Até o começo do século 19, para se ouvir música dentro de casa, era preciso ter um cantor ou um músico na família. Caso contrário, só mesmo contratando um artista. Apreciar música era um privilégio para os poucos afortunados que podiam ir a teatros, ou diversão pontual para muitos que não se importavam de ficar em praças públicas, no calor ou no frio, dançando ao som dos realejos de rua. Mas foi somente a partir da invenção do fonógrafo de Thomas Edison que foi possível gravar e reproduzir o som como ele é, inclusive a voz humana.

LEIBOVICH, L. Apresentação. In: Do toque ao clique:

a história da música automática.

São Paulo: Sesc, 2018 (adaptado).

A forma como ouvimos música mudou nos últimos cem anos. Conforme o texto, essas transformações

O samba, ritmo musical criado pelos escravos africanos que chegavam à Bahia durante os séculos de colonização portuguesa e símbolo da tradição cultural brasileira, recentemente foi classificado como uma das mais modernas categorias de patrimônio histórico: a de “patrimônio imaterial”.

FIÚZA, B. O samba, patrimônio histórico imaterial.

Disponível em: www.uol.com.br. Acesso em: 9 dez. 2012.

O samba foi considerado patrimônio histórico imaterial porque essa categoria de patrimônio permitiria incluir os(as)

O ciclo da vida – sinopse

Direção: Yang Zhang

A rotina melancólica de uma casa de repouso na China é quebrada quando um grupo de velhinhos intrépidos decide fugir em um ônibus e atravessar o país para participar de um show de variedades na TV. Apesar da saúde frágil, a alegria da viagem e dos ensaios os enche novamente de vida e alegria. Ao longo do caminho, eles começam a ver que seus sonhos podem se tornar realidade e encontram a paz e a felicidade que há muito haviam sido deixadas para trás.

Disponível em: www.guiadasemana.com.br. Acesso em: 28 jul. 2015 (adaptado).


O que caracteriza esse texto como uma sinopse é o fato de apresentar ao leitor

Muitos aspiram à condição de senhor de engenho, porque se trata de um título que traz consigo a possibilidade de ser servido, obedecido e respeitado.

ANTONIL, A. J. Cultura e opulência do Brasil. Belo Horizonte-São Paulo: Itatiaia-Edusp, 1982 (adaptado).

Quanto à organização da sociedade colonial brasileira, para ocupar a posição social descrita, era necessário

As amigas Ana, Beatriz e Clara vão viajar de férias para o mesmo local, mas utilizaram agências de viagens diferentes. Ana pagou sua viagem em 5 parcelas iguais de R$ 387,20. O preço à vista da viagem de Beatriz era R$ 1 600,00, mas ela conseguiu negociar o pagamento: ele será efetuado em parcela única daqui a 3 meses, com juros simples de 7% ao mês sobre o preço à vista. O preço à vista da viagem de Clara também era R$ 1 600,00 e ela também conseguiu negociar o pagamento, que será efetuado integralmente daqui a 2 meses, com juros compostos de 10% ao mês sobre o preço à vista.

Quem pagou o menor preço pela viagem?

Menina Thayara conta mitos indígenas em escolas públicas de Manaus


Curitibana e neta de índios guaranis, a menina vive atualmente em Manaus, onde se diverte narrando histórias em escolas públicas.

Mas as apresentações têm uma pitada especial. Honrando o sangue de seus ancestrais, Thayara mostra a magia das lendas e dos mitos indígenas para as crianças da Amazônia.

[...]

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 4 set. 2013 (adaptado).

No trecho “Mas as apresentações têm uma pitada especial”, o conectivo mas tem a função de:

TEXTO I

Meu chapéu do lado

Tamanco arrastando

Lenço no pescoço

Navalha no bolso

Eu passo gingando

Provoco e desafio

Eu tenho orgulho

Em ser tão vadio

Sei que eles falam

Deste meu proceder

Eu vejo quem trabalha

Andar no miserê.

BATISTA, W. Lenço no pescoço. São Paulo: RCA Victor, 1933 (fragmento).


TEXTO II

Deixa de arrastar o teu tamanco

Pois tamanco nunca foi sandália

E tira do pescoço o lenço branco

Compra sapato e gravata

Joga fora esta navalha

Que te atrapalha

Malandro é palavra derrotista

Que só serve pra tirar

Todo o valor do sambista

Proponho ao povo civilizado

Não te chamar de malandro

E sim de rapaz folgado.

