“É evidente o quando a arte sempre esteve presente e ainda está na vida do ser humano, como uma
característica da sua existencialidade cultural, porém os fatos, muitas vezes, mostram detalhes que
evidenciam a não linearidade da evolução histórica, das manifestações artísticas”, afirma a
pesquisadora Isabel Marques em Dançando na Escola (Cortez, 2003). Nas palavras da autora, a arte é
uma construção humana e como tal se efetiva no corpo, pelo corpo e a partir da realidade do corpo, no
percorrer da história da humanidade.
Especificamente a respeito da dança como forma de comunicação, segundo o conceito de Isabel
Marques, pode-se afirmar que:
“(...) A dicotomia corpo e mente ganhou força na modernidade quando Descartes (1983), em seus
estudos sobre a racionalidade humana, caracterizou o dualismo psicofísico entre matéria (corpo ou
coisa extensa - res extensa) e espírito (alma ou coisa pensante - res cogitans), reforçando a separação
entre o mundo material e o espiritual (CARBINATTO; MOREIRA, 2006). Com isso, o corpo estaria
sempre submetido aos comandos da mente num processo que liga a existência do sujeito à sua condição
racional e não existencial. Historicamente, os processos escolares expõem uma forma de trabalhar com
o corpo que denunciam tal divisão, sendo veladamente aceita a separação entre as disciplinas que
trabalham com a mente (Matemática, História, Língua Portuguesa etc.) e a Educação Física que "mexe"
com o corpo. Nessa forma de perceber o corpo, este é compreendido como "físico", e não no sentido
da corporeidade. (...)”.
SILVA, Luiza Lana Gonçalves. REFLEXÕES SOBRE CORPOREIDADE NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO
INTEGRAL.
A respeito do conceito de corporeidade, é correto afirmar que:
Em Improvisação para o teatro (São Paulo: Perspectiva, 1979), Viola Spolin propõe uma reflexão a
respeito da “Transposição do processo de aprendizagem para a vida diária” e observa que:
“(...) Por causa da natureza dos problemas de atuação, é imperativo preparar todo o equipamento
sensorial, livrar-se de todos os preconceitos, interpretações e suposições, para que se possa estabelecer
um contato puro e direto com o meio criado e com os objetos e pessoas dentro dele. Quando isto é
aprendido dentro do mundo do teatro, produz simultaneamente o reconhecimento e contato puro e
direto com o mundo exterior. (...)”.
Na perspectiva de Viola Spolin: