Sejam p e q dois números reais. Se p < q, então
Triste fim de Policarpo Quaresma
o Quaresma plácido, o Quaresma de tão profundos
pensamentos patrióticos, merecia aquele triste fim?
5 De que maneira sorrateira o Destino o arrastara até
ali, sem que ele pudesse pressentir o seu extravagante
resto da sua vida? (...)
Devia ser por isso que estava ali naquela
10 masmorra, engaiolado, trancafiado, isolado dos seus
semelhantes como uma fera, como um criminoso, sepultado
os seus detritos, quase sem comer... Como acabarei?
Como acabarei? E a pergunta lhe vinha, no meio da
15 revoada de pensamentos que aquela angústia provocava
Era de conduta tão irregular e incerta o Governo que
tudo ele podia esperar: a liberdade ou a morte, mais
esta que aquela. (...)
20 Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe
absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades.
Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade
25 O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não.
Lembrou-se das suas cousas de tupi, do folclore, das
suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua
alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! (...)
A Pátria que quisera ter era um mito; era um
30 fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete.
Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a
política, que julgava existir, havia. A que existia, de
fato, era a do Tenente Antonino, a do Doutor Campos,
a do homem do Itamarati.
Excerto. BARRETO, Lima. Triste fm de Policarpo Quaresma. In:
http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/policarpoE.pdf p. 383-387
No excerto em análise, há predominância do discurso
Há 50 anos, morria o médico argentino e herói da Revolução Cubana Che Guevara. Sua morte deu-se em um país da América Latina onde Che Guevara continuava desenvolvendo a sua ação política. O país em que o revolucionário morreu foi:
Seja ? um número real tal que a equação 2cos(x)+10 = 2? tem solução. Nessas condições,
| TEXTO II De olho no futuro Ana Maria Machado |
‘Papai, que é plebiscito?’
Assim começa um conto de Artur Azevedo, que
constava de muitas antologias escolares na época em
que havia leitura de coletâneas literárias como parte
5 integrante do currículo de Língua Portuguesa no país.
A maioria dos que então estudaram acompanhava o
desenvolvimento da história lida em voz alta pelos
alunos em classe, desde o início em que o pai fingia
dormir para não ter de revelar que não sabia a história,
10 passando pela insistência do filho e a pressão da mãe
para que tirasse a dúvida da criança, até a cena de
zanga paterna que incluía sair da sala e se trancar no
quarto. Após consultar um dicionário que lá havia, o
triunfal chefe de família podia elucidar que plebiscito
15 era uma lei romana que queriam introduzir no país,
num caso típico de estrangeirismo.
A história tem muita graça na linguagem divertida
do autor, que ao mesmo tempo ridiculariza o
autoritarismo patriarcal e os excessos nacionalistas
20 da época – que acabariam levando à Primeira Guerra
Mundial. Tive de resumi-la para comentá-la, pois tenho
me lembrado muito desse conto ultimamente, por
diferentes razões. Por um lado, acentua-se que criança
tem curiosidade sobre política. E sobre as palavras
25 que encontra e não conhece. Por outro lado, nos
recorda que a satisfação dessa curiosidade tem a
obrigação ética de procurar ser clara e equilibrada. Na
atual discussão tão acalorada, sobre escolas sem
partidos e os perigos da doutrinação ideológica, por
30 vezes parece que os debatedores apontam para o alvo
adjetivo e abandonam o substantivo. Esquecem que o
problema não está em incentivar ideias, estimular a
formação do conhecimento sobre ideologias, apresentar
argumentos de diferentes visões do mundo e da
35 sociedade. O risco para a educação está em alguém
com poder querendo doutrinar, falar como doutor que
não admite contestação nem dúvida, ser dogmático,
impor uma forma única de encarar a realidade e analisar
os fatos, carimbando com rótulos pejorativos e frases
40 feitas tudo aquilo que não se encaixa com perfeição
na agenda do momento. Com frequência, partidária.
(...)
“A maioria dos que então estudaram acompanhava o desenvolvimento da história lida em voz alta pelos alunos em classe, desde o início em que o pai fingia dormir para não ter de revelar que não sabia a história, passando pela insistência do filho e a pressão da mãe para que tirasse a dúvida da criança, até a cena de zanga paterna que incluía sair da sala e se trancar no quarto.” (linhas 6-13)
A construção do enunciado acima configura uma estrutura de
| TEXTO II De olho no futuro Ana Maria Machado |
Assim começa um conto de Artur Azevedo, que
constava de muitas antologias escolares na época em
que havia leitura de coletâneas literárias como parte
5 integrante do currículo de Língua Portuguesa no país.
A maioria dos que então estudaram acompanhava o
desenvolvimento da história lida em voz alta pelos
alunos em classe, desde o início em que o pai fingia
dormir para não ter de revelar que não sabia a história,
10 passando pela insistência do filho e a pressão da mãe
para que tirasse a dúvida da criança, até a cena de
zanga paterna que incluía sair da sala e se trancar no
quarto. Após consultar um dicionário que lá havia, o
triunfal chefe de família podia elucidar que plebiscito
15 era uma lei romana que queriam introduzir no país,
num caso típico de estrangeirismo.
A história tem muita graça na linguagem divertida
do autor, que ao mesmo tempo ridiculariza o
autoritarismo patriarcal e os excessos nacionalistas
20 da época – que acabariam levando à Primeira Guerra
Mundial. Tive de resumi-la para comentá-la, pois tenho
me lembrado muito desse conto ultimamente, por
diferentes razões. Por um lado, acentua-se que criança
tem curiosidade sobre política. E sobre as palavras
25 que encontra e não conhece. Por outro lado, nos
recorda que a satisfação dessa curiosidade tem a
obrigação ética de procurar ser clara e equilibrada. Na
atual discussão tão acalorada, sobre escolas sem
partidos e os perigos da doutrinação ideológica, por
30 vezes parece que os debatedores apontam para o alvo
adjetivo e abandonam o substantivo. Esquecem que o
problema não está em incentivar ideias, estimular a
formação do conhecimento sobre ideologias, apresentar
argumentos de diferentes visões do mundo e da
35 sociedade. O risco para a educação está em alguém
com poder querendo doutrinar, falar como doutor que
não admite contestação nem dúvida, ser dogmático,
impor uma forma única de encarar a realidade e analisar
os fatos, carimbando com rótulos pejorativos e frases
40 feitas tudo aquilo que não se encaixa com perfeição
na agenda do momento. Com frequência, partidária.
(...)
O que Lima Barreto pode ensinar ao Brasil de hoje
Denilson Botelho
de transições. No seu aniversário de sete anos, viu
a abolição ser festejada em praça pública na companhia
viu a monarquia dar lugar à república. E passou a
juventude e o resto de sua curta existência – faleceu
aos 41 anos – enfrentando os desafios de ser negro
num país que aboliu a escravidão, mas não fez com
10 que a liberdade viesse acompanhada dos direitos de
cidadania pelos quais temos lutado desde então. Da
mesma forma, vivenciou também os desafios de uma
república que se fez excludente, frustrando a expectativa
15 Mas por que devemos ler Lima Barreto hoje?
São vários os motivos, mas um deles revela-se da
maior importância. Nos últimos anos, os grandes
grupos empresariais de mídia têm contribuído
20 de um discurso anticorrupção tem se revestido de um
moralismo sem precedentes e, ao mesmo tempo, esterilizante.
a recusar o debate político sob o argumento tolo,
25 é ladrão e corrupto. A estratégia abre espaço para
a figura enganosa do “gestor”, que, fingindo renegar
a política, governa para contemplar os interesses de
poucos em detrimento da maioria.
O fato é que encontramos em Lima Barreto
30 um vigoroso antídoto para lidar com essa situação,
pois estamos diante de um escritor que fez da literatura
uma forma efetiva de participar dos acontecimentos.
Os mais de 500 artigos e crônicas que publicou em
35 dezenas de jornais e revistas do Rio de Janeiro – assim
escapar nenhum tema importante em discussão na
época. Lima não se esquivava do debate e muito menos
40 pontos de vista, geralmente urdidos com base nas
leituras que fazia quase obsessivamente. Em síntese,
política do país e isso resultou numa literatura militante,
45 em nossas vidas.
Fragmento: http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/o-que-lima-
-barreto-pode-ensinar-ao-brasil-de-hoje/ Acesso em 21 ago 2017.
O texto “O que Lima Barreto pode ensinar ao Brasil de hoje” é composto por
Trump alerta que empresas que deixarem EUA enfrentarão “consequências”
Presidente eleito prometeu reduzir impostos e cortar regulamentações para conter fuga de empresas.
Disponível em: Globo G1. https://g1.globo.com/mundo/noticia/trump-alerta-que-empresas-que-deixarem-euaenfrentarao-consequencias.ghtml. 01-12-2016. Acesso em: 03 out. 2017.
A manchete acima mostra a insatisfação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a saída das empresas estadunidenses do país. Essa estratégia empresarial tem como finalidade
que
primeiro roeu as frias carnes
do meu cadáver
dedico
como saudosa lembrança
estas Memórias Póstumas
menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a
causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia,
e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso.
5 Julgue-o por si mesmo. (...)
Com efeito, um dia de manhã, estando a passear
na chácara, pendurou-se-me uma ideia no trapézio que eu
tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a
pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim,
10 que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito,
até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.
Essa ideia era nada menos que a invenção de um
medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco,
15 destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na
petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção
do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão.
20 de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que
estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o
que me in?uiu principalmente foi o gosto de ver impressas
nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas, e enfim nas
caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás
25 Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do arruído,
do cartaz, do foguete de lágrimas. Talvez os modestos me
arguam esse defeito; fio, porém, que esse talento me hão
de reconhecer os hábeis. Assim, a minha ideia trazia duas
faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra
30 para mim. De um lado, filantropia e lucro; de outro lado,
sede de nomeada. Digamos: — amor da glória.
