Aqui, ali, por toda a parte, encontravam-se trabalhadores, uns ao sol, outros debaixo de pequenas barracas feitas
de lona ou de folhas de palmeira. De um lado cunhavam pedra cantando; de outro a quebravam a picareta; de
outro afeiçoavam lajedos a ponta de picão; mais adiante faziam paralelepípedos a escopro e macete. E todo
aquele retintim de ferramentas, e o martelar da forja, e o coro dos que lá em cima brocavam a rocha para lançar-lhe ao fogo, e a surda zoada ao longe, que vinha do cortiço, como de uma aldeia alarmada; tudo dava a idéia de uma atividade feroz, de uma luta de vingança e ódio. Aqueles homens gotejantes de suor, bêbedos de calor, desvairados de insolação, a quebrarem, a espicaçarem, a torturarem a pedra, pareciam um punhado de demônios revoltados na sua impotência contra o impassível gigante que os contemplava com desprezo, imperturbável a todos os golpes e a todos os tiros que lhe desfechavam no dorso, deixando sem um gemido que lhe abrissem as entranhas de granito.
Aluizio de Azevedo, O cortiço
Analise o emprego dos conectivos que DESTACADOS no fragmento a seguir: "o impassível gigante "que" os
contemplava com desprezo, imperturbável a todos os golpes e a todos os tiros "que" lhe desfechavam no dorso,
deixando sem um gemido "que" lhe abrissem as entranhas de granito" (L 8-10).
Quanto aos contratos administrativos celebrados em conformidade com a Lei n.º 8.666/1993, julgue os itens que se seguem.
Em nenhuma hipótese é possível a celebração de contrato verbal com a administração em razão do rígido formalismo exigido, a fim de evitar abusos e prejuízos ao erário.
Julgue os próximos itens, relativos à gestão de pessoas.
De acordo com a administração científica, corrente que contribuiu para a consolidação da gestão de pessoas nas organizações, todo servidor tem necessidades sociais e econômicas que devem ser supridas pelas organizações de trabalho.
Virou a capanga de cabeça para baixo, e os peixes espalharam-se pela pia. Ele ficou olhando, e foi então que notou que a traíra ainda estava viva. Era o maior peixe de todos ali, mas não chegava a ser grande: pouco mais de um palmo. Ela estava mexendo, suas guelras mexiam-se devagar, quando todos os outros peixes já estavam mortos. Como que ela podia durar tanto tempo assim fora d"água?...
Teve então uma ideia: abrir a torneira, para ver o que acontecia. Tirou para fora os outros peixes: lambaris, chorões, piaus; dentro do tanque deixou só a traíra. E então abriu a torneira: a água espalhou-se e, quando cobriu a traíra, ela deu uma rabanada e disparou, ele levou um susto – ela estava muito mais viva do que ele pensara, muito mais viva. Ele riu, ficou alegre e divertido, olhando a traíra, que agora tinha parado num canto, o rabo oscilando de leve, a água continuando a jorrar da torneira. Quando o tanque se encheu, ele fechou-a.
– E agora? – disse para o peixe. – Quê que eu faço com você?...
Enfiou o dedo na água: a traíra deu uma corrida, assustada, e ele tirou o dedo depressa.
– Você tá com fome?... E as minhocas que você me roubou no rio? Eu sei que era você; devagarzinho, sem a gente sentir... Agora está aí, né?... Tá vendo o resultado?...
O peixe, quieto num canto, parecia escutar.
Podia dar alguma coisa para ele comer. Talvez pão. Foi olhar na lata: havia acabado. Que mais? Se a mãe estivesse em casa, ela teria dado uma ideia – a mãe era boa para dar ideias. Mas ele estava sozinho. Não conseguia lembrar de outra coisa. O jeito era ir comprar um pão na padaria. Mas sujo assim de barro, a roupa molhada, imunda? – Dane-se – disse, e foi.
Era domingo à noite, o quarteirão movimentado, rapazes no footing , bares cheios. Enquanto ele andava, foi pensando no que acontecera. No começo fora só curiosidade; mas depois foi bacana, ficou alegre quando viu a traíra bem viva de novo, correndo pela água, esperta. Mas o que faria com ela agora? Matá-la, não ia; não, não faria isso. Se ela já estivesse morta, seria diferente; mas ela estava viva, e ele não queria matá-la. Mas o que faria com ela? Poderia criá-la; por que não? Havia o tanquinho do quintal, tanquinho que a mãe uma vez mandara fazer para criar patos. Estava entupido de terra, mas ele poderia desentupi-lo, arranjar tudo; ficaria cem por cento. É, é isso o que faria. Deixaria a traíra numa lata d"água até o dia seguinte e, de manhã, logo que se levantasse, iria mexer com isso.
Enquanto era atendido na padaria, ficou olhando para o movimento, os ruídos, o vozerio do bar em frente. E então pensou na traíra, sua trairinha, deslizando silenciosamente no tanque da pia, na casa escura. Era até meio besta como ele estava alegre com aquilo. E logo um peixe feio como traíra, isso é que era o mais engraçado.
Toda manhã – ia pensando, de volta para casa – ele desceria ao quintal, levando pedacinhos de pão para ela. Além disso, arrancaria minhocas, e de vez em quando pegaria alguns insetos. Uma coisa que podia fazer também era pescar depois outra traíra e trazer para fazer companhia a ela; um peixe sozinho num tanque era algo muito solitário.
A empregada já havia chegado e estava no portão, olhando o movimento. – Que peixada bonita você pegou...
– Você viu?
– Uma beleza... Tem até uma trairinha.
– Ela foi difícil de pegar, quase que ela escapole; ela não estava bem fisgada.
– Traíra é duro de morrer, hem?
– Duro de morrer?... Ele parou.
– Uai, essa que você pegou estava vivinha na hora que eu cheguei, e você ainda esqueceu o tanque cheio d"água... Quando eu cheguei, ela estava toda folgada, nadando. Você não está acreditando? Juro. Ela estava toda folgada, nadando.
– E aí?
–Aí? Uai, aí eu escorri a água para ela morrer; mas você pensa que ela morreu? Morreu nada! Traíra é duro de morrer, nunca vi um peixe assim. Eu soquei a ponta da faca naquelas coisas que faz o peixe nadar, sabe? Pois acredita que ela ainda ficou mexendo? Aí eu peguei o cabo da faca e esmaguei a cabeça dele, e foi aí que ele morreu. Mas custou, ô peixinho duro de morrer! Quê que você está me olhando?
– Por nada.
– Você não está acreditando? Juro; pode ir lá na cozinha ver: ela está lá do jeitinho que eu deixei. Ele foi caminhando para dentro.
– Vou ficar aqui mais um pouco
– disse a empregada.
– depois vou arrumar os peixes, viu?
– Sei.
Acendeu a luz da sala. Deixou o pão em cima da mesa e sentou-se. Só então notou como estava cansado.
(VILELA, Luiz. . O violino e outros contos 7ª ed. São Paulo: Ática, 2007. p. 36-38.)
VOCABULÁRIO:
Capanga: bolsa pequena, de tecido, couro ou plástico, usada a tiracolo.
Footing :passeio a pé, com o objetivo de arrumar namorado(a).
Guelra: estrutura do órgão respiratório da maioria dos animais aquáticos.
Vozerio: som de muitas vozes juntas.
A alternativa em que o termo destacado tem a função de adjunto adnominal e não a de predicativo do sujeito é:
Um saco de 25 balas foi repartido entre os irmãos Pedro e Paulo. Como Paulo recebeu mais balas que Pedro ele deu para o irmão 6 balas e assim, ficou com uma bala a menos que Pedro.
O número de balas que Pedro recebeu inicialmente é
Consideradas duas séries televisivas produzidas
pela MULTIRIO, verificou-se que, de N pessoas:
- 48 assistiram à série A;
- 29 assistiram à série B;
- 14 assistiram às duas séries;
- 8 não assistiram nem à série A nem à série B.
O valor de N é:
Na Teoria de Herzberg (Teoria dos Dois Fatores), afirmava- se que existiam fatores que afetavam o indivíduo. Sobre esses fatores e de acordo com a Teoria de Herzberg, é correto afirmar que deve(m) ser considerado(s)
A cada dia útil ingressam na secretaria de registros de processos exatamente 53 processos a mais que no dia anterior. Assim, no primeiro dia dessa contagem ingressaram 53 processos, no segundo dia 106, no terceiro dia 159, e assim sucessivamente. Ao final de 22 dias uteis desse levantamento, terá sido registrado um total de quantos processos?
A prestação de serviço público ou de utilidade pública de forma descentralizada pode ocorrer com a transferência de sua titularidade ou, simplesmente, sua execução, por outorga ou delegação.
Analise as afirmativas abaixo e identifique a alternativa correta.
I. Há outorga quando o Estado cria uma entidade e a ela transfere, por lei, determinado serviço público ou de utilidade pública.
II. A delegação ocorre quando o Estado transfere, por contrato, ou por ato unilateral, unicamente a execução do serviço, para ser prestado ao público em seu nome e por sua conta e risco.
III. O serviço outorgado pode ser retirado ou modificado por ato administrativo bilateral.
IV. Tanto no caso de serviço outorgado como de serviço delegado, ambos estão sujeitos ao controle do Estado.
V. Os serviços delegados o são, normalmente, por prazo indeterminado e os serviços outorgados o são por prazo certo.
A Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow organiza as necessidades humanas em 5 categorias hierárquicas. Assinale a alternativa que as apresenta.
Com relação ao acesso à Internet e às configurações dos navegadores Mozilla Firefox e Internet Explorer, julgue os itens a seguir.
Caso o Firefox utilize um proxy para acessar a Internet, o computador estará protegido contra vírus, desde que a opção remover vírus de páginas HTML automaticamente esteja habilitada no navegador.
Com relação ao processo de compras, julgue os itens subsequentes.
Cabe ao comprador, além de especificar a qualidade, providenciar os meios apropriados de inspeção e testes de verificação que comprovem a qualidade por ele desejada.
Pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a
tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam
o valor, a coisa recebida em virtude de contrato comutativo.
A respeito das variáveis do comportamento organizacional, julgue os itens a seguir.
A heterogeneidade das organizações decorrente da inclusão de diferentes grupos sociais é um desafio para os estudos acerca do comportamento organizacional.
O que é uma virtude? É uma força que age, ou
que pode agir. Assim a virtude de um remédio é tratar, a
virtude de uma faca é cortar... e a virtude de um homem?
Se todo ser possui seu poder específico,
perguntemo-nos qual é a excelência própria do homem.
Aristóteles respondia que é o que o distingue dos animais,
ou seja, a vida racional. Mas a razão não basta:
também é necessário o desejo, a educação, o hábito, a
memória... O desejo de um homem não é o de um
animal, nem os desejos de um homem educado são os
de um selvagem ou de um ignorante. Toda virtude é, pois,
histórica, como toda humanidade, e ambas, no homem
virtuoso, sempre coincidem: a virtude de um homem é o
que o faz humano, ou antes, é o poder específico que
tem o homem de afirmar sua excelência própria, isto é,
sua humanidade.
A virtude é uma maneira de ser, mas adquirida e
duradoura; é nossa maneira de ser e agir humanamente,
nossa capacidade de agir bem.
“Não há nada mais belo e mais legítimo do que o
homem agir bem e devidamente”, diz Montaigne.
A virtude é uma disposição adquirida de fazer o
bem. É preciso dizer mais, ela é o próprio bem, em
espírito e em verdade. Não o Bem absoluto, não o Bem
em si, que bastaria conhecer. O bem não é para se
contemplar, é para se fazer.
Assim é a virtude: é o esforço para se portar bem
na relação consigo e com os outros.
A virtude pode ser ensinada, mais pelo exemplo,
do que pelos livros. Mas, por que ler a seu respeito?
Para tentar compreender o que deveríamos fazer ou
ser, e medir com isso, pelo menos intelectualmente, o
caminho que daí nos separa de sua realização.
SPONVILLE, André Comte. O pequeno tratado das grandes
virtudes. Ed. Martins Fontes. 1999 (Fragmentos do Preâmbulo)
Considere os destaques retirados do Texto II e a indicação de sua classe gramatical:
I - “...que o distingue dos animais,” (l. 6-7) – pronome
pessoal oblíquo átono
II - “ou seja, a vida racional.” (l. 7) – adjetivo.
III - “...uma disposição adquirida de fazer o bem.” (l. 22-23)
– advérbio.
IV- “...e com os outros.” (l. 28) – pronome indefinido
Estão corretos APENAS os destaques/classes gramaticais