Os direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal de
1988 incluem
o direito de greve e a competência dos empregadores para decidir sobre a oportunidade de exercício desse direito e sobre os interesses que devam ser defendidos por meio desse exercício.
Atenção: As questões de números 1 a 14 referem-se ao texto
seguinte.
A propósito de uma aranha
Fiquei observando a aranha que construía sua teia, com
os fios que saem dela como um fruto que brota e se alonga de
sua casca. A aranha quer viver, e trabalha nessa armadilha caprichosa
e artística que surpreenderá os insetos e os enredará
para morrer. Tua morte, minha vida − diz uma frase antiga,
resumindo a lei primeira da natureza. A frase pode soar amarga
em nossos ouvidos delicados, enquanto comemos nosso
franguinho. Sua morte, vida nossa.
Os vegetarianos não fiquem aliviados, achando que,
além de terem hábitos mais saudáveis, não dependem da morte
alheia para viver. É verdade que a alface, a cenoura, a batata, o
arroz, o espinafre, a banana, a laranja não costumam gritar
quando arrancados da terra, decepados do caule, cortados e
processados na cozinha. Mas por que não imaginar que
estavam muito bem em suas raízes, e se deleitavam com o
calor do sol, com a água refrescante da chuva, com os sopros
do vento? Sua morte, vida nossa.
Mas voltemos à aranha. Ela não aprendeu arquitetura ou
geometria, nada sabe sobre paralelas e losangos; vive da
ciência aplicada e laboriosa dos fios quase invisíveis que não
perdoam o incauto. Uma vez preso na teia, o inseto que há
pouco voava debate-se inutilmente, enquanto a aranha caminha
com leveza em sua direção, percorrendo resoluta o labirinto de
malhas familiares. Se alguém salvar esse inseto, num gesto de
misericórdia, e se dispuser a salvar todos os outros que caírem
na armadilha, a aranha morrerá de fome. Em outras palavras: a
boa alma tomará partido entre duas mortes.
A cada pequena cena, a natureza nos fala de sua
primeira lei: a lei da necessidade. O engenho da aranha, a
eficácia da teia, o vôo do inseto desprevenido compõem uma
trama de vida e morte, da qual igualmente participamos todos
nós, os bichos pensantes. Que necessidade tem alguém de ser
cronista? − podem vocês me perguntar. O que leva alguém a
escrever sobre teias e aranhas? Minha resposta é crua como a
natureza: os cronistas também comem. E como não sabem
fazer teias, tecem palavras, e acabam atendendo a necessidade
de quem gosta de ler. A pequena aranha, com sua pequena
teia, leva a gente a pensar na vida, no trabalho, na morte. A
natureza está a todo momento explicando suas verdades para
nós. Se eu soubesse a origem e o fim dessas verdades todas,
acredite, leitor, esta crônica teria um melhor arremate.
Virou a capanga de cabeça para baixo, e os peixes espalharam-se pela pia. Ele ficou olhando, e foi então que notou que a traíra ainda estava viva. Era o maior peixe de todos ali, mas não chegava a ser grande: pouco mais de um palmo. Ela estava mexendo, suas guelras mexiam-se devagar, quando todos os outros peixes já estavam mortos. Como que ela podia durar tanto tempo assim fora d"água?...
Teve então uma ideia: abrir a torneira, para ver o que acontecia. Tirou para fora os outros peixes: lambaris, chorões, piaus; dentro do tanque deixou só a traíra. E então abriu a torneira: a água espalhou-se e, quando cobriu a traíra, ela deu uma rabanada e disparou, ele levou um susto – ela estava muito mais viva do que ele pensara, muito mais viva. Ele riu, ficou alegre e divertido, olhando a traíra, que agora tinha parado num canto, o rabo oscilando de leve, a água continuando a jorrar da torneira. Quando o tanque se encheu, ele fechou-a.
– E agora? – disse para o peixe. – Quê que eu faço com você?...
Enfiou o dedo na água: a traíra deu uma corrida, assustada, e ele tirou o dedo depressa.
– Você tá com fome?... E as minhocas que você me roubou no rio? Eu sei que era você; devagarzinho, sem a gente sentir... Agora está aí, né?... Tá vendo o resultado?...
O peixe, quieto num canto, parecia escutar.
Podia dar alguma coisa para ele comer. Talvez pão. Foi olhar na lata: havia acabado. Que mais? Se a mãe estivesse em casa, ela teria dado uma ideia – a mãe era boa para dar ideias. Mas ele estava sozinho. Não conseguia lembrar de outra coisa. O jeito era ir comprar um pão na padaria. Mas sujo assim de barro, a roupa molhada, imunda? – Dane-se – disse, e foi.
Era domingo à noite, o quarteirão movimentado, rapazes no footing , bares cheios. Enquanto ele andava, foi pensando no que acontecera. No começo fora só curiosidade; mas depois foi bacana, ficou alegre quando viu a traíra bem viva de novo, correndo pela água, esperta. Mas o que faria com ela agora? Matá-la, não ia; não, não faria isso. Se ela já estivesse morta, seria diferente; mas ela estava viva, e ele não queria matá-la. Mas o que faria com ela? Poderia criá-la; por que não? Havia o tanquinho do quintal, tanquinho que a mãe uma vez mandara fazer para criar patos. Estava entupido de terra, mas ele poderia desentupi-lo, arranjar tudo; ficaria cem por cento. É, é isso o que faria. Deixaria a traíra numa lata d"água até o dia seguinte e, de manhã, logo que se levantasse, iria mexer com isso.
Enquanto era atendido na padaria, ficou olhando para o movimento, os ruídos, o vozerio do bar em frente. E então pensou na traíra, sua trairinha, deslizando silenciosamente no tanque da pia, na casa escura. Era até meio besta como ele estava alegre com aquilo. E logo um peixe feio como traíra, isso é que era o mais engraçado.
Toda manhã – ia pensando, de volta para casa – ele desceria ao quintal, levando pedacinhos de pão para ela. Além disso, arrancaria minhocas, e de vez em quando pegaria alguns insetos. Uma coisa que podia fazer também era pescar depois outra traíra e trazer para fazer companhia a ela; um peixe sozinho num tanque era algo muito solitário.
A empregada já havia chegado e estava no portão, olhando o movimento. – Que peixada bonita você pegou...
– Você viu?
– Uma beleza... Tem até uma trairinha.
– Ela foi difícil de pegar, quase que ela escapole; ela não estava bem fisgada.
– Traíra é duro de morrer, hem?
– Duro de morrer?... Ele parou.
– Uai, essa que você pegou estava vivinha na hora que eu cheguei, e você ainda esqueceu o tanque cheio d"água... Quando eu cheguei, ela estava toda folgada, nadando. Você não está acreditando? Juro. Ela estava toda folgada, nadando.
– E aí?
–Aí? Uai, aí eu escorri a água para ela morrer; mas você pensa que ela morreu? Morreu nada! Traíra é duro de morrer, nunca vi um peixe assim. Eu soquei a ponta da faca naquelas coisas que faz o peixe nadar, sabe? Pois acredita que ela ainda ficou mexendo? Aí eu peguei o cabo da faca e esmaguei a cabeça dele, e foi aí que ele morreu. Mas custou, ô peixinho duro de morrer! Quê que você está me olhando?
– Por nada.
– Você não está acreditando? Juro; pode ir lá na cozinha ver: ela está lá do jeitinho que eu deixei. Ele foi caminhando para dentro.
– Vou ficar aqui mais um pouco
– disse a empregada.
– depois vou arrumar os peixes, viu?
– Sei.
Acendeu a luz da sala. Deixou o pão em cima da mesa e sentou-se. Só então notou como estava cansado.
(VILELA, Luiz. . O violino e outros contos 7ª ed. São Paulo: Ática, 2007. p. 36-38.)
VOCABULÁRIO:
Capanga: bolsa pequena, de tecido, couro ou plástico, usada a tiracolo.
Footing :passeio a pé, com o objetivo de arrumar namorado(a).
Guelra: estrutura do órgão respiratório da maioria dos animais aquáticos.
Vozerio: som de muitas vozes juntas.
Observe o uso do diminutivo nas frases:
1. “(...) E então pensou na traíra, sua TRAIRINHA, deslizando silenciosamente no tanque da pia, na casa escura.(...)”
2. “(...) – Uai, essa que você pegou estava VIVINHA na hora que eu cheguei, e você ainda esqueceu o tanque cheio d"água(...)”
A respeito da flexão sofrida pelas palavras em destaque, analise os itens a seguir:
I. O uso da forma sintética do diminutivo, na frase 1, atribui ao substantivo flexionado um sentido conotativo, contribuindo para a manifestação da afetividade do protagonista em relação ao peixe.
II. Na frase 2, o diminutivo intensifica a ideia de vivo. Vivinho =muito vivo, bem vivo, saudável.
III. Em ambas as frases os termos flexionados têm valor denotativo, pois o sufixo diminutivo atribui a eles sua significação normal, apesar de diminuída sua intensidade.
Assinale a alternativa que aponta o(s) item(ns) correto(s).
O teto de um imóvel pertencente à União desabou em decorrência de fortes chuvas, as quais levaram o poder público a decretar estado de calamidade na região. Maria, servidora pública responsável por conduzir o processo licitatório para a contratação dos serviços de reparo pertinentes, diante da situação de calamidade pública, decidiu contratar mediante dispensa de licitação. Findo o processo de licitação, foi escolhida a Empresa Y, que apresentou preços superiores ao preço de mercado, mas, reservadamente, prometeu, caso fosse contratada pela União, realizar, com generoso desconto, uma grande reforma no banheiro da residência de Maria. Ao final, em razão da urgência, foi firmado contrato verbal entre a União e a Empresa Y e executados tanto os reparos contratados quanto a reforma prometida.
Com referência a essa situação hipotética, julgue os itens que se seguem.
Na situação hipotética apresentada, não seria necessário juntar ao processo de licitação a justificativa de preço para contratação da Empresa Y.
Julgue os itens a seguir, referentes a aplicativos para edição de textos, planilhas e apresentações.
No Microsoft Word, pode-se usar a mala direta para enviar e-mails personalizados a uma lista de endereços de e-mail contida no Outlook ou em um banco de dados.
Apesar do reduzido território, o estado da Paraíba possui uma significativa variedade de produção agropecuária. Entre as lavouras temporárias a seguir, a que possuiu a maior área plantada em 2011, no estado da Paraíba, foi:
No que se refere a compras de recursos materiais, julgue os itens subsecutivos.
É desnecessária aos profissionais que atuam na área de compras a aquisição de conhecimentos amplos das características dos produtos, ou das fases de fabricação dos itens comprados.
Até meados do século XX, prevalecia, entre os antropólogos, a ideia de que a família nuclear era uma instituição apenas cultural. Hoje se acredita que a família nuclear tenha-se estabelecido por trazer vantagens evolutivas. Várias hipóteses apontam nesse sentido. A relação estável também ganhou espaço porque, entre humanos, criar um filho não é fácil. O bebê exige cuidados especiais por mais tempo que outros primatas. Sob a ótica do pai, estar por perto, para arranjar comida, manter as onças afastadas e garantir a sobrevivência da prole, representava uma superioridade evolutiva. Estima-se que a consolidação da família nuclear tenha deixado marcas até mesmo na anatomia e na fisiologia humanas.
Veja, 10/12/2008 (com adaptações).
Julgue os seguintes itens, a respeito da organização das ideias no texto acima.
A expressão "nesse sentido" (l.5) retoma a ideia de que "a família nuclear tenha-se estabelecido por trazer vantagens evolutivas" (l.3-4).
Em janeiro de 1999, estando em Fortaleza,
Pedro remeteu, por via postal, para Gabriel, que
mora em Brasília, pacote contendo artefato
explosivo. O artefato somente chegou a seu
destinatário no mês seguinte. Entre a data da
remessa e o recebimento, entrou em vigência lei
que agravou a punição aplicável à conduta de
Pedro. Em face dessa situação hipotética,
assinale a opção correta.
As estações de trabalho dos técnicos estão conectadas à rede de computadores local do Ministério Público e têm acesso à rede mundial Internet por meio dos navegadores Internet Explorer 8.0 (navegador Web padrão) e Mozilla Firefox. Os recursos destas redes, dispositivos de comunicação, protocolos de rede e mecanismos de segurança, possibilitam as buscas de informações e a utilização dos serviços WWW, bem como a troca de mensagens eletrônicas por meio dos programas de e-mails Outlook Express (correio eletrônico padrão) e Mozilla Thunderbird.
No Outlook Express, com os servidores de email de entrada POP3 ou IMAP, o nome do servidor de email de saída geralmente é o
A respeito das sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, julgue os itens subsequentes. Ao infrator que cometer simultaneamente duas ou mais infrações administrativas será aplicada apenas a sanção mais gravosa.
Acerca de tecnologias, ferramentas e procedimentos associados à Internet e à intranet, julgue os itens subsequentes.
O hipertexto consiste em um sistema de base de dados que integra eficientemente objetos de diferentes tipos, tais como texto, imagem, vídeos, sons e aplicativos.
“Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
“dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
conhecimento das partes.
Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
pessoa que o está lendo.
No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
responder questionários de interpretação.
Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...
Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
não produz prazer: queremos que ela termine logo.
Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
esquecer.
Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
são sensíveis à sua beleza.
(Rubem Alves. Texto disponível em:
http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
05/11/2011. Adaptado.)
No texto aparece a afirmação de que: “não houve
tempo para [os alunos] serem iniciados na beleza
musical do texto literário”. Do ponto de vista da
concordância verbal, o uso do verbo haver também
estaria correto em:
Quando Carlos e André se encontraram, Carlos tinha R$8,00 a mais que André. Como estava devendo certa quantia a André, Carlos aproveitou e pagou sua dívida. Assim, André passou a ter o dobro da quantia que tinha quando encontrou o amigo, e Carlos ficou com R$2,00 a menos do que tinha André antes de receber o pagamento. Qual a quantia, em reais, que Carlos pagou a André?
O Brasil configura-se como um conjunto de retalhos culturais que juntos formam a cultura brasileira. Cada região, entretanto, possui algumas peculiaridades culturais, tornando-se, por vezes, atrativos turísticos. A região Nordeste possui aspectos facilmente identificados pelos brasileiros como típicos da cultura nordestina. Entre as alternativas a seguir, assinale a que apresenta um personagem relacionado com o universo cultural do Nordeste, ligada a essa região, e que é identificado em todo o Brasil como típico da cultura nordestina.