As Orientações Curriculares
para o Ensino Médio, em seu volume 3, dedicado
às Ciências Humanas e suas Tecnologias
(2006), destacam que “uma indicação clara do
que se espera do professor de Filosofia no
Ensino Médio pode ser encontrada nas Diretrizes
Curriculares aos Cursos de Graduação em
Filosofia e pela Portaria INEP nº 171/2005, que
instituiu o Exame Nacional de Desempenho dos
Estudantes (ENADE) de Filosofia, que também
apresenta as habilidades e as competências
esperadas do profissional responsável pela
implementação das diretrizes para o Ensino
Médio (...)”. Os documentos citados apresentam
um conjunto de competências e habilidades
esperadas do professor de Filosofia no Ensino
Médio, quais sejam:
I. Compreensão da importância das questões
acerca do sentido e da significação da
própria existência e das produções
culturais.
II. Percepção da integração necessária entre a
filosofia e a produção científica, artística,
bem como com o agir pessoal e político.
III. Capacitação para um modo especificamente
filosófico de formular e propor soluções a
problemas, nos diversos campos do
conhecimento.
IV. Capacidade para análise, interpretação e
comentário de textos teóricos, segundo os
mais rigorosos procedimentos de técnica
hermenêutica.
Quais estão corretas?
A formação escolástica na Idade Média incluía um método
estruturado de discussão. Este método, composto por uma
questão, argumentos contraditórios e uma resolução foi chamado
de
A estética romântica conferia centralidade a um conceito que estabelecia certa visão
do artista, que seria um indivíduo “[...] essencialmente original e expressava sua natureza superior
por meio de obras pelas quais as pessoas comuns entrariam em contato com ele e comungariam com
sua personalidade” (Aranha; Martins, 2016). O conceito romântico em questão é o de:
“Imagine que um ser humano
foi submetido a uma cirurgia por um cientista do
mal. O cérebro da pessoa foi retirado do corpo
e colocado numa cuba com nutrientes que o
mantêm vivo. As terminações nervosas foram
conectadas a um supercomputador científico
que faz com que a pessoa tenha a ilusão de que
tudo está perfeitamente normal. Parecem existir
pessoas, objetos, o céu, etc.; mas, na verdade,
tudo o que a pessoa experimenta é resultado de
impulsos eletrônicos que viajam do computador
para as terminações nervosas”. (DUPRE, 2015). Esse experimento mental, conhecido como “o
cérebro numa cuba”, na sua versão
contemporânea foi criado pelo filósofo norte- americano Hilary Putnam. Na sua essência, o
experimento é uma versão do argumento do
gênio maligno, elaborado pelo filósofo René
Descartes no século XVII. Em ambos os casos,
podemos dizer que esse tipo de experimento
mental tem, em um primeiro momento, em
relação à existência do mundo exterior, um
resultado:
“Fotografias são onipresentes: coladas em álbuns, reproduzidas em jornais, expostas em vitrines,
paredes de escritórios, afixadas contra muros sob forma de cartazes, impressas em livros, latas de
conservas, camisetas. O que significam tais fotografias?”
(Flusser, V.Filosofia da Caixa Preta. São Paulo: Annablume, 2011, p. 51).
“Com a fotografia, o valor de culto começa a recuar, em todas as frentes, diante do valor de exposição.
Mas o valor de culto não se entrega sem oferecer resistência. Sua última trincheira é o rosto humano.
Não é por acaso que o retrato era o principal tema das primeiras fotografias”.
(Benjamin, W. A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica. In Benjamin, W. Magia e técnica, arte e política. São Paulo:
Brasiliense, 1994, p. 174)
Avalie as seguintes afirmações:
I. Ao tratar da noção de aura como um elemento também próprio da fotografia, Benjamin vê com
otimismo essa nova forma de obra de arte, pois ainda está munida de aura.
II. Benjamin pensa o valor deculto e o valor de exposição das imagenstécnicas. Flusser, em suaperspectiva, considera afotografia como produções automáticas,mediada por aparelhoscodificadores.
III. Flusser analisa positivamente a mediação técnica da fotografia, ao contrário de Benjamin, que
considera tal mediação decadente.
IV. Vilém Flusser, ao pensar a fotografia como imagem produzida e distribuída por aparelho, evidencia a
influência do pensamento de Walter Benjamin, ao considerar a imagem fotográfica como a primeira
imagem técnica.
Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.
“A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consistente numa mediania,
isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado
de sabedoria prática. E é um meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que,
enquanto os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante às ações e
paixões, a virtude encontra e escolhe o meio-termo. E assim, no que toca à sua substância e à definição
que lhe estabelece a essência, a virtude é uma mediania; com referência ao sumo bem e ao mais justo,
é, porém, um extremo.
(Aristóteles. Ética a Nicômaco. São Paulo, Abril, 1989, 1107ª).
Aristóteles contribui com a reflexão ética a partir da consideração da virtude como um elemento próprio
da vida prática.
Assim, a partir da passagem acima, o que poderíamos afirmar sobre a virtude?
“Há alguns anos, em relato sobre o julgamento de Eichmann em Jerusalém, mencionei a “banalidade do
mal”. Não quis, com a expressão, referir-me a teoria ou doutrina de qualquer espécie, mas antes a algo
bastante factual, o fenômeno dos atos maus, cometidos em proporções gigantescas – atos cuja raiz não
iremos encontrar em uma especial maldade, patologia ou convicção ideológica do agente; sua
personalidade destacava-se unicamente por uma extraordinária superficialidade.
(Arendt, H. A dignidade da política: ensaios e conferências. Rio de Janeiro: RelumeDumará, 1993, p. 145)
Para Hannah Arendt, a banalidade do mal é uma noção fundamental no horizonte contemporâneo da
filosofia política.
“O primeiro que, tendo cercado um terreno, ousou dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente
simplórias para lhe dar crédito foi o verdadeiro fundador da sociedade civil”.
(Rousseau. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade humana. São Paulo: Martins Fontes, parte II).
“O texto do Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade, publicado em 1755, é uma
resposta à questão formulada em 1753 pela Academia de Dijon, ‘qual a origem da desigualdade entre os
homens; ela é resultado da lei natural?’ Tais concursos eram comuns no século XVIII, sobretudo na
França e na Alemanha, e, embora o texto de Rousseau não tenha obtido o primeiro lugar, tornou-se um
clássico do pensamento político”.
(Marcondes, D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1999, p. 95)
Avalie as seguintes afirmações:
I. Rousseau analisa as origens do mal na sociedade por uma crítica da organização social.
II. A natureza humana originalmente é má, e se caracteriza pela falta de liberdade e instinto de
sobrevivência.
III. O ‘bom selvagem’ é o instrumento de Rousseau para criticar o homem civilizado.
IV. O instinto de sobrevivência e o sentimento de piedade são próprios da corrupção da natureza
humana.
Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.
As massas não se unem pela consciência de um interesse comum e
falta-lhes aquela específica articulação de classes que se expressa
em objetivos determinados, limitados e atingíveis. Simplesmente
devido ao seu número, ou à sua indiferença, ou a uma mistura de
ambos, não se podem integrar numa organização.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 2013.
(Adaptado).
Segundo Hannah Arendt, as massas são centrais na ascensão dos
regimes totalitários. Com base no trecho acima, é correto afirmar
que as massas são
Thomas Kuhn é conhecido por sua filosofia da ciência que considera a estrutura das revoluções
científicas, com grande destaque para o conceito de paradigma. Assim, o que significa paradigma para o
autor?
“Diz Schopenhauer que há homens que se tornam filósofos por causa do mundo. Há outros que se
tornam filósofos por causa de livros. Fichte é um destes casos: virou filósofo porque leu a Crítica da
Razão Pura”.
(Domingues, I. O continente e a ilha. São Paulo: Loyola, 2009, p. 91).
“É bem sabido que Kant, em citadíssima passagem, afirma que não se pode ensinar filosofia, mas
apenas ensinar a filosofar. O filósofo de Königsberg quer dizer outra coisa que geralmente lhe atribui;
assim, por exemplo, ele jamais entenderia por filosofia ‘história da filosofia’. A oposição que lhe interessa
é entre uma ciência constituída como um conjunto de verdades e uma atividade da razão”.
(Porta, M. A filosofia a partir de seus problemas. São Paulo: Loyola, 2002, p. 21).
Avalie as seguintes afirmações:
I. Aprender filosofia significa decorar as ideias principais da história da filosofia e repeti-las de acordo
com as necessidades.
II. A tensão entre ensinar filosofia e ensinar a filosofar está relacionada ao método a ser utilizado na
formação dos filósofos profissionais.
III. Filosofar é uma atividade da razão. E não se caracteriza por fazer somente repetições de ideias do
passado, mas articulá-las com as questões do presente.
IV. Não há uma única forma consagrada de filosofar. Basta observarmos a história da filosofia ocidental,
com sua pluralidade de modos de pensar filosoficamente.
Assinale a alternativa que apresenta APENAS as afirmações corretas.
Para Tomás de Aquino, os entes criados são contingentes e
dependem ontologicamente de dois princípios: a essência e a
existência. No caso de Deus, por outro lado, essência e existência
coincidem.
No caso das criaturas, estes dois conceitos designam,
respectivamente
No contexto da influência do pensamento islâmico sobre a filosofia
cristã medieval, a teoria da dupla verdade de Averróis causou
impacto na controvérsia em torno da fé e da razão.
Agostinho de Hipona foi um dos principais introdutores da filosofia
de Platão no ambiente intelectual e religioso do cristianismo.
É um ponto de divergência entre os filósofos.
“Três questões podem ser formuladas sobre a existência de Deus: 1. A existência de Deus é uma
verdade evidente? 2. A existência de Deus pode ser demonstrada? 3. Deus existe?”.
(Aquino, Santo Tomás. Suma Teológica, I, questão 2, art.1).
A questão da existência de Deus é central na filosofia cristã, no tocante às provas da existência de Deus
pela razão.
René Descartes é reconhecido por eleger a dúvida como um método filosófico fundamental, conforme descrito em suas Meditações Metafísicas. Nesse contexto, qual das alternativas abaixo expressa CORRETAMENTE a função da dúvida no pensamento cartesiano?
Ao longo da História da
Filosofia, vários filósofos se debruçaram sobre
os argumentos para provar racionalmente a
existência de Deus. Dentre eles, um dos mais
célebres consiste em inferir a existência de
Deus, na sua definição, como um ser perfeito.
Essa forma argumentativa ressurgiu em
diversos momentos da História da Filosofia na
obra de autores como Anselmo da Cantuária,
Descartes e Leibniz. Essa forma geral de
argumentar a existência de Deus ficou
conhecida como argumento
A relação entre filosofia e ciência remonta às origens do pensamento ocidental, quando os primeiros filósofos gregos, como Tales de Mileto e Anaximandro, começaram a formular teorias sobre a natureza e o universo. Para esses pensadores, a filosofia não se limitava à especulação abstrata, mas envolvia a busca por uma compreensão racional do mundo físico. Com o tempo, a filosofia se tornou o campo de estudo que examina os fundamentos do conhecimento, da realidade e da existência, enquanto a ciência evoluiu como uma abordagem sistemática para investigar fenômenos naturais, baseada na observação e na experimentação (CARVALHO, 2011) Qual das alternativas abaixo reflete a relação entre filosofia e ciência?
A relação entre filosofia e política é profunda e remonta aos primórdios do pensamento ocidental. Desde a Antiguidade, filósofos têm refletido sobre as questões fundamentais que envolvem a organização social, a justiça, o poder e a legitimidade das leis. A filosofia oferece uma lente crítica para entender as bases éticas e morais que sustentam as instituições políticas, questionando como as sociedades devem ser organizadas para garantir o bem comum e a liberdade individual (SANTOS, 2001). Qual das alternativas abaixo reflete a relação entre filosofia e política?
O filósofo pré-socrático que defendeu que a realidade é composta
por quatro elementos que se unem e separam mediante as forças
primordiais do amor e do ódio é