Na década de 1960, o governo Goulart tentara, de uma
só vez, realizar um conjunto de “ajustes” políticos e sociais
com a finalidade de incluir na Nação oficial, e na própria
Constituição Federal, uma série de grupos que, em parte, a
política e a história haviam deixado para trás, e que a nova
conjuntura brasileira e internacional fazia emergir.
DAHÁS, N. O discurso da central hoje. Disponível em: www.revistadehistoria.com.br.
Acesso em: 29 out. 2015.
Na conjuntura histórica abordada no texto, surgiu como
protagonista no campo político o grupo social dos
Pensar o corpo como algo produzido pela cultura
é, simultaneamente, um desafio e uma necessidade.
Um desafio porque rompe, de certa forma, com o olhar
naturalista sobre o qual muitas vezes o corpo é observado,
explicado, classificado e tratado. Uma necessidade
porque, ao desnaturalizá-lo, revela, sobretudo, que o
corpo é histórico. Isto é, mais do que um dado natural cuja
materialidade nos presentifica no mundo, o corpo é uma
construção sobre a qual são conferidas diferentes marcas
em diferentes tempos, espaços, conjunturas econômicas,
grupos sociais e étnicos.
LOURO, G. L.; FELIPE, J.; GOELLNER, S. V. (Org.). Corpo, gênero e sexualidade:
um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2013 (adaptado).
A que valor da contemporaneidade o entendimento sobre
o corpo expresso no texto é correlato?
A meta de uma concessionária de automóveis é
vender, pelo menos, 104 carros por mês. Sabe-se
que, em média, em dias em que não são oferecidos
descontos, são vendidos 3 carros por dia; em dias em
que há o desconto mínimo, são vendidos 4 carros por dia;
e, em dias em que há o desconto máximo, são vendidos
5 carros por dia.
No mês atual, até o fim do expediente do sexto dia
em que a concessionária abriu, não foram oferecidos
descontos, tendo sido vendidos 18 carros, conforme
indicava a média. Ela ainda abrirá por mais 20 dias neste
mês.
A menor quantidade de dias em que será necessário
oferecer o desconto máximo, de modo que ainda seja
possível a concessionária alcançar sua meta de vendas
para o mês, é
A preocupação com a sustentabilidade faz com
que se procurem, cada vez mais, métodos eficientes
para a economia de energia elétrica. Um procedimento
que se pode adotar é a substituição das lâmpadas
incandescentes por lâmpadas de LED nas residências.
Uma lâmpada incandescente, que opera 8 horas por dia,
foi substituída por uma de LED. Elas apresentam 60 W e
8 W de potência nominal de consumo, respectivamente.
A redução do consumo de energia elétrica, em quilowatt-hora,
obtida durante trinta dias foi
Quando as elites de cada região do país procuraram
estabelecer sua autonomia em relação ao governo
central, elas se confrontaram com o espectro de uma
anarquia social. Em uma sociedade escravocrata, a
possibilidade de tal desordem ameaçava tudo. Líderes
locais apoderaram-se da legitimidade que a Monarquia
oferecia como uma tábua de salvação, e o Estado
monárquico central que eles construíram os trouxe à
terra firme. Os vínculos que se seguiram entre as várias
regiões levaram a um sentimento de solidariedade. O
Estado, portanto, fomentou a emergência de uma nação
única: o Brasil.
GRAHAM, R. Construindo uma nação no Brasil do século XIX: visões novas e antigas sobre
classe, cultura e Estado. Diálogos (UEM), n. 1, 2001 (adaptado).
A aliança entre as elites regionais e o Estado monárquico
resultou na
Em muitos animais, machos e fêmeas da mesma
espécie apresentam diferenças morfológicas ou
comportamentais evidentes. Um exemplo clássico de
dimorfismo sexual é o caso do pavão, em que o macho
possui cauda vistosa e penas coloridas, as quais estão
ausentes nas fêmeas. Em outras espécies, os machos
possuem chifres, garras ou dentes maiores do que
as fêmeas, e utilizam essas estruturas em combates
físicos para defender territórios e ter acesso a fêmeas
coespecíficas e receptivas.
Um túnel viário de uma única via possui a entrada na forma de um triângulo equilátero de lado 6 m. O motorista
de um caminhão com 3 m de largura deve decidir se passa por esse túnel ou se toma um caminho mais longo. Para
decidir, o motorista calcula a altura que esse caminhão deveria ter para tangenciar a entrada do túnel. Considere o
caminhão como um paralelepípedo reto.
Os meus colegas jornalistas que me perdoem, mas
não dá mais para ler uma notícia de jornal apenas pelo
que está publicado. O nosso universo informativo ficou
muito mais complexo depois do surgimento da avalanche
informativa na internet.
Esse fenômeno, inédito na história do jornalismo,
está nos obrigando a tomar uma notícia de jornal apenas
como um ponto de partida para uma análise que,
necessariamente, envolve a preocupação em descobrir
o contexto do que foi publicado. A notícia de jornal não é
mais a verdade definitiva, mas a porta de entrada numa
realidade desconhecida e inevitavelmente complexa,
contraditória e diversa.
A principal mudança que todos nós teremos que
incorporar às nossas rotinas informativas é a necessidade
de sermos críticos em relação às notícias que leremos,
ouviremos ou assistiremos. A busca de um novo modelo de formatação de notícias
baseado numa cultura da diversificação informativa
está apenas começando. O público passou a ter uma
importância estratégica na atividade profissional porque
os jornalistas necessitam, cada vez mais, dos blogs
pessoais, das páginas da web e das postagens em redes
sociais como fonte de notícias. A histórica dependência de
fontes governamentais e corporativas está rapidamente
sendo substituída pela notícia oriunda de comunidades,
grupos sociais organizados e influenciadores digitais.
A agenda de notícias das elites perde espaço para a
agenda do público. É essa nova forma de ver a realidade que está na
base da necessidade do chamado “texto oculto”, um
jargão acadêmico para uma diversificação na nossa nova
forma de ler, ouvir e ver notícias.
CASTILHO, C. Disponível em: www.observatoriodaimprensa.com.br.
Acesso em: 30 out. 2021 (adaptado).
Ao problematizar os modos de ler notícias e a necessidade
de se buscar o chamado “texto oculto”, o texto defende
que esse processo implicará
Um cliente vai a uma loja de materiais de revestimento
cerâmico para adquirir porcelanato para a substituição do
piso de uma sala com formato retangular, com área total
de 36 m2
. O vendedor dessa loja lhe oferece dois projetos.
• Projeto A: porcelanato quadrado, com 0,60 m de
lado, para ser disposto de maneira que a diagonal
do quadrado seja paralela ao contorno da sala.
Custo da caixa com 10 peças: R$ 60,00.
• Projeto B: porcelanato quadrado, com 0,40 m de
lado, para ser disposto de maneira que os lados
do quadrado sejam paralelos ao contorno da sala.
Custo da caixa com 12 peças: R$ 40,00.
O vendedor informa que a fábrica recomenda a
compra de uma quantidade adicional do número de peças
para eventual necessidade de cortes e para reserva. No
caso do projeto A, devem ser adquiridos 25% a mais, e
no caso do projeto B, uma quantidade 10% maior do que
o valor exato da área de recobrimento.
O cliente decide, então, que irá adotar o projeto de
menor custo.
O custo mínimo que o cliente deverá ter, em conformidade
com seu objetivo e com as informações apresentadas,
será de
A historiografia do país demonstra que foi necessário
considerável esforço do colonizador português em
impor sua língua pátria em um território tão extenso.
Trata-se de um fenômeno político e cultural relevante
o fato de, na atualidade, a língua portuguesa ser
a língua oficial e plenamente inteligível de norte a
sul do país, apesar das especificidades e da grande
diversidade dos chamados “sotaques” regionais. Esse
empreendimento relacionado à imposição da língua
portuguesa foi adotado como uma das estratégias de
dominação, ocupação e demarcação das fronteiras do
território nacional, sucessivamente, em praticamente
todos os períodos e regimes políticos. Da Colônia ao
Império, da República ao Estado Novo e daí em diante.
Tomemos como exemplo o nheengatu, uma língua
baseada no tupi antigo e que foi fruto do encontro,
muitas vezes belicoso e violento, entre o colonizador
e as populações indígenas da costa brasileira e
de grande parte da Amazônia. Foi a língua geral de
comunicação no período colonial até ser banida pelo
Marquês de Pombal, a partir de 1758, caindo em
pleno processo de desuso e decadência a partir de
então. Foram falantes de nheengatu que nominaram
uma infinidade de lugares, paisagens, acidentes
geográficos, rios e até cidades. Atualmente, resta
um pequeno contingente de falantes dessa língua no
extremo norte do país. É utilizada como língua franca
em regiões como o Alto Rio Negro, sendo inclusive
fator de afirmação étnica de grupos indígenas
que perderam sua língua original, como os Barés,
Arapaços, Baniwas e Werekenas.
Em nenhum outro tipo de literatura a fantasia
desempenha papel tão importante. Sapos se transformam
em príncipes, animais conversam com humanos, mesas
se põem sozinhas e contratempos insolúveis se resolvem
de um parágrafo para outro. Essa falta de verossimilhança
não afasta o leitor. Pelo contrário, juntamente com o
anonimato dos príncipes e princesas, que não têm
personalidade definida e vivem em terras distantes sem
localização exata, ela facilita a identificação com os
personagens. O mundo da fantasia abre espaço para
que coisas desagradáveis, que não seriam toleradas em
outros tipos de história, passem incólumes, como bruxas
comedoras de criancinha e anões cruéis que roubam
bebês. Boa parte do fascínio dos contos tem origem
justamente nesse mundo sombrio. Contos de fadas não
constituem sempre histórias agradáveis polvilhadas com
açúcar, como a casa de pão de ló de João e Maria. Pelo
contrário, as tramas são recheadas de malvadezas que
sobrevivem às dezenas de adaptações. Podem passar
despercebidas, mas estão lá. Ou é inofensiva a história
de uma menina e sua avó que são devoradas vivas
por um lobo? Ou é inocente o conto da menina que é
sequestrada e obrigada a passar a juventude trancada
no alto de uma torre? E o que dizer do bebê condenado à
morte no dia do seu batizado?
As inovações no preparo do solo e na engenharia
genética (variedades adaptadas ao clima do Cerrado)
permitiram incorporar o pacote técnico herdado da
Revolução Verde a um ambiente até então considerado
hostil para a atividade. Dessa forma, o Cerrado apenas
foi incorporado à dinâmica do agronegócio na medida em
que os processos produtivos existentes não precisavam
passar por modificações substanciais para serem
reproduzidos nesse novo ambiente.
OLIVEIRA, V. L.; BÜHLER, È. A. Técnica e natureza no desenvolvimento do “agronegócio”.
Caderno CRH, n. 77, maio-ago. 2016.
Essas inovações produtivas tiveram como consequência a:
Em um sistema hipotético mantido sob iluminação,
estão presentes uma célula autotrófica e uma célula
heterotrófica. A esse sistema são fornecidos água, glicose
e gás oxigênio, sendo esse último na forma de 18O2
.
Ao final de um período de 24 horas, a análise dos
compostos presentes nesse sistema permitirá a detecção
do isótopo no(a)
Foi o caso que um homenzinho, recém-aparecido na
cidade, veio à casa do Meu Amigo, por questão de vida
e morte, pedir providências. Meu Amigo sendo de vasto
saber e pensar, poeta, professor, ex-sargento de cavalaria
e delegado de polícia. Por tudo, talvez, costumava
afirmar: — “A vida de um ser humano, entre outros seres
humanos, é impossível. O que vemos é apenas milagre;
salvo melhor raciocínio.” Meu Amigo sendo fatalista.
Na data e hora, estava-se em seu fundo de quintal,
exercitando ao alvo, com carabinas e revólveres,
revezadamente. Meu Amigo, a bom seguro que, no
mundo, ninguém, jamais, atirou quanto ele tão bem —
no agudo da pontaria e rapidez em sacar arma; gastava
nisso, por dia, caixas de balas. Estava justamente
especulando: — “Só quem entendia de tudo eram os
gregos. A vida tem poucas possibilidades”. Fatalista
como uma louça, o Meu Amigo. Sucedeu nesse comenos
que o vieram chamar, que o homenzinho o procurava.
ROSA, J. G. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1967.
Os procedimentos de construção conferem originalidade
ao estilo do autor e produzem, no fragmento, efeito de
sentido apoiado na
Houve uma rede de televisão brasileira que
conseguiu, com ousadia e exclusividade, uma entrevista
com o presidente da Líbia, logo após o bombardeio de
sua casa pela aviação estadunidense, em 1986. Foi
constrangedor para Kadafi e para os telespectadores
ouvir as perguntas: “O que o senhor sentiu quando
percebeu o bombardeio? O que o senhor sentiu quando
viu sua família ameaçada? O que o senhor achou
desse ato dos inimigos?”. Nenhuma pergunta sobre o
significado do atentado na política e na geopolítica do
Oriente Próximo; nenhuma indagação que permitisse
furar o bloqueio das informações a que as agências
noticiosas estadunidenses submetem a Líbia.
CHAUÍ, M. Simulacro e poder: uma análise da mídia. In: A ideologia da competência.
Belo Horizonte: Autêntica, 2016.
O argumento levantado no texto é uma crítica ao papel da
imprensa brasileira por
Uma intervenção no meio ambiente tem inquietado
muitos pesquisadores que consideram um risco reviver
uma espécie extinta. Os envolvidos são os mamutes,
paquidermes peludos extintos há milhares de anos. Em
cadáveres de mamutes recuperados de locais como
a Sibéria, estão sendo conduzidas buscas por células
somáticas com núcleos viáveis para, posteriormente,
ser tentada a sua inserção em zigotos anucleados de
elefantes.
COOPER, A. The Year of Mammoth. PLoS Biol, n. 3, mar. 2006 (adaptado).
O método citado é denominado clonagem embrionária
porque
As hemácias são células sanguíneas responsáveis
pelo transporte de uma substância chamada
hemoglobina, a qual tem a função de levar oxigênio
dos pulmões para os tecidos. Hemácias normais têm
diâmetro médio de 7,8 x 10 -6
metros.
GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2006 (adaptado).
O diâmetro médio dessas hemácias, em metros, é
representado pela razão 78/d ,em que d é igual a
A vida deveria nos oferecer um lugarzinho no rodapé
da nossa história pessoal para eventuais erratas,
como em tese de doutorado. Pelas vezes em que na
infância e adolescência a gente foi bobo, foi ingênuo,
foi indesculpavelmente romântico, cego e teimoso,
devia haver uma errata possível. Como quando a gente
acreditou que se fosse bonzinho ganharia aquela bicicleta;
que todos os professores eram sábios e justos e todas as
autoridades decentes; e quando a gente acreditou que
pai e mãe eram imortais ou perfeitos.
Devia haver erratas que anulassem bobagens adultas:
botei fora aquela oportunidade, não cuidei da minha grana,
fui onipotente, perdi quem era tão precioso para mim, escolhi
a gostosona em lugar da parceira alegre e terna; fiquei
com aquele cara porque com ele seria mais divertido, mas
no fundo eu não o queria como meu amigo e pai dos meus
filhos. Profissionalmente não me preparei, não me preveni,
não refleti, não entendi nada, tomei as piores decisões.
Ah, que bom seria se essas trapalhadas pudessem ser
anuladas com uma boa errata! Em geral, não podem.
Por todas as vezes que desviamos o olhar lúcido ou
recolhemos o dedo denunciador, pagaremos — talvez
num futuro não muito distante — um alto preço, durante
um tempo incalculavelmente longo. E não haverá erratas.
LUFT, L. Errata de pé de página. Veja, n. 28, 18 jul. 2007 (adaptado).
No texto, a autora propõe o uso metafórico da errata
como recurso para
O equilíbrio ecológico e social do caipira se
estabeleceu em função do que poderíamos qualificar
de condições primitivas do meio: terra virgem de fácil
amanho, abundância da caça, pesca e coleta, fraca
densidade demográfica, limitando a concorrência vital.
Quando, apesar disto, um determinado meio se exauria
(relativamente aos seus precários recursos técnicos,
é claro, não em absoluto), ele corrigia a situação pela
mobilidade. A mobilidade recria o meio, permitindo as
condições desejadas; e deste modo garante o equilíbrio.
CANDIDO, A. Os parceiros do Rio Bonito. São Paulo: Duas Cidades, 1971.
A construção do sujeito histórico mencionado pelo autor
problematiza a relação entre
Os sujeitos sociais que procuram evidenciar a
importância de uma relação lógica entre injustiça
social e degradação ambiental são aqueles que não
confiam no mercado como instrumento de superação da
desigualdade ambiental e da promoção dos princípios
do que se entenderia por justiça ambiental. Esses
atores consideram que há clara desigualdade social na
exposição aos riscos ambientais, decorrentes de uma
lógica que extrapola a simples racionalidade abstrata das
tecnologias.
ACSELRAD, H. Justiça ambiental e construção social do risco.
Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 5, jan.-jun. 2002.
A desconfiança dos sujeitos sociais apresentada no texto
se fundamenta na