecida entre luto e processo de aprendizagem, avalie as afirmações
a seguir.
I. Para Piaget, a aprendizagem ocorria por meio da consolidação das estruturas de pensamento,
não sendo impactada pelos processos psicossociais do contexto em que a criança está inserida,
tais como as experiências de luto vivenciadas durante seu desenvolvimento.
II. Para Bowlby, o luto é uma condição que interfere no funcionamento emocional de uma pessoa e,
caso não seja elaborado, pode influenciar no processo de aprendizagem de crianças e adolescentes.
III. Para Wallon, a aprendizagem oscila entre o afeto e a inteligência, e as experiências relativas ao luto
podem afetar diretamente o desenvolvimento do processo de aprendizagem.
IV. Para Vygotsky, os conceitos complexos que correspondem ao significado das palavras são
desenvolvidos espontaneamente pela criança; portanto, a vivência do luto independe do contexto
social e cultural e não afeta diretamente o processo de aprendizagem.
A aprovação da Lei da Reforma Psiquiátrica, Lei n. 10.216/2001, promoveu um redirecionamento do
modelo assistencial em saúde mental no país, com o fechamento gradual de leitos em hospitais
psiquiátricos. Entretanto, decorridos 21 anos desde então, esse modelo vem sofrendo com a escassez
de investimentos, mesmo ante um contexto em que se avolumam problemas econômicos e sociais,
que tendem a agravar o quadro de saúde mental das pessoas. Levantamento da ONG Conectas e do
Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) aponta que entre 2017 e 2020 houve significativo
investimento público em comunidades terapêuticas, todavia, desde 2011, o valor necessário à abertura
de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) permanece inalterado.
Disponível em: https://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/35-anos-da-luta-antimanicomial-e-o-avanco-dacontrarreforma-psiquiatrica. Acesso em: 26 jun. 2022 (adaptado).
A partir da temática abordada no texto, avalie as afirmações a seguir.
I. Os CAPS, tal como propostos, garantem legalmente às pessoas com sofrimento psíquico o direito
de serem tratados com humanidade e respeito, bem como de serem protegidos contra qualquer
forma de abuso e exploração.
II. A problemática da inclusão das comunidades terapêuticas na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
é que muitas delas trabalham orientadas por princípios morais e religiosos, focados na abstinência,
em detrimento das práticas de cuidado baseadas em evidências técnicas e científicas, tais como a
redução de danos.
III. O maior investimento nas comunidades terapêuticas sem o necessário investimento nos CAPS
tende a acarretar descompasso nas obrigatórias ações integradas, o que torna precária a atenção
integral à saúde mental, retrocedendo à lógica manicomial e descumprindo preceitos legais.
A Psicologia, historicamente, tem sido construída como ciência e profissão de acordo com um modelo
da sociedade ocidental. Suas práticas, por diferentes conjunturas, chegaram às comunidades indígenas
de diversos povos do Brasil. A Psicologia chegou como uma ciência branca, colonizadora, etnocêntrica
e racista, trazendo um discurso de explicar para os indígenas o que é saúde mental e pensando
políticas públicas, por vezes, sem considerar os códigos culturais indígenas.
Disponível em: https://www.visibilidadeindigena.com/. Acesso em: 10 jul. 2022 (adaptado).
Considerando o papel de psicólogos e a sua atuação junto aos povos indígenas e tradicionais, avalie as
afirmações a seguir.
I. Cabe ao profissional da Psicologia contribuir na luta por direitos, como a demarcação de terras e
a sustentabilidade das aldeias, e no desenvolvimento de ações que busquem a articulação com
diversas instâncias da sociedade civil, por meio de políticas públicas para essas populações.
II. O uso de álcool e outras drogas, a discriminação, os conflitos com invasores e os choques
culturais são variáveis que ajudam a explicar taxas mais elevadas de mortes por causas violentas
e não violentas, sendo que a atuação da(o) psicóloga(o) deve incluir o desenvolvimento de ações
diferenciadas em saúde e educação, respeitando a diversidade cultural e histórica e fomentando o
protagonismo dos povos indígenas.
III. Embora as taxas de suicídio sejam semelhantes entre indígenas e não indígenas, profissionais da
Psicologia devem abordar a temática de modo diferenciado, considerando o papel da violência
institucional e da violação dos direitos humanos, cabendo à(ao) psicóloga(o) abordar a problemática
a partir de uma perspectiva individual com aqueles que se encontram em situação de risco.
IV. A Covid-19 é uma das ameaças mais recentes aos povos indígenas, impactando tanto a sua saúde
física como a mental; desse modo, a intervenção da(o) psicóloga(o) deve ser voltada para a
composição de equipes de saúde, com foco em saúde mental e suporte social, e para a realização
de ações em conjunto com lideranças e educadores indígenas, objetivando melhoria na saúde e
qualidade de vida.
É inegável o fato de a Internet ser uma invenção tecnológica que transformou os pensamentos e
comportamentos humanos. Essa ferramenta tem criado um ambiente multifacetado, provendo para
seus usuários as diversas possibilidades que oferece um sistema com características de alta velocidade
e hiperconexão em uma rede de informação global. Portanto, um processo de mudanças e adaptações a
essa realidade na cognição humana vem delimitando a aprendizagem dos sujeitos. Estudos das diversas
mudanças biológicas produzidas pelo uso comum dessas tecnologias têm sido crescentes, evidenciando
impactos, tanto positivos como negativos, no nível das funções cognitivas.
PEREIRA, F. C. et al. Funções cognitivas e os impactos das tecnologias digitais na memória. Temas em Saúde.
v. 18, n. 4, p. 197-217, João Pessoa, 2018 (adaptado).
Considerando as informações apresentadas no texto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta
entre elas.
I. Indivíduos da chamada “Geração Google”, ou seja, nascidos após 1993, estão apresentando
uma memória de trabalho mais restrita e menos confiável que as gerações anteriores, ou seja,
tendem a não se lembrar do conteúdo da informação.
PORQUE
II. A função cognitiva da memória vem sofrendo prejuízos, uma vez que se confia na tecnologia como
uma fonte de memória externa que não requer esforços para apreender o conteúdo da informação,
que pode ser facilmente recuperável a qualquer momento.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
Ser homem ou mulher é uma construção que ocorre em níveis muito além do biológico, significando
que não é algo instalado em um genital. A identidade de gênero pautada em uma concepção binária
é um reducionismo humano e deve ser reconhecida como uma construção cultural que insiste em
determinismo biológico, assumindo posturas que padronizam um alinhamento entre sexo, gênero
e desejo. Diante dessas posturas normativas é que podemos compreender a legitimidade de uma
classificação psicopatológica referente à pluralidade das identidades de gênero como também
estigmatizações, ações discriminatórias e excludentes que fortalecem a marginalização.
BENEDET, A. M. et al. Psicologia e transtorno de identidade de gênero. II Simpósio de Integração Científica e Tecnológica do Sul
Catarinense – SICT-Sul, 2013 (adaptado).
A respeito das questões de gênero e transexualidade, avalie as afirmações a seguir.
I. A discussão acerca da transexualidade implica um olhar histórico e cultural do nosso contexto
sobre conceito ou categorização de corpo, sexo e sexualidade.
II. A transexualidade, por ser considerada uma psicopatologia, requer a atuação das equipes
multiprofissionais de saúde para minimizar o sofrimento psíquico. III. O processo terapêutico no cuidado à pessoa transexual deve ser orientado pelas vivências do sujeito,
suas dificuldades, desejos, autonomia e as implicações decorrentes de processos discriminatórios
e excludentes.
IV. A compreensão da transexualidade como patologia se constitui historicamente ao longo dos
séculos XVIII e XIX, quando o corpo, em suas dimensões individual e social, torna-se objeto de
medicalização pelo poder biomédico.