Questões de Concursos
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Nada por aqui
A escola que os alunos da Educação de Jovens e Adultos têm em seu imaginário, nem sempre é aquela com que se deparam nos primeiros dias de aula. Nesses casos, esperam encontrar um lugar onde predominam aulas expositivas, com pontos copiados da lousa, onde o professor é o único detentor do saber e transmite conteúdos que são recebidos passivamente pelo aluno. [...] Muitos, ao se depararem com uma aula na qual são convidados a pensar juntos, em grupo, a aprender com a música, a poesia, o jornal, a fazer matemática com jogos e cálculos diversos, construir projetos, estranham, resistem e acreditam não ser esse o caminho para aprender o que a escola ensina. Neusa, uma aluna de EJA, descreve bem esse quadro:
“Na primeira semana de aula, eu estava muito assustada, não entendia nada, tudo era diferente. Cheguei até a pensar em desistir, mas criei coragem e continuei, e hoje estou muito feliz”.
Este cenário poderá ser transformado na medida em que:
A Terceira Margem do Rio (trecho)
Meu pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo. Um dia, sem que ninguém soubesse por quê, mandou fazer uma canoa. Canoa feita, desceu ao rio e nela entrou, remando para o meio. E não voltou mais. Ficou ali, no meio do rio, morando na canoa.
A gente, primeiro, pensou que ele ia e voltava. Mas não. Ele ficava lá, no meio do rio, sem se afastar nem se aproximar da margem.
Minha mãe chorava, rezava. Nós, filhos, ficávamos sem saber o que fazer. O povo da redondeza vinha ver, comentar, dar conselho. Mas meu pai não saía da canoa.
Passaram-se anos. Meu pai envelheceu na canoa. Nós crescemos, casamos, tivemos filhos. E ele lá, sempre no meio do rio, sem dizer palavra, sem dar sinal.
(João Guimarães Rosa, in Primeiras Estórias, 1962; adaptado)