ROSA, N. Rapaz folgado. São Paulo: RCA Victor, 1938 (fragmento).

Ao tratar da figura do malandro, as letras das canções apresentam uma divergência baseada na

Quando confrontados pelos aspectos mais obscuros ou espinhosos da existência, os antigos gregos costumavam consultar os deuses (naquela época, não havia psicanalistas). Para isso, existiam os oráculos – locais sagrados onde os seres imortais se manifestavam, devidamente encarnados em suas sacerdotisas. Certa vez, talvez por brincadeira, um ateniense perguntou ao conceituado oráculo de Delfos se haveria na Grécia alguém mais sábio que o esquisitão Sócrates. A resposta foi sumária: “não”.

O inesperado elogio divino chegou aos ouvidos de Sócrates, causando-lhe uma profunda sensação de estranheza. Afinal de contas, ele jamais havia se considerado um grande sábio. Pelo contrário: considerava-se tão ignorante quanto o resto da humanidade. Após muito meditar sobre as palavras do oráculo, Sócrates chegou à conclusão de que mudaria sua vida (e a história do pensamento). Se ele era o homem mais sábio da Grécia, então o verdadeiro sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância. Para colocar à prova sua descoberta, ele foi ter com um dos figurões intelectuais da época. Após algumas horas de conversa, percebeu que a autoproclamada sabedoria do sujeito era uma casca vazia. E concluiu: “Mais sábio que esse homem eu sou. É provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um tantinho mais sábio que ele exatamente por não supor saber o que não sei”. A partir daí, Sócrates começou uma cruzada pessoal contra a falsa sabedoria humana – e não havia melhor palco para essa empreitada que a vaidosíssima Atenas. Em suas próprias palavras, ele se tornou um “vagabundo loquaz” – uma usina ambulante de insolência iluminadora, movida pelo célebre bordão que Sócrates legou à posteridade: “Só sei que nada sei”.

Para sua tarefa audaz, Sócrates empregou o método aprendido com os professores sofistas. Mas havia grandes diferenças entre a dialética de Sócrates e a de seus antigos mestres. Em primeiro lugar, Sócrates não cobrava dinheiro por suas “lições” – aceitava conversar com qualquer pessoa, desde escravos até políticos poderosos,sem ganhar um tostão. Além disso, os diálogos de Sócrates não serviam para defender essa ou aquela posição ideológica, mas para questionar a tudo e a todos sem distinção. Ele geralmente começava seus debates com perguntas diretas sobre temas elementares: “O que é o amor?” “O que é a virtude?” “O que é a mentira?” Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas, questionando o significado de cada palavra. E continuava fazendo perguntas em cima de perguntas, até levar os exaustos interlocutores a conclusões opostas às que haviam dado inicialmente – e tudo isso num tom perfeitamente amigável. Assim, o pensador demonstrava uma verdade que até hoje continua universal: na maior parte do tempo, a grande maioria das pessoas (especialmente as que se consideram mais sabichonas) não sabe do que está falando.

(José Francisco Botelho. Revista Vida Simples. Edição 91. Com adaptações.)

Das afirmativas transcritas do texto, assinale a que evidencia um pronome indefinido.

Desde o começo deste século, casos de morte e sumiço de abelhas são registrados nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, estudiosos destacam episódios alarmantes a partir de 2005. No ano de 2019, o fenômeno parece ter chegado ao ápice. Em três meses, mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas por apicultores em quatro estados brasileiros, segundo levantamento da Agência Pública e Repórter Brasil.

GRIGORI, P. Apicultores brasileiros encontram meio bilhão de abelhas mortas em três meses. Disponível em: https://reporterbrasil.org.br. Acesso em: 18 set. 2019 (adaptado).


Uma maneira de minimizar esse problema é

Texto 15A1-I

De acuerdo con el diccionario electrónico de la Real Academia Española, etimológicamente el término método proviene del latín Methodus, significando que se define como «un camino para lograr unos fines determinados» (Sánchez, 2000: 28). En educación, el método corresponde a la forma en que una situación de enseñanza-aprendizaje es conducida, de modo que el alumno pueda efectivamente aprender la materia que es objeto de estudio.

