Ao integrar o valor econômico à produção simbólica e às práticas
culturais, a economia da cultura promove reflexões sobre a
alocação de recursos públicos, incentiva a participação do setor
privado e amplia o debate sobre a sustentabilidade cultural.
No que se refere à sustentabilidade cultural, associe os aspectos
potencializados por ela com suas respectivas descrições.
1. Identidade
2. Autenticidade
3. Capital cultural
4. Vitalidade
( ) A cultura consolida e fortalece os valores de uma sociedade
por meio da participação ativa e do empoderamento das
pessoas no sistema cultural, impulsionado pelo uso de
pesquisa, inovação e produção de conhecimento.
( ) A incorporação do valor cultural a um bem ou atração, seja
ela material ou imaterial, amplia seu valor e potencial
econômico, gerando produtos originais e de qualidade que
impulsionam setores como o turismo e a economia criativa.
( ) A cultura é uma dimensão estruturante da vida social e do
desenvolvimento econômico, pois oferece manifestações
sólidas, inclusivas, interligadas a diversas áreas e
representativas da diversidade, contribuindo para o
fortalecimento da sociedade.
( ) O reconhecimento e a valorização de elementos singulares
expressam a identidade cultural de uma comunidade e
asseguram que os produtos e as práticas culturais
representem suas vivências e saberes, articulando valor
simbólico e potencial econômico.
O espaço também é tratado como um fato da natureza,
“naturalizado” através da atribuição de sentidos cotidianos
comuns. Sob certos aspectos, mais complexo do que o tempo – tem
direção, área, forma, padrão e volumo como principais atributos,
bem como distância – o espaço é tratado tipicamente como um
atributo objetivo das coisas que pode ser medido e, portanto,
apreendido. Reconhecemos que a nossa experiência subjetiva pode
nos levar a domínios de percepção, de imaginação, de ficção e de
fantasia que produzem espaços e mapas mentais como miragens
da coisa supostamente “real”. Sob a superfície de ideias do senso
comum e aparentemente “naturais” acerca do tempo e do espaço,
ocultam-se territórios de ambiguidade, de contradição e de luta.
Os conflitos surgem não apenas de apreciações subjetivas
admitidamente diversas, mas porque diferentes qualidades
materiais objetivas do tempo e do espaço são consideradas
relevantes para a vida social em diferentes situações. Importantes
batalhas também ocorrem nos domínios da teoria, bem como da
prática, científica, social e estética. O modo como representamos
o espaço e o tempo na teoria importa, visto afetar a maneira como
nós e os outros interpretamos e depois agimos com relação ao
mundo. Adaptado de: HARVEY, David. A condição pós-moderna. Uma pesquisa
sobre as Origens da Mudança Cultural. São Paulo: Edições Loyola, 1992,
pp. 188 – 190.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o autor
Leia o trecho a seguir do Plano Nacional de Cultura (PNC).
“A formação sociocultural do Brasil é marcada por encontros
étnicos, sincretismos e mestiçagens. Na experiência histórica,
predominam a negociação entre suas diversas formações
humanas e matrizes culturais, e o jogo entre identidade e
alteridade, resultando no reconhecimento progressivo dos
valores simbólicos presentes em nosso território. Não se pode
ignorar, no entanto, as tensões, dominações e discriminações
que permearam e permeiam a trajetória do País. A diversidade
cultural no Brasil se atualiza – de maneira criativa e ininterrupta –
por meio da expressão de seus artistas e de suas múltiplas
identidades, a partir da preservação de sua memória, da reflexão
e da crítica.”
(Adaptado de PNC, Lei nº 12.343/2010)
Com base nesse trecho, é correto afirmar que o PNC associa o
conceito de cultura ao de:
Embora os rolos – no qual os filmes residem enquanto potência
fílmica – sejam palpáveis, o filme em si não é. Não pode ser tocado,
tampouco visto sem que seja projetado. À medida que o projetor
roda, dando às gravações velocidade suficiente para gerar a ilusão
do movimento, cabe aos espectadores, sem tempo para fixar o
olhar e o entendimento em um ou outro aspecto determinado da
sequência de imagens que lhe é mostrada, juntar algumas
impressões do que acaba de ser visto para formatar um ponto de
vista ou uma interpretação. Tanto o que faz “eleger” alguns dentre
os incontáveis sinais possíveis como os mais significativos de um
filme quanto o modo como os interpreta não pode ser desvinculado
de seus desejos e conhecimentos prévios. Em outras palavras, o
processo não é desvinculado das particularidades daquele que o
vê, de sua memória e de seu saber.
Adaptado de: NASCIMENTO, Nayara. Amor em telas – amor e tecnologia
digital em filmes dos anos 2010. Tese de doutorado em Sociologia da
Universidade de São Paulo, 2022, p. 21.
