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Texto Il
RETRATO DO ARTISTA QUANDO MÁQUINA
Tempos atrás, um colega enviou-me um e-mail com um pedido. Ele tinha escrito um ensaio sobre um tema que me é familiar. Estaria eu disposto a ler e a dar uma opinião? Aceitei. Li. Ensaio rigoroso, sem grandes floreados estilísticos e muito bem estruturado. Gostei. Ele agradeceu a ajuda e depois informou-me, entre risos, que o ensaio tinha sido escrito por um software de inteligência artificial.
Desconfiei. Uma maquina não podia escrever assim. O texto soava demasiado humano. Ele enviou o mesmo ensaio, mas com algumas variações. Em rima, em diálogo, como piada, como tragédia clássica, em estilo satírico, em estilo barroco etc. E convidou-me a experimentar. Entrei no site, fiz a experiência - escrevi: “Usando alguma ironia, me dê uma boa razão para tolerar idiotas”. Depois contemplei uma parte do meu mundo a desaparecer. Veja só o primeiro paragrafo:
“Uma boa razão para tolerar idiotas é que eles podem proporcionar entretenimento e diversão infindos com suas ações insensatas e crenças equivocadas, desde que estejamos a uma distância segura.”
Como professor, vou ser obrigado a dizer adeus aos ensaios e a regressar aos exames presenciais. Os plágios já eram uma praga da vida acadêmica. A inteligência artificial é outra coisa: um crime que não deixa qualquer rastro. É possivel produzir incontáveis textos sobre o mesmo assunto e nenhum deles ser igual aos restantes.
Mas programas como o ChatGPT - eis o nome do monstro - não sãc apenas uma ameaça para a vida acadéêica honesta. Podem ser o princípio do fim para a vida artística, literária ou jornalística, o que não deixa de ser um pensamento aterrador. Quem diria que as profissões criativas também estariam na lista negra do progresso tecnológico? Poucos. Ninguém. Dias atras, Derek Thomson escrevia na revista Aflantic que vários pesquisadores de Oxford anteciparam em 2013 as profissões que seriam destruidas pela automação e pela inteligência artificial. Todas elas eram ocupações repetitivas, manuais e sem imaginação. Os arquitetos e os escritores estariam a salvo, afirma ironicamente Thomson.
Não mais. Será possível produzir livros, quadros ou musicas sem nenhuma intervenção humana. Melhor, ou pior: será possivel programar um computador para que ele escreva ou pinte como o romancista X ou o artista Y. No limite, o autor só tem de produzir uma única obra. Depois, o seu estilo será incorporado pela máquina, que acabará regurgitando novas produções do mesmo “autor”. Isso para ficarmos nos vivos. Sobre os mortos, quem disse que Dante desapareceu da paisagem no século 14? Quem disse que Charles Dickens não escreveu mais nada depois de 1870? Ambos continuarão produzindo pela eternidade afora.
Sim, talvez eu esteja exagerando. Somos filhos dos românticos. Aquilo que nos interessa em qualquer feito humano não é apenas o resultado; é o processo que conduz ao resultado. Entre dois poemas igualmente belos, um escrito por uma máquina e o outro por um ser humano,preferimos o poema escrito por um poeta de verdade. Há na imitação, mesmo na mais perfeita, uma mancha inapagável que desvaloriza o produto final. Se assim não fosse, um quadro de Van Gogh e uma cópia primorosa do mesmo quadro teriam o mesmo valor - monetário e artístico. Claro: para o comum dos mortais, uma exposição só com quadros forjados de Van Gogh chegava e sobrava. Mas bastaria informar o público de que os quadros eram falsificações para que o entusiasmo se evaporasse.
Dito de outra forma: buscamos experiências autênticas, e não apenas experiências. Isso significa que a sobrevivência das artes e das letras exige autenticidade humana. Mas como aferir essa autenticidade na era da inteligência artificial? Acredito, ou quero muito acreditar, que haverá formas igualmente virtuais de detectar o que é produto da máquina e não do homem. Se isso não for possível, imagino um futuro próximo em que o escritor só será lido se for também um performer da sua obra: sentado no palco, escrevendo o seu romance ou o seu poema, e os leitores na plateia, como testemunhas, acompanhando as palavras na tela gigante. O livro será o resultado dessas sessões teatrais.
(João Pereira Coutinho - Gazeta do Povo. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/joao-pereira-coutinho-inteligência-artificial-chatgpt-arte/)
Sérgio elaborou um material textual para a capacitação de seus colaboradores e seguiu alguns princípios na sua redação, objetivando orientar os estudos e evitar abordagens superficiais do tema abordado. Informe se é Adequado (A) ou Inadequado (I) os princípios estabelecidos por ele e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Utilizar a voz ativa verbal.
( ) Utilizar sequências de substantivos.
( ) Elaborar frases curtas.
( ) Colocar várias informações em uma mesma frase
Atenção! Leia a notícia a seguir para responder à próxima questão.
Nicolelis: 'O cérebro é um criador ativo do que existe aqui fora, o cérebro planeja o futuro'
Para o médico e neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, o cérebro é um criador ativo do que existe aqui fora, e que também planeja o futuro, seja ele o futuro mais abstrato possível. A afirmação foi feita durante a palestra sobre a interface cérebromáquina no Congresso do Bicentenário de São Leopoldo, cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre, na última terça-feira (26).
Pioneiro no estudo sobre a interação cérebro-máquina e em pesquisas que desenvolvem esta tecnologia, além de sua aplicação no restabelecimento de movimentos em pessoas acometidas por paralisias e doença de Parkinson, ele falou desta experiência e também do Campus do Cérebro, em Macaíba, Rio Grande do Norte, criado por ele no final dos anos 1990. Ele também fundou e dirige o Projeto Andar de Novo (Walk Again Project).
Em sua exposição, o médico resgatou uma breve história das interfaces de cérebro humano. Segundo a descrição que ele tem de como o cérebro cria a impressão de realidade, Nicolelis explica que tudo começa com o que nos cerca, o universo que nos cerca. “O que o universo oferece para a mente humana é informação e potencial. Não existe nenhuma descrição de significado, nenhuma definição categórica, nenhum dogma que o universo oferece à mente humana.”
Então, continua, "o cérebro humano, desde a nossa vida intrauterina, começa a criar um modelo interno de identidade. E ele vai continuamente adaptando esse modelo com as estatísticas do mundo, com as circunstâncias das nossas experiências diárias. E como, à medida que ele faz isso, ao longo da nossa história enquanto espécie, o cérebro humano criou abstrações mentais que se transformaram literalmente na infraestrutura, na base mental da civilização humana”.
Ao abordar a inteligência natural (orgânica) e a artificial, Nicolelis afirmou que a inteligência dita artificial não é nem inteligente e nem artificial. “Ela não é inteligente porque a inteligência é uma propriedade que emerge da matéria orgânica, basicamente dos organismos, quando eles interagem com o ambiente, com outros organismos, na tentativa de maximizar a sua sobrevivência. Isso é inteligência. Nenhuma máquina faz isso. E jamais fará. Pelo menos as máquinas digitais que nós conhecemos. E ela não é artificial, porque ela é feita por seres humanos. Na realidade, a inteligência artificial é uma coleção de métodos estatísticos muito poderosos, muito interessantes, que eu uso há 30 anos, a maioria deles, ou alguns deles. Mas isso está muito longe, mas muito, muito longe de se equiparar.”
O segundo ponto, complementou o médico, é que não se consegue extrair inteligência. De acordo com ele não é possível sugar de um cérebro as suas memórias, as suas emoções e não se consegue por dentro do cérebro, como se faz com o computador, tirar o conhecimento. "Você consegue oferecer oportunidade para o cérebro. Gera informação e gera conhecimento. Nenhuma máquina gera conhecimento. Essa é uma propriedade nossa. Isso é muito importante para a gente lembrar.”
Ainda durante o encontro, o médico fez um relato da criação do primeiro Campus do Cérebro no mundo, desenvolvido e criado por ele, na cidade de Macaíba, na periferia de Natal (RN), com 60 mil habitantes. “Esse é o primeiro campus do planeta onde todas as atividades foram planejadas, centradas na mente humana, há uma escola de educação científica, clínica.” REINHOLZ,
Fabiana. Nicolelis: 'O cérebro é um criador ativo do que existe aqui fora, o cérebro planeja o futuro'.
Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2024/03/31/nicolelis-o-cerebro-eum-criador-ativo-do-que-existe-aqui-fora-o-cerebro-planeja-o-futuro. Acesso em: 29 jun. 2024. Adaptado. Fragmento