O VÕO DA ÁGUIA
A Águia pode viver por 70 anos. Sabe por quê?
A Águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos, mas, para chegar a essa idade, aos 40 ela tem de tomar um séria decisão.
É nessa fase da vida que ela está com as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar suas presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva. Apontadas contra o peito estão suas asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas e voar já é tão difícil...
A águia então tem duas alternativas: morrer ou enfrentar um dolorido processo de renovação que vai durar 150 dias. Esse
processo de renovação consiste em voar para o alto de uma montanha e recolher-se em ninho próximo a um paredão onde não
necessite voar.
Após encontrar esse lugar, a Águia começa a arrancar suas unhas. Quando começam a nascer as novas unhas, ela passa a arrancar as velhas penas. E, só cinco meses depois, sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos.
Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e velhos hábitos que nos causam dor.
Somente livres do peso do passado, podemos aproveitar o resultado valioso que a renovação sempre nos traz.
FONTE: Jornal carta, 09.05.2003 www.Tonoticias.jor.br
Para responder às questões de 1 a 4, leia a crônica abaixo.
Somos todos vítimas
Ivan Angelo
Num domingo frio de início do inverno, a população de São
Paulo ficou chocada com uma cena jamais vista na cidade. A
capa do jornal Estadinho trazia uma fotografia que ocupava toda
a largura da página e mostrava uma família de seis pessoas,
homem, mulher e quatro crianças, louros, de olhos azuis,
morando sob o Viaduto do Chá, sem ter o que comer, com
apenas a roupa do corpo e uma cuia de chimarrão que o homem
tomava. O assunto dominou as conversas naquele 2 de junho
de 1918 e invadiu a semana. Como era possível tal cena na
metrópole que mais crescia no país? Que gente era aquela? O
homem, argentino, trabalhara na grande fazenda de café do
milionário Martinho Prado, havia contraído maleita, fora despedido
e depositado com a família na capital, entregue à própria má
sorte.
Noventa e cinco anos depois, as cenas mais vistas na cidade
são de famílias dormindo na rua, sem ter o que comer, sem
roupas e sem chimarrão, e de bandos de miseráveis drogados.
No passado, vimos chocados um caso inédito; hoje, olhamos
com anestesia da indiferença para a malta de zumbis e grupos
de desvalidos, quando não os vemos com silenciosa revolta ou
cauteloso receio. Como deixaram nossa cidade chegar a esse
ponto? Como não fomos capazes de impedir esse horror quando
era possível?
Foram vindo. Das injustiças sociais vieram, dos fracassos
pessoais, das famílias desestruturadas, das fugas, das
frustrações, das secas nordestinas e amorosas vieram, do
abandono, das fragilidades e inseguranças, das revoltas sem
rumo vieram, do alcoolismo, dos pais ausentes, da escola
ausente, das bravatas imaturas, dos reformatórios vieram, dos
abusos, dos maus-tratos, dos baratos, das baladas, da má
educação, das carências, da falta de lugar, da doença mental
vieram, da baixa estima, das prisões, do risco mal calculado,
dos refúgios da alma vieram... e formaram essas multidões
que nos assustam.
Há alguns anos (dez?) dizia-se: é a Cracolândia, estão restritos
à Cracolândia. Aquela água envenenada começou a vazar: Luz,
Sé, Brás, Bom Retiro, Centro, Parque Dom Pedro, Cambuci,
Mooca, Tatuapé, Campos Elíseos, Santa Cecília, Higienópolis,
Avenida Paulista, baixos dos viadutos Rebouças e Doutor
Arnaldo. Os moradores de Perdizes veem, consternados, que
os caídos já amanhecem dormindo na porta dos seus prédios
e casas. As ações espasmódicas das autoridades o que fizeram
foi espalhá-los pela cidade.
Que fazer?
Pobres de nós, perplexos. Brotam sentimentos xenófobos até
nos melhores. São um risco para a saúde pública, dizem,
disseminam doenças, aids, hepatites, tuberculose, sarna,
micoses. Perguntam o que é pior para o conceito de cidade
limpa: uma placa irregular, que vai gerar propina, ou um
maltrapilho defecando e urinando na rua? Se alguém bem vestido
fizer isso,será levado para a delegacia, enquadrado em algum
ato de atentado ao pudor.
Esses bandos de crianças e adolescentes que perambulam
pelas ruas praticando furtos e fumando crack são as peças de
reposição da malta de zumbis, advertem. Perguntam, punitivos:
são infratores, malfeitores, criminosos ou o quê? Em que lei se
enquadram? É enquadrá-los e agir. Afirmam: estão sendo
exportados para São Paulo, as autoridades devem mandá-los
de volta, cuidar dos nossos e mandar o resto de volta.
Estamos precisados de tanta coisa para nos tornar melhores e
vem essa coisa a nos empurrar para o lado mais escuro de nós.
Precisamos nos lembrar de que há uma mãe procurando seu
menino desaparecido no meio daqueles bandos, para oferecerlhe
um banho quente entre uma queda e outra; há uma irmã
que guardou a boneca da caçula para quando a encontrar; há
uma filha tentando salvar o pai já idoso e perdido; há uma esposa
com filho à procura do marido, ainda com esperança... Há
histórias... Há lágrimas... Há vítimas dos dois lados.
A palavra " imaturas" é formada por
Texto para os itens de 36 a 48

Considerando palavras do texto, julgue os itens seguintes, com relação à estrutura e formação de palavras da língua portuguesa.
No processo de formação dos vocábulos “integração” (L.15), “impulsiona” (L.18), “indefectivelmente” (L.23) e “imprudências” (L.27), identifica-se o prefixo in-, que neles expressa a noção de mudança de estado.
Texto para os itens de 36 a 48

Considerando palavras do texto, julgue os itens seguintes, com relação à estrutura e formação de palavras da língua portuguesa.
Os vocábulos “responsabilidade” (L.7), “alternância” (L.8), “sucessão” (L.11) e “efetividade” (L.21) são exemplos de substantivos derivados de verbos abstratos e indicam resultado de ação.
CRSP•
Assinale a alternativa CORRETA com relação à formação de palavras por derivação regressiva:
Analise as palavras a seguir e assinale a alternativa em que a palavra dada resulta de derivação imprópria.
Leia a seguir a Canção de Geraldo Roca e Paulo Simões para responder àquestão.
Trem do Pantanal
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
As estrelas do cruzeiro fazem um sinal
De que este é o melhor caminho
Pra quem é como eu, mais um fugitivo da guerra
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
O povo lá em casa espera que eu mande um postal
Dizendo que eu estou muito bem vivo
Rumo a Santa Cruz de La Sierra
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
Só meu coração está batendo desigual
Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da terra
(Disponível em: https://www.cifrasdeviola.com.br/musica/tremdo-pantanal. Acesso em: 28 de set. 2018.)
Leia o texto, a seguir, atentando para responder à questão
A postagem de Obama, que utilizou trechos de uma entrevista de Nelson Mandela, acompanhada de uma foto do ex-presidente americano com um grupo de crianças de várias etnias, alcançou 2,71 milhões de ‘curtidas’ (likes) e superou assim uma mensagem que a cantora Ariana Grande publicou após o atentado em sua apresentação em Manchester, no Reino Unido, em maio deste ano, que tem 2,7 milhões de ‘curtidas’.
Os trechos da entrevista de Mandela, divididos em três tweets, dizem: “Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor da sua pele, sua cultura ou sua religião. As pessoas precisam aprender a odiar, e se elas podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”.
O tweet do ex-presidente americano também é um dos mais populares da história quanto aos compartilhamentos (retweets), mas, neste quesito, ainda está na quinta posição com 1,12 milhões.
O tweet com mais retweets da história, com 3,65 milhões, é o de um adolescente que pedia ‘nuggets’ de frango de graça, seguido de uma ‘selfie’ da apresentadora e comediante Ellen DeGeneres durante a premiação do Oscar em 2014, com 3,44 milhões.
Texto para as questões de 1 a 15.
1 Poseidon estava sentado à sua mesa de trabalho e fazia contas. A administração de todas contas. A administração de
todas as águas dava-lhe um trabalho infinito. Poderia dispor de quantas forças auxiliares quisera, e com efeito, tinhas muitas,
mas como tomava seu emprego muito a sério, verificava novamente todas as contas, e assim as forças auxiliares lhe serviam
5 de pouco. Não se pode dizer que o trabalho lhe era agradável e na verdade o realizava unicamente porque lhe tinha sido
imposto; tinha-se ocupado, sim, com frequência, em trabalhos mais alegres, como ele dizia, mas cada vez que se lhe faziam
diferentes propostas, revelava-se sempre que, contudo, nada lhes agradava tanto como seu atual emprego. Além do mais era
muito difícil encontrar uma outra tarefa para ele. Era impossível designar-lhe um determinado mar; prescindindo de que aqui
10 o trabalho de cálculo não era menor em quantidade, porém em qualidade, o Grande Poseidon não podia ser designado para
outro cargo que não comportasse poder. E se lhe oferecia um emprego fora da água, esta única ideia lhe provocava mal-estar,
alterava-se seu divino alento e seu férreo torso oscilava. Além do mais, suas queixas não eram tomadas a sério; quando um
15 poderoso tortura, é preciso ajustar-se a ele aparentemente, mesmo na situação mais desprovida de perspectivas. Ninguém
pensava verdadeiramente em separar a Poseidon de seu cargo, já que desde as origens tinha sido destinado a ser deus dos
mares e aquilo não podia ser modificado.
O que mais o irritava — e isto era o que mais o indispunha com o cargo - era inteirar-se de que como representavam
20 com o tridente, guiando como um cocheiro, através dos mares. Entretanto, estava sentado aqui, nas profundidades do mar
do mundo e fazia contas ininterruptamente; de vez em quando uma viagem da qual além do mais, quase sempre regressava
furioso. Dai que mal havia visto os mares, isso acontecia apenas em suas fugitivas ascensões ao Olimpo, e não os teria
percorrido jamais verdadeiramente. Gostava de dizer que com isso esperava o fim do mundo, que então teria certamente
25 ainda um momento de calma, durante o qual, justo antes do fim, depois de rever a última conta, poderia fazer ainda um rápido
giro.
Franz Kafka
Aderivação é um processo de formação de novas palavras pelo acréscimo de afixos. Considerando-se o exposto, é correto afirmar que a derivação
As palavras ‘memorável’ e ‘clemente’ são formadas por processos derivacionais e apresentam sufixos formadores de adjetivos na língua portuguesa. O mesmo ocorre em:
Leia o trecho inicial do conto “A doida”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.
A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se. Era só aquele chalezinho, à esquerda, entre o barranco e um chão abandonado; à direita, o muro de um grande quintal. E na rua, tornada maior pelo silêncio, o burro que pastava. Rua cheia de capim, pedras soltas, num declive áspero. Onde estava o fiscal, que não mandava capiná-la?
Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores. Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoa dos. Não explicavam bem quais fossem esses benefícios, ou explicavam demais, e restava a impressão de que eram todos privilégios de gente adulta, como fazer visitas, receber cartas, entrar para irmandades. E isso não comovia ninguém. A loucura parecia antes erro do que miséria. E os três sentiam-se inclinados a lapidar1 a doida, isolada e agreste no seu jardim.
Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo. Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma. Só o busto, recortado numa das janelas da frente, as mãos magras, ameaçando. Os cabelos, brancos e desgrenhados. E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca. Eram palavras da Bíblia misturadas a termos populares, dos quais alguns pareciam escabrosos, e todos fortíssimos na sua cólera.
Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos, e loucura e idade, juntas, lhe lavraram o corpo). Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão. O marido ergueu-se terrível e empurrou-a, no calor do bate-boca; ela rolou escada abaixo, foi quebrando ossos, arrebentando-se. Os dois nunca mais se veriam. Já outros contavam que o pai, não o marido, a expulsara, e esclareciam que certa manhã o velho sentira um amargo diferente no café, ele que tinha dinheiro grosso e estava custando a morrer – mas nos racontos2 antigos abusava-se de veneno. De qualquer modo, as pessoas grandes não contavam a história direito, e os meninos deformavam o conto. Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé do caminho do córrego, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e eclipsava-se. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, provisões e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família
se mantivesse inalterável. Às vezes uma preta velha arriscava-se a entrar, com seu cachimbo e sua paciência educada no cativeiro, e lá ficava dois ou três meses, cozinhando. Por fim a doida enxotava-a. E, afinal, empregada nenhuma queria servi-la. Ir viver com a doida, pedir a bênção à doida, jantar em casa da doida, passaram a ser, na cidade, expressões de castigo e símbolos de irrisão3.
Vinte anos de uma tal existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças. E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra. A princípio, como justa penalidade. Depois, por prazer. Finalmente, e já havia muito tempo, por hábito. Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso.
Em vão os pais censuravam tal procedimento. Quando meninos, os pais daqueles três tinham feito o mesmo, com relação à mesma doida, ou a outras. Pessoas sensíveis l amentavam o fato, sugeriam que se desse um jeito para internar a doida. Mas como? O hospício era longe, os parentes não se interessavam. E daí – explicava-se ao forasteiro que porventura estranhasse a situação – toda cidade tem seus doidos; quase que toda família os tem. Quando se tornam ferozes, são trancados no sótão; fora disto, circulam pacificamente pelas ruas, se querem fazê-lo, ou não, se preferem ficar em casa. E doido é quem Deus quis que ficasse doido... Respeitemos sua vontade. Não há remédio para loucura; nunca nenhum doido se curou, que a cidade soubesse; e a cidade sabe bastante, ao passo que livros mentem.
(Contos de aprendiz, 2012.)
1 lapidar: apedrejar.
2 raconto: relato, narrativa.
3 irrisão: zombaria.
FGV•
Assinale a opção em que a indicação da forma abreviada é inadequada.
( ) Derivação parassintética ou parassíntese: ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva.
( ) Composição por aglutinação: ao juntarmos duas ou mais palavras ou radicais, não ocorre alteração fonética.
( ) Composição por justaposição: ao unirmos dois ou mais vocábulos ou radicais, ocorre supressão de um ou mais de seus elementos fonéticos.
( ) Derivação imprópria: ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical.
( ) Derivação regressiva: ocorre quando uma palavra é formada não por acréscimo, mas por redução.