Questões de Concursos

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“[...] 0 fascínio que a linguagem sempre exerceu sobre o homem vem desse poder que permite não só nomear/criar/transformar o universo real, mas também possibilita trocar experiências, falar sobre o que existiu, poderá vir a existir e até mesmo imaginar o que não precisa nem pode existir. A linguagem verbal é, então, a matéria do pensamento e o veículo da comunicação social. Assim como não há sociedade sem linguagem, não há sociedade sem comunicação. Tudo o que se produz como linguagem ocorre em sociedade, para ser comunicado e, como tal, constitui uma realidade material que se relaciona com o que lhe é exterior, com o que existe independentemente da linguagem. Como realidade material - organização de sons, palavras, frases - alinguagem é relativamente autônoma; como expressão de emoções, idéias, propósitos, no entanto, ela é orientada pela visão de mundo, pelas injunções da realidade social, histórica e cultural de seu falante. [...]"

(Margarida Petter)

Fonte: FIORIN, José Luiz. Introdução à Linguística. São Paulo: Contexto, 2012.
Em “poderá vir a existir", temos um exemplo de quando a letra a não recebe a crase. Das opções abaixo, qual caso também não deveria ser grafado com a crase?
Texto 1 – Bia Haddad se cobra após vitória inédita: "Fiquei um pouco insatisfeita" (adaptado)
Paulista supera Jaqueline Cristian, carimba vaga na terceira rodada – seu melhor resultado no Grand Slam –, mas não fica satisfeita com o próprio desempenho em quadra
Por Redação do GE — Londres, Inglaterra

A vitória sobre Jaqueline Cristian, por 2 sets a 1, nesta quintafeira, alçou Bia Haddad Maia a uma inédita terceira rodada em Wimbledon. A paulista, porém, não ficou satisfeita com a própria performance na quadra: ela admite que precisou ser conservadora para conquistar o resultado e promete melhorar na próxima fase.

— Estou na terceira rodada em Wimbledon pela primeira vez. Estou feliz pela minha luta, pela briga, mas fiquei um pouco insatisfeita com meu nível de tênis. Quero parabenizar minha adversária, que jogou em alto nível bastante tempo, foi mais competitiva durante todo o jogo. Estou feliz pela minha luta, consegui dar um jeito de ganhar não me sentindo bem. Fui resultadista, o que fez meu nível baixar bastante. Fui bastante conservadora. Tenho a oportunidade de melhorar meu tênis. Quero agradecer a todo mundo pelo apoio e pela torcida – declarou a jogadora, que anotou sua nona vitória de virada em 2023, via assessoria de imprensa.

Décima terceira colocada do ranking, Bia Haddad vai enfrentar a romena Sorena Cirstea – que ocupa o 37º lugar – na terceira rodada, em data a ser anunciada pela organização.


Disponível em: https://ge.globo.com/tenis/noticia/2023/07/06/bi a-haddad-diz-que-foi-conservadora-mas-frisa-tenhooportunidade-de-melhorar.ghtml
“A vitória sobre Jaqueline Cristian, por 2 sets a 1, nesta quinta-feira, alçou Bia Haddad Maia a uma inédita terceira rodada [...].” (Texto 1, 1º parágrafo)
A reescritura da passagem acima que NÃO apresenta erro quanto ao uso do acento grave é:
Mundo de curiosidades

CHC | 354


1. Cérebro em desenvolvimento

Quando nascemos, o nosso cérebro não é considerado totalmente “pronto”. Ele continua crescendo e se desenvolvendo por muitos e muitos anos. Da gestação até os 3 anos de idade é quando o cérebro mais cresce. Esse período de amadurecimento inicial permite, por exemplo, que a criança se comunique, sente, ande e interaja com as pessoas. Já por volta dos 6 anos de idade, o córtex cerebral (a parte externa que todos chamam de “massa cinzenta”) completa seu desenvolvimento. Essa é a região responsável pela nossa capacidade de falar, prestar atenção numa aula, de usar o lápis para escrever nas linhas de um caderno, entre outras coisas. Na adolescência, por volta dos 14 anos, outras regiões amadurecem, permitindo o controle das emoções. Esse período dura mais tempo. Somente por volta dos 30 anos de idade é que o cérebro humano para de crescer. Acredita?


Priscilla Oliveira Silva Bomfim
Núcleo de Pesquisa, Ensino, Divulgação e Extensão
Universidade Federal Fluminense



2. Os carros voadores estão chegando?


Você já deve ter andado em um carro, mas duvido que tenha voado em um! Os carros voadores, porém, já são realidade. Trata-se de um tipo novo de veículo que se parece com um carro, mas possui hélices como um helicóptero. São bem parecidos também com um drone, só que maiores, como um carro de verdade, com hélices bem grandes. Outra curiosidade é que eles podem transportar passageiros sem a presença de um piloto. Sim! Eles voam de forma autônoma.

A Embraer (Empresa Brasileira de Aeronaves) está desenvolvendo o primeiro carro voador do Brasil. Outros estão em construção em países como China e Austrália. O que você acharia de voar de carro por aí?

Kalinka Branco
Laboratório de Sistemas Embarcados Críticos
Departamento de Sistemas de Computação
Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação
Universidade de São Paulo



3. Emigração ou imigração?

Emigração e imigração são termos que ______ (faz/fazem) referência a movimentos de deslocamento de populações no mundo, em busca de moradia fixa em outra região ou país. Atualmente, cerca de oito bilhões de pessoas ______ (habita/habitam) nosso planeta, distribuídas por diferentes partes e com situações de vida distintas. É justamente em função destes diferentes contextos que ______ (ocorre/ocorrem) as migrações.

Emigração é o movimento de saída do local de moradia em busca de uma nova residência em outra região ou país. Dentre os fatores que ______ (leva/levam) as pessoas a saírem estão pobreza, desemprego e risco de vida, seja por guerra ou por mudanças climáticas.

Já a imigração é o movimento de entrada em uma nova região ou país para estabelecer moradia. Dentre os fatores que mais atraem as pessoas para isso ______ (está/estão) melhores oportunidades de emprego, estudo e qualidade de vida, além da própria sobrevivência.


Deborah da Costa Fontenelle
Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira
(CAp-Uerj)



4. Época das frutas


[As] frutas produzidas por cada espécie de vegetal passam por seus próprios processos de amadurecimento. E estes processos estão ligados a condições do solo e do clima, como temperatura e volume de chuvas. Há frutas que se dão melhor em estações mais frias e com pouco sol, por exemplo, enquanto outras, precisam de temperaturas mais altas. São [as] chamadas “frutas da época” ou “frutas da estação”, e é natural que se desenvolvam melhor e captem mais nutrientes do solo em condições favoráveis. Além de serem mais saborosas, seus valores nutricionais também são maiores.

Outro fato importante é que o combate [a] pragas costuma ser mais intenso em plantações fora de época. Assim, [as] frutas cultivadas em suas épocas específicas necessitam muito pouco ou nenhum agrotóxico. Viu só? O consumo de frutas da estação é uma maneira saudável e consciente de garantir [a] sustentabilidade da produção e torná-la mais segura para o planeta!



Ana Paula Gelli de Faria
Departamento de Botânica
Universidade Federal de Juiz de Fora


MUNDO de curiosidades (seção). Ciência Hoje das Crianças, ed. 354, maio de 2024. Disponível em: https://chc.org.br/artigo/mundo-de-curiosidades-354/. Acesso em: 04 mai. 2024. Adaptado.
Foram destacadas entre colchetes, no quarto texto, cinco ocorrências da vogal A. Quantas delas devem receber o acento indicativo de crase?
Texto CB1A1

Em pleno momento de grandes transformações político-sociais, na segunda metade da década de 1970, quando já havia inclinações para a volta da democracia, o cantor e compositor Belchior anunciava que “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Os padrões de hoje já nos estabelecem estilos e modelos diversos daqueles que um dia adotamos como referência. Definitivamente, aquele que envergou a vestimenta outrora usada já não é mais a mesma pessoa e qualquer tipo de tentativa de reutilizá-la passará, necessariamente, pela realização de ajustes que se amoldem ao instante presente.

Velhos hábitos incorporados à nossa rotina devem, periodicamente, ser revisitados, a fim de que se tornem compatíveis com a realidade e a concretude do presente. Se, antes, a vasta cabeleira podia ser repartida ao meio, dando a quem a ostentava ares despojados e joviais, no tempo atual, para muitos, a escassez capilar obriga a adaptar o penteado. Nada adianta ficar de mal com a superfície que a imagem reflete. De qualquer forma, nada ou ninguém passa incólume pela ação do tempo, sem experimentar transformações de todas as naturezas.

Mudar é verbo que se conjuga em perfeita sintonia com viver e, essencialmente, compõe rima exata com adaptar. Ao descrever a teoria da evolução, Charles Darwin assentou que a sobrevivência não é assegurada pelo emprego da força, mas depende de mudanças adaptativas dos seres expostos às transformações constantes (paulatinas ou abruptas) do ambiente que os cerca.

O contexto estampado veicula um paradoxo. Se, por um lado, a marcha da mudança é via que não admite retorno, permitindo apenas momentos de variações rítmicas dos passos, mas sem nunca ser contida, por outro, ela aterroriza, chegando quase a paralisar o paciente da mutação. No entanto, não é o medo do escuro que vai impedir que a Terra gire, tampouco fará que a luz solar tome o lugar da noite pouco iluminada.

Fábio Túlio Filgueiras Nogueira. O tribunal de contas contemporâneo, o processo de transformação e a pandemia. In: Edilberto Carlos Pontes Lima (coord.). Os tribunais de contas, a pandemia e o futuro do controle. Belo Horizonte: Fórum, 2021, p. 245-254 (com adaptações)

Julgue o item a seguir, referente a aspectos linguísticos e ao vocabulário do texto CB1A1.

A correção gramatical do texto seria mantida caso o termo “às”, em “às transformações constantes” (segundo período do terceiro parágrafo), fosse substituído por a.

Casos Caninos: Quatro Amores


Atendendo a um pedido da minha avó, levei uma velha tia solteirona de São Paulo ao sul da Bahia. Ela era infeliz e detestava tudo. Durante a viagem, reclamou incessantemente do carro, do motorista e de tudo ao redor.

Ao chegar, fui à praia sozinho e encontrei um cachorro branco e peludo que se aproximou de mim. Minha tia insultou o animal, mas eu o tratei carinhosamente.

O cachorro, como se entendesse meus desejos, urinou nas coisas da minha tia, que ficou furiosa. Mais tarde, o cachorro voltou com outros dois cães, causando mais confusão. Um senhor apareceu, trazendo os itens roubados pelos cães e se desculpando. Ele tratou minha tia com gentileza e conseguiu fazê-la sorrir.

Para resumir a história, a tia acabou se casando com o homem. Um ano depois eu fui visitá-la naquela praia. Ela estava irreconhecível: sorria o tempo todo, não se queixava de nada e dividia alegremente sua cama de casada com os três cachorros, que se alternavam em seu colo e que ao lado do marido eram os quatro amores de sua vida.

André C S Masini - Texto Adaptado


https://www.casadacultura.org/andre_masini/artigos/2004/Fev/cs_canin os_4amores.html
Com base nas regras de crase, qual das alternativas melhor explica a função e a necessidade da crase na frase "Ao chegar, fui à praia sozinho e encontrei um cachorro branco e peludo que se aproximou de mim"?
Leia o texto abaixo para responder à questão.

Trecho de Dom Casmurro

(Machado de Assis)


Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que...

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.
Em “Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas...” o uso do acento indicativo de crase se dá pela mesma regra que:
Leia o texto a seguir, considerando a norma-padrão de regência e o uso adequado de acento indicativo de crase:
A ocupação inicial de São Lourenço da Mata esteve atrelada ____ extração do pau-brasil. No final do século XVI, começaram ____ surgir os primeiros engenhos de cana-de-açúcar, que se tornara ____ principal fonte de renda do local durante muitos anos. Até 1775, São Lourenço era apenas um distrito subordinado ____ município de Recife, bem como ____ cidade de Paudalho, conquistando sua municipalidade em 1890.
IBGE. São Lourenço da Mata. IBGE. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/sao-lourenco-damata/historico. Acesso em: 18 jul. 2024. Adaptado. Em sequência, as palavras que completam corretamente as lacunas no texto são:
O bonde do tigrinho

Os números indicam que os brasileiros se tornaram usuários pesadíssimos das plataformas de apostas, as chamadas bets. Em 2022, ano da estatística mais recente disponível, o Brasil foi o campeão mundial.

O volume de apostas chegou a tal ponto que a economia está sentindo o baque. Empresário do setor alimentício disse que clientes de baixa renda estão comprando menos comida porque dedicam parte de seus ganhos aos aplicativos de apostas. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes relaciona a queda do faturamento do setor ao mesmo motivo. Além disso, cresceram os índices de inadimplência e o endividamento das famílias mais pobres.

Para provocar tamanho estrago, as bets movimentam uma máquina de propaganda de alta potência.

Em 2024, a ministra da Saúde anunciou que o vício em apostas era uma pandemia. Com a explosão das bets, triplicou o número de pessoas que procuram ajuda no Programa Ambulatorial do Jogo (Pro-Amjo) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. A necessidade de ampliar o acesso fará a equipe retomar a estratégia adotada durante o auge da crise do vício em bingos, em 1998: as sessões coletivas. Segundo um psiquiatra atuante nesse Instituto, era previsível que as bets causariam grande problema no país, tanto mais ao se associarem ao futebol, esporte onipresente na vida dos brasileiros. O psiquiatra explica, ainda, que as redes sociais são um convite à dependência, com o mecanismo das curtidas, o uso do algoritmo e a ferramenta de rolagem, que permite deslizar a tela infinitamente.

Todavia, diante da regulamentação do setor, da correria do governo e do alarido do Congresso para enfrentar os estragos da jogatina, o mercado publicitário on-line continua adotando a modalidade de cachês milionários para influenciadores digitais.

Batista Jr., João e Medina, Alessandra. “O bonde do tigrinho. Como os influenciadores ganharam fortunas e ajudaram as bets a produzir a pandemia do vício”. In: Piauí. Edição 220, Janeiro 2025. Págs. 14-20. Excerto adaptado. Disponível para assinantes em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/obonde-do-tigrinho-bets/
Em “as redes sociais são um convite à dependência” (4º parágrafo), observa-se o sinal grave, indicativo de crase, que também deve ser usado sobre o a destacado na frase:
MACHADO E ABEL

Manuel Bandeira

O Almanaque Garnier de 1906 trazia o conto de Machado de Assis “O Incêndio”, postumamente recolhido no 2º volume de Páginas recolhidas da edição Jackson. O conto principia assim:

Não inventei o que vou contar, nem o inventou o meu amigo Abel. Ele ouviu o fato com
todas as circunstâncias, e um dia, em conversa, fez resumidamente a narração que me ficou
na memória e aqui vai tal qual. Não lhe acharás o pico, a alma própria que este Abel põe a
tudo o que exprime, seja uma ideia dele, seja, como no caso, uma história de outro.

Este Abel era o engenheiro civil Abel Ferreira de Matos, de que falei em minha crônica passada, na verdade o homem mais espirituoso que já vi na minha vida. Na conversa, fosse com quem fosse – homem, senhora ou menino –, na correspondência – era um correspondente pontual – punha sempre aquele pico e alma própria a que aludiu Machado de Assis e que a tudo comunicava logo extraordinário interesse.

O caso do conto “O Incêndio” ouviu-o Abel de mim, que por minha vez o ouvi da boca do próprio protagonista, oficial da marinha inglesa, que acabava de curar a sua “perna mal ferida” no Hospital dos Estrangeiros, onde eu então me achava também internado morre não morre. A história pode contar-se em poucas linhas: um navio de guerra inglês andava em cruzeiro pelo sul do Atlântico; no porto de Montevidéu desceu o oficial a terra e passeando na cidade viu um ajuntamento de gente diante de um sobrado envolvido em fogo e fumarada; no segundo andar, a uma janela, parecia ver-se a figura de uma mulher como que hesitante entre a morte pelo fogo e a morte pela queda; o oficial é que não hesitou: abriu caminho entre a multidão, meteu-se casa adentro para salvar a moça; quando chegou ao segundo andar, verificou que a moça da janela não era uma moça, era um manequim; tratou de descer, mas precisamente ao galgar a porta de entrada do sobrado foi atingido por uma trave, que lhe pegou uma das pernas.

Casos como esse, em que parece haver uma injustiça ou pelo menos indiferença da parte da Divina Providência, punham o nosso bom Abel, que era um crente e um espiritista, completamente desnorteado e infeliz. Foi o que sucedeu quando lhe narrei a história do inglês. Primeiro sacudiu a cabeça entre as mãos ambas. Em seguida comentou: “É um conto para Machado de Assis”.

E era mesmo. E Machado de Assis não deixou de agravar o caso inventando por sua conta que os bombeiros iam prendendo o oficial na suposição de que fosse um ladrão; era acrescentar à iniquidade divina a iniquidade humana. E Machado acaba o conto instalando o seu desencanto dos homens na alma do oficial, com dizer que ele “foi mandado a Calcutá, onde descansou da perna quebrada e do desejo de salvar ninguém”.

Abel tinha a Machado na conta de materialista. Convencera-se disso pela leitura de seus grandes romances. Ficou, pois, espantadíssimo quando um dia, no meio de uma conversa, dizendo tranquilamente a Machado: “Vocês, materialistas…”, foi vivamente interrompido pelo outro, que começou a gaguejar protestando: “Eu, ma… materialista? A b s o l u t a m e n t e ! ”


(Fonte: BANDEIRA, Manuel. Flauta de papel. 2.Ed. São Paulo: Global, 2014, p. 63-64-Adaptada)
Assinale a alternativa em que a explicação corresponde ao exemplo quanto às regras do uso do acento grave:
Quanto à ocorrência do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do texto a seguir.

A água é um recurso natural essencial aos seres vivos e, por essa razão, encontrá-la em outros planetas é fundamental __________ manutenção dos astronautas nesses novos locais, o que os habilitaria ___________ explorá-los e garantiria ___________sua sobrevivência.
Voto facultativo, voto em branco e voto nulo são recursos frequentemente mencionados por muitos brasileiros revoltados coma corrupção na política. Esses apelos voltam a aparecer na véspera de mais um processo eleitoral, especialmente em manifestações feitas pelas redes sociais.


(...)Mas é a crença na política, e não a descrença, que pode consertar o que está errado.

Zero Hora, 3/3/2014

Considerando que os fragmentos incluídos nas opções abaixo constituem trechos de texto adaptado da Zero Hora de 3/3/2014, assinale a opção em que o fragmento está gramaticalmente correto em relação ao emprego dos sinais indicativos de crase.
Destaque a alternativa que realmente admite o uso da crase.
Indique a frase em que a inserção do acento indicativo de crase se faz necessária em alguma expressão.
Utilizando o conceito da crase, qual das frases abaixo demonstra o seu uso correto quanto à regência da preposição?
Texto I
O incendiador de caminhos

Uma das intervenções a que sou chamado a participar em Moçambique destina-se a combater as chamadas “queimadas descontroladas”. Este combate parece ter todo o fundamento: trata-se de proteger ecossistemas e de conservar espaços úteis e produtivos.
Contudo, eu receio que seja mais uma das ingratas batalhas sem hipótese de sucesso imediato. Na realidade, nós não entendemos a complexa ecologia do fogo na savana africana. Não entendemos as razões que são anteriores ao fogo. De qualquer modo, não param de me pedir para que fale com os camponeses sobre os malefícios dos incêndios rurais. Devo confessar que nunca fui capaz de cumprir essa incumbência.
Na realidade, o que tenho feito é tentar descortinar algumas das razões que levam os camponeses a converter os capinzais em chamas. Sabe-se que a agricultura de corte e queimada é uma das principais razões para estas práticas incendiárias. Mas fala-se pouco de um outro culpado que é uma personagem a que chamarei de “homem visitador”. É sobre este “homem visitador” que irei falar neste breve depoimento.
Na família rural de Moçambique, a divisão de tarefas sugere uma sociedade que faz pesar sobre a mulher a maior parte do trabalho. Os que adoram quantificar as relações sociais publicaram já gráficos e tabelas que demonstram profusamente que, enquanto o homem repousa, a mulher se ocupa o dia inteiro. Mas esse mesmo camponês faz outras coisas que escapam aos contabilistas sociais. Entre as ocupações invisíveis do homem rural sobressai a visitação. Essa atividade é central nas sociedades rurais de Moçambique.
O homem passa meses do ano prestando visitas aos vizinhos e familiares distantes. As visitas parecem não ter um propósito prático e definido. Quando se pergunta a um desses visitantes qual a finalidade da sua viagem ele responde: “Só venho visitar”. Na realidade, prestar visitas é uma forma de prevenir conflitos e construir bons laços de harmonia que são vitais numa sociedade dispersa e sem mecanismos estatais que garantam estabilidade.
Os visitadores gastam a maior parte do tempo em rituais de boas-vindas e de despedida. Abrir as portas de um sítio requer entendimentos com os antepassados que são os únicos verdadeiros “donos” de cada um dos lugares. Pois os homens visitadores percorrem a pé distâncias inacreditáveis. À medida que progridem, vão ateando fogo ao capim. A não ser que seja em pleno Inverno, esse capim arde pouco. O fogo espalha-se e desfalece pelas imediações do atalho que os viajantes vão percorrendo. Esse incêndio tem serviços e vantagens diversas que se manifestam claramente no regresso: define um mapa de referências, afasta as cobras e os perigos de emboscadas, facilita o piso e torna o retorno mais fácil e seguro. [...]


(COUTO, Mia. E se Obama fosse africano?. São Paulo: Companhia das Letras. 2011)
Em “Pois os homens visitadores percorrem a pé distâncias inacreditáveis” (6º§), a preposição destacada não recebe o acento grave, indicativo de crase. Assinale a alternativa em que esse acento deveria ser empregado.
A alternativa em que o acento indicativo de crase procede é:
Texto 1


Dinossauro na internet


Walcyr Carrasco


Sempre me orgulhei: fui o primeiro de meus amigos a possuir computador pessoal. Haja tempo! Aconteceu há cerca de duas décadas. À máquina era um trambolho com programas complicados. E lentíssima! Nas redações de revistas e jornais usava-se máquina de escrever. Orgulhoso, eu me considerava adaptado aos novos tempos cibernéticos. Os programas para digitar textos foram se tornando mais fáceis. Ainda me considerava uma sumidade em tecnologia, até ver um garotinho de 8 anos baixar programas de celular. Que vergonha! Eu sou do tipo que quase consegue baixar um programa. Mas no último segundo vem uma pergunta a que não sei responder. Uma vez o celular travou. Muitas, o proprio computador. Mas o menininho teclava como se não tivesse feito outra coisa na vida.

Tudo está se tornando complicado demais. Eu me confundo até com o controle remoto da televisdo e do DVD. Não é brincadeira: se coloco um filme, vem a imagem, mas não o som. Ou consigo ouvir os diálogos, mas a tela fica preta. No carro, quase enlouqueço se alguém tira da minha estação predileta. Escapei de bater tentando captar musica cléssica. Já consigo falar no meu celular, mandar torpedos e fotografar. Só me atrapalho para achar um endereço no Google em menos de dez minutos!

Entrei com cautela no universo das redes de relacionamento. Logo fiquei fascinado. Há alguns anos era louco pelo Orkut. Criei um grupo de amigos. Todas as noites nos encontrávamos virtualmente. A relação se tornou tão próxima que certa vez convidei dez amigos virtuais para jantar em casa. De sobremesa, servi bolo com uma miniatura de mim mesmo e morcegos de glacê - como só entrava de madrugada, chamavam-me carinhosamente de Morcegão. Algumas dessas pessoas permanecem na minha vida até hoje. Do Orkut, eu me distanciei. Não fui o único. Passei a ouvir com frequência o termo "orkuticidio". Isso acontece quando a pessoa elimina sua página e abandona seus contatos. Isso eu não cheguei a fazer. Já não entro todos os dias.

Surgiram novos sites de relacionamento, com mais ferramentas, como o Facebook e o Twitter. O Orkut reagiu: transformou-se, abrindo novas possibilidades de interação. Imagino os milhões de dólares gastos para reprogramar o site. Tentei, mas não consegui me adaptar ao novo Orkut. Voltei ao antigo. Muita gente que conheço fez o mesmo. Ou abandonou de vez. "Ficou muito complicado"- foi a frase que mais ouvi. Embora, na prática, seu nível de dificuldade tenha se tornado semelhante ao do Facebook, para onde essas pessoas migraram. E o Second Life? Foi uma febre! Havia até disputa para "comprar" avenidas, anunciar nas ruas do universo virtual. Imagino que muita gente ainda se divirta com ele, mas não conheço ninguém.

Agora o Twitter lançou uma nova versão. Tentei incorporá-la. Duas horas depois, irritado, voltei à anterior. Muitas pessoas que me seguem também não se adaptaram. Melhor dizendo: assustam-se somente os mais velhos. Crianças e jovens adaptam-se facilmente. A cada complicação, eu me sinto mais excluído. "Ah, eu nãosabia" tornou-se uma frase comum no meu vocabulário. Sou louco pela internet. Como não ficar para trás? Daqui a pouco vou ter de tomar aulas para entender as novidades! Talvez meu "professor" tenha 8 ou 9 anos de idade! É um mistério: como crianças que mal sabem ler e escrever são capazes de entender programas complexos? E uma nova evolução da espécie, que desembarca no mundo com cérebro cibernético? E eu, sou um dinossauro em extinção?


Disponivel em: <<https://vejasp.abril.com.br/cidades/dinossaurona-internet>>. Acesso em: 18 de outubro de 2024.

O trecho "(...) voltei à anterior." 5° § foi corretamente grafado. Assim, quanto ao sinal indicativo de crase, assinale a opção em que o termo sublinhado está correto.
Leia o texto I abaixo que serve de referência para análise da questão.


Texto I

2023 É CONFIRMADO COMO ANO MAIS QUENTE JÁ REGISTRADO: 2024 PODE BATER ESSE RECORDE?


O ano de 2023 foi confirmado como o mais quente já registado, impulsionado pelas mudanças climáticas causadas pelo homem e pelo fenômeno natural El Niño. O ano passado foi cerca de 1,48ºC mais quente do que a média de longo prazo — antes de os seres humanos começarem a queimar grandes quantidades de combustíveis fósseis, afirma o serviço de clima da União Europeia.

Desde julho, quase todos os dias registraram um novo aumento na temperatura global do ar para esta época do ano, segundo análise da BBC. As temperaturas da superfície do mar também superaram as máximas anteriores. O Met Office, serviço climático do Reino Unido, informou na semana passada que o país teve em 2023 seu segundo ano mais quente já registrado na história. Estes registros globais mostram que o mundo está perto de descumprir os principais objetivos climáticos internacionais.

"O que me impressionou não foi apenas o fato de [2023] ter sido de recordes quebrados, mas sim a grande margem para quebrá-los", observa Andrew Dessler, professor de Ciências Atmosféricas na Texas A&M University. A margem de alguns desses registros é "realmente surpreendente", diz o professor Dessler, considerando que são médias de todo o mundo.

Já se sabe que o mundo está muito mais quente agora do que há 100 anos, à medida que os humanos continuam a emitir quantidades recordes de gases com efeito de estufa, como o dióxido de carbono, na atmosfera. Mas há 12 meses, nenhum grande órgão científico previu que 2023 seria o ano mais quente já registrado, devido à forma complicada como o clima da Terra se comporta.

Durante os primeiros meses do ano, apenas um pequeno número de dias quebrou recordes de temperatura do ar. Mas o mundo registrou então uma sequência notável e quase ininterrupta de recordes diários no segundo semestre de 2023. Este recente aumento da temperatura está principalmente ligado à rápida mudança para as condições do El Niño, que ocorreu em conjunto com o aquecimento a longo prazo causado pelo homem.

O El Niño é um fenômeno natural em que as águas superficiais mais quentes do Oceano Pacífico Oriental liberam calor adicional na atmosfera. Mas as temperaturas do ar aumentaram mais do que o normal no início desta fase do El Niño. Os efeitos totais devem ser sentidos apenas no início de 2024, depois de o El Niño ter atingido a força máxima.

Isto deixou muitos cientistas inseguros sobre o que exatamente está acontecendo com o clima. Este calor global recorde ajudou a agravar muitos fenômenos meteorológicos extremos em grandes partes do mundo em 2023 – desde ondas de calor intensas e incêndios florestais no Canadá e nos EUA, até secas prolongadas e inundações em partes da África Oriental.

Muitos eventos ocorreram em escalas muito além daquelas observadas em tempos recentes, ou em épocas incomuns do ano.

"São mais do que apenas estatísticas", afirma Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial entre 2016 e 2023. "As condições climáticas extremas estão destruindo vidas e meios de subsistência diariamente." A temperatura do ar é apenas uma medida das rápidas mudanças climáticas da Terra. Também em 2023:

O gelo da Antártica atingiu um nível "assustador", com o gelo do Ártico também abaixo da média.

Os glaciares no oeste da América do Norte e nos Alpes Europeus sofreram uma estação de derretimento extremo, contribuindo para a subida do nível do mar.

A superfície do mar mundial atingiu a temperatura mais alta registada no meio de múltiplas ondas de calor marinhas, incluindo o Atlântico Norte.

O ano de 2024 poderá ser mais quente do que 2023 – já que parte do calor recorde da superfície do oceano escapa para a atmosfera – embora o comportamento imprevisível do atual El Niño signifique que é difícil saber ao certo, diz Hausfather. Isto levanta a possibilidade de que 2024 possa até registrar pela primeira vez uma temperatura acima do aquecimento de 1,5ºC, de acordo com o Met Office.

As atividades humanas estão por trás desta tendência de aquecimento global a longo prazo, embora fatores naturais como o El Niño possam aumentar ou reduzir as temperaturas durante anos individuais. As temperaturas registadas em 2023 vão muito além de causas simplesmente naturais. Este último aviso surge pouco depois da cúpula climática COP28, onde os países concordaram pela primeira vez sobre a necessidade de combater a principal causa do aumento das temperaturas – os combustíveis fósseis.

Embora a linguagem do acordo tenha sido mais fraca do que muitos desejavam — sem qualquer obrigação para os países cumprirem as metas — espera-se que ele ajude a aproveitar alguns recentes progressos encorajadores em áreas como as energias renováveis e veículos elétricos.

"Mesmo que acabemos em 1,6°C, será muito melhor do que desistir e terminar perto de 3°C, que é onde as políticas atuais nos levariam", diz Friederike Otto, professor de Ciências Climáticas na Imperial College London.

"Cada décimo de grau é importante."


(Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ced7pl4l74vo. Acesso em 10/01/2024, adaptado)
As frases abaixo são propostas de reescrita de fragmentos do texto. Diante disso, assinale a alternativa em que o uso ou não da Crase esteja corretamente aplicado.
Considere as frases a seguir.
I. Apresse-sel Sua reunião vai começar às 8 horas.
II. Uso lapiseira, mas sempre preferi escrever à lápis.
III. Não diga nada à ninguém sobre nossos planos futuros.
IV. Aos domingos, minha família se reúne para saborear um bom filé à parmegiana.
V. Voltei à casa da minha infância depois de muitos anos.

O sinal indicativo de crase foi usado corretamente APENAS em
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