Um passatempo

"O melhor disso tudo é saber que não estamos sós em nossos hábitos"

Patrícia Espírito Santo | 26/01/2025


Não que eu tenha horror de fazer supermercado. Não é algo que me incomode muito, mas, ainda assim, não tenho tido muita chance de fazê-lo. Aqui em casa são poucas coisas que conseguimos comprar virtualmente, e supermercado, definitivamente, ainda não entrou no nosso radar on-line.

Não sei se porque somos de gerações que nasceram no tempo em que não existiam hipermercados, só os pequenos de bairro, onde era comum anotar as compras na caderneta para pagar no início do mês. Fato é que gostamos de apreciar as gôndolas e pegar nas mercadorias antes de decidir levá-las, por mais contraproducente que isso possa parecer.

Não tenho a chance de desfrutar desse passeio porque meu marido adora fazê-lo. Ele é do tipo que dá bom dia a cavalo e faz amizade com todo mundo, do gerente aos repositores e operadores de caixa. Não passamos um mês sequer sem que ele chegue em casa com centenas de frutas da época bem maduras que acaba ganhando porque “iam perder”. Viram doces a serem distribuídos aos amigos.

Sempre que o acompanho nas compras, querendo tornar mais leve o enfrentamento de carrinhos cheios e filas, resta-me observar o alheio. Não há como escapar. Sou capaz de duvidar que exista alguém que resista a não fazer um perfil do consumidor, que se encontra à sua frente na fila ou logo atrás, a partir de suas compras.

Aquele ali vai fazer um churrasco e vai beber muito! Meus Deus, só teor alcoólico alto! Aquele outro não gosta de cozinhar, está levando só coisa pronta que não faz bem à saúde. Já aquele outro deve ter uma penca de crianças em casa. Apreciando esse ou aquele, nos lembramos do que está faltando em nossas prateleiras e começa o corre-corre entre os corredores em busca de mais um produto, enquanto o parceiro segura o lugar na fila.

O melhor disso tudo é saber que não estamos sós em nossos hábitos. Assim como 1 nessas horas podemos perceber como 2 devemos ou não nos comportar em ambientes públicos. Nada como 3 uma fila para colocar em prova nossos direitos e deveres, nossa capacidade de sermos pacientes e generosos ou de impor limites.


ESPÍRITO SANTO, Patrícia. Um passatempo. Estado de Minas, 26 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/patricia-espirito-santo/2025/01/7043102-um-passatempo.html.Acesso em: 26 jan. 2025. Adaptado.

A respeito de ir às compras de supermercado como forma de passatempo, percebe-se que a articulista se mostra
O Mercosul desempenha um papel central na economia sul-americana, promovendo a integração entre seus membros. Considerando suas diretrizes, assinale a alternativa correta:
Em hematologia, o anticoagulante EDTA atua por quelação de cátions divalentes. Qual alternativa descreve corretamente o impacto teórico do EDTA e a justificativa de uso no hemograma?
A função pública exige dos servidores um comportamento condizente com os princípios da Administração Pública. O descumprimento de normas éticas pode resultar em sanções disciplinares, além de comprometer a confiança da sociedade nas instituições públicas. Sobre a ética no exercício da função pública, assinale a alternativa correta:
Um órgão público implementa práticas voltadas à excelência no atendimento, buscando maior satisfação dos usuários e otimização de recursos. De que forma as tarefas são executadas com padrão de qualidade?
Considerando a localização de Tarauacá e a função dos rios na vida regional, qual alternativa representa de forma mais adequada essa realidade?
A Política Nacional de Assistência Social (PNAS) propõe a territorialização como uma estratégia fundamental. Sobre este conceito, é correto afirmar que:
Em relação à coleta de escarro para exame microbiológico, dentre as alternativas abaixo, assinale aquela que apresenta o procedimento mais adequado para garantir uma amostra representativa das vias respiratórias inferiores.
A rotina de um consultório odontológico exige organização e planejamento eficazes. Em relação ao acolhimento do paciente para atendimento, assinale a alternativa correta:
Uma fábrica de embalagens consegue produzir 1.200 caixas em 8 horas de trabalho, operando com uma única máquina. Se a fábrica precisar produzir 2.700 caixas, quantas horas serão necessárias mantendo a mesma taxa de produção e apenas uma máquina em funcionamento?
Durante a execução de atividades de limpeza em um ambiente industrial, um auxiliar operador de serviços diversos percebe a presença de substâncias químicas voláteis no local. Considerando a Norma Regulamentadora NR-6 sobre Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a medida mais adequada a ser adotada é:
O Estado do Acre está inserido na Amazônia Ocidental e possui um clima característico dessa região. Sobre as condições climáticas e vegetação do estado, assinale a alternativa correta:
Colorações Giemsa e Ziehl-Neelsen: qual alternativa descreve corretamente o fundamento químico de cada técnica?

Leia o texto e responda a questão.


Trecho (do início de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Capítulos I e II)


Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar meu nascimento ou minha morte. Supondo que o uso vulgar me obrigasse a optar pelo nascimento, foi-me impossível resistir à tentação de começar pela morte.

Digo, pois, que morri em uma tarde de sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha sessenta e quatro anos, e desde que me conheci, sempre me inclinei a fazer tudo pela forma mais sensata; mas, dessa vez, não pude conter uma estranha vontade de experimentar o insólito.


Machado de Assis.

Quais são as ideias principais e secundárias presentes nesses parágrafos?
A promoção da autonomia e do protagonismo do estudante com necessidades educacionais específicas integra os fundamentos da Educação Especial. Indique a alternativa que melhor reflete essa orientação.
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.

Presos na telinha

Estudos de imagem revelam dados preocupantes, especialmente para um cérebro em desenvolvimento: o excesso de exposição às telas está associado à redução de matéria branca e cinzenta do órgão. A internet está encolhendo cérebros

Paloma Oliveto | 12/02/25

No início dos anos 1980, a TV a cabo se popularizou nos Estados Unidos. Com o aumento da grade de programação, um novo medo foi desbloqueado entre a classe média: o da televisão "abduzir" crianças e adolescentes. Não a1 toa, é exatamente o que acontece em um dos filmes de terror de maior sucesso da época, Poltergeist (1982), no qual a menininha Caroline é literalmente sugada pelo aparelho.

Se, na obra escrita e produzida por Steven Spielberg, são fantasmas que puxam a protagonista-mirim para dentro da tela, na realidade, os pais temiam perder os filhos para o excesso de canais. De fato, a oferta excessiva de programas mudou a dinâmica das famílias.

Diversos estudos exploraram o impacto negativo da TV em aspectos do comportamento infantojuvenil, incluindo maus hábitos alimentares, sedentarismo, redução de atividades sociais e queda no interesse pelos estudos. Além disso, pesquisas de longo prazo não só nos Estados Unidos atestaram redução na leitura e na pontuação em testes cognitivos.

Mas mesmo quem cresceu com a "babá eletrônica" não estava preparado para o fenômeno que viria assombrar os pais décadas depois. O verdadeiro Poltergeist não viria da telona, mas da microtela dos smartphones, de onde 96% dos usuários de internet acessam a rede de computadores (dados do DataReportal).

Agora, não estamos mais falando de um punhado de canais de televisão, mas de um conteúdo infinito disponível em qualquer lugar, 24 horas por dia. Adolescentes passam, em média, nove horas conectados, um número conservador, considerando que as pesquisas sobre o tema trabalham, geralmente, com autorrelato.

Em um artigo para o site The Conversation, psiquiatras da Universidade Estadual de Wayne calcularam que, se uma pessoa passa "apenas" 50 horas por semana conectada entre os 13 e 18 anos, no fim, terá dedicado as2 telas mais do que os 12 anos passados na escola. Essa "graduação" on-line cobra seu preço: em todas as partes do mundo, independentemente da renda familiar, as estatísticas de ansiedade e de depressão entre crianças dispararam. Estudos de imagem revelam dados preocupantes, especialmente para um cérebro em desenvolvimento: o excesso de exposição as3 telas está associado a4 redução de matéria branca e cinzenta do órgão. A internet está encolhendo cérebros.

Assim como na televisão, nem tudo é lixo na rede. Nos anos 1970, uma pesquisa constatou que crianças que assistiam a5 Vila Sésamo tinham um nível de letramento superior — 80% do programa era de conteúdo educativo. Agora, um estudo recente também encontrou ganhos cognitivos entre meninos e meninas que acessam, como os pais, conteúdos de qualidade.

O problema é que, se na época de ouro da televisão, bastava desligar o botão para limitar a exposição, hoje, a não ser que os celulares sejam confiscados e trancafiados, é impossível fazer esse controle.

Em Poltergeist, com a ajuda de orações, a família de Caroline consegue expulsar os espíritos que puxavam a menina para dentro da tela. Agora, talvez precisemos de um exorcismo para arrancar as crianças de lá.

Paloma Oliveto (Repórter sênior) - Formada na Universidade de Brasília, é especializada na cobertura de ciência e saúde há mais de uma década. Entre as premiações recebidas, estão primeiro lugar no Grande Prêmio Ayrton Senna e menção honrosa no Prêmio Esso.

OLIVETO, Paloma. Presos na telinha. Correio Braziliense, 13 de fevereiro de 2025. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/02/7058174-presos-na-telinha.html. Acesso em: 13 fev. 2025. Adaptado para esta avaliação.
De acordo com as informações explicitadas no texto,
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.

Presos na telinha

Estudos de imagem revelam dados preocupantes, especialmente para um cérebro em desenvolvimento: o excesso de exposição às telas está associado à redução de matéria branca e cinzenta do órgão. A internet está encolhendo cérebros

Paloma Oliveto | 12/02/25

No início dos anos 1980, a TV a cabo se popularizou nos Estados Unidos. Com o aumento da grade de programação, um novo medo foi desbloqueado entre a classe média: o da televisão "abduzir" crianças e adolescentes. Não a1 toa, é exatamente o que acontece em um dos filmes de terror de maior sucesso da época, Poltergeist (1982), no qual a menininha Caroline é literalmente sugada pelo aparelho.

Se, na obra escrita e produzida por Steven Spielberg, são fantasmas que puxam a protagonista-mirim para dentro da tela, na realidade, os pais temiam perder os filhos para o excesso de canais. De fato, a oferta excessiva de programas mudou a dinâmica das famílias.

Diversos estudos exploraram o impacto negativo da TV em aspectos do comportamento infantojuvenil, incluindo maus hábitos alimentares, sedentarismo, redução de atividades sociais e queda no interesse pelos estudos. Além disso, pesquisas de longo prazo não só nos Estados Unidos atestaram redução na leitura e na pontuação em testes cognitivos.

Mas mesmo quem cresceu com a "babá eletrônica" não estava preparado para o fenômeno que viria assombrar os pais décadas depois. O verdadeiro Poltergeist não viria da telona, mas da microtela dos smartphones, de onde 96% dos usuários de internet acessam a rede de computadores (dados do DataReportal).

Agora, não estamos mais falando de um punhado de canais de televisão, mas de um conteúdo infinito disponível em qualquer lugar, 24 horas por dia. Adolescentes passam, em média, nove horas conectados, um número conservador, considerando que as pesquisas sobre o tema trabalham, geralmente, com autorrelato.

Em um artigo para o site The Conversation, psiquiatras da Universidade Estadual de Wayne calcularam que, se uma pessoa passa "apenas" 50 horas por semana conectada entre os 13 e 18 anos, no fim, terá dedicado as2 telas mais do que os 12 anos passados na escola. Essa "graduação" on-line cobra seu preço: em todas as partes do mundo, independentemente da renda familiar, as estatísticas de ansiedade e de depressão entre crianças dispararam. Estudos de imagem revelam dados preocupantes, especialmente para um cérebro em desenvolvimento: o excesso de exposição as3 telas está associado a4 redução de matéria branca e cinzenta do órgão. A internet está encolhendo cérebros.

Assim como na televisão, nem tudo é lixo na rede. Nos anos 1970, uma pesquisa constatou que crianças que assistiam a5 Vila Sésamo tinham um nível de letramento superior — 80% do programa era de conteúdo educativo. Agora, um estudo recente também encontrou ganhos cognitivos entre meninos e meninas que acessam, como os pais, conteúdos de qualidade.

O problema é que, se na época de ouro da televisão, bastava desligar o botão para limitar a exposição, hoje, a não ser que os celulares sejam confiscados e trancafiados, é impossível fazer esse controle.

Em Poltergeist, com a ajuda de orações, a família de Caroline consegue expulsar os espíritos que puxavam a menina para dentro da tela. Agora, talvez precisemos de um exorcismo para arrancar as crianças de lá.

Paloma Oliveto (Repórter sênior) - Formada na Universidade de Brasília, é especializada na cobertura de ciência e saúde há mais de uma década. Entre as premiações recebidas, estão primeiro lugar no Grande Prêmio Ayrton Senna e menção honrosa no Prêmio Esso.

OLIVETO, Paloma. Presos na telinha. Correio Braziliense, 13 de fevereiro de 2025. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/02/7058174-presos-na-telinha.html. Acesso em: 13 fev. 2025. Adaptado para esta avaliação.
Os conectivos sublinhados nos parágrafos iniciais do texto podem ser adequadamente substituídos por
O diagnóstico laboratorial da malária exige conhecimento da morfologia dos diferentes estágios do Plasmodium spp. Nesse sentido, podemos afirmar:

Leia as afirmativas relacionadas ao currículo escolar e sua organização:

I - A flexibilização curricular permite adequações para atender às especificidades da comunidade escolar e dos estudantes.

II - O currículo deve ser interdisciplinar, promovendo conexões entre diferentes áreas do conhecimento.

III - A organização curricular deve ser fixa e imutável, garantindo que todos os alunos sigam a mesma sequência de conteúdos.

IV - A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece diretrizes gerais, mas permite autonomia para que estados e municípios complementem o currículo com conteúdos regionais.

Estão corretas as afirmativas:

Página 9