Durante uma aula de Filosofia no 2º ano do Ensino Médio, a
professora exibe trechos do documentário “O dilema das redes”
(Netflix, 2020), que discute os impactos éticos das tecnologias de
vigilância e manipulação algorítmica nas redes sociais. O
documentário reúne ex-funcionários de grandes empresas de
tecnologia para revelar como algoritmos influenciam emoções,
escolhas políticas e relações sociais. Após a exibição, ela propõe
aos estudantes um debate orientado pelas seguintes perguntas:
• Como o uso de algoritmos interfere na autonomia do sujeito
e na convivência democrática?
• Como essa situação se relaciona com os debates filosóficos
sobre a responsabilidade no uso de dados pessoais?
Considerando a situação apresentada, qual propósito educativo
orienta a atividade proposta pela docente ao exibir o
documentário e conduzir o debate filosófico posterior com essas
perguntas?
A Filosofia é, pois, o sistema de todo o conhecimento
filosófico [...]. Até então não é possível aprender qualquer
filosofia; pois onde esta se encontra, quem a possui e segundo
quais características se pode reconhecê-la? Só é possível
aprender a filosofar, ou seja, exercitar o talento da razão,
fazendo-a seguir os seus princípios universais em certas
tentativas filosóficas já existentes [...].
KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural,
1983. (Coleção Os Pensadores). p. 407-408.
Texto I
Se considerasse somente a força e o efeito que dela resulta,
diria: quando um povo é obrigado a obedecer e o faz, age
acertadamente; assim que pode sacudir esse jugo e o faz, age
melhor ainda, porque, recuperando a liberdade pelo mesmo
direito por que lha [sic] arrebataram, ou tem ele o direito de
retomá-la ou não o tinham de subtraí-la. A ordem social, porém,
é um direito sagrado que serve de base para todos os outros. Tal
direito, no entanto, não se origina da natureza: funda-se,
portanto, em convenções.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Nova Cultural,
1999. (Coleção Os Pensadores). p. 53-54.
Texto II Para bem compreender o poder político e derivá-lo de sua
origem, devemos considerar em que estado todos os homens se
acham naturalmente, sendo este um estado de perfeita liberdade
para ordenar-lhes as ações e regular-lhes as posses e as pessoas
conforme acharem conveniente, dentro dos limites da lei da
natureza, sem pedir permissão ou depender da vontade de
qualquer outro homem.
(LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. 3. Ed. São Paulo: Abril
Cultural, 1983. [Coleção os Pensadores]. p. 35.)
Com base nos textos apresentados e nos fundamentos teóricos
de seus autores, assinale a alternativa correta.
É fato que utilizamos a tecnologia, o recurso virtual, a IA,
entre tantas outras ferramentas para facilitar nossa vida. Esse
não é um problema! A questão é: qual a consequência sobre o
uso dessas tecnologias para o ser humano?
Girotti, Marcio Tadeu. Todo virtual é real e todo real é virtual: a
virtualidade do real e a complexidade do existir pensando. Revista
Contemplação, v. 32, p.1-20, 2023. Disponível em:
https://revista.fajopa.com/index.php/contemplacao/article/view/385/42
1. Acesso em: 2 abr. 2025.
A partir do questionamento acima, podemos compreender que:
I – A partir do Cogito cartesiano, “Penso, logo existo”, utilizar a IA,
como o ChatGPT, é deixar de existir.
II – Estamos deixando de existir porque estamos deixando de
pensar, quando usamos recursos da IA.
III – A tecnologia não nos leva a pensar, mas sim nos dá o
conforto da informação pronta e de acesso rápido.
IV – Os recursos da IA aprimoram nossa forma de pensar e
endossa o Cogito cartesiano “Penso, logo existo”.
“A ciência normal, atividade na qual a maioria dos cientistas
emprega inevitavelmente quase todo seu tempo, é baseada no
pressuposto de que a comunidade científica sabe como é o
mundo. Grande parte do sucesso do empreendimento deriva da
disposição da comunidade para defender esse pressuposto – com
custos consideráveis, se necessário. Por exemplo, a ciência
normal frequentemente suprime novidades fundamentais,
porque estas subvertem necessariamente seus compromissos
básicos”.
KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo:
Editora Perspectiva, 1998.
Com base na concepção de ciência normal proposta por Thomas
Kuhn, o progresso científico se dá quando
Na obra de Marilena Chaui, Convite à filosofia, nos deparamos
com a comparação entre mito e filosofia. Veja os dois textos a
seguir:
Texto I O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido
no passado imemorial, longínquo e fabuloso, voltando-se para o
que era antes que tudo existisse tal como existe no presente. A
Filosofia, ao contrário, se preocupa em explicar como e por que,
no passado, no presente e no futuro (isto é, na totalidade do
tempo), as coisas são como são.
Texto II O mito narrava a origem por meio de genealogias e
rivalidades ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e
personalizadas, enquanto a Filosofia, ao contrário, explica a
produção natural das coisas por elementos naturais primordiais
[...] por meio de causas naturais e impessoais [...].
CHAUI, Marilena de Souza. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática,
2004. p. 36.
O espanto é a disposição fundamental que nos leva ao
filosofar. [...] Por isso, o filósofo é, de certa forma, um ser
estranho aos outros homens: eles se integram no mundo como
algo evidente e não se preocupam com ele, enquanto o filósofo
rompe com a evidência do mundo e começa a questioná-lo.
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia: Antiguidade e
Idade Média. 5. ed. São Paulo: Paulus, 2003. p. 16
A partir do excerto, avalie as afirmações a seguir e assinale a
opção correta que melhor distingue senso comum de filosofia:
No Prefácio dos “Princípios da Filosofia do Direito”, Hegel
afirma que “o que é racional é real e o que é real é racional”,
procurando constatar que a racionalidade do sujeito deva ser a
mesma racionalidade do mundo. Tal afirmação visa, entre outras
coisas, superar a dicotomia sujeito e objeto.
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Princípios da filosofia do direito. São
Paulo: Martins Fontes, 2003.
Da mesma forma, partindo da afirmação hegeliana, pode-se dizer
que é possível superar outra dicotomia, qual seja: a separação
entre mundo virtual e mundo real.
Ao compreender a afirmação de Hegel, comparando com a
dicotomia real x virtual, pode-se dizer que
Sócrates caracterizou seu método como maiêutica, que
significa literalmente a arte de fazer o parto, uma analogia com o
ofício de sua mãe, que era parteira. Ele também se considerava
um parteiro, mas de ideias. O papel do filósofo, portanto, não é
transmitir um saber pronto e acabado, mas fazer com que outro
indivíduo, seu interlocutor, através da dialética, da discussão no
diálogo, dê à luz suas próprias ideias (Teeteto, 149a-150c).
MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos
a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, 2002. p. 47.
A partir da passagem acima, avalie os itens abaixo em verdadeiro
(V) ou falso (F).
( ) O método socrático da maiêutica tem como objetivo principal
a exposição do conhecimento acumulado pelo filósofo, que
deve ser transmitido aos discípulos.
( ) A maiêutica é uma metáfora para explicar que o
conhecimento verdadeiro nasce do próprio interlocutor, com
auxílio do diálogo.
( ) A mãe de Sócrates era parteira, assim se compara seu papel
de filósofo ao de alguém que auxilia no nascimento de ideias.
( ) O diálogo e a discussão são ferramentas essenciais no
método socrático, pois permitem ao interlocutor desenvolver
o próprio pensamento.
A opção que representa corretamente a sequência das
afirmações é:
De modo a propor um debate contemporâneo com seu
estudantes do 2º ano do Ensino Médio, uma professora de
Filosofia apresenta uma reportagem sobre o uso de
reconhecimento facial em escolas públicas para fins de
segurança. Alguns estudantes se mostram entusiasmados com a
aplicação da tecnologia, enquanto outros demonstram
preocupação com possíveis abusos e perda de privacidade. A
professora aproveita o debate para introduzir uma questão
filosófica: “Toda inovação científica deve ser adotada
simplesmente porque é possível?”
Qual aprendizado a professora busca promover em seus
estudantes com a atividade planejada?
“Cantar, dançar e viver a experiência mágica de suspender o
céu é comum em muitas tradições. Suspender o céu é ampliar o
nosso horizonte; não o horizonte prospectivo, mas um
existencial. É enriquecer as nossas subjetividades, que é a
matéria que este tempo que nós vivemos quer consumir. Se
existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma
por consumir subjetividades – as nossas subjetividades. Então
vamos vivê-las com a liberdade que formos capazes de inventar,
não botar ela no mercado. Já que a natureza está sendo assaltada
de uma maneira tão indefensável, vamos, pelo menos, ser
capazes de manter nossas subjetividades, nossas visões, nossas
poéticas sobre a existência”.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia
das Letras, 2019.
No excerto, Ailton Krenak articula uma crítica que pode ser
compreendida, do ponto de vista filosófico, como parte do
esforço de descolonização epistêmica, pois
O estudo das condições a priori do conhecimento foi
denominado por Kant “transcendental”, que nada tem a ver com
o “transcendente”, mas com aquelas condições que, de parte do
sujeito, contribuem constitutivamente para a possibilidade da
experiência. A demonstração da necessidade a priori para a
experiência ocupou o centro da Crítica da razão pura sob o nome
de “Dedução transcendental das categorias”
ROHDEN, Valério. O criticismo kantiano. In: REZENDE, Antonio (Org.).
Curso de Filosofia: para professores e estudantes dos cursos de ensino
médio e de graduação. Rio de Janeiro: Zahar, 1986. p. 131.
Com base nesse trecho, assinale a alternativa correta.
Um professor de Filosofia do 1º ano do Ensino Médio deseja
introduzir o conceito de substância a partir da leitura do início da
Metafísica, de Aristóteles. Ele menciona a seguinte definição: “o
ente primeiro é ‘o que é’, o qual precisamente designa a
essência” (1028a 10). Após perceber a dificuldade dos estudantes
em acompanhar o vocabulário técnico do texto, ele reformula a
abordagem da aula. Em vez de seguir com a leitura direta da
obra, propõe uma reflexão a partir da seguinte pergunta: “O que
faz uma coisa continuar sendo ela mesma mesmo quando
muda?” A partir das respostas dos estudantes, ele reconstrói o
conceito de substância de maneira gradual e dialógica.
Sobre origem das ideias e princípios de causalidade, temos a
seguinte afirmação:
Partindo dessa concepção da origem das ideias e do
conhecimento, Hume, o mais radical dos empiristas, chegará a
negar validade universal ao princípio de causalidade e à noção de
necessidade a ele associada. A causalidade não seria, assim, uma
propriedade do real, mas simplesmente o resultado de nossa
forma habitual de perceber fenômenos, relacionando-os como
causa e efeito, a partir de sua repetição constante.
MARCONDES, Danilo. O empirismo inglês. In: REZENDE, Antonio (Org.).
Curso de Filosofia: para professores e estudantes dos cursos de ensino
médio e de graduação. Rio de Janeiro: Zahar, 1986. p. 120-121.
Avalie as afirmações abaixo e julgue se elas são Verdadeiras (V)
ou Falsas (F) em relação ao que se afirma no trecho.
( ) Podemos definir uma causa como um objeto seguido de
outro de tal forma que todos os objetos semelhantes ao
primeiro são seguidos de objetos semelhantes ao segundo.
( ) Objetos semelhantes sempre se encontram em conexão com
outros objetos semelhantes.
( ) Um objeto seguido de outro, e cuja aparição sempre conduz
o pensamento à ideia desse outro objeto.
( ) A relação de causa e efeito é obtida e fundamentada
racionalmente sem relação direta com a experiência