As percepções humanas são suscetíveis de alterações a depender
de elementos do seu contexto. Historicamente, a capacidade
atencional para apreender imagens em deslocamento foi
desenvolvida no século XIX. Uma abordagem interdisciplinar
desse fenômeno, nesse período, deve ser apresentada aos
estudantes a partir
“O Estado sou eu”, teria enunciado Luís XIV, no século XVII.
Síntese do absolutismo monárquico, a frase poderia ser exposta à
análise de estudantes até o limite de seu efeito retórico. Esse
exercício deve levar à pesquisa sobre o funcionamento do poder
monárquico e suas bases objetivas de sustentação. Ou seja, à
caracterização da estratégia de equilíbrios de interesses de
setores sociais distintos durante o antigo Regime na Europa.
Dividida a sala em dois grupos, cada um deles deve reunir
informações sobre os interesses em jogo para depois compor
painel sobre o funcionamento do Estado absolutista. Assim,
seriam caracterizados os objetivos contraditórios
O professor propôs que os estudantes se reunissem em grupos e
lessem o texto a seguir, a fim de atentar para a origem histórica
do termo América Latina.
“A denominação América Latina integra nosso vocabulário
cotidiano. Mas sua historicidade precisa ser lembrada. Esse
termo foi inventado no século XIX, carregando desde suas origens
disputas de ordem política e ideológica. Os sentidos que lhe
foram atribuídos estão vinculados às polêmicas que envolveram,
de um lado, franceses e ingleses (século XIX) e, de outro, latinoamericanos e norte-americanos (séculos XIX e XX). A precisa
origem do termo tem sido alvo de controvérsias. Para uma
corrente, os franceses propuseram o nome como forma de
justificar, por intermédio de uma pretensa identidade latina, as
ambições da França sobre esta parte da América. Para outra,
foram os próprios latino-americanos que cunharam a expressão
para defender a ideia da unidade da região frente ao poder já
anunciado dos Estados Unidos”.
PRADO, M. Ligia; PELLEGRINO, G. História da América Latina. São Paulo:
editora Contexto, 2014.
Cada grupo deve compor um painel com as suas conclusões a
partir da leitura do texto. Como se espera que a ideia de que o
termo América Latina foi “inventado” seja apresentada pelos
grupos em seus painéis.
Na história política brasileira, provavelmente nenhum
presidente apresentou uma imagem tão contraditória unindo o
moderno e o arcaico. Nunca a aparência, o que o ex-presidente
gostaria de ser, se deslocou tanto do que ele realmente foi. A
imagem do jovem político elegante, atlético, dinâmico, moderno
(...) escondia a do político tradicional, dado às piores formas de
clientelismo brasileiro, à corrupção, à prevaricação.
RODRIGUES, Leôncio Martins. Folha de São Paulo, 30/08/1992
Qual das afirmativas a seguir reflete a crítica apresentada no
texto sobre a figura do presidente Fernando Collor na história
política brasileira?
O conclave, como se denominou o processo pelo qual um novo
Papa é escolhido, tem suas raízes na história da Igreja Medieval.
A origem do conclave reflete uma transformação significativa no
modo como a liderança da Igreja era decidida, e seu
desenvolvimento ao longo dos séculos revela muito sobre as
dinâmicas de poder dentro da Igreja e suas interações com o
mundo secular.
Qual foi a principal razão para a origem do conclave na escolha
do Papa, e como esse processo se desenvolveu ao longo da
história da Igreja Católica?
Avalie as afirmações a seguir em relação ao contexto e às
consequências da Proclamação da República no Brasil em 15 de
novembro de 1889.
I. A Proclamação da República foi resultado da insatisfação de
diferentes setores da sociedade, incluindo militares,
intelectuais e a classe média, com a monarquia e seus
métodos de governo.
II. A passagem do regime monárquico para o republicano foi
marcada por um golpe militar, liderado por figuras como
Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
III. Um dos fatores que contribuíram para o movimento
republicano foi a pressão pela abolição da escravidão, que
havia sido formalmente concluída no Brasil em 1888. IV. A nova Constituição de 1891 estabeleceu um governo
federativo e republicano, alterando a estrutura política do
Brasil e promovendo a construção de um novo sistema
político.
Assinale a alternativa que apresenta todas as afirmações
corretas.
Questionados sobre a condição de pertencimento a uma
nacionalidade, estudantes podem ser desafiados a revelar como
essa condição é processada historicamente. Para isso, devem ser
subsidiados com reflexões sobre
Uma das tendências da historiografia contemporânea é a
concepção da cultura como circular, ou seja, resultado da reunião
de elementos de naturezas diferentes na composição de saberes
culturais para contextos determinados.
Com o objetivo de colocar seus estudantes diante dessa
concepção de circularidade cultural, uma professora de História
desafiou seus estudantes a reunirem, em sustentação lógica,
argumentos das mais diversas origens para produzir justificativas
em defesa da ampliação dos espaços públicos para lazer infantil
em sua cidade.
Com esse exercício, a docente preparou os estudantes a
entrarem em contato com a concepção de história que embasam
obras didáticas de
A origem da polis grega, situada entre os séculos VIII e VII
(a.C.), é decisiva na história do pensamento grego, alega o
historiador Jean-Pierre Vernant”. [...] Por ela, a vida social e as
relações de poder tomam uma forma nova. [...] Tanto no plano
intelectual como no domínio das instituições. [...] O que implica o
sistema da polis é primeiramente uma extraordinária premência
da palavra sobre todos os outros instrumentos de poder”.
VERNANT, Jean-Pierre. As Origens do Pensamento Grego. Bertrand
Brasil. RJ. 1998.
Sobre o fenômeno apresentado pelo autor, é correto afirmar que
“Mandei que Sexta-Feira apanhasse todos os crânios, ossos,
restos de carne e o que mais fosse, juntasse tudo numa grande
pilha e acendesse uma fogueira para reduzir tudo a cinzas;
percebi nele grande vontade de comer daquela carne, nele
persistia sua natureza canibal; demonstrei porém tanto asco pela
simples referência à ideia ou por seu eventual interesse que ele
não se atreveu a manifestá-lo; porque arranjei um jeito de fazê-lo
entender, além do mais, que o mataria se ele cedesse a seus
impulsos.”
Esse excerto de texto tão clássico como popular, escrito no século
XVII, poderia ensejar uma representação dramatizada
(enriquecida pela pesquisa em outras fontes) das relações entre
europeus em expansão e povos americanos, africanos, orientais
que foram acessados pelo ímpeto mercantilista dos séculos XVI e
seguintes e, mais tarde, pela avidez imperialista das sociedades
cuja produção já exigia abertura de novos mercados.
Um professor, ao solicitar uma representação dramatizada desse
excerto, pretende que seus estudantes reflitam e percebam que
o que nele se destaca é a
Frei Vicente de Salvador (1564-1635) escreveu em sua
História do Brazil (1627) que “Da largura que a terra do Brasil tem
para o sertão não trato, porque até agora não houve quem a
andasse por negligência dos portugueses, que sendo grandes
conquistadores de terras não aproveitam delas, mas contentamse de andar arranhando ao longo do mar como caranguejos.”
OLIVEIRA, Maria Lêda. A História do Brazil de Frei Vicente do Salvador.
História e Política do Império Português no século XVII. RJ: Versal; SP:
Odebrecht, 2008.
Sobre o julgamento do historiador, pode-se dizer que
Dom Casmurro, romance de Machado de Assis publicado em
1899, narra a história de Bentinho, que reflete sobre sua vida e
seu amor por Capitu. Quando se casam, Bentinho se torna
obcecado pela ideia de que Capitu o traiu com seu melhor amigo.
Essa paranoia consome Bentinho e o transforma num homem
isolado e amargurado.
Capitu é apresentada de maneira ambígua ao longo da narrativa.
Enquanto Bentinho a vê como uma possível traidora, ela também
pode ser vista como uma mulher forte e independente, presa em
um casamento dominado pelas inseguranças de seu marido. No
final, a dúvida sobre a lealdade de Capitu nunca é resolvida,
refletindo temas como ciúmes, memória e a ambiguidade da
verdade.
Ao tratar da personagem Capitu no romance de Machado de
Assis, em parceria com docentes de Literatura, o professor de
História elege como apropriado
Nikolai Petrovitch Kirsanóv tem uma boa propriedade com
duzentas almas, desde que demarcou as terras dos camponeses.
[...] Ao filho que o visita, revela – Estou tendo grandes
preocupações com os mujiques este ano [...]. Não estão pagando
o obrok. O que é que se vai fazer? E o filho indaga “– E com seus
trabalhadores contratados, está satisfeito? Nikolai responde por
entre os dentes – estão sendo instigados, isso é que é ruim; e
ainda por cima eles não se esforçam de verdade. Estragam o
arreamento. Por outro lado, até que lavraram direito.
TURGUÊNIEV, Ivan. Pais e Filhos (1862). Antofágica (e-book), RJ, 2020.
Tradução Lucas Simone. Adaptado.
A leitura do texto acima nos remete ao contexto da Rússia na
segunda metade do século XIX, em que
Numa aula sobre a configuração da sociedade colonial brasileira
o professor oferece aos estudantes um texto clássico do
historiador Caio Prado Jr.
“Esta massa de escravos, índios ou negros, constituía a maior
parte da população colonial. (...). Ao lado de pequenos
proprietários encontramos o tipo mais comum dos agregados.
São estes os indivíduos – em geral escravos libertos ou mestiços
espúrios - que vivem nos grandes domínios prestando aos
senhores toda sorte de serviços: guarda da propriedade,
mensageiro, etc. Entre eles figuram também os rendeiros, que
pagam seus aluguéis em dinheiro ou mais comumente em
produtos naturais ou em serviços. A situação destes rendeiros é a
mais precária possível. Raramente se faziam contratos escritos, e
mesmo não havia autoridades para os sancionar. Na propriedade
quem domina incontrastavelmente é o senhor. Todos os que se
fixam em suas terras cedem, em troca da gleba que cultivam para
seu sustento e da proteção que lhes outorga o senhor contra
outros mandões do sertão ou a própria Justiça, praticamente,
toda a liberdade”.
PRADO JR., Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos. São Paulo:
Editora Brasiliense, 1953 (texto adaptado).
A partir da leitura do excerto desse historiador, os estudantes
devem ser instados a interpretarem a estrutura de classes que
compunha a sociedade colonial e suas interrelações de
dependência. Dessa atividade, resulta a compreensão de que