Com a teoria das Idéias [...] Platão quis dizer o seguinte: o sensível se explica somente com a dimensão do supra-sensível, o corruptível com o ser incorruptível, o móvel com o imóvel, o relativo com o Absoluto, o múltiplo com o Uno.

REALE, G. História da Filosofia Antiga, Vol. II. SP: Loyola. 1994. p. 79.

Conforme verificado no trecho acima, Platão, em sua obra filosófica, afirmou que a
“Há alguns anos, em relato sobre o julgamento de Eichmann em Jerusalém, mencionei a “banalidade do mal”. Não quis, com a expressão, referir-me a teoria ou doutrina de qualquer espécie, mas antes a algo bastante factual, o fenômeno dos atos maus, cometidos em proporções gigantescas – atos cuja raiz não iremos encontrar em uma especial maldade, patologia ou convicção ideológica do agente; sua personalidade destacava-se unicamente por uma extraordinária superficialidade.
(Arendt, H. A dignidade da política: ensaios e conferências. Rio de Janeiro: RelumeDumará, 1993, p. 145)

Para Hannah Arendt, a banalidade do mal é uma noção fundamental no horizonte contemporâneo da filosofia política.
Em seu livro “Racismo estrutural” (2021), Silvio Almeida procura elucidar as múltiplas formas pelas quais as práticas discriminatórias baseadas na noção de raça ocorrem em uma sociedade. O autor define o conceito de racismo como:
As massas não se unem pela consciência de um interesse comum e falta-lhes aquela específica articulação de classes que se expressa em objetivos determinados, limitados e atingíveis. Simplesmente devido ao seu número, ou à sua indiferença, ou a uma mistura de ambos, não se podem integrar numa organização.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia. das Letras, 2013. (Adaptado).

Segundo Hannah Arendt, as massas são centrais na ascensão dos regimes totalitários. Com base no trecho acima, é correto afirmar que as massas são
“Precisamente nisso enxerguei o grande perigo para a humanidade, sua mais sublime sedução e tentação – a quê? ao nada? –; precisamente nisso enxerguei o começo do fim, o ponto morto, o cansaço que olha para trás, a vontade que se volta contra a vida, a última doença anunciando-se terna e melancólica: eu compreendi a moral da compaixão, cada vez mais se alastrando, capturando e tornando doentes até mesmo os filósofos, como o mais inquietante sintoma dessa nossa inquietante cultura europeia; como o seu caminho sinuoso em direção a um novo budismo? a um budismo europeu? a um – niilismo?..." (NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral: uma polêmica. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 11-12.)


De acordo com o referido fragmento e considerando a totalidade do pensamento de Friedrich Nietzsche, podemos afirmar que a alternativa INCORRETA é:

A fusão das telecomunicações, da informática, da imprensa, da edição, da televisão, do cinema e dos jogos eletrônicos em uma indústria unificada da multimídia é o aspecto da revolução digital que os jornalistas mais enfatizam. Mas não é o único, nem talvez o mais importante. Escolhas políticas e culturais fundamentais abrem-se diante dos governos, dos grandes atores econômicos, dos cidadãos. Não se trata apenas de raciocinar em termos de impacto (qual o impacto das “infovias” na vida política, econômica ou cultural?), mas também em termos de projeto (com que objetivo queremos desenvolver as redes digitais de comunicação interativa?). (LÉVY, Pierre. A inteligência coletiva. Por uma antropologia do ciberespaço. 4. ed. São Paulo: Loyola, 2003. p. 13. Adaptado.)
As preocupações sociológicas e filosóficas com as questões relacionadas à expansão e dominação que as mídias impunham, já era uma das pautas dos filósofos da Escola de Frankfurt, cujas reflexões ainda orientam estudos até hoje. Foi nessa escola filosófica que surgiu o termo “indústria cultural”, dentre outros. São ideias de seus representantes:
Conforme a obra O Contrato Social de Rousseau, a vontade geral pode ser concebida como

Leia o texto abaixo.

“Para os filósofos ditos ‘contratualistas’, a origem da sociedade e do Estado baseia-se num contrato firmado entre os homens. Em decorrência, descarta-se a hipótese de que o homem é um ser social por natureza e aproxima-se do fato de que a vida em sociedade aparece como uma decorrência do desejo humano de autopreservação, algo, portanto, artificial” [...].

OLIVEIRA, Flávio; BORGES, Thiago. Unidos venceremos: Mas acabaremos com o medo? Ciência e vida – Filosofia. São Paulo. Lafonte Editora, 2013. N. 89. p. 22. Fragmento.

Esse texto evidencia que o contrato social firma um acordo entre os seres humanos, a fim de que eles vivam em sociedade. Compartilham dessa concepção, os seguintes filósofos “contratualistas”:

[...] pode dirigir as forças do Estado de acordo com a finalidade de sua instituição, que é o bem comum, porque, se a oposição dos interesses particulares tornou necessário o estabelecimento das sociedades, foi o acordo desses mesmos interesses que о possibilitou. O que existe de comum nesses vários interesses forma o liame social e, se não houvesse um ponto em que todos os interesses concordassem, nenhuma sociedade poderia existir. Ora, somente com base nesse interesse comum é que a sociedade deve ser governada.

(Adaptado de: ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Nova Cultural, 1999. p. 85)

O conceito de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) a que se refere o trecho acima é:
O filósofo Jean-Jacques Rousseau comentou certa vez que “O povo inglês é livre apenas durante as eleições dos membros do parlamento; eleitos esses membros, ele vive em escravidão, é um nada”. O texto em questão faz referência ao
A relação entre filosofia e política é profunda e remonta aos primórdios do pensamento ocidental. Desde a Antiguidade, filósofos têm refletido sobre as questões fundamentais que envolvem a organização social, a justiça, o poder e a legitimidade das leis. A filosofia oferece uma lente crítica para entender as bases éticas e morais que sustentam as instituições políticas, questionando como as sociedades devem ser organizadas para garantir o bem comum e a liberdade individual (SANTOS, 2001).
Qual das alternativas abaixo reflete a relação entre filosofia e política?
O filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940) é um dos teóricos mais estudados hoje, e sua obra, consideravelmente aberta a interpretações, interessa a pesquisadores e profissionais de várias áreas.
Sobre esse autor, assinale V, para as afirmativas verdadeira, ou F, para falsas:
(__)Benjamin não foi um pensador da Educação na mesma amplitude e assiduidade com que foi um pensador da cultura, por exemplo.
(__)Benjamin buscava a possibilidade de uma experiência total e concreta do conhecimento e, por isso, criticava a Educação direcionada para a especialização ou para a prática profissional.
(__)O pensador criticava os abusos de quem tentava "entender" a infância e com isso tentar enquadrar a criança em parâmetros psicológicos, como se fossem "seres tão diferentes de nós, com uma existência tão incompatível com a nossa, que precisamos ser muito inventivos para conseguir distraí-las".
Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/1888/wa lter-benjamin-repensar-a-historia-rever-a-crianca
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
“No século XVIII, as noções de liberdade e igualdade avançaram com a original concepção política firmada na vontade geral (do povo), elaborada pelo “cidadão de Genebra” (Suíça) Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Aspectos avançados do seu pensamento decorrem do entendimento de que cada cidadão pode transferir sua liberdade e seus bens apenas para a comunidade (interpretada como corpo único) da qual ele faz parte” (ARANHA e MARTINS, 2016, p. 249). A partir do trecho e de seus conhecimentos sobre a filosofia política de Rousseau, é correto afirmar que o contrato social
“A cultura aponta para o mundo como ele é, com hábito, costumes, valores que nos aproximam dos outros indivíduos do grupo. A arte aponta para possibilidades do mundo, tira-nos do habitual, rompe os costumes, propõe outros valores. Já a cultura de massa e a indústria cultural estão ligadas à cultura e não à arte, pois reiteram o que já sabemos, têm efeito tranquilizante sobre seu público, oferecendo entretenimento e passamento que não propiciam a compreensão mais profunda do mundo” (ARANHA e MARTINS, 2016, p. 359).
A partir da leitura do fragmento, bem como de seus conhecimentos sobre indústria cultural e cultura de massa, assinale a alternativa correta.
O filósofo marxista Antonio Gramsci (1891-1937) apresenta nos Cadernos do Cárcere (que foram publicados a partir de 1948) uma série de apontamentos a respeito da noção de intelectual, das categorias de intelectuais e de suas funções na sociedade. Sobre o pensamento de Gramsci acerca dos intelectuais, é CORRETO afirmar:
Norberto Bobbio (1909-2004) foi um filósofo, jurista e “militante político que participou de polêmicas em jornais e em revistas, criticando a injustiça no mundo capitalista e o estado de não liberdade dos países em que foi implantado o socialismo real” (ARANHA e MARTINS, 2016, p. 290). Sobre o seu pensamento filosófico, político, social e econômico, assinale a alternativa correta.

Analise os textos abaixo, inspirados nas concepções sobre direitos humanos de trêspensadores:

Texto I:

“Os direitos humanos só têm força quando garantidos por uma comunidade política. A experiência dos apátridas demonstra que, sem pertencimento a um Estado, esses direitos tornam-se abstrações frágeis, embora continuem sendo válidos para todas as pessoas como ideais universais” (Arendt, 1998).

Texto II:

“Os direitos humanos devem ser vistos como condições reais que garantem às pessoas a capacidade de viverem vidas dignas, como acesso à educação, saúde e oportunidades econômicas. Essas condições, chamadas de liberdades substanciais, são indispensáveis para superar desigualdades sociais e culturais” (Sen, 2000).

Texto III:

“Os direitos humanos formam um núcleo básico de princípios universais, que devem ser respeitados por todas as sociedades. Eles não exigem uniformidade cultural, mas garantem uma base comum indispensável para estabelecer uma convivência justa entre os povos” (Rawes, 2008).

Com base nas ideias e informações apresentadas nos textos, assinale a alternativa correta.

A emergência de um espaço público significa que se criou um domínio público que “pertence a todos” (ta koina). O “público” deixa de ser um assunto “privado” – do rei, dos prelados, da burocracia, dos políticos, dos especialistas, etc. As decisões relativas aos assuntos comuns devem ser tomadas pela comunidade.
(CASTORIADIS, 1987, p. 311.)

Um dos aspectos da polis grega, que se associa ao surgimento e desenvolvimento da política, é:
Maquiavel teve curta passagem em cargos públicos no governo florentino, em um período complicado, de grande instabilidade política, no qual o poder passava de mão em mão em espaços de tempo relativamente curtos. Nessa troca de governantes, o referido escritor acaba demitido e exilado em seu próprio país, proibido de ocupar qualquer cargo público, inclusive com uma estadia na prisão. Já em liberdade, retorna à propriedade herdada de seus pais, e vive modestamente longe do glamour da vida pública. Nesse período recluso, ele passa a examinar os pensadores clássicos, e redige suas obras, dentre as quais cabe destacar a mais importante, que marcou seu nome na história do pensamento político: “O Príncipe”.
(WEFFORT, 2001, p. 16.)

Nessa obra em específico (O Príncipe), Maquiavel:
A doutrina marxista foi fundada por Karl Marx na década de 1840, promovendo uma revolução no pensamento filosófico, “[...] especialmente pelas conotações políticas explícitas nas suas ideias” (Triviños, 1987, p. 49). De acordo com Triviños (1987), o marxismo compreende, precisamente, três aspectos principais, que são:
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