Por otra parte, en el marco de la enseñanza de lenguas extranjeras, Richards y Rodgers (2003) entienden por método un conjunto sistemático de prácticas docentes fundadas en una determinada teoría del lenguaje y del aprendizaje de idiomas. Para Sánchez (2000), el método es un conjunto integrado por: a) una base teórica que deriva de convicciones y creencias coherentes capaces de empujar a actuar de una u otra manera; b) un elenco de elementos lingüísticos seleccionados de acuerdo con la base teórica anterior, que constituirían los objetivos de enseñanza de aprendizaje; y c) un conjunto de técnicas adecuadas para lograr los objetivos propuestos.

Un método se relaciona en el plano teórico con un enfoque. Este registra las teorías acerca de la naturaleza de la lengua y la naturaleza del aprendizaje de una lengua, de las cuales emanan las prácticas y los principios sobre la enseñanza de idiomas.

Tanto las teorías acerca de la lengua, como sobre el aprendizaje, que subyacen en un método cualquiera, suelen exteriorizarse incluyendo diversos aspectos de los cursos de lenguas extranjeras, como: la programación del curso; los objetivos del curso; el papel del profesor; el papel del alumno; el uso de la lengua materna de los estudiantes; los contenidos de la enseñanza; las destrezas lingüísticas; los recursos y materiales; y las actividades que se llevan a cabo en clase y fuera de ella.

El concepto de método.
Internet:<docente.ifrn.edu.br> (con adaptaciones).

Con base en el texto 15A1-I, juzgue lo próximo ítem.

Para Sánchez el convencimiento de cómo aprender por parte del profesor determina su metodología.

Texto 15A4-IV

¿Te has preguntado alguna vez cómo TikTok siempre parece saber qué videos te van a gustar? La respuesta está en su algoritmo, una compleja inteligencia artificial que te conoce mejor que tu madre y tu pareja juntas. A través de sus algoritmos, estas plataformas recopilan una gran cantidad de datos sobre nosotros: sabe quién eres, cómo piensas, lo que te gusta y lo que detestas.

Pero, ¿cómo funcionan estos algoritmos? «El de TikTok es un algoritmo muy refinado», explica Andrea Leiva, analista de El Orden Mundial. «Siempre parece saber qué videos exactos te tiene que enseñar para que te enganches y no puedas dejar de mirar la aplicación durante horas».

Según un informe de The Wall Street Journal, TikTok solo necesita dos horas para que su algoritmo capte perfectamente los intereses del usuario, dirigiéndolo a vídeos que probablemente le interesen. Esta capacidad para recopilar información sobre nosotros plantea interrogantes sobre la magnitud de la vigilancia que ejerce la plataforma y cómo utiliza estos datos para manipularnos.

Pablo Gallego, experto en marketing digital, describe a TikTok como una red social que genera dopamina en el usuario, aumentando su predisposición a visualizar anuncios. «Hay un cruce entre lo que sería la psicología y la tecnología, es decir, cuando empezamos a ver el contenido que nos va gustando y vamos dándole like; y la parte tecnológica que va aprendiendo de lo que nos va gustando y lo que no». Sin embargo, esta estrategia de recopilar y analizar datos de los usuarios ha generado gran preocupación en Estados Unidos de América del Norte, lo que ha llevado a intentos de prohibir TikTok en el país.

El algoritmo de TikTok solo necesita dos horas para conocerte y captar tus intereses.
Internet:<rtve.es> (con adaptaciones)

A partir del texto 15A4-IV, juzgue lo siguiente ítem.

En los ejemplos «qué vídeos» (primer párrafo) y «¿cómo funcionan?» (segundo párrafo), ambos vocablos destacados son adverbios interrogativos.

Um levantamento publicado em um periódico médico conclui que das 2,4 bilhões de pessoas que consomem álcool no mundo, 1,5 bilhão são homens e o restante são mulheres.

Disponível em: https://super.abril.com.br. Acesso em: 20 set. 2018.


Um pesquisador selecionará aleatoriamente uma pessoa que consome álcool para realizar uma entrevista.

A probabilidade de essa pessoa ser mulher é

Os emergentes querem dirigir

Dois mil e nove. A China assume pela primeira vez o posto de maior produtor mundial de veículos, à frente dos Estados Unidos e Japão. Um ano mais tarde, o Brasil passa a Alemanha e se torna o quarto maior mercado mundial de veículos. A crise financeira, que comprometeu o consumo nos países ricos, pode ter contribuído, mas não fez mais do que antecipar a realidade que deve imperar nas próximas décadas. Cada vez mais, as montadoras voltam seus olhos para o Oriente e para as economias em desenvolvimento. Eles serão os grandes produtores e consumidores de carros do século XXI.

FREITAS, G. Carta Capital, n. 614, set. 2010.


O fragmento de texto é parte de uma reportagem sobre a produção de automóveis no mundo. Considerando a linguagem utilizada e a funcionalidade desse gênero textual, percebe-se que, entre suas características básicas, está a utilização de

Student on Homesickness

When the homesickness hits, I usually get lazy and tired and just feel like going home and sleeping. I miss the safety of my family and the comfort of home, but most of all I miss my mother and just being able to talk to her whenever I want.

The homesickness usually hits when I feel out of place, or when I hear a song, or see something that reminds me of them. Usually, when I Skype them, it makes me feel worse because I can see them and talk to them, but I can't be with them.

Lara Wyatt, 20, Boston.

Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 25 set. 2013.

O texto descreve uma situação muito comum entre as pessoas que passam a viver fora de sua cidade. Considerando as palavras homesickness, family e comfort, o depoimento da estudante Lara Wyatt ressalta

Texto 15A4-IV

¿Te has preguntado alguna vez cómo TikTok siempre parece saber qué videos te van a gustar? La respuesta está en su algoritmo, una compleja inteligencia artificial que te conoce mejor que tu madre y tu pareja juntas. A través de sus algoritmos, estas plataformas recopilan una gran cantidad de datos sobre nosotros: sabe quién eres, cómo piensas, lo que te gusta y lo que detestas.

Pero, ¿cómo funcionan estos algoritmos? «El de TikTok es un algoritmo muy refinado», explica Andrea Leiva, analista de El Orden Mundial. «Siempre parece saber qué videos exactos te tiene que enseñar para que te enganches y no puedas dejar de mirar la aplicación durante horas».

Según un informe de The Wall Street Journal, TikTok solo necesita dos horas para que su algoritmo capte perfectamente los intereses del usuario, dirigiéndolo a vídeos que probablemente le interesen. Esta capacidad para recopilar información sobre nosotros plantea interrogantes sobre la magnitud de la vigilancia que ejerce la plataforma y cómo utiliza estos datos para manipularnos.

Pablo Gallego, experto en marketing digital, describe a TikTok como una red social que genera dopamina en el usuario, aumentando su predisposición a visualizar anuncios. «Hay un cruce entre lo que sería la psicología y la tecnología, es decir, cuando empezamos a ver el contenido que nos va gustando y vamos dándole like; y la parte tecnológica que va aprendiendo de lo que nos va gustando y lo que no». Sin embargo, esta estrategia de recopilar y analizar datos de los usuarios ha generado gran preocupación en Estados Unidos de América del Norte, lo que ha llevado a intentos de prohibir TikTok en el país.

El algoritmo de TikTok solo necesita dos horas para conocerte y captar tus intereses.
Internet:<rtve.es> (con adaptaciones)

A partir del texto 15A4-IV, juzgue lo siguiente ítem.

Es posible sustituir «Sin embargo» (último párrafo) por Por supuesto sin que ello provoque ninguna alteración semántica en el texto.

Motores a combustão possuem rendimento muito baixo. Por exemplo, motores a gasolina apresentam um rendimento aproximado de 25%. Das perdas, 10% são devidas ao atrito mecânico entre componentes do motor, e 65% são perdas térmicas, das quais 30% são perdas pela interação dos gases com a parede da câmara de combustão e 35% são perdas para o ambiente. Por outro lado, motores elétricos têm um rendimento muito superior, da ordem de 80%.

Comparando-se os percentuais apresentados, essa grande diferença de rendimento é atribuída

Amartya Sen, 78 anos, cresceu em uma Índia imersa na ruína econômica. Filho de um professor universitário, conviveu com a miséria extrema, a sangrenta guerra separatista do Paquistão, o desmonte do Império Britânico e viu a fome matar pelo menos 3 milhões de pessoas em Bengala. Em 1998, ele recebeu o Nobel de Economia por sua formulação original sobre o desenvolvimento, processo que passou a ser visto como uma extensão das liberdades para trabalhar, consumir, dispor de saúde e educação de qualidade e expressar livremente os pensamentos. Graças a Sen, um dos criadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o avanço dos países não é mais medido apenas pelo crescimento da economia.

Disponível em: http://planetasustentavel.abril.com.br. Acesso em: 10 set. 2014 (adaptado).

Uma consequência dessa nova abordagem sobre o desenvolvimento é a

Kids Might Learn to Love their Veggies

A 2 000 survey found that the 9 to 14-year-olds who ate dinner with their families most frequently ate more fruit and vegetables and less soda and fried foods. Their diets also had higher amounts of many key nutrients, like calcium, iron, and fiber. Family dinners allow for both "discussions of nutrition [and] provision of healthful foods", says Matthew W. Gillman, MD, the survey’s lead researcher and the director of the Obesity Prevention Program at the Harvard Medical School.

Disponível em: www.health.com. Acesso em: 17 ago. 2014 (adaptado).

Com foco na alimentação das crianças, o texto faz uma relação entre hábitos alimentares saudáveis e

Uma comunidade rural de um estado brasileiro possui 4 hectares de terra, em forma quadrada, para plantação de cana. Sabe-se que 1 hectare equivale a uma área de 10 000 m2 .

Dessa forma, a medida do lado, em metro, das terras dessa comunidade é

Quando confrontados pelos aspectos mais obscuros ou espinhosos da existência, os antigos gregos costumavam consultar os deuses (naquela época, não havia psicanalistas). Para isso, existiam os oráculos – locais sagrados onde os seres imortais se manifestavam, devidamente encarnados em suas sacerdotisas. Certa vez, talvez por brincadeira, um ateniense perguntou ao conceituado oráculo de Delfos se haveria na Grécia alguém mais sábio que o esquisitão Sócrates. A resposta foi sumária: “não”.

O inesperado elogio divino chegou aos ouvidos de Sócrates, causando-lhe uma profunda sensação de estranheza. Afinal de contas, ele jamais havia se considerado um grande sábio. Pelo contrário: considerava-se tão ignorante quanto o resto da humanidade. Após muito meditar sobre as palavras do oráculo, Sócrates chegou à conclusão de que mudaria sua vida (e a história do pensamento). Se ele era o homem mais sábio da Grécia, então o verdadeiro sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância. Para colocar à prova sua descoberta, ele foi ter com um dos figurões intelectuais da época. Após algumas horas de conversa, percebeu que a autoproclamada sabedoria do sujeito era uma casca vazia. E concluiu: “Mais sábio que esse homem eu sou. É provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um tantinho mais sábio que ele exatamente por não supor saber o que não sei”. A partir daí, Sócrates começou uma cruzada pessoal contra a falsa sabedoria humana – e não havia melhor palco para essa empreitada que a vaidosíssima Atenas. Em suas próprias palavras, ele se tornou um “vagabundo loquaz” – uma usina ambulante de insolência iluminadora, movida pelo célebre bordão que Sócrates legou à posteridade: “Só sei que nada sei”.

Para sua tarefa audaz, Sócrates empregou o método aprendido com os professores sofistas. Mas havia grandes diferenças entre a dialética de Sócrates e a de seus antigos mestres. Em primeiro lugar, Sócrates não cobrava dinheiro por suas “lições” – aceitava conversar com qualquer pessoa, desde escravos até políticos poderosos,sem ganhar um tostão. Além disso, os diálogos de Sócrates não serviam para defender essa ou aquela posição ideológica, mas para questionar a tudo e a todos sem distinção. Ele geralmente começava seus debates com perguntas diretas sobre temas elementares: “O que é o amor?” “O que é a virtude?” “O que é a mentira?” Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas, questionando o significado de cada palavra. E continuava fazendo perguntas em cima de perguntas, até levar os exaustos interlocutores a conclusões opostas às que haviam dado inicialmente – e tudo isso num tom perfeitamente amigável. Assim, o pensador demonstrava uma verdade que até hoje continua universal: na maior parte do tempo, a grande maioria das pessoas (especialmente as que se consideram mais sabichonas) não sabe do que está falando.

(José Francisco Botelho. Revista Vida Simples. Edição 91. Com adaptações.)

O dígrafo consiste no encontro de duas letras que, juntas, emitem um único som, correspondente a um determinado fonema.

São considerados dígrafos consonantais, EXCETO:

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