Assinale a alternativa correta:
TEXTO 1
Empréstimos e identidade cultural
O fenômeno lingüístico-cultural do empréstimo, palavra estrangeira que se introduz em uma língua, sempre levanta polêmicas. O fenômeno não é tão simples quanto possa parecer, nem envolve apenas o aspecto lingüístico, mas também questões culturais e políticas. Sabemos que a palavra é um fenômeno ideológico por excelência. Sendo assim, a adoção de uma palavra estrangeira revela-se como algo mais que uma escolha formal: toda importação de termos é uma intrusão de uma cultura estrangeira e traz consigo um precipitado de valores que interfere e modifica a cultura importadora.
A coexistência entre a língua-fonte, a que influencia na imposição de um termo, e a língua receptora tende a modelar o vocabulário desta por um recorte analógico do mundo objetivo, de acordo com os traços da língua-fonte. A causa não é apenas a vizinhança territorial, nem a convivência lingüística. É resultado da ascendência de uma nação sobre a outra no campo em que se dá o empréstimo.
O conceito de identidade cultural diz respeito à conexão entre indivíduos e estrutura social. O mundo das representações, do qual a língua faz parte, tem uma dinâmica própria, mas sofre influência da base material da sociedade. Nele surge o conceito de visão do mundo, presente na forma de comunicação. A função social das representações é assegurar a dominação de uma classe por outra, violência simbólica que também acontece entre nações, gerando o dominante e dominado, com base no poder político e econômico, definindo o mundo segundo seus interesses. (...)
A noção de identidade evoluiu junto com as transformações sociais que se acentuaram no século XX. Houve uma transição do nacionalismo para a globalização, quando tudo passou a fazer parte do mercado dominado pelas potências mais poderosas. Com a globalização, pela circulação planetária de informação e cultura, criou-se uma área comum de referência, onde as identidades específicas vão perdendo os contornos.
Com a evolução dos meios de comunicação, o indivíduo tem condições de receber e consumir bens produzidos em outras culturas, incorporando a seu cotidiano valores de realidades distantes. Desta forma, enfraquecem-se os vínculos com a comunidade mais próxima, junto com as noções de regionalismo e nacionalismo. A adoção indiscriminada de termos estrangeiros, provenientes da cultura que domina os mass media, torna-se uma conseqüência natural.
Este não é um fenômeno recente: esteve sempre presente nas línguas através de contatos fortuitos ou prolongados. Na atualidade, intensificou-se pelas condições de supremacia de uma única nação sobre as demais. Assim, medidas que façam parte de uma política da língua não precisam incluir regulamentação de empréstimos. Basta que inclua a alfabetização em larga escala, a melhoria do ensino no nível básico, com a qualificação do professorado de Língua Portuguesa e o incentivo a publicações didáticas adequadas. (...)
Como dizia Heidegger, a língua é a casa do ser. Por isso, a intromissão exagerada de outra língua apaga as experiências compartilhadas e acumuladas pela comunidade de fala, tornando-as impessoais. A língua materna, no caso brasileiro, o português, será a última identidade que restará, se as demais forem perdidas.
(Nelly Carvalho. Texto publicado em http://www.universia.com.br/html/materia/materia_ifif.html em 22/09/2005. Acesso em 11/08/2008. Adaptado.)
Dentre as informações apresentadas a seguir, assinale a única que está em consonância com o Texto 1.
TEXTO 1
Empréstimos e identidade cultural
O fenômeno lingüístico-cultural do empréstimo, palavra estrangeira que se introduz em uma língua, sempre levanta polêmicas. O fenômeno não é tão simples quanto possa parecer, nem envolve apenas o aspecto lingüístico, mas também questões culturais e políticas. Sabemos que a palavra é um fenômeno ideológico por excelência. Sendo assim, a adoção de uma palavra estrangeira revela-se como algo mais que uma escolha formal: toda importação de termos é uma intrusão de uma cultura estrangeira e traz consigo um precipitado de valores que interfere e modifica a cultura importadora.
A coexistência entre a língua-fonte, a que influencia na imposição de um termo, e a língua receptora tende a modelar o vocabulário desta por um recorte analógico do mundo objetivo, de acordo com os traços da língua-fonte. A causa não é apenas a vizinhança territorial, nem a convivência lingüística. É resultado da ascendência de uma nação sobre a outra no campo em que se dá o empréstimo.
O conceito de identidade cultural diz respeito à conexão entre indivíduos e estrutura social. O mundo das representações, do qual a língua faz parte, tem uma dinâmica própria, mas sofre influência da base material da sociedade. Nele surge o conceito de visão do mundo, presente na forma de comunicação. A função social das representações é assegurar a dominação de uma classe por outra, violência simbólica que também acontece entre nações, gerando o dominante e dominado, com base no poder político e econômico, definindo o mundo segundo seus interesses. (...)
