O Ensaio sobre a dádiva de Marcel Mauss foi publicado
originalmente na revista Année Sociologique (1923-1924), sendo
considerado uma obra central para a teoria antropológica. A respeito das noções de dom, troca e reciprocidade mobilizadas
no ensaio citado, é correto afirmar que:
Em seu artigo Antropologia e política, Karina Kuschnir afirma: “Questionar conceitos como 'clientelismo’ é deixar de tomar esse
modelo como ponto de partida; é não considerar universais
termos como, por exemplo, ‘individualismo’, ‘representação’ e
‘domínio público’; é, finalmente, perceber que o universalismo é
um valor inspirado no paradigma da modernização, na crença de
que a imparcialidade e a objetividade devem prevalecer sobre as
emoções e a subjetividade” (Kuschnir, 2007, p. 165-166).
A contribuição da antropologia para a compreensão da política é:
No texto O que significa tornar-se outro?, a antropóloga
Aparecida Vilaça argumenta que a experiência xamânica Wari' se
caracteriza pela duplicidade corporal. No texto, Vilaça afirma:
"O xamã caracteriza-se por possuir dois corpos simultâneos: um
corpo humano visível pelos Wari', que se relaciona com eles
normalmente, como membro de sua sociedade, e um corpo
animal que ele percebe como humano, e que se relaciona com os
demais animais daquela espécie também como membro da sua
sociedade, que é como a sociedade Wari’" (Vilaça, 2000, p. 63).
Com base na explicação de Aparecida Vilaça, é correto afirmar
que:
Em Dois pequenos problemas com a lei terra intangível para os
Kisêdjê, Marcela Coelho de Souza examina a conexão entre o
povo Kisêdjê e a terra. A autora propõe o conceito de “terra
intangível”, que desafia a compreensão ocidental de propriedade
e posse. A autora argumenta que:
"A despeito do possessivo na expressão nossa terra, não acredito
que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao
instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele
implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem
imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a
compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de
Souza, 2017, p. 123). A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida
como:
Lygia Sigaud foi uma antropóloga brasileira que se dedicou aos
estudos das relações sociais no campo. No seu artigo Se eu
soubesse, a autora descreve as relações entre trabalhadores e
patrões da seguinte forma:
"Do ponto de vista do observador, a ‘casa de morada’, a terra e a
proteção constituíam obrigações patronais, assim como não
trabalhar fora e ser leal ao patrão correspondiam a obrigações
dos moradores. Para esses, apenas as suas obrigações eram
percebidas enquanto tais. As do patrão eles representavam como
dons, como sinais de sua bondade, e sentiam-se, portanto,
devedores. Desincumbir-se com afinco de suas obrigações era a
forma de retribuir. De sua parte, o patrão se concebia como um
doador: aquilo que concedia ao seu morador atestava apenas a
sua generosidade e não era vivido como uma obrigação. Ser
generoso era um valor e o prestígio dos patrões se media pelos
sinais exteriores de sua magnanimidade. O não cumprimento de
suas obrigações punha em risco o prestígio do patrão perante os
pares e os moradores e configurava uma dívida, ainda que ele
não se concebesse como um devedor” (Sigaud, 2012, p. 130). A teoria das trocas que embasa a descrição e a análise da autora é:
Para Sherry Ortner, o principal legado da antropologia geertziana
tem sido a questão de como “os símbolos modelam os modos em
que os atores sociais veem, sentem e pensam sobre o mundo ou,
em outras palavras, como os símbolos operam enquanto veículos
de ‘cultura’”.
(Adaptado de Ortner, S. B. Teoria na antropologia desde os
anos 60. In: Mana, 17(2), 2011, p. 421) Para Geertz, sistemas culturais como os calendários balineses são
objeto de análise antropológica para:
O antropólogo britânico Victor Turner dedicou-se ao estudo dos
rituais. Em seu livro O processo ritual (1969), ele desenvolveu o
conceito de “liminaridade”. Para o autor, durante a fase liminar de um rito de passagem, o
indivíduo se encontra:
Stuart Hall dedicou grande parte de sua obra à análise da cultura
e da identidade em sociedades multiculturais. No livro Pensando
a diáspora, Hall examina as identidades caribenhas diaspóricas
em condições contemporâneas de globalização. O autor
argumenta a favor da "impureza" cultural, considerando a forma
como o “velho” é transformado no “novo” e a forma como o
“exterior” se torna parte constitutiva da “cultura nacional”.
Para analisar as interações entre culturas e a impureza cultural,
Hall propõe o conceito de:
Em As estruturas elementares do parentesco (1949), Claude
Lévi-Strauss desenvolveu uma teoria sobre a proibição do incesto
e suas implicações para a estruturação das sociedades humanas.
Conforme a proposta do autor, a proibição do incesto não é nem
puramente de origem cultural nem puramente de origem natural,
e também não é uma dosagem de elementos variados tomados
de empréstimo parcialmente à natureza e parcialmente à cultura. Segundo Lévi-Strauss, a proibição do incesto:
Leia as considerações sobre xamanismo de Els Lagrou,
antropóloga especializada em estudos ameríndios:
“A consciência de que tudo está conectado e que todas as ações
produzem reações, não somente gestos como também palavras,
imagens vistas e pensamentos cultivados, é o que subjaz ao
conhecimento xamanístico. Entre os Huni Kuin (Kaxinawá), o
xamã se expressa pela performance e pelo canto que produz as
visões, permitindo guiar as pessoas que participam desse ritual e
ensinando-as a ver aquilo que se procura ver e, principalmente, a
não se perder sob o efeito de bebidas visionárias. No caso dos
Kaxinawa, os desenhos ganham um papel crucial nesse mundo
visionário, pois eles são como caminhos que permitem ‘ver’ a
realidade sob diferentes perspectivas”.
(Adaptado de https://revistausina.com/2015/07/15/entrevistacom-els-lagrou/) No trecho acima, o fenômeno do xamanismo é interpretado
como:
Em seu texto Esboço de uma teoria da prática, Pierre Bourdieu
escreve o seguinte:
"O caráter primordial da experiência do dom é, sem dúvida, sua
ambiguidade: de um lado, essa experiência é (ou pretende ser)
vivida como rejeição do interesse, do cálculo egoísta, como
exaltação da generosidade, do dom gratuito e sem retribuição;
de outro, nunca exclui completamente a consciência da lógica da
troca, nem mesmo a confissão de pulsões recalcadas ou,
por éclairs, a denúncia de uma outra verdade, denegada, da troca
generosa, seu caráter impositivo e custoso (‘o presente é uma
infelicidade’)” (Bourdieu, 1996, p. 7). A ambiguidade da experiência que Bourdieu descreve está
embasada em:
Entre o final do século XIX e início do século XX, o antropólogo
Franz Boas deu ênfase à pesquisa de campo e ao estudo
detalhado de culturas específicas. Ao contrário do método dedutivo proposto pelos antropólogos
evolucionistas, Boas defendia:
Em As formas elementares da vida religiosa, Émile Durkheim
definiu religião da seguinte forma:
”Um sistema solidário de crenças e de práticas relativas a coisas
sagradas, isto é, separadas, proibidas, crenças e práticas que
reúnem numa mesma comunidade moral, chamada igreja, todos
aqueles que a ela aderem” (Durkheim, 1912/2003, p. 32). É correto afirmar que, para Durkheim, a religião:
Bruno Latour foi um importante antropólogo para a consolidação
da chamada antropologia simétrica. Para Latour, entre outras
características, esse tipo de antropologia busca descrever e
analisar as redes de relações que conectam humanos e não
humanos, sem privilegiar um polo em detrimento do outro. A perspectiva teórico-metodológica difundida por Bruno Latour
para essas análises é chamada de: