As políticas linguísticas ainda acreditam no caráter instrumental da língua de sinais brasileira na educação de surdos. As línguas que fazem parte da vida dos surdos na sociedade apresentam papéis e representações diferenciadas caracterizando uma forma bilíngue de ser. O fato dos surdos adquirirem a língua de sinais como uma língua nativa fora do berço familiar com o povo surdo, demanda à escola um papel que outrora fora desconhecido. Já se reconhece que a língua de sinais é a primeira língua, que a língua portuguesa é uma segunda língua, já se sabe da riqueza cultural que o povo surdo traz com suas experiências sociais, culturais e científicas. Neste momento pós-colonialista, a situação bilíngue dos surdos está posta, no entanto, os espaços de negociação ainda precisam ser instaurados.
Observe as alternativas e marque a alternativa correta:
Em estruturas topicalizadas na Libras, nas quais o objeto é introduzido inicialmente para informar o que está sendo falado para, só então, a sentença ser apresentada, normalmente o objeto está associado a uma marca não manual de tópico, representada:
Sobre a construção da identidade surda na escola e a relação com alunos ouvintes, podemos afirmar que:
Há na Libras, assim como nas demais línguas naturais, processos semânticos de categorização. Um sinal como FRUTA pode englobar diversos outros sinais como MELANCIA, BANANA, MAÇÃ etc.
Neste caso, podemos classificar FRUTA em relação a estes sinais como um:
Entender que a surdez é uma deficiência, uma patologia e que esta precisa ser tratada e corrigida com terapias de fala é uma visão clínico-terapêutica da surdez.
Por outro lado, na visão sócio-antropológica:
A modalidade Bilíngue é uma proposta de ensino usada por escolas que se sugerem acessar aos sujeitos surdos duas línguas no contexto escolar. As pesquisas têm mostrado que essa proposta é a mais adequada para o ensino de crianças surdas, tendo em vista que considera a língua de sinais como primeira língua e a partir daí se passam para o ensino da segunda língua que é o português, PODENDO ser na modalidade escrita ou oral.
Neste modelo de educação:
As expressões não manuais na Libras são fundamentais para a produção de enunciados em Libras, pois atuam em todos os níveis linguísticos.
Podemos utilizar como exemplo da atuação da Libras em expressões gramaticais:
A lei 12.319, de 1º de setembro de 2010, se caracteriza como um marco histórico para a profissão de tradutor/intérprete de Libras e língua portuguesa no Brasil.
A lei regulamenta o exercício desta profissão e assegura que:
Os estudos das línguas de sinais se concentraram na fonologia desde Willian Stokoe em 1960, primeiro linguista a propor um modelo fonológico de análise das línguas de sinais a partir da Língua de Sinais Americana.
Stokoe apresenta um estudo das unidades de:

João é surdo, filho de pais ouvintes. Até os 9 anos, ele nunca tinha visto nada relacionado à Libras. Aos 10 anos João conhece uma amiga de sua mãe que é intérprete de Libras e o leva para uma escola onde há vários outros alunos surdos. João começa a estudar nesta escola e com o contato com os colegas surdos, inicia o processo de aquisição da Libras.

Sobre este processo, podemos afirmar que:

Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras. Este e outros artigos constituem o Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005.
O decreto delibera, dentre outras disposições, sobre:
O grau de surdez pode variar de leve a profundo. A surdez leve pode, entretanto, ir se agravando com o tempo e virar surdez profunda. São limiares de cálculo os resultados em decibéis: normal: até 25 dB, leve: de 26 a 40 dB, moderada: de 41 a 55 dB, moderadamente severa: de 56 a 70 dB, severa: de 71 a 90 dB, profunda: maior que 91 dB.
A partir destas informações, podemos dizer que:
A escola é um grupo social que tem um papel importante no desenvolvimento identitário da criança surda. Ela pode ser um guia para a construção individual desta identidade que será fruto das experiências e escolhas feitas pela criança ao longo da sua vida. A escola deve, portanto, trabalhar com atividades e ações pedagógicas que vão para além da sala de aula com o objetivo de como esta aceitação pode ser algo positivo para o seu desenvolvimento social. Entretanto, assumir a identidade surda é ainda um processo complexo para muito surdos.
Uma das razões para que este processo de aceitação seja árduo repousa no fato de que:
No modelo de pensamento clínico-patológico, os familiares ouvintes procuram escolas em que a língua oral será a língua de instrução para os filhos surdos, pois acreditam que a escola para ouvintes é a melhor (ou a única) modalidade de ensino para as crianças surdas. Esses familiares acreditam que, como a criança surda usa aparelhos de amplificação sonora e faz tratamentos fonoaudiológicos, a surdez está sendo “curada” e, por isso, os filhos devem estudar em escolas para ouvintes, utilizando apenas a modalidade oral de comunicação.
Este pensamento se distancia da visão sócio-antropológica por:
A escola será determinante para o desenvolvimento cognitivo e social infantil e, portanto, para o curso posterior de sua vida. É na escola que se constrói parte da identidade de ser e pertencer ao mundo; nela adquirem-se os modelos de aprendizagem, a aquisição dos princípios éticos e morais que permeiam a sociedade; na escola depositam-se as expectativas, bem como as dúvidas, inseguranças e perspectivas em relação ao futuro e às suas próprias potencialidades.
Sobre a educação de surdos, portanto, podemos dizer que:

Cada processo cognitivo acontece de maneira progressiva e temporal, de modo que é a formação de uma estrutura neurológica em etapas sucessivas que suporta o sistema cognitivo e sem o amadurecimento necessário dessa estrutura, o conhecimento, enquanto habilidade lógica para interagir com os objetos da experiência, perde autonomia.

Ou seja:

Os movimentos sociais alavancados pelos surdos estabeleceram como uma de suas prioridades o reconhecimento da língua de sinais nos últimos 15 anos. Foram várias as estratégias adotadas para tornar pública a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Entre elas, citamos os projetos-lei encaminhados em diferentes instâncias governamentais e a formação de instrutores de língua de sinais em vários estados brasileiros. Instaurou-se em várias unidades da Federação a discussão sobre a “língua de sinais dos surdos”, determinando o reconhecimento, por meio da legislação, dessa língua como meio de comunicação legítimo dos surdos. Esse movimento foi bastante eficiente, pois gerou uma série de iniciativas para disseminar e transformar em lei a língua de sinais brasileira, culminando na lei federal 10.436, 24/04/2002, que a reconhece no país.
Sobre a consequência destas ações, podemos destacar que:

Em 24 de abril de 2002 foi publicada lei conhecida como Lei da LIBRAS – Lei 10.436.

Segundo a lei: