Justiça e burocracia
A finalidade maior de todo processo judicial é chegar a
uma sentença que condene o réu, quando provada a culpa, ou
o absolva, no caso de ficar evidenciada sua inocência ou se
nada vier a ser efetivamente comprovado contra ele. O
pressuposto é o de que, em qualquer dos casos, a sentença
terá sido justa. Mas nem sempre isso ocorre. O caminho
processual é ritualístico, meticuloso, repleto de cláusulas, de
brechas para interpretação subjetiva, de limites de prazos, de
detalhes técnicos - uma longa jornada burocrática, em suma,
em que pequenos subterfúgios tanto podem eximir de
condenação um culpado como penalizar um inocente. Réus
poderosos contam com equipes de advogados particulares
experientes e competentes, ao passo que um acusado sem recursos
pode depender de defensores públicos mal remunerados
e indecisos quanto à melhor maneira de conduzir um processo.
No limite, mesmo os réus de notória culpabilidade,
reincidentes, por exemplo, emcasos de corrupção, acabam por
colecionar o que cinicamente chamam de "atestados de
inocência", sucessivamente absolvidos por força de algum
pequeno ou mesmo desprezível detalhe técnico. Quanto mais
burocratizados os caminhos da justiça, maior a possibilidade de
que os "expedientes" das grandes "raposas dos tribunais" se
tornem decisivos, em detrimento da substância e do mérito
essencial da ação em julgamento. A burocracia dos tortuosos
caminhos judiciais enseja a vitória da má-fé e do oportunismo,
em muitos casos; em outros, multiplica entraves para que uma
das partes torne evidente a razão que lhe assiste.
(Domiciano de Moura)

Deduz-se da leitura do texto que a relação entre a garantia de justiça e a excessiva burocratização dos procedimentos jurídicos

O cosmopolita desenraizado

Quando Edward Said morreu, em setembro de 2003,
após batalhar por uma década contra a leucemia, era provavelmente
o intelectual mais conhecido do mundo. Orientalismo,
seu controvertido relato da apropriação do Oriente pela literatura
e pelo pensamento europeu moderno, gerou uma subdisciplina
acadêmica por conta própria: um quarto de século após sua
publicação, a obra continua a provocar irritação, veneração e
imitação. Mesmo que seu autor não tivesse feito mais nada,
restringindo-se a lecionar na Universidade Columbia, em Nova
York ? onde trabalhou de 1963 até sua morte ?, ele ainda teria
sido um dos acadêmicos mais influentes do final do século XX.
Mas ele não viveu confinado. Desde 1967, cada vez com
mais paixão e ímpeto, Edward Said tornou-se também um comentarista
eloquente e onipresente da crise do Oriente Médio e
defensor da causa dos palestinos. O engajamento moral e político
não chegou a constituir umdeslocamento da atenção intelectual
de Said ? sua crítica à incapacidade do Ocidente em entender
a humilhação palestina ecoa, afinal, em seus estudos sobre
o conhecimento e ficção do século XIX, presentes em Orientalismo
e em obras subsequentes. Mas isso transformou o
professor de literatura comparada da Universidade de Columbia
num intelectual notório, adorado ou execrado com igual
intensidade por milhões de leitores.
Foi um destino irônico para um homem que não se
encaixava em quase nenhum dos modelos que admiradores e
inimigos lhe atribuíam. Edward Said passou a vida inteira tangenciando
as várias causas com as quais foi associado. O
"porta-voz" involuntário da maioria dos árabes muçulmanos da
Palestina era cristão anglicano, nascido em 1935, filho de um
batista de Nazaré. O crítico intransigente da condescendência
imperial foi educado em algumas das últimas escolas coloniais
que treinavam a elite nativa nos impérios europeus; por muitos
anos faloucom mais facilidade inglês e francês do que árabe,
sendo um exemplo destacado da educação ocidental com a
qual jamais se identificaria totalmente.
Edward Said foi o herói idolatrado por uma geração de
relativistas culturais em universidades de Berkeley a Mumbai,
para quem o "orientalismo" estava por trás de tudo, desde a
construção de carreiras no obscurantismo "pós-colonial" até
denúncias de "cultura ocidental" no currículo acadêmico. Mas o
próprio Said não tinha tempo para essas bobagens. A noção de
que tudo não passava de efeito linguístico lhe parecia superficial
e "fácil". Os direitos humanos, como observou em mais de uma
ocasião, "não são entidades culturais ou gramaticais e, quando
violados, tornam-se tão reais quanto qualquer coisa que possamos
encontrar".

(Adaptado de Tony Judt. "O cosmopolita desenraizado". Piauí,
n. 41, fevereiro/2010, p. 40-43)

A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes no segmento, está INCORRETA em:

Atente para as seguintes afirmações:

I. Fui encarregado de redigir um relatório.

II. Esse relatório está sendo aguardado com grande expectativa.

III. Dependendo do que nele se relatar, o diretor será destituído.

Essas afirmações organizam-se com clareza e correção no seguinte período:

Atenção: As questões de números 1 a 20 referem-se ao texto
que segue.

Para que servem as ficções?

Cresci numa família em que ler romances e assistir a
filmes, ou seja, mergulhar em ficções, não era considerado uma
perda de tempo. Podia atrasar os deveres ou sacrificar o sono
para acabar um capítulo, e não era preciso me trancar no
banheiro nem ler à luz de uma lanterna. Meus pais, eventualmente,
pediam que organizasse melhor meu horário, mas deixavam
claro que meu interesse pelas ficções era uma parte
crucial (e aprovada) da minha "formação". Eles sequer exigiam
que as ditas ficções fossem edificantes ou tivessem um valor
cultural estabelecido. Um policial e um Dostoiévski eram tratados
com a mesma deferência. Quando foi a minha vez de ser
pai, agi da mesma forma. Por quê?

Existe a idéia (comum) segundo a qual a ficção é uma
"escola de vida": ela nos apresenta a diversidade do mundo e
constitui um repertório dopossível. Alguém dirá: o mesmo não
aconteceria com uma série de bons documentários ou ensaios
etnográficos? Certo, documentários e ensaios ampliam nossos
horizontes. Mas a ficção opera uma mágica suplementar.

Tome, por exemplo, "O Caçador de Pipas", de Khaled
Hosseini. A leitura nos faz conhecer a particularidade do Afeganistão,
mas o que torna o romance irresistível é a história singular
de Amir, o protagonista. Amir, afastado de nós pela particularidade
de seu grupo, revela-se igual a nós pela singularidade
de sua experiência. A vida dos afegãos pode ser objeto
de um documentário, que, sem dúvida, será instrutivo. Mas a
história fictícia "daquele" afegão o torna meu semelhante e meu
irmão.

Esta é a mágica da ficção: no meio das diferenças
particulares entre grupos, ela inventa experiências singulares
que revelam a humanidade que é comum a todos, protagonistas
e leitores. A ficção de uma vida diferente da minha me ajuda a
descobrir o que há de humanoem mim.

Enfim, se perpetuei e transmiti o respeito de meus pais
pelas ficções é porque elas me parecem ser a maior e melhor
fonte não de nossas normas morais, mas de nosso pensamento
moral.

(Contardo Calligaris, Folha de S. Paulo, 18/01/2007)

O autor do texto vale-se dos conceitos de "particularidade" e "singularidade" para desenvolver a idéia de que

Os medicamentos utilizados para diminuir a hipercolesterolemia, controlar a hipertensão arterial, provocar broncodilatação e aumentar o débito urinário são, respectivamente,

Em relação aos recursos no processo penal,

Em termos de armazenamento de dados, Blu-Ray e HD-DVD diferem do disco de DVD tradicional

Os serviços Web (Web Services) apresentam benefícios dentre os quais se destacam:

I. Independência de plataforma de hardware e software.
II. Acoplamento alto devido à baixa granulosidade dos módulos.
III. Reusabilidade dos módulos e Ubiquidade.
IV. Padronização e Escalabilidade dos serviços.

Está correto o que consta APENAS em
Considere o texto abaixo para responder às questões.
      Tendo em vista a textura volitiva da mente individual, a perene tensão entre o presente e o futuro nas nossas deliberações, entre o que seria melhor do ponto de vista tático ou local, de um lado, e o melhor do ponto de vista estratégico, mais abrangente, de outro, resulta em conflito.
       Comer um doce é decisão tática; controlar a dieta, estratégica. Estudar (ou não) para a prova de amanhã é uma escolha tática; fazer um curso de longa duração faz parte de um plano de vida. As decisões estratégicas, assim como as táticas, são tomadas no presente. A diferença é que aquelas têm o longo prazo como horizonte e visam à realização de objetivos mais remotos e permanentes.
       O homem, observou o poeta Paul Valéry, “é herdeiro e refém do tempo”. A principal morada do homem está no passado ou no futuro. Foi a capacidade de reter o passado e agir no presente tendo em vista o futuro que nos tirou da condição de animais errantes. Contudo, a faculdade de arbitrar entre as premências do presente e os objetivos do futuro imaginado é muitas vezes prejudicada pela propensão espontânea a atribuir um valor desproporcional àquilo que está mais próximo no tempo.
       Como observa David Hume, “não existe atributo da natureza humana que provoque mais erros em nossa conduta do que aquele que nos leva a preferir o que quer que esteja presente em relação ao que está distante e remoto, e que nos faz desejar os objetos mais de acordo com a sua situação do que com o seu valor intrínseco”.
(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Auto-engano. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, edição digital)

De acordo com o texto, o homem comete enganos porque
De acordo com o Estatuto do Desarmamento, quanto ao registro de armas de fogo,

O Manual de Elaboração de Documentos Decorrentes de Avaliações Psicológicas (Resolução CFP N° 007/2003) aponta que o relatório ou o laudo psicológico, em relação à sua Estrutura, deve conter, no mínimo, 5 (cinco) itens. No item 4 ? Análise ? consta que o psicólogo

Constitui exemplo de receita extraorçamentária:

Em relação às Despesas de Exercícios Anteriores, é correto afirmar:

Pretende-se derivar um relacionamento ternário totalmente n:m em tabelas lógicas relacionais normalizadas na 3FN. Esta operação deverá gerar corretamente

A Web Semântica representa uma evolução da web atual, isso porque, enquanto a web tradicional foi desenvolvida para ser entendida pelos usuários, a Web Semântica está sendo projetada para ser compreendida pelas máquinas. Para isso, usa os seguintes recursos:

I. agentes inteligentes, programas capazes de operar eficientemente sobre as informações, podendo identificar os seus significados e as relações entre eles.

II. linguagens de marcação de documentos como a HTML, que estrutura as informações de maneira a descrever conteúdo, significado e apresentação.

III. ontologias, que permitem representar explicitamente a semântica dos dados, mostrando as relações entre os conceitos.

IV. metadados para dar significado às informações, criados por meio de padrões próprios para a web.

V. Protocolo OAI-PMH ? Open Archives Iniciative Protocol for Metadata Harvesting, que possibilita a interoperabilidade entre provedores, catálogos e indexadores.

Está correto o que consta APENAS em

Considere o programa em pseudocódigo abaixo, que não apresenta erros.
var var1=1, var2=2: inteiro
funcao1()
inicio
            var var1=100, var2=100: inteiro
            imprima("Variaveis dentro da funcao1(): var1= ", var1, " var2=", var2)
fim
funcao2()
inicio
            var1 = var1 +1;
            var2 = var2 +2;
            imprima("Variaveis dentro da funcao2(): var1= ", var1, " var2=", var2)
fim
inicio
            imprima("Variaveis antes de chamar a funcao1(): var1= ", var1, " var2=", var2)
            funcao1()
            imprima("Variaveis depois de chamar a funcao1():var1= ", var1, " var2=", var2)
            funcao2()
        imprima("Variaveis depois de chamar a funcao2():var1= ", var1, " var2=", var2)
fim
O pseudocódigo, ao ser executado, imprimirá

O contador da Cia. Noroeste recebeu o extrato bancário da empresa enviado pelo Banco América Central, no qual constava um saldo credor de R$ 160.000,00 na conta corrente. O saldo da conta corrente registrado no Livro Razão da entidade era devedor em um valor diferente de R$ 160.000,00. Ao efetuar a conciliação bancária, o contador anotou os fatos abaixo:

I. Recebimento de duplicatas em cobrança no banco no valor de R$ 15.000,00, não registradas na contabilidade.
II. Depósitos de cheques efetuados pela companhia ainda não creditados pelo banco no valor de R$ 2.000,00.
III. Despesas bancárias no valor de R$ 1.000,00, não registradas na contabilidade.
IV. Emissão de cheques pela companhia no valor de R$ 8.000,00 não descontados ainda no banco.
V. Cheque devolvido de um cliente, por falta de fundos e ainda não registrado na contabilidade, no valor de R$ 3.000,00.

As informações fornecidas permitem concluir que o saldo devedor da conta Banco América Central C/Movimento, antes do procedimento de conciliação bancária, apresentava um saldo devedor, em R$, de

Tanto o app Whatssapp quanto o Telegram usam um recurso que embaralha o texto das mensagens, impedindo que elas sejam lidas durante o trajeto do emissor para o destinatário. No formato ‘de ponta a ponta’, apenas as pessoas nas ‘pontas’ da conversa têm o que pode desembaralhá-las, elas inclusive já chegam codificadas aos servidores. No Telegram, há duas opções deste recurso: cliente-cliente, isto é, entre usuários (apenas na opção ‘chat secreto’), ou cliente-servidor, entre o usuário e o servidor do app (nos chats comuns).  Como o conteúdo vazou?  Existem outras formas de interceptar conversas tanto no Telegram quanto no WhatsApp. Um dos golpes mais conhecidos é o ‘SIM Swap’. Neste golpe, os hackers clonam temporariamente o cartão de operadora (SIM) da vítima. Isso pode ser feito com
algum criminoso infiltrado na empresa telefônica. [...]  O perigo fica ainda maior se a vítima opta por fazer backups das conversas dos apps na nuvem. No WhatsApp isso é feito via Google Drive (Android) ou iCloud (iOS). Nestes casos, seria preciso também que o invasor conseguisse descobrir como invadir as contas do Google e iCloud de alguma forma, além de usar um celular com o mesmo sistema operacional da vítima. É importante frisar que as conversas do WhatsApp salvas na nuvem já tiveram o recurso desfeito quando a mensagem foi lida. No Telegram, as conversas comuns são guardadas na nuvem da empresa dona do mensageiro; em caso de invasão do celular, o hacker também consegue livre acesso a todos os backups que foram feitos automaticamente, ou seja, pode ler todo o seu
histórico de mensagens de longa data. Só os chats secretos escapam disso, pois ficam armazenados apenas na memória dos celulares dos membros da conversa.
(Disponível em: https://noticias.uol.com.br) 
Com base no texto, um Analista de Infraestrutura conclui, corretamente, que 

O princípio contábil da oportunidade estabelece que

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