Sobre as regras do método, tal afirmar o seguinte: como apresentadas por Descartes no Discurso do Método, podemos

I - o primeiro momento é aquele que afirma com cautela a necessária evidência de algum conhecimento como o elemento da verdade, evitando precipitações.

II - o segundo momento, segundo o qual, para conhecer algo, é necessário compartimentalizar as dificuldades em tantas partes necessárias e possíveis.

III - conduzir o pensamento a partir dos objetos mais complexos, passando depois para os mais simples.

IV - enumerar de modo simples, todas as partes, até o momento da certeza que nada foi omitido, já que a evidência não requer revisões gerais.


Assinale a alternativa que contenha APENAS as afirmações corretas.
A filosofia de Martin Heidegger caracteriza-se, entre outros aspectos, como o trilhar de caminhos em busca do melhor tratamento para a questão mais fundamental da história da filosofia ocidental: a questão do ser. Mas o que é necessário, segundo Heidegger, para recolocar esta questão?
“Por natureza, todos os seres humanos inclinam-se ao saber. Sinal disso é seu apreço pelas sensações. De fato, abstração feita de sua utilidade, elas são apreciadas por si mesmas e, dentre todas, sobretudo, as visuais”. (Aristóteles, Metafísica, Livro A (1980).
Segundo Aristóteles, o desejo humano pelo conhecimento requer uma definição ampliada das diversas formas do conhecimento, considerando seu processo de formação. Para compreender este processo, desde as sensações até o saber teórico, mostra que o conhecimento verdadeiro é mais elevado
David Hume (1711-1776) é um dos principais autores da tradição empirista. A publicação do Tratado sobre a natureza humana, em 1739, traz os traços fundamentais de sua filosofia, levando o empirismo às últimas consequências. Como se caracteriza o empirismo de Hume?
“Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outros indivíduos”. (Kant, Resposta à pergunta: que é “Esclarecimento”?. In Kant, I. Textos seletos. Petrópolis: Vozes, 2010, p. 63.)
Para Kant, a relação entre a menoridade e a maioridade da razão, no contexto do Esclarecimento,
“Devemos tentar determinar mais exatamente a questão. Desta maneira, levaremos o diálogo para direção segura. Procedendo assim, o diálogo é conduzido a um caminho. Digo: a um caminho. Assim, concedemos que este não é o único caminho. Deve ficar mesmo em aberto se o caminho para o qual desejaria chamar a atenção, no que segue, é na verdade um caminho que nos permite levantar a questão e respondê-la”.

(Heidegger, M.Conferências e escritos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 211).



“Nas últimas décadas, assistiu-se a uma multiplicidade de produções técnic s e bibliográficas sobre/em Ensino de Filosofia. Produções estas que direta ou indiretamente incidem sobre a questão da formação de professores. Embora reconheça a singularidade da experiência filosófica representada (e vivenciada) por cada pesquisador/a da área, assim como a riqueza teórica advinda dos divergentes fundamentos epistemológicos que embasam cada pesquisa. (...) Entende-se que ao dar voz àqueles e àquelas que pensam filosoficamente sobre o ensino e a aprendizagem de/em Filosofia, as linhas que se seguem compreendem, igualmente, um ato político”.

(Velasco, P. O que pensamos nós, formadores/as de professores/as, sobre formação docente em filosofia?Revista Sul-Americana de Filosofia e Educação, 2(34), 2020, p. 12. https://doi.org/10.26512/resafe.v2i34.35127

O papel do diálogo na formação em filosofia, do ponto de vista do processo de ensino e aprendizagem, encontra na comunidade filosófica um lugar privilegiado.
“Ao chegar à cidade mais próxima, encontrou Zaratustra grande quantidade de povo reunido na praça do mercado; pois lhe fora prometido que iriam ver um funâmbulo. E Zaratustra assim falou ao povo: ‘Eu vos ensino o super-homem. O homem é algo que deve ser superado. Que fizestes para superá-lo?’”
(Nietzsche, Assim falou Zaratustra, 3).

Tendo em vista a passagem acima, que afirma Nietzsche sobre o super-homem?
“Fotografias são onipresentes: coladas em álbuns, reproduzidas em jornais, expostas em vitrines, paredes de escritórios, afixadas contra muros sob forma de cartazes, impressas em livros, latas de conservas, camisetas. O que significam tais fotografias?”
(Flusser, V.Filosofia da Caixa Preta. São Paulo: Annablume, 2011, p. 51).

“Com a fotografia, o valor de culto começa a recuar, em todas as frentes, diante do valor de exposição. Mas o valor de culto não se entrega sem oferecer resistência. Sua última trincheira é o rosto humano. Não é por acaso que o retrato era o principal tema das primeiras fotografias”.
(Benjamin, W. A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica. In Benjamin, W. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1994, p. 174)

Avalie as seguintes afirmações:

I. Ao tratar da noção de aura como um elemento também próprio da fotografia, Benjamin vê com otimismo essa nova forma de obra de arte, pois ainda está munida de aura.

II. Benjamin pensa o valor deculto e o valor de exposição das imagenstécnicas. Flusser, em suaperspectiva, considera afotografia como produções automáticas,mediada por aparelhoscodificadores.

III. Flusser analisa positivamente a mediação técnica da fotografia, ao contrário de Benjamin, que considera tal mediação decadente.

IV. Vilém Flusser, ao pensar a fotografia como imagem produzida e distribuída por aparelho, evidencia a influência do pensamento de Walter Benjamin, ao considerar a imagem fotográfica como a primeira imagem técnica.


Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.
“A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consistente numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática. E é um meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que, enquanto os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante às ações e paixões, a virtude encontra e escolhe o meio-termo. E assim, no que toca à sua substância e à definição que lhe estabelece a essência, a virtude é uma mediania; com referência ao sumo bem e ao mais justo, é, porém, um extremo.
(Aristóteles. Ética a Nicômaco. São Paulo, Abril, 1989, 1107ª).

Aristóteles contribui com a reflexão ética a partir da consideração da virtude como um elemento próprio da vida prática.
Assim, a partir da passagem acima, o que poderíamos afirmar sobre a virtude?
“Há alguns anos, em relato sobre o julgamento de Eichmann em Jerusalém, mencionei a “banalidade do mal”. Não quis, com a expressão, referir-me a teoria ou doutrina de qualquer espécie, mas antes a algo bastante factual, o fenômeno dos atos maus, cometidos em proporções gigantescas – atos cuja raiz não iremos encontrar em uma especial maldade, patologia ou convicção ideológica do agente; sua personalidade destacava-se unicamente por uma extraordinária superficialidade.
(Arendt, H. A dignidade da política: ensaios e conferências. Rio de Janeiro: RelumeDumará, 1993, p. 145)

Para Hannah Arendt, a banalidade do mal é uma noção fundamental no horizonte contemporâneo da filosofia política.
“O primeiro que, tendo cercado um terreno, ousou dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simplórias para lhe dar crédito foi o verdadeiro fundador da sociedade civil”.
(Rousseau. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade humana. São Paulo: Martins Fontes, parte II).
“O texto do Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade, publicado em 1755, é uma resposta à questão formulada em 1753 pela Academia de Dijon, ‘qual a origem da desigualdade entre os homens; ela é resultado da lei natural?’ Tais concursos eram comuns no século XVIII, sobretudo na França e na Alemanha, e, embora o texto de Rousseau não tenha obtido o primeiro lugar, tornou-se um clássico do pensamento político”.

(Marcondes, D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1999, p. 95)

Avalie as seguintes afirmações:
I. Rousseau analisa as origens do mal na sociedade por uma crítica da organização social.
II. A natureza humana originalmente é má, e se caracteriza pela falta de liberdade e instinto de sobrevivência.
III. O ‘bom selvagem’ é o instrumento de Rousseau para criticar o homem civilizado.
IV. O instinto de sobrevivência e o sentimento de piedade são próprios da corrupção da natureza humana.


Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.
Thomas Kuhn é conhecido por sua filosofia da ciência que considera a estrutura das revoluções científicas, com grande destaque para o conceito de paradigma. Assim, o que significa paradigma para o autor?
“Diz Schopenhauer que há homens que se tornam filósofos por causa do mundo. Há outros que se tornam filósofos por causa de livros. Fichte é um destes casos: virou filósofo porque leu a Crítica da Razão Pura”.
(Domingues, I. O continente e a ilha. São Paulo: Loyola, 2009, p. 91).

“É bem sabido que Kant, em citadíssima passagem, afirma que não se pode ensinar filosofia, mas apenas ensinar a filosofar. O filósofo de Königsberg quer dizer outra coisa que geralmente lhe atribui; assim, por exemplo, ele jamais entenderia por filosofia ‘história da filosofia’. A oposição que lhe interessa é entre uma ciência constituída como um conjunto de verdades e uma atividade da razão”.
(Porta, M. A filosofia a partir de seus problemas. São Paulo: Loyola, 2002, p. 21).

Avalie as seguintes afirmações:

I. Aprender filosofia significa decorar as ideias principais da história da filosofia e repeti-las de acordo com as necessidades.

II. A tensão entre ensinar filosofia e ensinar a filosofar está relacionada ao método a ser utilizado na formação dos filósofos profissionais.

III. Filosofar é uma atividade da razão. E não se caracteriza por fazer somente repetições de ideias do passado, mas articulá-las com as questões do presente.

IV. Não há uma única forma consagrada de filosofar. Basta observarmos a história da filosofia ocidental, com sua pluralidade de modos de pensar filosoficamente.


Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.
“Três questões podem ser formuladas sobre a existência de Deus: 1. A existência de Deus é uma verdade evidente? 2. A existência de Deus pode ser demonstrada? 3. Deus existe?”.
(Aquino, Santo Tomás. Suma Teológica, I, questão 2, art.1).
A questão da existência de Deus é central na filosofia cristã, no tocante às provas da existência de Deus pela razão.
Para Gianni Vattimo, a filosofia contemporânea e suas diversas correntes caracteriza-se como uma arena de discussões, na qual a hermenêutica tem o papel de koinè, ou seja, de um modo comum de pensar, enquanto processo de leitura de textos e discussão de questões. Ao mesmo tempo, Hans-Georg Gadamer, na esteira de Martin Heidegger, pensa a hermenêutica de modo ontológico, ou seja, como um modo de se comportar. Em tempo, Paul Ricoeur também entende a hermenêutica do texto como um horizonte central no qual as narrativas ainda são possíveis. Tendo em vista esses modos de pensar a hermenêutica, qual a importância da mesma para a filosofia contemporânea?