Com base na leitura do trecho, assinale a afirmativa que descreve
corretamente a compreensão sociológica da autora sobre o ato de
consumir produções audiovisuais.
A ideia de uma “Sociedade de Consumo” vai além da ideia trivial
de que todos os membros dessa sociedade consomem, uma vez
que todos os seres humanos e todas as criaturas vivas consomem
e sempre consumiram. Acreditamos que a análise do consumo
como uma atividade social e cultural possibilitará uma melhor
compreensão dos novos discursos e propostas advindas do
pensamento ambientalista internacional, a partir da percepção da
questão ambiental como um problema relativo aos estilos de vida
e consumo. Deve-se destacar que a Sociedade de Consumo, como
uma ideologia e utopia pautada na abundância, adquiriu um
status de natural, universal e eterna, mas foi na verdade construída
e instituída em oposição a outras ideologias, utopias pautadas na
suficiência, que precisaram ser neutralizadas para permitir sua
emergência. O consumo se converteu na arena onde a cultura é
motivo de disputas e remodelações. Assim, decisões como o que
comprar, quanto gastar, quanto economizar etc. são decisões
baseadas em juízos morais e tanto geram quanto expressam aquilo
que conhecemos como cultura, no seu sentido mais geral.
Adaptado de: PORTILHO, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e
cidadania. São Paulo: Cortez, 2005, p. 68-74.
Com base na leitura do trecho, assinale a afirmativa que descreve
corretamente a interpretação da autora sobre a sociedade do
consumo.
Leia os dois trechos das músicas a seguir. O primeiro é a versão
original da música “Mulheres”, de Toninho Geraes, e o segundo é
uma adaptação da música, realizada por Doralyce Ferreira e Silvia
Duffrayer.
I.
Nós somos mulheres de todas as cores
De várias idades, de muitos amores
Lembro de Elza Soares, mulher fora da lei
Lembro Marielle, valente e guerreira
De Chica Da Silva, Toda Mulher Brasileira
Crescendo oprimida pelo patriarcado
Meu corpo, minhas regras, agora mudou o quadro Mulheres cabeça e muito equilibradas
Ninguém está confusa, não te perguntei nada
São elas por elas
Escute este samba que eu vou te cantar
Eu não sei por que eu tenho que ser a sua felicidade
Não sou a sua projeção, você é que se baste
Meu bem, amor assim eu quero longe de mim
Sou Mulher, sou dona do meu corpo e da minha vontade
Fui eu que descobri poder e liberdade
Adaptado de: Música “Nós somos mulheres. Samba que elas querem” de
Doralyce Ferreira e Silvia Duffrayer.
II.
Já tive mulheres de todas as cores
De várias idades, de muitos amores
Com umas até certo tempo fiquei
Pra outras apenas um pouco me dei
Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida
Casada carente, solteira feliz
Já tive donzela e até meretriz
Mulheres cabeça e desequilibradas
Mulheres confusas, de guerra e de paz
Mas nenhuma delas me fez tão feliz
Como você me faz
Procurei em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade
Adaptado de: Música “Mulheres” de Toninho Geraes
Analise as afirmativas a seguir relacionadas ao procedimento de
adaptação da versão original do samba.
I. Apropria-se de um elemento cultural que reforça papéis de
gênero com o objetivo de questioná-lo e reformulá-lo de
acordo com os interesses e os desejos de um grupo social.
II. Plagia uma expressão cultural ao reproduzir fielmente seu
conteúdo sem fazer a devida atribuição de autoria.
III. Rejeita o estilo musical do samba que frequentemente
perpetua a sexualização da mulher, representando-a como
objeto de desejo masculino.
Stuart Hall dedicou grande parte de sua obra à análise da cultura
e da identidade em sociedades multiculturais. No livro Pensando
a diáspora, Hall examina as identidades caribenhas diaspóricas
em condições contemporâneas de globalização. O autor
argumenta a favor da "impureza" cultural, considerando a forma
como o “velho” é transformado no “novo” e a forma como o
“exterior” se torna parte constitutiva da “cultura nacional”.
Para analisar as interações entre culturas e a impureza cultural,
Hall propõe o conceito de:
A história de vida é uma daquelas noções do senso comum que
entram de contrabando no universo acadêmico; primeiro, sem
tambor nem trompete, pelos etnólogos; depois, mais
recentemente, e não sem estrondo, entre os sociólogos. Falar de
história de vida é pressupor pelo menos, e isto não é pouco, que a
vida é uma história e uma vida é inseparavelmente o conjunto de
acontecimentos de uma existência individual concebida como uma
história e o relato desta história. O mundo social, que tende a
identificar a normalidade com a identidade, entendida como
constância de si mesmo de um ser responsável, ou seja, previsível
ou, no mínimo, inteligível, à maneira de uma história bem
construída, dispõe de todos os tipos de instituições de totalização
e de unificação do eu.
Os acontecimentos biográficos são definidos como muitos
posicionamentos e deslocamentos no espaço social, ou seja, mais
precisamente, nos diferentes estados sucessivos da estrutura de
distribuição das diferentes espécies de capital envolvidas em dado
campo
Adaptado de: BOURDIEU, Pierre. L’illusion biographique. In: Actes de la
recherche en sciences sociales. Vol. 62-63, 1986.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que, segundo o
autor, o sociólogo, ao estudar biografias, deve
O trecho a seguir discorre sobre os desafios que os movimentos
indígenas enfrentam na luta pelo reconhecimento institucional
dos conhecimentos tradicionais.
A influência das ideias dominantes opera em dois sentidos
aparentemente contraditórios. De um lado, os movimentos
indígenas formulam reivindicações nos termos de uma linguagem
de direitos dominante, passível de ser reconhecida e, portanto, de
ser bem-sucedida. De outro, esses conceitos supõem, ao falar em
“conhecimento tradicional” no singular, que um único regime
possa representar uma miríade de diferentes regimes históricas e
sociais de conhecimento tradicional.
CARNEIRO DA CUNHA, Manuela. “Cultura” e cultura. Conhecimentos tradicionais e
direitos intelectuais. Lisboa: Oca Editorial, 2020. (Adaptado.)
Assinale a opção que descreve corretamente a situação descrita.
Na gestão da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (1989-
92), Marilena Chauí defendeu e promoveu uma concepção de
cidadania cultural:
Eu propus a ideia da cultura como um direito, a ideia de cidadania
cultural, significando: a) contra a tradição brasileira (mantida
mesmo por uma parte da esquerda), declaramos que o Estado
não é produtor de cultura, e sim a sociedade e que, por isso, a
cultura é um direito dos cidadãos não só de ter acesso aos bens
culturais, mas sobretudo de produzir cultura; e b) uma
reformulação da própria ideia de cultura, pois a lei municipal
definia como cultura apenas a prática das sete artes liberais e
mais nada: tudo que você quisesse fazer que não fosse dança,
música, teatro, cinema, escultura, ou pintura não era permitido
pela lei. Um longo e difícil trabalho teve que ser feito para mudar
essa situação. (…) Mas, ao longo de quatro anos, a ideia de que a
cultura é um direito, a ideia de cidadania cultural “pegou” e os
movimentos culturais fizeram a cultura acontecer, porque a
função da SMC não era produzir cultura e sim criar condições
para que ela fosse criada. Essa ideia se tornou nacional.
Chauí, Marilena. Cidadania cultural: o direito à cultura.
São Paulo: Perseu Abramo, 2006.
Com base no trecho, é correto afirmar que a concepção de
cidadania cultural proposta por Marilena Chauí
Leia as duas teses postuladas por Max Horkheimer e Theodor
Adorno a respeito do conceito de “indústria cultural”.
A técnica da indústria cultural levou apenas à padronização e à
produção em série, sacrificando o que fazia a diferença entre a
lógica da obra e a do sistema social. Isso, porém, não deve ser
atribuído a uma lei evolutiva da técnica, enquanto tal, mas à sua
função na economia atual.
A função que o esquematismo kantiano ainda atribuía ao sujeito,
a saber, referir de antemão a multiplicidade sensível aos
conceitos fundamentais, é tomada ao sujeito pela indústria.
Adaptado de Adorno, T. W. e Horkheimer, M. Dialética do Esclarecimento:
Fragmentos Filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
Com base nos trechos, avalie se as afirmativas a seguir
interpretam corretamente as duas teses:
I. O desenvolvimento da técnica na sociedade capitalista
contemporânea, incorporou a cultura nesse processo,
impondo-lhe transformações significativas na forma, mas,
principalmente, em sua essência.
II. Em decorrência do novo modo de produção cultural,
submetido às leis mercantis, a cultura foi padronizada e
reduzida a mercadoria de consumo.
III. A interpretação dos fatos da realidade interna ao sujeito e
seus sentidos, própria da experiência iluminista descrita por
Kant, cede lugar a um mecanismo que lhe é exterior, a
indústria cultural.
IV. A obra de arte perde a sua singularidade, sua “aura”,
tornando-se um produto do modo de produção industrial,
motivo pelo qual perde sua capacidade de ser imprevista e
singular e torna-se instrumento de conformidade com o
status quo.
As teses foram interpretadas de acordo com a teoria crítica dos
autores em: