Questões de Concursos

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Para Gasparim, Penetucc (2008, p. 3), o educador, conhecendo a teoria que sustenta a sua prática, pode suscitar transformações na conscientização dos educandos e demais colegas, chegando até aos condicionantes sociais, tornando o processo ensino aprendizagem em algo realmente significativo, em prol de uma educação transformadora, que supere os deficits educacionais atuais. As tendências pedagógicas brasileiras foram muito influenciadas pelo momento social cultural e político da sociedade. Essas tendências formaram a prática pedagógica dos educadores em todo o país. Em consonância com leituras filosóficas sobre as relações entre educação e sociedade, Libâneo (1992), ao realizar uma abordagem das tendências pedagógicas, organiza as diferentes pedagogias em dois grupos: Pedagogia Liberal e Pedagogia Progressista. Considerando a Pedagogia Liberal Renovada, assinale a afirmativa correta.
O Pacto pela Saúde, seus eixos temáticos, prioridades, objetivos e metas, divulgado por meio da Portaria GM/MS nº 399/2006, foi contemplado de forma permanente na pauta de reflexões, debates e decisões no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O Pacto pela Saúde, instituído no Brasil, tem como principal objetivo:

É uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida cotidiana”.

(Huizinga, 2007.)


A prática corporal, concebida como conteúdo nas aulas de educação física e caracterizada no fragmento anterior, trata-se de:

Fazer nada
Como a visita de um pássaro nos fez pensar no tempo.

Conseguimos uns dias de folga e fomos passar um tempo cuidando um do outro. No hotel, em Itatiba, deram-nos o quarto 37, que se abre para um mar de morros verdes, com plantações, pastos, florestas. Fica no piso superior, tem pé-direito alto e uma varanda abraçada por árvores repletas de pássaros. À noite, entrou pela janela um passarinho. Minúsculo, branco no peito e na parte inferior da face, preto no dorso e na metade de cima da cabeça. Entrou pelo quarto, acelerado. Voava junto ao teto e não conseguia baixar até a altura da porta por onde havia entrado. Temíamos que se machucasse. Apagamos as luzes. Ele se acalmou e parou para descansar no toucador. Pulou em pé, no chão. Caminhou um pouco, ofegante. Usamos um chapéu para levá-lo à varanda, onde ficou ainda um tempo, refazendo-se.
Depois, vimos que deixou de lembrança um cocozinho na nossa cama. De onde teria vindo essa ave? Qual o significado do carimbo de passarinho sobre o lençol? Resisti à ideia de lembrar que excremento de pássaro é sinal de boa fortuna em antigas tradições. Augúrio? Sinal? Ali não havia mistério. Era apenas um bichinho assustado, acelerado demais. Talvez apenas apavorado por haver entrado em um lugar de onde parecia impossível sair. Mais do que um significado oculto, sua visita pode é nos inspirar, quem sabe, uma analogia. Quantas vezes o homem não se debate, na ilusão de que está acuado? Quantas vezes sofre sem perceber que está saturado por estímulos que ele próprio foi buscar? A sensação de que seu tempo é estrangulado, sem se dar conta de que é ele quem cultiva desassossego para si. Um amigo, sobrinho de um sábio do interior, costuma usar a imagem da trajetória errática e vã das formigas para ilustrar a ilusão que acomete o homem em movimentos inócuos e sem sentido, o esforço inútil. Não é à toa que se fale tanto na necessidade de ir com mais calma.
Afinal, nós nunca aceleramos tanto. Na ilusão de anteciparmos o futuro, roubamos o momento seguinte e deixamos de vivê-lo. Convivemos sem prestar atenção no outro, respiramos com sofreguidão, comemos sem sentir o sabor. Fugimos do presente, o único tempo que existe e sobre o qual criamos a referência para um passado reconstruído na memória e um futuro sonhado. Como parar e fazer nada? Como apenas ser, sem se debater por ter entrado em uma porta estranha? Há quem não consiga relaxar e, simplesmente, fazer nada. Alguém já disse que fazer nada não é a completa falta de ação, mas a ação feita com desapego, sem visar resultado para si mesmo. Há algo de bom em atingir esse momento em que só se é parte da paisagem e não um observador separado. Se ainda quiséssemos procurar um significado para a visita da pequena ave, poderíamos dizer que ela veio trazer o tema para estas linhas que você lê agora. Como se nos dissesse: que bom que vocês conseguiram uns dias de folga e vieram aqui, cuidar um do outro. Sejam bem-vindos a este momento e esqueçam o resto. Fui.

(NOGUEIRA, Paulo. Vida Simples, ed. 37. São Paulo: Abril, 2006.)
Em relação às estruturas linguísticas do texto, assinale a alternativa INCORRETA.

As bacias hidrográficas brasileiras desempenham um papel crucial na economia e na ecologia do país, fornecendo recursos hídricos para a agricultura, geração de energia e abastecimento humano, além de abrigar uma rica biodiversidade. Considerando as inferências sobre as bacias hidrográficas brasileiras, analise as afirmativas a seguir.


I. A Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do Brasil e do mundo, com um imenso potencial hidrelétrico ainda subutilizado.


II. A Bacia do Paraná é uma das mais importantes para a geração de energia hidrelétrica no Brasil, abrigando a Usina de Itaipu.


III. A Bacia do São Francisco é crucial para o abastecimento de água no semiárido nordestino, mas enfrenta desafios significativos de degradação ambiental.


IV. A Bacia do Tocantins-Araguaia é caracterizada por um enorme volume de água e possui grande importância para a navegação e a agricultura irrigada.


V. A Bacia do Parnaíba, localizada no Nordeste, é a maior bacia exclusivamente nordestina e desempenha um papel fundamental na irrigação e na produção agrícola da região.


Está correto o que se afirma apenas em

O Agente Comunitário de Saúde (ACS), através dos grupos de gestantes, deve enfatizar a importância do pré-natal e o comparecimento às consultas de pré-natal, proporcionando o cuidado e a promoção da saúde, tanto da gestante quanto do bebê. É direito de todas as gestantes ter acesso a consultas e exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Quanto ao cronograma das consultas do pré-natal, é correto afirmar que deverá ocorrer:
“Busca pelo equilíbrio entre a disponibilidade dos recursos naturais e a exploração deles por parte da sociedade, ou seja, visa equilibrar a preservação do meio ambiente e o que ele pode oferecer em consonância com a qualidade de vida da população.” O termo que define esse princípio é:
Uma criança jogou uma moeda para o alto 200 vezes e anotou quantas vezes ela caiu para cada lado. Após isso, percebeu que a razão entre o número de vezes que a moeda caiu para o lado “cara” e o número de vezes que caiu para o lado “coroa” foi de 5 para 3. Qual o número de vezes que a moeda caiu para o lado “coroa”?
O prefeito de uma cidade implementou duas políticas públicas (I e II) em um determinado bairro. Para saber o efeito da implementação das duas políticas públicas, uma pesquisa foi conduzida com 300 moradores. De acordo com os resultados da pesquisa observou-se que 70% dos entrevistados tiveram suas vidas impactadas pela política pública I, 62% dos entrevistados tiveram suas vidas impactadas pela política pública II e 22% dos entrevistados não tiveram suas vidas impactadas por nenhuma das duas políticas públicas. Com base nessas informações, quantos entrevistados tiveram suas vidas impactadas por ambas as políticas públicas I e II?
A Lei Orgânica da Saúde é complementada pela Lei nº 8.142/1990, que tem como principais objetivos assegurar a participação da comunidade na administração do Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelecer critérios para o financiamento das ações de saúde. Tal normativa também cria mecanismos fundamentais para o controle social e aplicação adequada dos recursos financeiros no sistema público de saúde. Com base nessas disposições, assinale a afirmativa correta.

Leia o texto e assinale a afirmativa que NÃO se harmoniza com o conteúdo apresentado.


Existem modelos conceituais para compreender e explicar a incapacidade. O modelo médico considera a incapacidade como um problema da pessoa, causado diretamente pela doença, trauma ou outro problema de saúde, que requer assistência médica sob a forma de tratamento individual por profissionais. Os cuidados em relação à incapacidade têm por objetivo a cura ou a adaptação do indivíduo e mudança de comportamento. A assistência médica é considerada como a questão principal e, a nível político, a resposta almejada é a modificação ou reforma da política de saúde. No modelo social de incapacidade, por sua vez, considera-se a questão principalmente como um problema criado pela sociedade e, basicamente, como uma questão de integração plena do indivíduo na sociedade. A incapacidade não é um atributo de um indivíduo, mas sim um conjunto complexo de condições, que desfavorecem a atuação do incapaz, muitas das quais criadas pelo ambiente social. Assim, a solução do problema requer uma ação social e é responsabilidade coletiva da sociedade fazer as modificações ambientais necessárias para a participação plena das pessoas com incapacidades em todas as áreas da vida social. Portanto, é uma questão atitudinal ou ideológica que requer mudanças sociais que, a nível político, se transformam numa questão de direitos humanos. A Abordagem biopsicossocial baseia-se numa integração dos dois modelos opostos já descritos. Para se obter a integração das várias perspectivas, é utilizada uma abordagem “biopsicossocial”. Assim, tenta-se chegar a uma síntese que ofereça uma visão coerente das diferentes formas de participação dos indivíduos e perspectivas de saúde: biológica, individual e social.


(Disponível em: https://www.assistiva.com.br/tassistiva.html. Acesso em: julho de 2024. Adaptado.)

No contexto das instâncias deliberativas do sistema descentralizado e participativo de assistência social no Brasil, é fundamental compreender o papel e as atribuições de cada instância para garantir a efetividade da política pública de assistência social. Sobre as instâncias deliberativas do sistema descentralizado e participativo de assistência social no Brasil, assinale a afirmativa INCORRETA.
Fazer nada
Como a visita de um pássaro nos fez pensar no tempo.

Conseguimos uns dias de folga e fomos passar um tempo cuidando um do outro. No hotel, em Itatiba, deram-nos o quarto 37, que se abre para um mar de morros verdes, com plantações, pastos, florestas. Fica no piso superior, tem pé-direito alto e uma varanda abraçada por árvores repletas de pássaros. À noite, entrou pela janela um passarinho. Minúsculo, branco no peito e na parte inferior da face, preto no dorso e na metade de cima da cabeça. Entrou pelo quarto, acelerado. Voava junto ao teto e não conseguia baixar até a altura da porta por onde havia entrado. Temíamos que se machucasse. Apagamos as luzes. Ele se acalmou e parou para descansar no toucador. Pulou em pé, no chão. Caminhou um pouco, ofegante. Usamos um chapéu para levá-lo à varanda, onde ficou ainda um tempo, refazendo-se.
Depois, vimos que deixou de lembrança um cocozinho na nossa cama. De onde teria vindo essa ave? Qual o significado do carimbo de passarinho sobre o lençol? Resisti à ideia de lembrar que excremento de pássaro é sinal de boa fortuna em antigas tradições. Augúrio? Sinal? Ali não havia mistério. Era apenas um bichinho assustado, acelerado demais. Talvez apenas apavorado por haver entrado em um lugar de onde parecia impossível sair. Mais do que um significado oculto, sua visita pode é nos inspirar, quem sabe, uma analogia. Quantas vezes o homem não se debate, na ilusão de que está acuado? Quantas vezes sofre sem perceber que está saturado por estímulos que ele próprio foi buscar? A sensação de que seu tempo é estrangulado, sem se dar conta de que é ele quem cultiva desassossego para si. Um amigo, sobrinho de um sábio do interior, costuma usar a imagem da trajetória errática e vã das formigas para ilustrar a ilusão que acomete o homem em movimentos inócuos e sem sentido, o esforço inútil. Não é à toa que se fale tanto na necessidade de ir com mais calma.
Afinal, nós nunca aceleramos tanto. Na ilusão de anteciparmos o futuro, roubamos o momento seguinte e deixamos de vivê-lo. Convivemos sem prestar atenção no outro, respiramos com sofreguidão, comemos sem sentir o sabor. Fugimos do presente, o único tempo que existe e sobre o qual criamos a referência para um passado reconstruído na memória e um futuro sonhado. Como parar e fazer nada? Como apenas ser, sem se debater por ter entrado em uma porta estranha? Há quem não consiga relaxar e, simplesmente, fazer nada. Alguém já disse que fazer nada não é a completa falta de ação, mas a ação feita com desapego, sem visar resultado para si mesmo. Há algo de bom em atingir esse momento em que só se é parte da paisagem e não um observador separado. Se ainda quiséssemos procurar um significado para a visita da pequena ave, poderíamos dizer que ela veio trazer o tema para estas linhas que você lê agora. Como se nos dissesse: que bom que vocês conseguiram uns dias de folga e vieram aqui, cuidar um do outro. Sejam bem-vindos a este momento e esqueçam o resto. Fui.

(NOGUEIRA, Paulo. Vida Simples, ed. 37. São Paulo: Abril, 2006.)
Segundo Evanildo Bechara, crase é a fusão de vogais idênticas; e não o nome do acento. Trata-se de uso obrigatório de crase devido a uma locução adverbial de tempo:

O ensino religioso que vigorou no Brasil desde os seus primórdios deu ênfase ao aspecto doutrinário enquanto Igreja Católica Apostólica Romana como religião oficial. Com o advento da República, recebeu ênfase catequética cristã. Posteriormente, em algumas Unidades da Federação, as igrejas criaram uma entidade ecumênica para ministrar as aulas e elaborar material didático. O desenvolvimento socioeconômico-político-cultural do Brasil gerou uma situação na qual não se podia mais ter em sala de aula apenas conteúdo cristão de ensino religioso. A partir de 1995, grupos de educadores ligados a escolas, entidades religiosas, universidades e secretarias de educação reuniram-se para avaliar e pensar um conteúdo que abrangesse a realidade cultural religiosa brasileira nesse processo e de encaminhar uma nova forma de ministrar o ensino religioso. Neste contexto, em um encontro realizado entre 24 e 26 de setembro de 1995, na cidade de Florianópolis–SC, foi criado:

Leia os trechos a seguir para responder a questão.

Trecho I

O seu objetivo é ordenar sistematicamente os distintos fenômenos religiosos, definir seus conteúdos religiosos e compreender, dessa maneira, a “essência” da religião. Na segunda metade do século XX, a sua forma tradicional se tornou alvo de fortes críticas.

Trecho II São de seu especial interesse questões como, por exemplo, a relação entre religião e formas da organização social, religião e política, religião e camadas sociais ou religião e família. Temas como “secularização”, “fundamentalismo” e “religião civil” estão, em certa medida, há muitas décadas entre os seus temas centrais.

Trecho III Especializou-se prioritariamente na pesquisa de religiões em sociedades de passado ágrafo, mais exatamente em sociedades menos complexas. Trabalha, por exemplo, com a análise de mitos – os equivalentes aos “escritos sagrados” –, e no nível da prática religiosa trabalha, por exemplo, com a análise de formas de rituais.

Trecho IV Dedica-se prioritariamente à relação entre o indivíduo e a religião, partindo da constatação de que a religião – especialmente no plano da experiência religiosa e da práxis religiosa – tem seu lugar na experiência individual dos seres humanos.
(HOCK, Klaus. Introdução à Ciência da Religião. Tradução: Monika Ottermann. São Paulo: Loyola, 2017. p. 14.)
Considerando os trechos textuais fornecidos, relacione-os adequadamente às subdisciplinas da ciência da religião.
À luz da Lei Municipal nº 1.519/1993, que dispõe sobre o Estatuto e o Quadro de Pessoal do Magistério da Prefeitura Municipal de Além Paraíba, assinale a afirmativa correta.
A discussão sobre a origem da hanseníase no continente asiático ou africano ainda se mantém entre os especialistas; todavia, sabe-se que é conhecida há mais de quatro mil anos na Índia, China, Japão e Egito. No decorrer dos séculos, ainda de forma imprecisa, a hanseníase era agrupada juntamente com outras dermatoses como a psoríase, escabiose e impetigo pela designação de lepra. (Ministério da Saúde.)
Sobre a hanseníase, assinale a afirmativa INCORRETA.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), no artigo 14, concedeu à escola progressivos graus de autonomia pedagógica, administrativa e de gestão financeira. Ter autonomia significa construir um espaço de liberdade e responsabilidade para elaborar seu próprio plano de trabalho, definindo seus rumos e planejando suas atividades de modo a responder às demandas da sociedade, ou seja, atendendo ao que a sociedade espera dela. A autonomia permite à escola a construção de sua identidade e à equipe escolar uma atuação que a torna sujeito histórico de sua própria prática. Sobre o exposto e considerando a elaboração do Projeto Político-Pedagógico (PPP), são pontos essenciais para sua construção, a EXCEÇÃO de um; assinale-o.
Feliz por nada

Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou.
Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza.
“Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.
Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre.
Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?
A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.
(MEDEIROS, Martha. Feliz por nada, 2011. Ediora L&PM., 216 p.)
Após a leitura da crônica “Feliz por nada”, é possível inferir que:
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