Um tio meu, cônego de prebenda inteira, costumava
das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Ao que
35 retorquia outro tio, oficial de um dos antigos terços de infantaria,
sua mais genuína feição.
Decida o leitor entre o militar e o cônego; eu
40 volto ao emplasto.
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. 9.ed. São
Paulo: Ática, 1982. (p.11, 14 e 15).
No fragmento de “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, o uso da primeira pessoa do singular produz o efeito de
Se 320 = 5.20,03t , então o valor de t é igual a:
O triângulo equilátero ABC tem, como dois de seus vértices, os pontos de coordenadas B=(1,0) e C=(3,0). Sabese que a ordenada do outro vértice do triângulo, o ponto A, é positiva. Nessas condições, uma equação da reta que passa pelos pontos A e C é dada por:
O polinômio p(x)= x8 + x4 - 2x2 possui
Em 1910, a Independência da África do Sul não se desdobrou num processo de democratização que ampliasse os direitos de todos os habitantes do novo país. Já em 1940, instituiu-se o Apartheid, regime marcado pela
Em um acidente no laboratório, um frasco contendo 2.0 kg de NaOH foi quebrado e, para neutralizar essa soda foi proposta a reação
HCl(aq) + NaOH(aq) ? NaCl(aq) + H2O(l),
que liberou 660 Kcal. Se 1 cal = 4.18 J, a variação da entalpia de neutralização, em kJ mol-1, é igual a:
A sequência ln(2), ln(4), ln(8),....,ln(2n ),... é uma
Ainda sobre Che Guevara, pode-se dizer que um dos elementos constitutivos da crise política brasileira que levou à renúncia de Jânio Quadros e ao movimento militar de 1964 envolvia o herói cubano. O fato que se relaciona à referência acima é
A floresta amazônica funciona como uma bomba d’água, puxando para dentro do continente a umidade evaporada do oceano Atlântico. Propelidas em direção ao oeste pelos ventos alísios, parte das nuvens provenientes da evapotranspiração da floresta precipita-se sobre a encosta leste da Cordilheira dos Andes, abastecendo as cabeceiras dos rios amazônicos. Boa parte desse “rio voador” faz a curva e parte em direção ao sul, para as regiões do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, além de países vizinhos. Estudos promovidos pelo INPA mostraram que uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro é capaz de bombear para a atmosfera mais de 300 litros de água, em forma de vapor, em um único dia.
Adaptado de http://riosvoadores.com.br/o-projeto/fenomeno-dos- -rios-voadores/. Acesso em: 08 set. 2017.
Considerando o avanço da atividade agrícola e pecuária sobre a área de floresta amazônica, o impacto esperado é que
Uma característica da onda sonora diminui quando um ouvinte posiciona-se mais afastado de uma fonte de som. Essa característica é
Fake news could ruin social media, but there’s still hope
by: Guðrun í Jákupsstovu
Camille Francois, director of research and analysis at Graphika, told the audience of her talk at TNW Conference:
“Disinformation campaigns, or fake news is a concept we’ve known about for years, but few people realize how varied the concept can be and how many forms it comes in. When the first instances of fake news started to surface, they were connected with bots. These flooded conversations with alternative stories in order to create noise and, in turn, silence what was actually being said”.
According to Francois, today’s disinformation campaigns are far more varied than just bots – and much harder to detect. For example, targeted harassment campaigns are carried out against journalists and human-rights activists who are critical of governments or big organizations.
“We see this kind of campaigns happening at large scale in countries like the Philippines, Turkey, Ecuador, and Venezuela. The point of these campaigns is to flood the narrative these people try to create with so much noise that their original message gets silenced, their reputation gets damaged, and their credibility undermined. I call this patriotic trolling.”
There are also examples of disinformation campaigns mobilizing people. This was evident during the US elections in 2016 when many fake events suddenly started popping up on Facebook. One Russian Facebook page “organized” an anti-Islam event, while another “organized” a pro-Islam demonstration. The two fake events gathered activists to the same street in Texas, leading to a stand-off.
Francois explains how amazed she is that, in spite of social media being the main medium for these different disinformation campaigns, actual people also still use it to protest properly.
If we look at countries, like Turkey – where there’s a huge amount of censorship and smear campaigns directed at human right defenders and journalists – citizens around the world and in those places still use social media to denounce corruption, to organize human rights movements and this proves that we still haven’t lost the battle of who owns social media.
This is an ongoing battle, and it lets us recognize the actors who are trying to remove the option for people to use social media for good. But everyday you still have people all over the world turning to social media to support their democratic activities. This gives me hope and a desire to protect people’s ability to use social media for good, for denouncing corruption and protecting human rights. Adapted from:<https://thenextweb.com/socialmedia/2018/05/25/> . Access 09 Oct. 2018.
Glossary bot: (short for "robot"): um programa automático que roda na Internet; to flood: inundar; trolling: fazer postagem deliberadamente ofensiva para provocar alguém; popping up: surgir, aparecer; stand-off: impasse: smear campaigns: campanhas de difamação.
In the text, Turkey is used as an example of a country where