Quando se traduz o substantivo "tempo" com sua forma verbal e
se estuda o problema da determinação do tempo, logo se percebe
que não se podem separar completamente as determinações dos
acontecimentos sociais e dos fatos físicos. Com a evolução das
medições humanas do tempo, aumenta a relativa autonomia da
determinação social do tempo em relação à medição do tempo dos
fatos não humanos; sua vinculação se tornou mais indireta, mas
nunca desapareceu, sendo na verdade indissolúvel. Por muito
tempo, entretanto, as exigências sociais humanas impulsionaram
a determinação do tempo através dos astros. Podemos
demonstrar sem muita dificuldade que a evolução da
determinação natural do tempo foi e continuou dependente do
desenvolvimento das exigências sociais humanas, embora tenha
sempre havido influências recíprocas.
Adaptado de ELIAS, Norbert. Sobre el tiempo. México: Fondo de Cultura
Económica, 2010, p. 66.
A partir da interpretação de Norbert Elias, é correto afirmar que
Leia a seguir a resposta de Debora Diniz à pergunta “O que querem
as mulheres que pedem a descriminalização do aborto?”
A descriminalização é a retirada desse dispositivo, dessa coisa do
código penal que diz que se uma mulher fizer aborto ela vai presa.
É uma a cada 5 mulheres aos 40 anos [que aborta]! Pelo menos
meio milhão de mulheres a cada ano. Uma em cada 5 mulheres
com até 40 anos que você conhece, eu conheço. Essa é uma mulher
comum, ela tem filhos, ela vai à igreja, vai ao templo, trabalha, ela
não tem o perfil de uma “mulher fora da lei”. É uma mulher comum
que se vê diante de uma necessidade de saúde, uma necessidade
de vida, e ela tem que ir à clandestinidade para fazer um aborto,
seja para comprar medicamentos, buscar uma clínica ou, se ela
tem mais dinheiro, pegar um avião para um país onde o aborto é
legalizado. Por que a descriminalização é tão importante? Quando
você retira o crime de uma prática você pode falar dela
abertamente. As instituições do Estado podem desenhar políticas
para prevenir, para proteger e para cuidar. Como se previne o
aborto? Há estudos sistemáticos que mostram que uma mulher
quando faz o aborto, alguma coisa está errada em sua vida. Seja
no uso dos métodos, ou ela teve efeitos colaterais ou ela não soube
usar, ou porque ela é muito jovem e sofre violência sexual dentroda própria casa. Então quando o aborto é crime essa mulher entra
na situação de saúde e não fala a verdade, ela tem medo de ser
denunciada. A descriminalização permite inclusive diminuir a taxa
de abortos, que é o que tanto querem aqueles que querem prender
as mulheres.
Adaptado de:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/02/politica/1533241424_946696
.html
Com base na leitura, é correto afirmar que preocupação com a
busca pelo aborto clandestino destaca, na interpretação da
entrevistada,
Analise as afirmativas a seguir sobre o materialismo histórico.
I. O materialismo histórico é uma tradição de pensamento
idealista, que tem como objetivo a subversão da ordem social
vigente.
II. O materialismo histórico-dialético entende as classes sociais
como opostas, reconhecendo sua relação dialética desde os
primórdios da humanidade.
III. O materialismo histórico possui um caráter científico, visando
compreender a sociedade a partir de sua realidade concreta.
I. Ação social afetiva refere-se a condutas impulsionadas por
sentimentos e paixões, como aquelas reações espontâneas,
não racionalizadas, que ocorrem na impulsividade do instante.
II. Ação social tradicional refere-se a comportamentos moldados
por desejos e identidades individuais, com uma percepção
consciente de suas motivações.
III. Ação social racional refere-se a comportamentos planejados,
que são orientados para obtenção de uma finalidade
específica.
O espaço também é tratado como um fato da natureza,
“naturalizado” através da atribuição de sentidos cotidianos
comuns. Sob certos aspectos, mais complexo do que o tempo – tem
direção, área, forma, padrão e volumo como principais atributos,
bem como distância – o espaço é tratado tipicamente como um
atributo objetivo das coisas que pode ser medido e, portanto,
apreendido. Reconhecemos que a nossa experiência subjetiva pode
nos levar a domínios de percepção, de imaginação, de ficção e de
fantasia que produzem espaços e mapas mentais como miragens
da coisa supostamente “real”. Sob a superfície de ideias do senso
comum e aparentemente “naturais” acerca do tempo e do espaço,
ocultam-se territórios de ambiguidade, de contradição e de luta.
Os conflitos surgem não apenas de apreciações subjetivas
admitidamente diversas, mas porque diferentes qualidades
materiais objetivas do tempo e do espaço são consideradas
relevantes para a vida social em diferentes situações. Importantes
batalhas também ocorrem nos domínios da teoria, bem como da
prática, científica, social e estética. O modo como representamos
o espaço e o tempo na teoria importa, visto afetar a maneira como
nós e os outros interpretamos e depois agimos com relação ao
mundo. Adaptado de: HARVEY, David. A condição pós-moderna. Uma pesquisa
sobre as Origens da Mudança Cultural. São Paulo: Edições Loyola, 1992,
pp. 188 – 190.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o autor
Analise as afirmativas a seguir sobre as regras relativas à
observação dos fatos sociais, segundo Émile Durkheim e assinale
(V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) O sociólogo deve tratar os fatos sociais como coisas.
( ) O sociólogo deve analisar os fatos sociais, guiando-se pela sua
própria subjetividade.
( ) O sociólogo deve se estudar os fatos sociais, se afastando
sistematicamente todas as preconcepções.
Na falsificação de produtos (bens e serviços), marcas e/ou
patentes, esses são copiados, imitados ou reproduzidos por uma
organização ou rede, sem qualquer autorização ou remuneração
de quem legalmente detém direitos sobre tal patrimônio intangível
e tangível, com vistas à obtenção de vantagem financeira via
comercialização. A marca que vai ser falsificada é,
necessariamente, bem conhecida e sobretudo valorizada por um
público que a consome ou gostaria de consumi-la. É uma prática
que se reveste de certas propriedades da pirataria do passado,
acrescida de traços modernos. Incide uma contrafação, pois essa
falsificação é fraudulenta, ao violar o direito de propriedade
industrial que legalmente pertence a terceiros. Por sua vez, os
compradores podem estar cientes (o que usualmente acontece) ou
não da ilegitimidade daquilo que adquirem. Num astuto modo de
uso, o consumidor não pretende passar, nos seus círculos, a
mercadoria falsa por verdadeira, para eliminar o risco social de serdesmascarada. Em vez disso, cria para si uma narrativa algo
favorável e até prestigiosa, mediante: a) a exibição de
conhecimentos sobre a marca original; b) comentários sobre
viagens ao exterior em que o produto foi adquirido; c) exposição de
um perfil de comprador esperto.
Adaptado de: STREHLAU, Suzane; André Torres; Filipe Quevedo-Silva. O
valor percebido no luxo falsificado pelo cliente de artigo legítimo: uma
investigação qualitativa, Revista de Administração da UNIMEP. v.13, n.3,
2015, pp. 75 – 77.
As afirmativas descrevem corretamente o comportamento social
em relação aos produtos falsificado, à exceção de uma. Assinale-a.
O Estado é uma ilusão bem fundamentada, uma realidade que
existe essencialmente porque acreditamos que ela existe. Esta
realidade ilusória, mas validada coletivamente por meio do
consenso, é o lugar para o qual somos remetidos quando recuamos
em vários fenômenos, como títulos acadêmicos, títulos
profissionais ou o calendário. Recuando cada vez mais, chegamos
a um ponto que é a origem de tudo isso. Esta realidade misteriosa
existe por seus efeitos e pela crença coletiva em sua existência, que
é o princípio desses efeitos. Não se pode tocá-la com as mãos ou
tratá-la da maneira que um agente da tradição marxista faria,
dizendo: "O Estado faz isso", "O Estado faz aquilo". Poderia citar
quilômetros de textos nos quais a palavra "Estado" aparece como
sujeito das ações. Trata-se de uma ficção perigosa que nos impede
de pensar o Estado. Portanto, como advertência, eu diria: cuidado,
todas as frases que têm o Estado como sujeito são frases
teológicas, o que não significa que sejam falsas, pois o Estadoé
uma entidade teológica, ou seja, uma entidade que existe devido à
crença.
Adaptado de: BOURDIEU, Pierre. Sobre el Estado. Cursos en el Collège de
France (1989-1992). Barcelona: Anagrama, 2014, pp. 15-16.
Com base na leitura do trecho, analise as afirmativas a seguir e
assinale a (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) O autor descreve o Estado como uma realidade fictícia,
sustentada por ideias preconcebidas e construídas
socialmente, cuja existência é validada coletivamente pela
crença das pessoas.
( ) O autor afirma que a materialidade do Estado decorre de suas
ações concretas como sujeito histórico, capaz de alterar
dinâmicas sociais.
( ) O autor considera que as manifestações do Estado não têm
fundamento sólido, sendo ele uma ficção e vez de uma
realidade.
Assinale a afirmativa que apresenta a sequência correta, de cima
para baixo.
Um professor de Sociologia propôs, como atividade didática, uma
roda de conversa para pensar sobre diferentes visões de mundo.
Para isso, selecionou a leitura e o debate do seguinte trecho
escrito por Ailton Krenak na pandemia de coronavírus.
Essa dor talvez ajude as pessoas a responder se somos de fato uma
humanidade. Nós nos acostumamos com essa ideia, que foi
naturalizada, mas ninguém mais presta atenção no verdadeiro
sentido do que é ser humano. De modo que há uma subhumanidade que vive numa grande miséria, sem chance de sair
dela – e isso também foi naturalizado. É terrível o que está
acontecendo, mas a sociedade precisa entender que não somos o
sal da terra. Temos que abandonar o antropocentrismo; há muita
vida além da gente, não fazemos falta na biodiversidade. Desde
pequenos, aprendemos que há listas de espécies em extinção.
Enquanto essas listas aumentam, os humanos proliferam,
destruindo florestas, rios e animais. Somos piores que a COVID-19.
Esse pacote chamado humanidade vai sendo deslocado de
maneira absoluta desse organismo que é a Terra, vivendo numa
abstração civilizatória que suprime a diversidade, nega a
pluralidade das formas de vida, de existência e de hábitos.
Adaptado de: KRENAK, Ailton. O amanhã não está à venda. São Paulo:
Companhia das Letras, 2020, pp. 5-6.
Analise as afirmativas a seguir sobre as habilidades desenvolvidas
como resultado dessa atividade.
I. Identificar a relação entre fenômenos sociais e contextos
históricos: princípio da desnaturalização.
II. Diferenciar a abordagem sociológica do senso comum:
princípio do estranhamento.
III. Identificar, analisar e discutir as circunstâncias sociais,
políticas, e culturais da emergência de matrizes conceituais
hegemônicas.
Sociologicamente, o importante é compreender que a posição
particular que os pobres assistidos ocupam não impede sua
integração no Estado, como membros de uma unidade política
total. Apesar de sua situação em geral tornar sua condição
individual um fim externo ao ato de assistência, e, por outro lado,
um objeto inerte, destituído de direitos nos objetivos gerais do
Estado, que parecem colocar os pobres fora do Estado, eles estão
ordenados de forma orgânica no interior deste. Em princípio,
aquele que recebe uma esmola dá também alguma coisa; há uma
difusão de efeitos indo dele ao doador e é precisamente o que
converte a doação em uma interação, em um acontecimento
sociológico.
Adaptado de: SIMMEL, Georg. Les pauvres. Paris: Presses Universitaires
de France, 1998, p.55-56.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que o autor
entende a pobreza através
Embora os rolos – no qual os filmes residem enquanto potência
fílmica – sejam palpáveis, o filme em si não é. Não pode ser tocado,
tampouco visto sem que seja projetado. À medida que o projetor
roda, dando às gravações velocidade suficiente para gerar a ilusão
do movimento, cabe aos espectadores, sem tempo para fixar o
olhar e o entendimento em um ou outro aspecto determinado da
sequência de imagens que lhe é mostrada, juntar algumas
impressões do que acaba de ser visto para formatar um ponto de
vista ou uma interpretação. Tanto o que faz “eleger” alguns dentre
os incontáveis sinais possíveis como os mais significativos de um
filme quanto o modo como os interpreta não pode ser desvinculado
de seus desejos e conhecimentos prévios. Em outras palavras, o
processo não é desvinculado das particularidades daquele que o
vê, de sua memória e de seu saber.
Adaptado de: NASCIMENTO, Nayara. Amor em telas – amor e tecnologia
digital em filmes dos anos 2010. Tese de doutorado em Sociologia da
Universidade de São Paulo, 2022, p. 21.
Com base na leitura do trecho, assinale a afirmativa que descreve
corretamente a compreensão sociológica da autora sobre o ato de
consumir produções audiovisuais.
As afirmativas a seguir descrevem corretamente uma competência
a ser desenvolvida no ensino de Sociologia, conforme estabelecido
pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, à exceção de uma.
Assinale-a.
A discussão sobre interseccionalidade tem ocupado um espaço
importante na pesquisa de gênero. O reconhecimento de que
formas sexuais de injustiça são, por um lado, análogas e, por outro,
empiricamente entrelaçadas com outras formas de injustiça -
como as relacionadas a "raça", etnia e religião - encontra nesse
conceito sua expressão teórica. Tanto racismos quanto sexismos
podem ser entendidos como fenômenos complexos de poder que
operam no contexto de atribuição de diferenças categoriais.
Mesmo que não seja sempre necessariamente assim, eles
frequentemente funcionam por meio de referências a
características corporais e, portanto, por meio de referências a
supostas certezas biológicas. É por isso que atribuições de
diferença de cunho racista ou sexista são geralmente atribuições
de diferenças naturalizadas que exigem validade atemporal ou
pelo menos por longos períodos. Nesse sentido também as formas
racistas e sexistas de poder são diferentes daquelas que operam
vinculadas a relações de classe ou de produção.
Adaptado de: KERNER, Ina. Tudo é interseccional? Sobre a relação entre
racismo e sexismo. Novos estud. CEBRAP (93), 2012, pp. 45- 46.
Assinale a afirmativa que descreve corretamente a interpretação
da autora sobre as abordagens interseccionais nos estudos
sociológicos.
A ideia de uma “Sociedade de Consumo” vai além da ideia trivial
de que todos os membros dessa sociedade consomem, uma vez
que todos os seres humanos e todas as criaturas vivas consomem
e sempre consumiram. Acreditamos que a análise do consumo
como uma atividade social e cultural possibilitará uma melhor
compreensão dos novos discursos e propostas advindas do
pensamento ambientalista internacional, a partir da percepção da
questão ambiental como um problema relativo aos estilos de vida
e consumo. Deve-se destacar que a Sociedade de Consumo, como
uma ideologia e utopia pautada na abundância, adquiriu um
status de natural, universal e eterna, mas foi na verdade construída
e instituída em oposição a outras ideologias, utopias pautadas na
suficiência, que precisaram ser neutralizadas para permitir sua
emergência. O consumo se converteu na arena onde a cultura é
motivo de disputas e remodelações. Assim, decisões como o que
comprar, quanto gastar, quanto economizar etc. são decisões
baseadas em juízos morais e tanto geram quanto expressam aquilo
que conhecemos como cultura, no seu sentido mais geral.
Adaptado de: PORTILHO, Fátima. Sustentabilidade ambiental, consumo e
cidadania. São Paulo: Cortez, 2005, p. 68-74.
Com base na leitura do trecho, assinale a afirmativa que descreve
corretamente a interpretação da autora sobre a sociedade do
consumo.
Leia o trecho a seguir sobre a declaração de Daniel Munduruku,
filósofo indígena.
Acho que posso generalizar sem medo de ser injusto. Em geral, os
povos indígenas têm uma concepção de que o tempo é circular,
como os ciclos da natureza. Eles não veem o tempo como algo
linear, mas sim como algo que alimenta a si mesmo, desdobrandose e se projetando adiante. O passado diz respeito a quem somos,
de onde viemos, e o presente é onde vivenciamos o resultado disso
tudo. Com isto, esses povos construíram uma visão de mundo que,
originalmente, não é baseada no tempo do relógio, da produção,
do acúmulo de riquezas materiais. Essa é a visão resultante da
concepção linear de tempo, que tem a ver com a certeza de que
existe algo além do presente, ou seja, o futuro. Por essa ótica
linear, no futuro, as pessoas serão mais felizes. Assim nascem as
grandes histórias ocidentais sobre uma busca por algo muito
importante: do santo graal a uma vida após esta vida. Esse olhar
para o futuro aliena as pessoas para a necessidade mais imediata
de construirmos nossa própria existência no presente.
Leia os dois trechos das músicas a seguir. O primeiro é a versão
original da música “Mulheres”, de Toninho Geraes, e o segundo é
uma adaptação da música, realizada por Doralyce Ferreira e Silvia
Duffrayer.
I.
Nós somos mulheres de todas as cores
De várias idades, de muitos amores
Lembro de Elza Soares, mulher fora da lei
Lembro Marielle, valente e guerreira
De Chica Da Silva, Toda Mulher Brasileira
Crescendo oprimida pelo patriarcado
Meu corpo, minhas regras, agora mudou o quadro Mulheres cabeça e muito equilibradas
Ninguém está confusa, não te perguntei nada
São elas por elas
Escute este samba que eu vou te cantar
Eu não sei por que eu tenho que ser a sua felicidade
Não sou a sua projeção, você é que se baste
Meu bem, amor assim eu quero longe de mim
Sou Mulher, sou dona do meu corpo e da minha vontade
Fui eu que descobri poder e liberdade
Adaptado de: Música “Nós somos mulheres. Samba que elas querem” de
Doralyce Ferreira e Silvia Duffrayer.
II.
Já tive mulheres de todas as cores
De várias idades, de muitos amores
Com umas até certo tempo fiquei
Pra outras apenas um pouco me dei
Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada, do tipo vivida
Casada carente, solteira feliz
Já tive donzela e até meretriz
Mulheres cabeça e desequilibradas
Mulheres confusas, de guerra e de paz
Mas nenhuma delas me fez tão feliz
Como você me faz
Procurei em todas as mulheres a felicidade
Mas eu não encontrei e fiquei na saudade
Adaptado de: Música “Mulheres” de Toninho Geraes
Analise as afirmativas a seguir relacionadas ao procedimento de
adaptação da versão original do samba.
I. Apropria-se de um elemento cultural que reforça papéis de
gênero com o objetivo de questioná-lo e reformulá-lo de
acordo com os interesses e os desejos de um grupo social.
II. Plagia uma expressão cultural ao reproduzir fielmente seu
conteúdo sem fazer a devida atribuição de autoria.
III. Rejeita o estilo musical do samba que frequentemente
perpetua a sexualização da mulher, representando-a como
objeto de desejo masculino.
A história de vida é uma daquelas noções do senso comum que
entram de contrabando no universo acadêmico; primeiro, sem
tambor nem trompete, pelos etnólogos; depois, mais
recentemente, e não sem estrondo, entre os sociólogos. Falar de
história de vida é pressupor pelo menos, e isto não é pouco, que a
vida é uma história e uma vida é inseparavelmente o conjunto de
acontecimentos de uma existência individual concebida como uma
história e o relato desta história. O mundo social, que tende a
identificar a normalidade com a identidade, entendida como
constância de si mesmo de um ser responsável, ou seja, previsível
ou, no mínimo, inteligível, à maneira de uma história bem
construída, dispõe de todos os tipos de instituições de totalização
e de unificação do eu.
Os acontecimentos biográficos são definidos como muitos
posicionamentos e deslocamentos no espaço social, ou seja, mais
precisamente, nos diferentes estados sucessivos da estrutura de
distribuição das diferentes espécies de capital envolvidas em dado
campo
Adaptado de: BOURDIEU, Pierre. L’illusion biographique. In: Actes de la
recherche en sciences sociales. Vol. 62-63, 1986.
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que, segundo o
autor, o sociólogo, ao estudar biografias, deve