Enquanto traço marcante do movimento de transição ao
capitalismo, a pobreza pré-industrial caracterizada como
decorrente da escassez de recursos, desdobra-se no âmbito da
economia capitalista como uma miséria ampliada em meio à
abundância produtiva generalizada.
Sob os imperativos produtivos do capital, os desdobramentos
sociais se refletem no alargamento da superpopulação relativa de
trabalhadores que compõe o segmento mais atingido e fragilizado
de um duplo movimento inerente à ordem capitalista que é
Ao analisar a nova morfologia do trabalho no Serviço Social,
Raichelis (2018) afirma que, no âmbito do mercado de trabalho,
observa-se a ampliação de processos de:
O debate sobre o trabalho do/a Assistente Social no cenário
contemporâneo, retrata o direcionamento dado às políticas
sociais e às suas resultantes no processo de racionalização do
aparato técnico-burocrático do Estado a partir do ideário
neoliberal.
Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
A nova-velha morfologia do trabalho reconfigura o trabalho social
de diferentes categorias profissionais, entre elas a dos assistentes
sociais.
No que se refere às condições e às relações de trabalho, os
assistentes sociais, na condição de trabalhadores(as)
assalariados(as), são submetidos(as) aos mesmos processos de
degradação e violação de direitos que sofre o conjunto da classe
trabalhadora, no interior da heterogeneidade que a caracteriza.
Essa heterogeneidade — que tipifica o processo continuado de
reestruturação produtiva do trabalho e do capital, caracterizado
pelas diversas formas de contratação, de organização e de
processamento do trabalho — expressa
TEXTO 1 - A partir dos anos 1970, com a primeira grande crise do capitalismo após os “30 anos gloriosos”, as proposições neoliberais ganham fôlego no mundo. Nas palavras de Netto (1996: 99): “Também o Estado burguês, mantendo o seu caráter de classe, experimenta um redimensionamento considerável. A mudança mais imediata é a diminuição de sua ação reguladora, especialmente o encolhimento de suas ‘funções legitimadoras’ (O’Connor, 1977): quando o grande capital rompe o ‘pacto’ que suportava o Welfare State, começa a ocorrer a retirada das coberturas sociais públicas e tem-se o corte nos direitos sociais (...).” Depreende-se, portanto, que as repercussões desta crise impactam diretamente os trabalhadores e amplificam a “questão social”.
Considerando a temática discutida no texto 1, sob a ótica neoliberal, a “questão social” é apreendida e representada ideologicamente como:
Historicamente, há uma expressiva vinculação das mulheres com
a responsabilidade da manutenção dos problemas sociais,
resultante do sistema capitalista patriarcal. Investigando essa particularidade, SOUSA et al. (2020), entre
outros autores, avaliam que a fusão patriarcado-capitalismo foi
se construindo como uma ferramenta central para estruturar e
reproduzir as relações desiguais de sexo e
A profissão, como uma especialização da divisão social, técnica,
sexual e racial do trabalho, intervém no âmbito das relações
Estado/sociedade civil, em determinado momento histórico no
qual as sequelas/refrações da questão social, passam a receber
uma intervenção direta e sistemática por parte do Estado. Os
fundamentos da Teoria Social, entendem que o capitalismo é um
sistema de produção e reprodução social que, na medida em que
produz riqueza social, aumenta o contingente de miseráveis.
O Estado passa a assumir parte do ônus com a força de trabalho e
o faz via políticas sociais, imprimindo uma nova racionalidade
adotada no “trato” da questão social
A exploração das mulheres na divisão do trabalho, numa
perspectiva de gênero, impõe a discussão de como a questão
social se expressa na inserção das mulheres no mercado de
trabalho.
Segundo os estudiosos do tema, o crescimento da contratação de
mulheres nas redes produtivas globalizadas está relacionado ao
fato de esta forma de exploração do trabalho aproveitar-se das
construções sociais de gênero para contratar mulheres por
suporem que as mulheres
“A premissa é que o atual quadro sócio-histórico não se reduz a um pano de fundo para que se possa, depois, discutir o trabalho profissional. Ele atravessa e conforma o cotidiano do exercício profissional do Assistente Social, afetando as suas condições e as relações de trabalho, assim como as condições de vida da população usuária dos serviços sociais.” (Iamamoto, 2008, p.19)
À luz do cenário descrito no texto 1, Raichelis (2018), ao estudar a
nova morfologia do trabalho no Serviço Social, afirma que a
reestruturação da produção aporta transformações no mercado
de trabalho do Serviço Social, “configurando-se o exercício
profissional privado, autônomo, temporário, por tarefa”, em
fenômeno que pode ser denominado:
Analisando as transformações societárias contemporâneas e seus
rebatimentos no Serviço Social, Netto (1996) afirma que o
confronto com o conservadorismo estará posto pelas demandas
do mercado de trabalho.
Nesse mercado, as prioridades dos empregadores de assistentes
sociais tenderão a enfatizar
Portador de caráter anti-humano e destrutivo, o capital lança
sobre a sociabilidade um profundo processo de reordenamento,
recriando, na velha e necessária (para o capital) exploração da
força de trabalho novos contornos, cada vez mais agudos, ao
passo que a lógica da intensificação do ritmo da produção se
coaduna com o aprofundamento da devastação dos direitos
sociais, humanos e trabalhistas.
O capitalismo contemporâneo restabelece, sob novas e agudas
bases, o conflito capital-trabalho, sobretudo
Falar de trabalho, hoje, remete obrigatoriamente ao teletrabalho,
ao trabalho por turno, ao trabalho temporário e às formas de
uberização, “individualizadas e invisibilizadas, assumindo, assim,
a aparência de ‘prestação de serviços’ e obliterando as relações
de assalariamento e de exploração do trabalho.”
(ANTUNES, 2020).
A precarização tornou-se uma marca do trabalho, seja ele manual
ou intelectual, em países ricos ou pobres. Mas, para os países
ricos, certas relações, a exemplo do trabalho informal, é uma
novidade.
O trabalho sem proteção social, contemporaneamente, em
alguns países centrais, foi inaugurado
Os caminhos e descaminhos da política social no Brasil são
determinados pelas particularidades da formação social brasileira,
com especial atenção para o desenvolvimento do capitalismo
dependente e para a edificação de um Estado autocrático
condensador dos interesses das burguesias interna e externa. O
caráter dependente do capitalismo brasileiro advém do fato de que
a independência política não alterou a posição subordinada do país
na Divisão Internacional do Trabalho, antes as transformações
políticas e econômicas operadas ao longo do século XX
aprofundaram essa relação.
Uma das particularidades mais perversas do capitalismo de tipo
dependente consiste
As demandas por serviços sociais ou políticas sociais expressam as
desigualdades econômicas, de inclusão/exclusão social, de
dominação de gênero, de relações de poder e violência nos
conflitos familiares, de relação com o crime, com o uso de drogas,
com a enfermidade, com a precarização das condições sociais e
familiares. São demandas complexas tanto por efetivação de
direitos como por cuidados específicos que exigem dos
profissionais a análise das relações gerais e particulares dessas
condições e do poder de enfrentá‐las.
Inserir a relação social de sexo com a finalidade de analisar a
atividade do trabalho, no que se refere a trabalho produtivo e
trabalho reprodutivo, nos permite pensar de forma ampliada a
produção capitalista. Analisar as relações sociais de sexo nos
permite entender as características que inscrevem de modos
diferentes homens e mulheres no mundo do trabalho
promovendo a separação da esfera produtiva em relação a esfera
reprodutiva, colocando o masculino no espaço profissional e o
feminino no espaço doméstico ou de cuidado.
Porém, a coexistência de uma produção social de bens e uma
produção social de seres humanos diretamente relacionados,
respeitando suas distinções analíticas, ao longo da história e em
determinadas condições de tempo e espaço afirmam
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua
(PNAD-C), 2018, indicaram que 93% dos postos de trabalho
doméstico eram ocupados por mulheres e que 67% se
autodenominavam negras. Os dados da PNAD-C registraram ainda
que, somente 30% na média nacional, tinham a carteira de
trabalho assinada.
Com base no enunciado acima, as afirmativas a seguir estão
corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
Uma das críticas ao conceito de Exclusão Social refere-se ao fato
de que ao desenraizar as pessoas, o capitalismo as transforma em
proprietários de uma única coisa – a sua força de trabalho – e,
assim, vendedores dessa força de trabalho. Se ninguém se dispõe
a comprá-la, isso cria um problema para elas e para a sociedade,
mas de qualquer forma elas passam a ser potenciais vendedores
da força de trabalho, trabalhadores à procura de trabalho. Um
trabalhador à procura de trabalho é alguém que está buscando
uma inserção estável nas relações sociais. O capital produz para
vender e por isso não se pode falar em exclusão.
De qualquer forma, todos que estão vivos – sejam empregados,
subempregados ou desempregados – estão consumindo, ou seja,
As metamorfoses no “mundo” do trabalho incidem no mercado de
trabalho do Serviço Social e no exercício profissional de assistentes
sociais e demais profissionais, em uma contextualização de
degradação do trabalho e precarização das condições em que ele é
exercido, considerando ainda a erosão dos sistemas públicos de
proteção social, lugar institucional privilegiado onde operam os(as)
trabalhadores(as) sociais, impactando não apenas as condições
materiais dos sujeitos que vivem do trabalho, mas também