A noção de identidade evoluiu junto com as transformações sociais que se acentuaram no século XX. Houve uma transição do nacionalismo para a globalização, quando tudo passou a fazer parte do mercado dominado pelas potências mais poderosas. Com a globalização, pela circulação planetária de informação e cultura, criou-se uma área comum de referência, onde as identidades específicas vão perdendo os contornos.
Com a evolução dos meios de comunicação, o indivíduo tem condições de receber e consumir bens produzidos em outras culturas, incorporando a seu cotidiano valores de realidades distantes. Desta forma, enfraquecem-se os vínculos com a comunidade mais próxima, junto com as noções de regionalismo e nacionalismo. A adoção indiscriminada de termos estrangeiros, provenientes da cultura que domina os mass media, torna-se uma conseqüência natural.
Este não é um fenômeno recente: esteve sempre presente nas línguas através de contatos fortuitos ou prolongados. Na atualidade, intensificou-se pelas condições de supremacia de uma única nação sobre as demais. Assim, medidas que façam parte de uma política da língua não precisam incluir regulamentação de empréstimos. Basta que inclua a alfabetização em larga escala, a melhoria do ensino no nível básico, com a qualificação do professorado de Língua Portuguesa e o incentivo a publicações didáticas adequadas. (...)
Como dizia Heidegger, a língua é a casa do ser. Por isso, a intromissão exagerada de outra língua apaga as experiências compartilhadas e acumuladas pela comunidade de fala, tornando-as impessoais. A língua materna, no caso brasileiro, o português, será a última identidade que restará, se as demais forem perdidas.
(Nelly Carvalho. Texto publicado em http://www.universia.com.br/html/materia/materia_ifif.html em 22/09/2005. Acesso em 11/08/2008. Adaptado.)
Observe o correto emprego do sinal indicativo de crase no trecho: "O conceito de identidade cultural diz respeito à conexão entre indivíduos e estrutura social." Assinale a alternativa na qual o emprego desse sinal está igualmente correto.
Durante uma tempestade que durou 30 minutos, o índice pluviométrico atingiu 45 mm. Qual foi a intensidade dessa chuva?
Qual o principal sistema meteorológico responsável pelas chuvas no litoral de Pernambuco e Paraíba?
Para o hemisfério Norte quais são as datas que marcam o início das estações inverno, primavera, verão e outono?
O câncer mamário:
TEXTO 1
Empréstimos e identidade cultural
O fenômeno lingüístico-cultural do empréstimo, palavra estrangeira que se introduz em uma língua, sempre levanta polêmicas. O fenômeno não é tão simples quanto possa parecer, nem envolve apenas o aspecto lingüístico, mas também questões culturais e políticas. Sabemos que a palavra é um fenômeno ideológico por excelência. Sendo assim, a adoção de uma palavra estrangeira revela-se como algo mais que uma escolha formal: toda importação de termos é uma intrusão de uma cultura estrangeira e traz consigo um precipitado de valores que interfere e modifica a cultura importadora.
A coexistência entre a língua-fonte, a que influencia na imposição de um termo, e a língua receptora tende a modelar o vocabulário desta por um recorte analógico do mundo objetivo, de acordo com os traços da língua-fonte. A causa não é apenas a vizinhança territorial, nem a convivência lingüística. É resultado da ascendência de uma nação sobre a outra no campo em que se dá o empréstimo.
O conceito de identidade cultural diz respeito à conexão entre indivíduos e estrutura social. O mundo das representações, do qual a língua faz parte, tem uma dinâmica própria, mas sofre influência da base material da sociedade. Nele surge o conceito de visão do mundo, presente na forma de comunicação. A função social das representações é assegurar a dominação de uma classe por outra, violência simbólica que também acontece entre nações, gerando o dominante e dominado, com base no poder político e econômico, definindo o mundo segundo seus interesses. (...)
A noção de identidade evoluiu junto com as transformações sociais que se acentuaram no século XX. Houve uma transição do nacionalismo para a globalização, quando tudo passou a fazer parte do mercado dominado pelas potências mais poderosas. Com a globalização, pela circulação planetária de informação e cultura, criou-se uma área comum de referência, onde as identidades específicas vão perdendo os contornos.
Com a evolução dos meios de comunicação, o indivíduo tem condições de receber e consumir bens produzidos em outras culturas, incorporando a seu cotidiano valores de realidades distantes. Desta forma, enfraquecem-se os vínculos com a comunidade mais próxima, junto com as noções de regionalismo e nacionalismo. A adoção indiscriminada de termos estrangeiros, provenientes da cultura que domina os mass media, torna-se uma conseqüência natural.
Este não é um fenômeno recente: esteve sempre presente nas línguas através de contatos fortuitos ou prolongados. Na atualidade, intensificou-se pelas condições de supremacia de uma única nação sobre as demais. Assim, medidas que façam parte de uma política da língua não precisam incluir regulamentação de empréstimos. Basta que inclua a alfabetização em larga escala, a melhoria do ensino no nível básico, com a qualificação do professorado de Língua Portuguesa e o incentivo a publicações didáticas adequadas. (...)
Como dizia Heidegger, a língua é a casa do ser. Por isso, a intromissão exagerada de outra língua apaga as experiências compartilhadas e acumuladas pela comunidade de fala, tornando-as impessoais. A língua materna, no caso brasileiro, o português, será a última identidade que restará, se as demais forem perdidas.
(Nelly Carvalho. Texto publicado em http://www.universia.com.br/html/materia/materia_ifif.html em 22/09/2005. Acesso em 11/08/2008. Adaptado.)
Afirmar que "a palavra é um fenômeno ideológico por excelência" equivale a afirmar que:
A menopausa é uma amenorréia:
Assinale a única alternativa em que a alteração na pontuação causa alteração do sentido do enunciado.
Qual região do território brasileiro é mais atingida pelos sistemas frontais Austrais?
Em relação à reanimação cárdio-pulmonar, assinale a alternativa incorreta:
Sobre o pico de LH é certo afirmar que:
TEXTO 3
Plebiscito A cena passa-se em 1890. A família está toda reunida na sala de jantar. O senhor Rodrigues palita os dentes, repimpado numa cadeira de balanço. Acabou de comer como um abade. Dona Bernardina, sua esposa, está muito entretida a limpar a gaiola de um canário belga. Os pequenos são dois, um menino e uma menina. Silêncio. De repente, o menino levanta a cabeça e pergunta:
Papai, que é plebiscito? O senhor Rodrigues fecha os olhos imediatamente para fingir que dorme. O pequeno insiste: Papai?
Dona Bernardina intervém: Ó seu Rodrigues, Manduca está lhe chamando. Não durma depois do jantar, que lhe faz mal. O senhor Rodrigues não tem remédio senão abrir os olhos.
Que é? que desejam vocês? Eu queria que papai me dissesse o que é plebiscito.
Ora essa, rapaz! Então tu vais fazer 12 anos e não sabes ainda o que é plebiscito?
Se soubesse, não perguntava. O senhor Rodrigues volta-se para dona Bernardina, que continua muito ocupada com a gaiola:
Ó senhora, o pequeno não sabe o que é plebiscito! Não admira que ele não saiba, porque eu também não sei. Que me diz?! Pois a senhora não sabe o que é plebiscito? Nem eu, nem você; aqui em casa ninguém sabe o que é plebiscito. Ninguém, alto lá! Creio que tenho dado provas de não ser nenhum ignorante!
A sua cara não me engana. Você é muito prosa. Vamos: se sabe, diga o que é plebiscito! Então? A gente está esperando! Diga!...
A senhora o que quer é enfezar-me!
Mas, homem de Deus, para que você não há de confessar que não sabe? Não é nenhuma vergonha ignorar qualquer palavra.
Que gostinho tem a senhora em tornar-me ridículo na presença destas crianças!
Oh! ridículo é você mesmo quem se faz. Seria tão simples dizer: "Não sei, Manduca, não sei o que é plebiscito; vai buscar o dicionário, meu filho". O senhor Rodrigues ergue-se de um ímpeto e brada:
Mas se eu sei! Pois se sabe, diga!
Não digo para me não humilhar diante de meus filhos! Não dou o braço a torcer! Quero conservar a força moral que devo ter nesta casa! Vá para o diabo! E o senhor Rodrigues, exasperadíssimo, nervoso, deixa a sala de jantar e vai para o seu quarto, batendo violentamente a porta. No quarto havia o que ele mais precisava naquela ocasião: algumas gotas de água de flor de laranja e um dicionário... A menina toma a palavra: Coitado de papai! ?angou-se logo depois do jantar! Dizem que é tão perigoso! Pois sim, mamãe; chame papai e façam as pazes. Que tolice! Duas pessoas que se estimam tanto zangarem-se por causa do plebiscito! Dona Bernardina dá um beijo na filha, e vai bater à porta do quarto:
Seu Rodrigues, venha sentar-se; não vale a pena zangar-se por tão pouco.
O negociante esperava a deixa. A porta abre-se imediatamente. Ele entra, atravessa a casa, e vai sentar-se na cadeira de balanço. É boa! brada o senhor Rodrigues depois de largo silêncio é muito boa! Eu! eu ignorar a significação da palavra plebiscito! Eu!... A mulher e os filhos aproximam-se dele. O homem continua num tom profundamente dogmático:
Plebiscito... E olha para todos os lados a ver se há ali mais alguém que possa aproveitar a lição. Plebiscito é uma lei decretada pelo povo romano, estabelecido em comícios.
Ah! suspiram todos, aliviados. Uma lei romana, percebem? E querem introduzi-la no Brasil! É mais um estrangeirismo!...
(Arthur Azevedo. Contos fora de moda, 1894. Adaptado.)
Com a afirmação de que o senhor Rodrigues "acabou de comer como um abade" o autor do Texto 3: